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A Ânsia por Desconstrução e a Fraqueza Moral

Pandemonium, John Martin 1841
Em 1910, G. K. Chesterton declarou que o que move o homem moderno para o futuro é tão somente seu medo do passado: ele é regurgitado no presente por seu pavor das reivindicações daqueles que já se foram. "Não há nada de novo debaixo do Sol", já disse Salomão! Repare que isso cabe muito bem para os nossos dias: não sabemos para onde estamos indo, apenas temos em mente de quem fugimos - e escapamos não só das atrocidades jazidas nas areias do tempo, mas das cobranças dos gigantes piedosos cujas vozes ainda chegam à nossa consciência, exigindo retidão. Esse repúdio, travestido de superioridade, nos tem levado a uma insana postura de desconstrução do que se foi, chegando ao absurdo de desabrigar o homem de coisas que sempre o acompanharam na jornada por esse mundo hostil, como a família.
O fato é que o que alguns têm por nobreza na ânsia de mudar o presente sempre desconstruindo o passado, eu tenho por preguiça mental e fraqueza moral. Se a cerca de uma propriedade está demarcada de modo errado, ao invés de corrigirem o caso específico, nossos pensadores irão sugerir o fim de todas as cercas do mundo. Essa é outra forma de dizer que, se há um problema com a pobreza, tendemos a empobrecer a todos e não a gerar mais riqueza; se há um problema de ordem sexual, como o machismo, tendemos a relativizar a sexualidade de todo mundo e não a discutir o caso específico; se há um discurso ofensivo para um segmento da sociedade, tendemos a minar toda a liberdade de expressão e não fortalecer a Justiça, o diálogo e a educação - para corrigir a ofensa a uns poucos, ofendemos a todos; se algumas pessoas são mortas por facas, tendemos a proibir o porte de armas brancas e não a investir em segurança e na Justiça; se algumas crianças são indesejadas, tendemos a diminuir o valor de toda a vida humana para justificar o aborto e não a fomentar a valorização dos pequenos; se alguns indivíduos não se enquadram no padrão da família nuclear, tendemos a aniquilar esse conceito de família, assim como procuramos generalizar o sentimento de orfandade porque algumas crianças não possuem pai. Noutras palavras: se tivermos que levar consolo ao adoentado, provavelmente o faremos disseminado a sua enfermidade entre todos nós e não militando pelo seu tratamento.
Nossa sociedade é tremendamente pessimista! Não consigo ver sensatez no anseio por retirar de todos aquilo que alguns não têm. Retomando o que Chesterton disse, noutras palavras: não queremos mais coisas definidas não pelo fato que somos muito audazes, mas por que somos muito fracos.
Caro leitor, quem corre de costas, observando apavorado os leões do passado que o perseguem, pode estar se dirigindo para o abismo sem perceber - e depois que cair, não haverá retorno. As Escrituras nos mostram que nos momentos mais tenebrosos da história de Israel, os profetas fizeram o povo olhar para trás, avaliar seus passos, descobrir onde erraram e, assim, realinhar sua caminhada em direção ao Eterno. Mas eles só puderam fazer isso por que não lançaram na fogueira suas tradições e a sua própria história. Sigamos esse exemplo! Se nossas apostas no futuro fracassarem, que referencial de mudança teremos se tivermos deixado pelo caminho apenas ruína e deformidade? Não removamos os marcos antigos! (Pv 23:10)

Natanael Pedro Castoldi

Publicado no Jornal Opinião, Encantado, Rio Grande do Sul, 14/08/2015

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