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As Bases Bíblicas da Constituição Norte-Americana

-> Apresentação e Índice
Independentemente da posição do indivíduo com relação aos Estado Unidos da América, qualquer um que analisar a Constituição daquele país, a não ser que o caráter lhe falte, concordará com os seus termos. Há pouca coisa mais humanamente louvável do que os trechos desse documento, que lançou os fundamentos daquela que ainda é a maior potência de nossos dias, o mais significativo baluarte da democracia e um dos grandes ícones da liberdade. É claro que nem tudo o que os EUA promoveram é aceitável, mas qualquer pessoa honesta há de perceber que, num mundo de ditaduras, genocídios, opressão religiosa e política, a presença econômica, ideológica, militar e religiosa dessa grande potência promoveu a estabilidade e uma relativa paz em nosso mundo. Não quero defender tal país, nem sugerir que tudo o que ele fez tem respaldo bíblico, quero apenas apontar para a relevância da mentalidade cristã na formação de uma nação tão importante para o mundo.

O aristocrata norte-americano, Thomas Jefferson, é também o autor do documento político mais biblicamente carregado:

"Consideramos essas verdades auto-evidentes e que todos os homens sejam criados de modo igual e providos, pelo Criador, de certos direitos inalienáveis; entre eles, a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Que, para assegurarem esses direitos, os governos sejam instituídos entre homens que produzam seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destruidora desses objetivos, seja o direito do povo alterá-lo ou aboli-lo."

Conforme atesta a Declaração de Independência dos Estados Unidos, os direitos humanos não são privilégios dispensados ou dissolvidos ao critério do Estado. Na verdade eles são presentes de Deus e nenhuma espécie de poder desse mundo tem o direito de suprimi-los - essa é a ideia que está por trás da Revolução Americana, e não a democracia ou o governo da minoria. A famosa Revolução não veio de uma filosofia secular, mas da religião bíblica, como podemos verificar nas palavras de Alexander Hamilton:

"Os direitos sagrados da humanidade não devem ser procurados em antigos pergaminhos ou em registros mofados. Eles estão escritos, como com raios solares, no enorme volume da natureza humana, pela mão da própria Divindade, e nunca poderão ser apagados ou obscurecidos pelo poder mortal."

Esse tipo de declaração encontra bases no livro do Gênesis, quando Adão foi criado conforme "a imagem e semelhança de Deus" para governar a Terra, e no entendimento de Paulo encontrado em Romanos 1:19-20 e 2:14-15, quando este afirma que a consciência de bem e de mal está incutida na mente humana e que Deus se revela claramente na natureza. Vemos aqui que o conceito de verdades "auto-evidentes" não encontra suas bases no Iluminismo francês ou em René Descartes, mas, pelo menos, no Apóstolo Paulo, em 60 d.C.

Muitos dos Pais Fundadores norte-americanos, como Jefferson e Benjamin Franklin, não era cristãos ortodoxos e, muito menos, ateus, mas isso não significa, de forma alguma, que suas ideias tenham brotado de influências seculares e iluministas. Eles certamente cresceram sendo tocados, ou impregnados, com histórias e ideias da Bíblia, chegando, como no caso de John Adams, a defender que "a Bíblia contém a filosofia mais profunda, a moral mais perfeita e a diretriz mais refinada já concebidas na Terra. É o livro mais republicano do mundo."

Mesmo que não fossem párocos, mas guerreiros, fazendeiros, escritores e estadistas, os Pais Fundadores nutriam evidente apego às Escrituras. George Washington, por exemplo, enquanto comandante do Exército Continental, ordenou que cada dia começasse com uma oração formal em todas as unidades, conforme segue:

"O general ordena que todos os oficiais e soldados obedeçam sem ressalvas às Ordens do Congresso Continental, e, por sua observância verdadeira e devota das obrigações religiosas, o Senhor - Mestre da Vitória - permita que prosperem nossas armas."

Segundo os argumentos do filósofo Michael Novak, autor do livro "Dois lados: a fé humilde e o senso comum na fundação dos Estados Unidos", a filosofia política na qual a Revolução se baseava tinha duas fontes primárias: uma religiosidade bíblica simples, que tinha os direitos humanos como auto-evidentes, presentes e inalienáveis, advindos da vontade de um Criador benevolente e todo-poderoso, e a "razão comum", que floresceu na experiência do autogoverno. A mesma "razão comum", porém destituída dos limites morais da experiência religiosa e o temor de Deus, deu origem ao ateísmo niilista que culminou na sangrenta Revolução Francesa. A Fundação Americana foi diferente - é para isso que aponta a frase "novus ordo seclorum" ("uma nova ordem dos tempos"), encontrada nas cédulas de dólar. Essas são as bases de um sistema de autogoverno e liberdade política capaz de reconhecer os "direitos inalienáveis" dados pelo Criador para todos os seres humanos, sem distinção de classe. Sem o temor de Deus, reconheciam os Fundadores, a tirania nunca se afastaria.

"As liberdades de uma nação podem ser consideradas asseguradas quando removemos delas sua única base firme: a convicção, das mentes das pessoas, de que essas liberdades são um presente de Deus?" Thomas Jefferson.

"De todos os dispositivos e hábitos que levam à prosperidade política, a religião e a moral são as ajudantes indispensáveis"; "É necessário ter cuidado com a suposição de que a moral pode ser mantida sem a religião." George Washington.

No livro "A democracia na América", 1830, do aristocrata francês Alexis de Tocqueville, é dito que "para os norte-americanos, as ideias de cristianismo e de liberdade estão tão completamente emaranhadas que é quase impossível pensar em uma sem pensar na outra."

Fonte: Uma História Politicamente Incorreta da Bíblia, Robert J. Hutchinson, Agir, 2012, pgs 183-186.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:
- O Cristianismo, Paz e Liberdade - Política
- Frases Célebres - Bíblia, Política, Educação e Moralidade
- A Fé e os Seus Benefícios Para a Sociedade

Origens: A Moralidade Humana

Qual é a origem da moralidade humana? Existe alguma razão para sermos seres morais? Sabemos o que é "certo e errado", ou inventamos esses conceitos? O que a moralidade tem a dizer sobre Deus? É estranho quando o relativista moral afirma que "estão errados os que defendem uma moral absoluta" e que "é algo ruim afirmar que existe uma verdade moral definida", uma vez que ele critica o apego à moralidade utilizando-a. O relativismo moral tem se alastrado nas ondas do pós-modernismo, uma reação impulsiva ao mundo de absolutos que culminou nas Grandes Guerras e no comunismo do Século XX - o estranho é que tal reação, necessariamente parte de um pressuposto moral para julgar como vil o século passado que, por sinal, foi o primeiro século no qual o Ocidente realmente viveu desprezando o Deus cristão e a moralidade cristã, postura tal responsável por mais mortes do que os dezenove séculos anteriores somados, tempo no qual viveu-se sob uma orientação mais clara das Escrituras. O ser humano nasce sem uma concepção de moralidade? É tudo aprendido ou inato? Onde pode chegar a humanidade sem um padrão moral definido e externo ao indivíduo? O comunismo do século XX declarou a moralidade sugestionável e se considerou suficiente para determinar aquilo que deveria ser tido como certo e aquilo que deveria ser tomado como errado - mais de 100 milhões de pessoas morreram. Considerando a importância desse assunto, te convido a acompanhar os raciocínios que seguirão - tire as suas próprias conclusões, mas espero que, se entender como errados os posicionamentos de minhas fontes, ao menos reconheça que seu julgamento parte do entendimento moral que habita em sua mente.
Fontes: Por Que Confiar na Bíblia?, Amy Orr-Ewing, Ultimato, 2008, pg 101; Ciência e Fé em Harmonia, Prof. Felipe Aquino, Cléofas, 2012, pg 133.

Índice: 1 - Qual é a fonte da moralidade?; 2 - "Relativismo moral" não existe!; 3 - A moralidade é muito evidente; 4 - Demonstrando a moralidade universal; 5 - Toda a luta contra a moral parte da moralidade; Conclusão.

1 - Qual é a fonte da moralidade?
No livro Em Guarda, Vida Nova, capítulo 6, William Lane Craig, doutor em filosofia e teologia, desfere a seguinte pergunta: "podemos ser bons sem Deus?" Algumas pessoas ficam irritadas com essa pergunta, pois pensam que está sendo dito que "ateus são pessoas ruins", mas não é essa a questão: o que está sendo questionado é se o bem que discernimos no universo existiria se Deus não existisse. Os valores morais são orientações que guiam nossa vida por meras convenções sociais? Seriam apenas gostos pessoais? Ou eles são, de alguma forma, válidos e obrigatórios, independente do que pensamos? A pergunta inicial, sobre a necessidade de Deus para a bondade, quando respondida, solucionará as demais interrogações.

Para iniciar sua argumentação, Craig cita o argumento de William Sorley, professor de filosofia moral na Universidade de Cambridge, que pensava em Deus como a base mais racional para a questão da moralidade: a primeira consideração é a de que existe uma moral objetiva, tão real e independente de nós quanto a ordem natural das coisas. Sorley reconhece a impossibilidade, em certo sentido, de provar que essa ordem moral objetiva exista, mas aponta para a questão de que não podemos nem provar que a ordem natural dos objetos físicos exista - poderia tudo ser uma ilusão, uma interpretação errônea, uma grande manipulação. Aqui é estabelecido que a ordem moral e a ordem natural encontram fundamentos semelhantes - assim como presumimos a realidade dos objetos com base em nossas experiências sensoriais, também devemos presumir a ordem moral com base em nossa experiência moral. Para Sorley, tanto a ordem natural quanto a moral fazem parte de uma mesma realidade, levantando a necessidade de se encontrar uma cosmovisão que possa combinar essas duas ordens de modo coerente - Deus, ao seu ver, é a melhor resposta. "Deve existir uma Mente eterna, infinita, que é o arquiteto da natureza e cujo propósito moral o ser humano e o universo estão gradualmente cumprindo".

Um esquema argumentativo:
1 - Se Deus não existe, também não existem valores morais objetivos nem deveres.
2 - Valores morais objetivos e obrigações existem.
3 - Logo, Deus existe.

O fato é que as pessoas geralmente acreditam nas duas premissas, mesmo que se digam relativistas morais - mesmo quando se foge do debate sob o pretexto de não tentar impor seus valores a alguém, o indivíduo está fazendo uso de valores como amor, tolerância e atitude de ter uma mente aberta. Ele tem como algo objetivamente errado impor suas ideias ao outro! O seu relativismo sustenta a primeira premissa e a sua preocupação moral acaba validando a segunda. Analisemos as premissas:

A - Se Deus não existe, também não existem valores morais objetivos nem deveres:
Por moralidade objetiva sugere-se algo que independe da opinião das pessoas e por moralidade subjetiva, entendemos aquilo que depende da opinião do indivíduo.

"Valores morais exigem a existência de Deus?"; "se Deus não existir, qual é a base dos valores morais?"; "por que pensamos que os seres humanos possuem valor moral?" O naturalismo, forma mais comum de ateísmo, sustenta que as únicas coisas que existem são aquelas validadas e descritas pelas melhores teorias científicas, porém a própria ciência é neutra, respondendo aos questionamentos anteriores de forma negativa: os valores morais não existem na realidade, sendo apenas ilusões dos seres humanos. Nenhum ateísta, mesmo que queira, tem bons argumentos para sugerir que o ser humano seja moralmente valioso, uma vez que os valores morais não passam de um subproduto da evolução biológica e do condicionamento social. Não há nenhuma sugestão natural para uma moralidade objetiva - se a vida acabasse e recomeçasse novamente, a evolução poderia culminar em seres com preceitos morais muito diferentes de nós.

O próprio Charles Darwin afirmou que uma moralidade embasada na natureza pouca coisa boa nos pode oferecer: se os seres humanos fossem criados sob as mesmas condições que as abelhas, acreditariam ser um dever sagrado matar seus irmãos, e as mães lutariam para matar suas filhas férteis, isso tudo sem ninguém pensar em intervir. Sem a existência de Deus, não há nenhuma razão para pensar que a moralidade humana é melhor e mais verdadeira do que as práticas dos outros animais.

"Deveres morais objetivos exigem a existência de Deus"
Segundo os ateístas, os seres humanos são meros animais e, como animais, não nutrem nenhum dever moral uns para com os outros. Falamos que o leão "mata" a zebra, não que a "assassina", falamos que o tubarão branco "força a cúpula" com a fêmea, não que ele a "estupra" - os atos dos animais não possuem nenhuma dimensão moral. Não há proibições ou obrigações. Da mesma forma, se Deus não existir, o que nos leva a pensar que temos algum dever moral? E, caso tenhamos, de onde ele vem? Mesmo que o ateu tenha justificativas biológicas para que o estupro e o incesto tenham se tornado tabus, ele jamais conseguirá mostrar de que forma esses comportamentos são realmente errados, pois esse tipo de coisa vive acontecendo no mundo animal. "Se não tivermos alguém que faça as leis morais, então não existem deveres morais objetivos que devamos obedecer."

"Acreditar em Deus não é algo necessário para a moralidade objetiva; mas Deus é".

O dilema de Eutífron:
"Há algo bom por que Deus deseja que seja assim? Ou Deus deseja algo por que isso é bom?" Se concordarmos com a primeira questão, o questionador irá concluir que o bem é arbitrário; se concordarmos com a segunda, então fica parecendo que o bem ou o mal são independentes de Deus. O problema do dilema de Eutífron é que ele ignora uma terceira possibilidade: a de que Deus deseja algo porque Deus é bom - a própria natureza de Deus é o padrão do que é bom! A natureza do Criador é o padrão moral que define o bem e o mal.

Platonismo moral ateísta - os valores morais simplesmente existem:
Platão acreditava que o bem existia apenas por si mesmo, como uma ideia auto-existente. Tal posicionamento defende a existência de valores morais objetivos, mas nega que estes tenham seus fundamentos em Deus. A questão é: o que significa dizer que o valor moral da justiça simplesmente existe? "Os valores morais aparecem como propriedades das pessoas, e é difícil entender como a justiça possa existir como uma abstração".

Além disso, tal visão não fornece nenhuma base para os deveres morais. O simples fato de existirem valores morais resultaria em alguma obrigação moral? Por que alguém deveria sentir-se no dever de ser, por exemplo, caridoso? Alguém poderia impôr tal obrigação? O platonismo moral ateísta, uma vez que sugere a auto-existência dos comportamentos bons, também aponta para a auto-existência dos comportamentos ruins, como a cobiça, o ódio e o egoísmo - também abstrações. O que nos obriga a levar a vida segundo o primeiro padrão abstrato e auto-existente e não em conformidade com o segundo? Não há nenhuma obrigação moral sem a existência de um legislador moral.

Por fim, é altamente improvável que um processo evolutivo cego simplesmente "cuspisse" o tipo de criaturas que correspondessem ao domínio abstrato dos valores morais. Isso faz parecer que o domínio moral preexistente e abstrato soubesse que estávamos por vir. A existência de Deus como explicação para o domínio moral e natural é muito mais sensata.

Humanismo obstinado - o que quer que contribua para o progresso humano é bom:
Muitos ateus sustentam seus valores morais "naquilo que for melhor para o progresso humano". Por qual motivo devemos crer que aquilo que coopera com o progresso humano é mais valioso do que aquilo que coopera com o progresso dos outros animais? Por que pensar que infligir o mal a outro ser humano é errado? Penso, de fato, que seja errado, mas como o ateísmo pode justificar tal consideração? Escolher o progresso humano como moralmente especial é um julgamento arbitrário.

Alguns ateus afirmam que comportamentos bons ou ruins estão necessariamente vinculados a certos estados naturais de coisas - a maldade está necessariamente vinculada ao infanticídio e a bondade está necessariamente vinculada ao ato de amamentar, por exemplo. Para os que isso sugerem, uma vez que as propriedades naturais estão em seus devidos lugares, as propriedades morais encontram sentido. Por qual motivo devemos pensar que as propriedades morais (bondade e maldade), estranhas e não naturais, sequer existam? Por qual motivo devemos pensar que elas se vinculam a vários estados naturais de coisas? Existe alguma razão para que o humanista pense que, estando certo o ateísmo, o ser humano seja moralmente mais importante? Tal posicionamento não se sustenta.

A menos que sejamos niilistas morais, devemos reconhecer algum ponto de parada em nossa jornada moral - e Deus é esse ponto! Deus, por definição, é o maior dos seres concebíveis, e um ser que é o fundamento e a fonte da bondade é maior do que aquele que apenas toma parte nessa bondade.

B - Existem valores e deveres morais objetivos:

Experiência moral:
Os filósofos, quando refletem sobre a moral, não veem mais razões para desconfiar dessa experiência do que veem para desconfiar da experiência dos nossos cinco sentidos. Eu acredito que exista um mundo objetivo ao meu redor, mesmo que não possa confiar plenamente nos meus sentidos. Assim como acredito na experiência sensorial, devo crer na experiência moral, tendo em mente que algumas coisas são objetivamente boas e outras não.

Segundo Craig, 95% das pessoas que se dizem adeptas do relativismo moral, mudam rapidamente de opinião quando confrontadas com questões práticas. Basta perguntá-las sobre a prática hindu de queimar a viúva viva juntamente com o cadáver do marido ou sobre o costume chinês de aleijar suas mulheres pelo resto da vida, atando os seus pés desde crianças para que fiquem parecidos com flores de lótus. Quando você se deparar com alguém que trate desses assuntos com base no relativismo sociocultural, afirmando que tudo não passa de cultura e momento histórico, será o seu dever deixá-lo consciente de que, dessa forma, ele não pode criticar nada - nem você. 

Nesse momento cabe o seguinte questionamento: "temos alguma razão primordial para não confiar em nossa experiência moral?" Há quem sugira que nossas crenças morais foram incutidas em nós pela evolução e pelo condicionamento social, debilitando nossa experiência moral, porém a verdade de uma crença independe de como alguém veio a sustentá-la. Na melhor das hipóteses, a explicação anterior, sociobiológica, prova que nossa percepção dos valores e deveres morais evoluiu - a descoberta gradativa, e não invenção, dos valores morais não os torna menos objetivos, assim como a percepção gradual e falível do mundo físico não o torna menos real. De qualquer forma, se nossas crenças morais são fruto da evolução, não podemos ter qualquer confiança nelas, assim como não podemos confiar no dizer de um biscoito da sorte ou na leitura de folhas de chá.

Se Deus não existe, nossas crenças morais foram selecionadas pela evolução. Se Deus não existe, então nossas crenças morais são ilusórias. Mas não há nenhuma razão para crer que a explicação sociobiológica seja verdadeira. Agora, se o Criador existe, então é provável que Ele tenha controlado nosso processo evolutivo para produzir as crenças desejáveis ou que, no momento da Criação, já as tenha incutido em nós. De qualquer modo, para o naturalismo não só as nossas crenças, mas todo o nosso conhecimento é fruto da evolução e do condicionamento social - a explicação evolucionária, portanto, nos leva ao ceticismo quanto ao conhecimento em geral. Nesse caso, deveríamos ser céticos quanto ao próprio processo evolucionário! Com base em tudo isso, temos boas justificativas para pensar que os deveres e valores morais realmente existem e que, portanto, Deus também seja real.

Resumo:
- Se Deus não existe, então não existem valores e deveres morais objetivos -> sem Deus, o naturalismo é verdade e a moralidade ilusória -> a natureza de Deus é o Bem e a sua vontade necessariamente expressará sua natureza -> o platonismo moral é ininteligível e não fundamenta o dever -> o humanismo propõe algo arbitrário e implausível.
- Existem valores e deveres morais objetivos -> a experiência moral revela isso -> a explicação sociobiológica não diminui a verdade das crenças morais, ela parte do pressuposto de que o ateísmo é verdadeiro e derruba a si mesma.
- Deus existe.

Conclusão:
As duas premissas trabalhadas apontam para Deus. Conclui-se que nós não podemos ser bons sem que Deus exista.
Fonte: Em Guarda, William Lane Craig, Vida Nova, 2011, pgs 139-161.

2 - "Relativismo moral" não existe!
Quando alguém afirma que "não existem verdade absolutas", basta questionar: "você realmente crê que é verdade que não existem verdades?" Se algo é verdadeiro, então outra coisa é falsa e, portanto, a "verdade que não existem verdades" é inconcebível, pois sugere uma verdade que é incompatível com o oposto defendido. Por esse motivo é que as religiões não podem estar todas certas ao mesmo tempo e que os comportamentos humanos não são todos igualmente aceitáveis. Quando alguém diz que não se pode questionar as crenças religiosas de uma pessoa, está defendendo uma outra crença religiosa: o pluralismo. E tal crença também questiona as demais, já que não aceita as visões de mundo "não pluralistas" - até a ideia de que "você não deve julgar", é um julgamento! Não se pode saber o que está errado, a menos que se saiba o que está certo. Mesmo que alguém afirme que a verdade na moralidade não é importante, basta que você o trate com falta de educação para que ele deixe de acreditar nisso.

É possível que o relativista moral ache que "é bom" não crer numa moralidade objetiva? Será que ele considera "ruim" que alguém nutra um sistema de valores absolutos? E se ele, te julgando, valorizar a ideia de que "não se pode desferir juízos de valor"? Se tais coisas acontecerem, o questionador e acusador estará se contradizendo vergonhosamente.
Fonte: Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Norman Geisler e Frank Turek, Vida, 2012, pgs 41-50 e 67.

3 - A moralidade é muito evidente:
"Você gostaria que fizessem o mesmo com você?"; "Desculpe, esse banco é meu, eu sentei aqui primeiro"; "Deixe-o em paz, que ele não lhe está fazendo nada de mal"; "Por que você teve que entrar na frente?"; "Dê-me um pedaço de sua laranja, pois eu lhe dei um pedaço da minha"; "Poxa, você prometeu!". Quem desfere tais comentários não somente está expressando seu desgosto pelo comportamento do próximo, mas sugerindo um padrão ideal de comportamento que ele também deveria conhecer. É improvável que o indivíduo assim confrontado simplesmente mande tal padrão "para o Inferno" - na verdade ele tende a procurar várias desculpas para se justificar. Fica claro que os envolvidos na discussão conhecem uma lei ou regra de conduta leal, de comportamento digno ou moral - se não conhecessem, poderiam até lutar como animais ferozes, mas jamais discutiriam o assunto, pois a discussão parte do pressuposto de que o outro está errado. Não há sentido em tentar mostrar que o outro está errado se ambos não partilham de um consenso sobre o que é certo e o que é errado. Tal lei do certo e do errado é conhecida como "Lei Natural".

Quando os pensadores antigos sugeriram uma "lei natural", eles apontavam para um conjunto de regras que pertencem naturalmente ao ser humano, uma lei própria do homem - os outros seres se sujeitam às leis da física, da química e da biologia, mas somente o homem conhece a lei moral. De todos os conjuntos de leis que estão sobre o ser humano, apenas a lei que lhe é exclusiva, aquela que ele não tem em comum com os outros seres, pode ser desobedecida - a única lei que pode ser burlada pela escolha voluntária é a Lei Natural. O nome "Lei Natural" já indica de onde o conceito foi tirado: todos a conheciam. 

Para C.S. Lewis, as pessoas, de fato, pensam que a ideia de comportamento digno ou decente é óbvia para todos - e isso faz sentido, pois, caso contrário, não poderíamos desferir juízos sobre guerras e demais conflitos. Alguns lutam contra tal princípio afirmando que diversos povos da história nutriram comportamentos morais muito diferentes, mas C. S. Lewis discorda: há, sim, diferenças morais entre os povos, mas a distância entre elas é pequena, nunca chegando a caracterizar algo totalmente diferente. Nunca existiu uma cultura capaz de valorizar o roubo, a traição, o egoísmo, a mentira ou o assassinato - os povos concordam com isso assim como todo mundo (consciente) concorda que dois mais dois é igual a quatro. E mesmo que existam algumas exceções mais gritantes, "um cálculo errado não invalida a tabuada".

"Se um conjunto de ideias morais não fosse melhor do que outro, não haveria sentido em preferir a moral civilizada à moral bárbara, ou a moral cristã à moral nazista. (...) No momento em que você diz que um conjunto de ideias morais é superior a outro, está, na verdade, medindo-os ambos segundo um padrão e afirmando que um deles é mais conforme a esse padrão que o outro." Quando você faz isso, compara os dois conjuntos de ideias com uma Moral Verdadeira, com aquilo que podemos chamar de "O Certo". Se as suas ações morais são mais verdadeiras do que as dos nazistas, deve existir algo que seja o objeto a que essa verdade faz referência. Ecoando outra ilustração de Lewis: o motivo de a minha concepção de Nova York ser mais verdadeira ou mais falsa que a sua reside no fato de Nova York é um lugar real, que existe independentemente do que pensemos a seu respeito - se não existisse, não haveria medida de verdade ou de falsidade em nossas concepções. 

Certas pessoas, ainda, sugerem que a Lei Natural nada mais é do que resultado dos nossos instintos bestiais, desenvolvida no passo deles. A questão é que sentir "o desejo intenso de ajudar alguém é bem diferente de sentir a obrigação imperiosa de ajudar, quer queiramos, quer não". Se você ouvir um grito de socorro, provavelmente dois desejos aflorarão: o de prestar socorro e o de fugir do perigo. Mas haverá um terceiro elemento em ação em sua mente, um desejo que mandará você socorrer a pessoa em perigo e suprimir o desejo de fuga - ora, o elemento que pesa os dois desejos iniciais não pode ser nenhum deles! Para C. S. Lewis, "a Lei Moral nos informa a melodia a ser tocada; nossos instintos são mera teclas. (...) A Lei Moral não é um instinto particular ou um conjunto de instintos; é como um maestro que, regendo os instintos, define a melodia que chamamos de bondade ou boa conduta".

"Podemos embaralhar o 'eu quero' e o 'sou obrigado' ou o 'seria aconselhável' e o 'não ouso' tanto quanto nos aprouver, mas não poderemos extrair deles o menor traço do 'deve' e do 'não deve'."

O que, por fim, podemos saber é que os seres humanos estão sujeitos a uma lei moral que não foi criada por eles; que tal lei não pode ser tirada de vista mesmo que se queira; e à qual sabem que devem obedecer. Não podemos dizer se uma linha é torta se não soubermos o que é uma linha reta!
Fonte: Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis, Martins Fontes, 2014, pgs 5-28, 32, 51; O Problema do Sofrimento, C. S. Lewis, Vida, 2013, pg 26.

4 - Demonstrando a moralidade universal:
Os nazistas da Segunda Guerra Mundial só foram julgados por uma corte internacional, pois o mundo inteiro reconheceu que há padrões morais que transcendem nações e culturas e que os nazistas tinham consciência desses padrões. É claro que há casos de criminosos inocentados, mas isso geralmente acontece por motivo de insanidade, sendo exceções que provam a regra. Para mostrar que existe uma moralidade universal, Lewis apresenta códigos legais de mais de 12 povos antigos, desde os gregos e os romanos, passando pelos babilônios e egípcios, até os nórdicos e os índios norte-americanos - fazendo isso, Lewis demonstra que existe uma noção geral em toda a humanidade sobre os princípios morais básicos, nomeados pelos judeus de "Dez Mandamentos". Segue uma pequena parte da lista de códigos comuns apresentada pelo grande apologista inglês:

- "Eu não matei homem nenhum" - Egito antigo, Livro dos Mortos.
- "Não matarás" - Judeu antigo, Êx 20:13.
- "Em Nástrond (Inferno) eu vi (...) assassinos" - Nórdico antigo, Volospá 38, 39.
- "Eu não fui avarento" - Egípcio antigo.
- "Aquele que trama a opressão tem a sua morada arruinada" - Babilônio, Hino a Samas.
- "Aquele que é cruel e calunioso tem a personalidade de um gato" - Hindu, Leis de Manu.
- "Não calunieis" - Babilônio, Hino a Samas.
- "Não darás falso testemunho contra o teu próximo" - Judeu antigo, Êx 20:16.
- "Não profiras uma palavra pela qual alguém possa ser ferido" - Hindu, Janet.
- "Não faças algo aos outros que não gostarias que fizessem contigo" - Chinês antigo, Analectos de Confúcio.
- "Não guardem ódio contra o seu irmão no seu coração" - Judeu antigo, Lv 19:17.
- "A Natureza encoraja os homens a desejar a existência da sociedade humana e a fazer parte dela" - Romano, Cícero, De Officiis.
- "Quando o povo tiver se multiplicado, o que deve ser feito por ele? O Mestre disse: 'Faze-o prosperar.' Jan Ch'iu perguntou: 'E, quando já estiver próspero, o que deve ser feito por ele?' O Mestre disse: 'Instruí-o'" - Chinês antigo, Analectos.
- "O homem é a felicidade do homem" - Nórdico antigo, Hávamál.
- "Aqueles a quem se pedem esmolas devem sempre dá-las" - Hindu, Janet.
- "Acaso ele insultou sua irmã mais velha?" - Babilônio, Lista de Pecados.
- "Você os verá cuidando dos parentes e dos filhos dos seus amigos (...) sem jamais repreendê-los minimamente" - Pele-vermelha, Le Jeune.
- "Ama tua esposa persistentemente. Alegra teu coração por toda a vida." - Egípcio antigo.
- "Para um homem ajuizado, nada pode mudar os deveres de parentesco" - Anglo-saxão, Beowulf.
- "Não devo ser insensível como uma estátua, mas sim honrar tanto minhas relações naturais quanto artificiais, como um adorador, um filho, um irmão, um pai e um cidadão" - Grego.
- "Isto eu te digo em primeiro lugar: sê impecável para com os do teu sangue. Não te vingues nem mesmo daqueles que erram contigo" - Nórdico antigo, Sigdrifumál.
- "Somente os filhos de Atreus amam suas esposas? Pois todo homem bom e ajuizado ama e guarda a sua própria esposa" - Grego, Homero, Ilíada.
- "Acaso ele desprezou Pai e Mãe?" - Babilônio, Lista dos Pecados.
- "Eu fui um cajado ao lado do meu Pai (...) Obedeci inteiramente às suas ordens" - Egito antigo, Confissões da Alma do Justo.
- "Honra teu pai e tua mãe" - Judeu antigo, Êx 20:12.
- "Cuidar dos pais" - Grego, Lista dos Deveres de Epicteto.
- "As crianças, os idosos, os pobres e os doentes devem ser considerados os senhores da atmosfera" - Hindu, Janet.
- "Levantem-se na presença dos idosos, honrem os anciãos" - Judeu antigo, Lv 19:32.
- "Eu cuidei do idoso, dei-lhe meu cajado" - Egípcio antigo.
- "Você os verá cuidando (...) dos homens idosos" - Pele-vermelha, Le Jeune.
- "Deve-se grande reverência a uma criança" - Romano, Juvenal.
- "Disse o Mestre: 'Respeita os jovens'" - Chinês antigo, Analectos.
- "Acaso ele traçou falsas demarcações de terra?" - Babilônio, Lista dos Pecados.
- "Enganar, roubar, ocasionar roubo" - Babilônio.
- "Não roubai" - Egito antigo, Confissões da Alma do Justo.
- "Não furtarás" - Judeu antigo, Êx 20:15.
- "O prejuízo é preferível ao lucro ilícito" - Grego, Chilon.
- "Se o nativo fizer um 'achado' de qualquer tipo e o marcar, o objeto passará, pelo menos para os homens de sua tribo, a ser indiscutivelmente seu, por mais que ele demore a usá-lo" - Aborígine australiano.

Essa lista representa apenas uma parte daquela disponibilizada por Lewis no livro "A Abolição do Homem". Com base em suas conclusões, o famoso apologista cristão sugere que o papel dos profetas antigos não residia na criação da moralidade, mas no relembrar de seus conceitos, como se os mesmos fossem inatos. E é justamente isso que parece.
Fontes: Apologética Cristã Para o Século XXI, Louis Markos, Ph.D., Central Gospel, 2013, pgs 32-33; A Abolição do Homem, C. S. Lewis, Martins Fontes, 2005, pgs 79-89.

5 - Toda a luta contra a moral parte da moralidade:
C. S. Lewis, através de uma complexa argumentação, estabelece que a Lei Natural é o único sistema de leis possível, a fonte para todos os juízos de valor - preservado qualquer valor, a Lei Natural será preservada. Nunca houve um juízo de valor radicalmente novo na história humana - tudo aquilo que pretende ser um novo sistema ou ideologia nada mais é do que fragmentos da Lei Natural e, portanto, "a rebeldia das novas ideologias contra o Tao [Lei Natural] é a rebeldia dos galhos contra a árvore." De semelhante modo, o latim não deixou de existir porque novas línguas foram tiradas do nada e o suprimiram: foi ele próprio o gerador das novas línguas e ele, de certa forma, continua presente nos idiomas nele baseados - que cabimento teria se o povo, tentando acabar com o latim, apenas parasse de falar, fazendo um voto de silêncio, e deixasse de escrever?
Fonte: A Abolição do Homem, C. S. Lewis, Martins Fontes, 2005, pgs 42-44.

Conclusão:
Diante de tudo isso, só podemos concluir que, existindo uma lei moral comum a todos os seres humanos, deve existir um Legislador. A Lei Natural não pode ter vindo da natureza, não é fruto da evolução, não é relativa - ela é absoluta, inerente ao ser humano e um elemento próprio, diferente dos instintos. A Lei Moral existia antes de nós e é externa, a Lei Moral aponta, necessariamente, para a existência de Deus! Mas não qualquer Deus: o gerador da moralidade só pode ter se baseado na sua própria natureza, perfeita, amorosa e relacional. O único Deus descrito como capaz de criar tudo, como sendo o amor em essência e eternamente relacional, residindo na eternidade na pessoa da Trindade, é o Deus que a Bíblia nos apresenta. Tendo criado o homem como um ser semelhante a Ele, incutiu em sua mente e alma uma série de princípios morais que possibilitariam um relacionamento saudável e segundo a natureza divina - tendo o homem liberdade para ir contra a Lei Natural, afastou-se de Deus, mas a Lei Natural não afastou-se do homem, espalhando-se pelo mundo inteiro, por todas as culturas e povos da história.

Natanael Pedro Castoldi

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A Justiça Social no Antigo Testamento

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Como Israel auxiliava aos seus pobres e estrangeiros e lidava com criminosos?

- Deus não queria que existisse pobre em Israel: Deuteronômio 15:4.
- Um em cada sete anos, o Ano Sabático, serviria para a terra descansar, sem cultivo, e para que os pobres pudessem colher todo o produto espontâneo do campo. Êxodo 23:11; Levítico 25:3-7. A terra se revitalizava e os pobres podiam se alimentar.
- Levítico 19:9-10: a regra era deixar para trás os grãos e frutos que caíam no chão durante a colheita para que os pobres e estrangeiros pudessem coletar aquilo que precisavam para se alimentar.
- Os cantos da fazenda não poderiam ser colhidos, sendo destinados para servir aos pobres e estrangeiros.
- Quando Deus distribuiu as terras entre as 10 Tribos, todas as famílias israelitas, sem exceção, receberam uma porção de terra para que pudessem fazer parte da vida comercial de Israel e tivessem condições de viver por conta própria.
- Ano do Jubileu: a sociedade israelita se reinventava a cada 50 anos. Nesse ano, o Ano do Jubileu, se distribuía a fonte produtora da riqueza - Deus determinou que a cada 50 anos as terras deveriam ser devolvidas aos donos originais, os escravos deveriam ser libertos e as dívidas deveriam ser sanadas. Com o Jubileu, todos os israelitas voltavam a assumir a sua parte no sustento da nação - a concentração exacerbada de riquezas era desfeita (isso com as terras devolvidas, escravos libertos e dívidas sanadas). Quando há concentração, poucos são os que carregam o ônus da produção e, portanto, são poucos aqueles que sustentam a sociedade, levando a nação a ficar nas mãos de quase ninguém e estes, os senhores das fontes produtoras, por serem essenciais, acabam cobrando caro pelos serviços que concentram em seus domínios. Se os poucos detentores do poder econômico quebrarem, toda a nação quebra - agora, havendo menos concentração de riquezas e patrimônios, com mais pessoas usufruindo das fontes produtoras, a nação será economicamente muito mais poderosa e estável. É claro que as pessoas não perdiam aquilo que era de propriedade tradicional de suas famílias.
Quando há concentração, apenas uns poucos se encarregam da produção, sustentando a sociedade, e o restante da população se torna apenas consumidora, acumulando, gradativamente, dívidas, e, portanto, deixando de remunerar adequadamente a produção - há maiores riscos de haver uma quebra econômica. Por outro lado, com a desarticulação da concentração, o ônus da produção é distribuído, levando todos a se envolverem na produção de riqueza. Sob tal configuração, o comércio se intensifica. A própria lógica do Jubileu levava o povo a evitar concentrar riquezas demais (através da cobrança de dívidas e angariamento de terras), proporcionando uma intensa circulação de produtos e demais recursos e, assim, acrescentando poder à sociedade como um todo, à nação de Israel. Levítico 25:8-16, 35-55. - Tais conclusões refletem os dizeres do Pr. Ariovaldo Ramos, devidamente indicado no final do artigo.

"O Ano do Jubileu israelita acontecia a cada cinquenta anos. Era como um Ano Sabático, com a exceção de que o Ano do Jubileu também tinha o propósito de devolver as propriedades e as terras aos donos originais e os servos às suas famílias (Lv 25:10). Isso significava que duas vezes a cada século a economia de Israel era de certa forma nivelada, embora a renda não fosse redistribuída. Os objetivos eram que nenhuma terra que pertencesse às famílias ficasse permanentemente nas mãos dos credores, e que nenhuma pessoa estivesse definitivamente dedicada à servidão." Fonte: O Novo Comentário da Bíblia, Antigo Testamento, Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H Wayne House, Central Gospel, pg 252.

- A justiça: existem muitas leis para corrigir crimes no Antigo Testamento, não sendo produtivo tratar de todas - vou me deter na forma como a lei tratava de homicídios culposos, nos quais não havia a intenção de matar. Como meio de promover a ordem, o assassinato doloso era corrigido com pena de morte, mas havia uma consciência para crimes nos quais a intenção do coração divergia moralmente do ato desastroso, pois a justiça de Deus sempre visa o caráter, a iniciativa, o desejo do indivíduo em cometer bons e maus atos. Êxodo 21:12-13. O direito de vingança era dado ao grupo familiar que se sentisse lesado com a perda de um membro por meio do homicídio, mas para a morte causada por descuido, sem interesse da parte do assassino, havia um escape: as Cidades de Refúgio. Números 35:9-29. Caso determinado israelita matasse alguém sem querer e a família do falecido desejasse vingar-se, o homicida podia se deslocar para uma cidade na qual ele não poderia ser morto - tal tipo de cidade concentrava um bom número de sacerdotes (elas pertenciam aos levitas), o que mantinha a moralidade do local nos eixos, mesmo com os fugitivos. Além disso, tendo os sacerdotes espalhados por esses locais, dificilmente um inimigo que destruísse Israel conseguiria matar todos eles, preservando tais figuras, com suas devidas funções religiosas e todo o potencial de transmitir a cultura e a fé de Israel.

"Este capítulo [Números 35] lida com a parte dos levitas que deve receber 48 cidades (v. 6-7), seis das quais devem ser cidades de refúgio. (...) Estes versos [9-34] não especificam as localizações das cidades de refúgio, mas regulam sua função. Tendo causado a morte de outro ser humano, o assassino tinha o direito de fugir para uma cidade de refúgio até que pudesse enfrentar o julgamento. Se fosse considerado culpado de assassinato, ele seria executado pelo parente mais próximo. Se fosse considerado culpado de homicídio culposo, ele poderia encontrar abrigo na cidade de refúgio a partir de então, até a morte do sumo-sacerdote da época. Depois disso, ele poderia voltar ao seu lar. Não há distinção entre a lei civil e religiosa. Toda a terra é do Senhor, e eles são seu povo." Fonte: Bíblia de Estudo Plenitude, Sociedade Bíblica do Brasil, 2002, pgs 180-181.

O sistema político e econômico da Antiga Israel é verdadeiramente espetacular! É por isso, com essa consciência de nação, que esse pequeno povo conseguiu prosperar rapidamente nos períodos como o de Salomão e do auge do Reino de Judá e é com base nalguns desses conceitos que a comunidade judaica contemporânea ainda se sobressai no mundo do comércio e da economia, havendo o auxílio mútuo dos judeus em prol do crescimento de todos. Além de todas as noções de economia, a justiça social em Israel foi extremamente revolucionária: apenas um povo que já foi escravo e estrangeiro e que recebeu suas leis diretamente da parte de Deus poderia pensar tanto no bem de seus pobres, escravos e estrangeiros - as demais nações da Antiguidade, talvez todas as nações até que a moralidade cristã penetrasse profundamente no sistema de leis e justiça (isso há alguns séculos apenas*), não possuíam uma noção tão avançada de auxílio aos necessitados como a que Israel, uns 3,5 mil anos atrás, recebera do próprio Deus. Não se tratava de um sistema comunista ou socialista, pois havia liberdade de acúmulo de riquezas e possibilidade de disparidade de renda e propriedade, tratava-se, na verdade, do fomentar de um espírito de solidariedade nacional, no qual o bem da nação como um todo, em benefício geral, era valorizado por sobre os interesses pessoais, o que combinava muito bem com um povo que deveria preservar uma unanimidade de culto ao Deus Criador. Hoje essa consciência de solidariedade deve prevalecer no corpo que segue representando o mesmo Deus nesse mundo: a Igreja! Que a solidariedade entre os cristãos contagie o mundo derredor e melhore a vida de todos aqueles que moram na nação onde há cristãos imitando a Cristo!

* É claro que a Igreja, desde a sua fundação, esteve ajudando os pobres, doentes e estrangeiros, mesmo contra os interesses do Estado. Podemos ver o caráter solidário cristão na vida nos mosteiros e a forma como estes alimentavam e davam abrigo aos pobres e viajantes, além do modo como tratavam os doentes, o que ficou ainda mais interessante com a inauguração de hospitais da parte de ordens religiosas cristãs - lembremos de missionários e pregadores que faziam isso fora de mosteiros, como Francisco de Assis. A Igreja sempre esteve preocupada com a saúde, o sustento e a educação das pessoas, lidando com a alfabetização e formação acadêmica de multidões (diversas instituições de ensino ainda hoje fazem parte de iniciativas cristãs) - além disso, podemos ressaltar como as missões cristãs reestruturaram as sociedades nas quais chegaram, com a construção de espaços culturais, educacionais, caritativos, hospitalares e religiosos.

Uma observação que gostaria de fazer, para finalizar o raciocínio em questão, é a de que um sistema econômico e político como o de Israel não pode ser defendido ou sugerido para uma sociedade que não se centraliza na religião judaico-cristã e não se apega a um padrão de moralidade tão rígido e sóbrio quanto aquele que acompanha as orientações econômicas, políticas e religiosas do Antigo Testamento. Para o sistema judaico funcionar corretamente, é necessário concordar com a sua irredutibilidade: não é possível isolar o culto a Deus e a moralidade judaico-cristã dos seus preceitos políticos e econômicos, que só funcionarão corretamente com o temor do Criador e a consciência da Sua soberania sobre tudo e com base em um caráter realmente coerente.

Fonte: este artigo tomou como base algumas das informações citadas e comentadas pelo Pr. Ariovaldo Ramos, da Igreja Batista de água Branca, numa pregação realizada na segunda-feira, dia 02/12/2013, sob o nome "Ricos e Pobres na Balança da Justiça | Palestra".

Natanael Pedro Castoldi

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Entendendo o Islamismo

A segunda maior religião do mundo - o islamismo -, religião que tem conquistado vastos espaços no Ocidente, fragilizado pelo vácuo moral e religioso, merece ser devidamente estudada e analisada. É uma pena que o pequeno número de ateus que reside no Oeste de nosso mundo tenha absorvido quase a totalidade das atenções dos intelectuais cristãos quando, nos bastidores, forças muito maiores têm se movimentado. Prestemos atenção naquilo que está atuando para além do intelectualmente inerte ambiente acadêmico e bradado no fantasioso mundo virtual! Deus tem voltado para os antros científicos e universitários, a fé tem se fortalecido em todo o mundo. Com base nisso, a questão para nós, hoje, não deve se dar no exclusivo reagir ao ateísmo, que, depois do Século XX, só conseguiu tomar fôlego na primeira década do Século XXI por advento, dentre outras coisas, do Atentado de 11 de Setembro de 2001, nas Torres Gêmeas, Nova York, mas já está quase sem ar novamente - com o retorno massivo do interesse pelo misterioso e espiritual, que é inerente ao ser humano, nosso dever é unir forças para orientar as pessoas sobre em qual divindade elas devem depositar suas vidas.

Observação importante: o texto que segue, no que se refere ao islamismo, encontra-se isento de opiniões pessoais, sendo totalmente retirado dos livros que disponho em minha biblioteca e refletindo estritamente as opiniões e conhecimentos dos seus respectivos autores. Tentei ser honesto e equilibrado, uma vez que o cristão que exagera e deturpa os fatos está sendo incoerente com a própria fé e que o ódio baseado na ignorância não ajuda em nada no diálogo e na aproximação entre o seguidor de Cristo e os membros de outros grupos religiosos.

Resumo:
- A doutrina de Deus:
"Não Deus, mas Alá", uma crença unitária e monoteísta, que define uma divindade que determina cada evento específico que acontece no mundo. Alá é praticamente o sinônimo da sua palavra, parte da qual se encontra do Corão.

- Aflição humana:
Enquanto Alá é infinito e soberano, o ser humano é finito e tolo, necessitando de instrução, tal encontrada no Corão. Os seres humanos também são vistos como pecadores e o pecado é, essencialmente, visto como a infração aos tabus muçulmanos, comportamentos proibidos ou mediante a incapacidade de realizar e sublime e perfeita vontade de Alá. O muçulmano não acredita no Pecado Original que derramou-se por sobre toda a humanidade através de Adão.

- O caminho da salvação:
Para ser salvo, o indivíduo precisa aceitar os Cinco Pilares (recitar o credo diariamente, orar, dar esmolas, peregrinar para Meca e jejuar durante o Ramadã) e demonstrar completa e total devoção a Alá. Somente os mais diligentes dos muçulmanos serão salvos no final.

- Objetivo supremo:
A ressurreição dos justos, que serão felizes eternamente num palácio celestial. Todos os prazeres dos quais os muçulmanos se privaram na vida terrena estarão acessíveis. Os infiéis arderão eternamente num torturante inferno.
Fontes: Bíblia de Estudo Defesa da Fé, CPAD, 2010, apêndices; O Islam, Código de Vida Para os Muçulmanos, Alimam Abul A'la Maududi, Centro de Divulgação do Islam para América Latina, pg 11.

Definição:
Há no mundo, atualmente, cerca de 900 milhões de muçulmanos. "Islã" significa "submissão", o que aponta para o fator central dessa fé, que é a submissão a Alá, o Criador e Senhor. Outra perspectiva afirma que "Islã" vem do hebraico "shalom", que significa "paz". O Islã é uma sociedade unitária, na qual todos e cada um se sentem solidários e irmãos, apesar da variedade de línguas, culturas e raças. Seu fundador é o profeta Maomé (578-632 d.C.) e toma como base o Corão, seu livro sagrado. A vida de Maomé divide-se em dois períodos: o primeiro, em Meca, concentra-se na pregação do monoteísmo e do juízo iminente de Deus contra os politeístas e os ricos que oprimem os pobres; o segundo, em Medina, centra-se na organização jurídica da comunidade islâmica e à Guerra Santa.

História:
Tudo se inicia com Maomé e seu ímpeto de revelar, em Meca, a vontade revelada por Alá. Sofrendo resistência, Maomé fugiu, com alguns amigos, para a cidade vizinha de Medina (hégira, 622 d.C.). Em Medina, recebendo apoio, superou seus adversários, dominando Meca dois anos antes da sua morte, em 632 d.C. Os califas foram os responsáveis por perpetuar a herança de Maomé - na profissão de fé muçulmana Maomé é devidamente considerado: "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu profeta." Os dizeres desse profeta, recolhidos e reunidos, possuem certo caráter de lei, sendo o Corão o centro de toda a vida muçulmana.

Num primeiro momento, o islamismo alastrou-se nas terras dos "povos do livro", que são os judeus e cristãos, que inicialmente não deveriam ser convertidos, apenas humilhados e forçados a pagar impostos, enquanto os pagãos deveriam ser todos mortos. Os muçulmanos evocam Alá como o responsável pelo grande sucesso das expansões iniciais do islamismo. Sempre caracterizando o espírito do islamismo, o sentimento de poder e triunfo tem sido desafiado mediante a miséria econômica e cultural de diversos países muçulmanos. Os países muçulmanos atualmente se agrupam em uma Conferência de Estados Islâmicos, que defendem sua religião como a solução para o mundo - é certo que possuem um projeto de civilização e um projeto religioso para o mundo.

O projeto de civilização do islamismo aponta a lei revelada por Deus como base para a política e o direito. Tudo na vida do muçulmano tem um aspecto religioso. Hoje a secularização, a politização da fé e os problemas econômico-sociais têm desafiado esse projeto de civilização.

Doutrina e culto:
Credo simples e culto exigente, uma conduta de acordo com a lei e uma experiência religiosa interior. Crê-se num único Deus e se deve obedecer a tudo o que ele ordena - a grandeza do homem reside no concordar com esses termos. O muçulmano acredita que o Corão é, letra por letra, citado por Alá para Maomé e que Maomé é o padrão de homem a ser imitado. O muçulmano reflete sobre o Corão, mas não pode criticá-lo - tal livro crê em anjos e demônios, confirma a tradição profética, adere à Torá, ao evangelho, aos salmos e ao Corão, embora raramente dá ênfase para as primeiras opções, afirmando que a Torá e os evangelhos são falsificações e que os salmos nada revelam sobre Alá. Em suas páginas vemos a certeza de que a história acabará e ocorrerá a ressurreição, o juízo e a última vida, no paraíso ou no inferno.
O direito muçulmano consiste num conjunto de deveres religiosos que absorve tudo, a totalidade das ordens de Alá, e regula todos os aspectos da vida pública e privada, social e individual, também regulando o culto e o ritual, a justiça e a política. No culto islâmico não há lugar para música, nem para imagens. A poligamia é permitida e quem morre na guerra santa vai diretamente para o céu. Segundo Urbano Zilles e conforme os dizeres de Maomé, o muçulmano crê que os povos que não têm uma religião superior (determinada pela existência de livros sagrados) devem ser submetidos ao Islã.

Os Pilares:
Profissão de fé, oração ritual, esmola legal, jejum do Ramadã e peregrinação a Meca.

- A oração ritual deve ser praticada cinco vezes por dia (de manhã, no meio-dia, na primeira hora da tarde, ao pôr do sol e à noite). A oração é um meio de o homem elevar-se moral e espiritualmente (ela é comparada ao alimento físico). Uma vez por semana, sexta-feira, celebra-se em comunidade, assembleia, na mesquita, uma solenidade especial, que acompanha uma homilia pronunciada do alto do púlpito. Nas duas festas mais importantes do islamismo também são celebradas orações comunitárias, que comemoram o sacrifício de Abraão e o encerramento do jejum de Ramadã. A oração deve ser feita voltando-se na direção de Meca.

- A esmola aparece 32 vezes no Corão. A esmola legal engorda o tesouro do Estado, servindo como uma restituição a Deus, que é tido como proprietário de todo o mundo.

- O jejum do Ramadã é obrigatório para todo o crente adulto (começando na puberdade), com algumas exceções. Trata-se do nono mês do ano lunar e não pode ser interrompido durante nenhum dia. O muçulmano, durante esse período, abstém-se de comida, bebida, fumo e de toda a atividade sexual durante o dia - quando o sol se põe essas coisas tornam-se legais e faz-se uma confraternização. O Ramadã recorda as tradições e leva os ricos a se lembrarem da fome dos pobres. No dia 27 desse mês festas especiais são celebradas, relembrando a subida de Maomé ao céu.

- A grande peregrinação para Meca ocorre anualmente, fazendo com que Meca receba milhões de visitantes em uma data fixada pelo calendário lunar. Todo o adulto livre, são de espírito, distante de guerras e em condições financeiras é obrigado a ir para Meca pelo menos uma vez na vida. Cuidadosos rituais de orações e purificações, além procissões aos lugares santos, são dados nesse período - o território sagrado de Meca e Medina é rigorosamente vedado aos não-muçulmanos.

- A profissão de fé muçulmana se resume da seguinte forma: "Não há outro deus senão Alá, e Maomé é o seu profeta". Tal profissão impede que o muçulmano mude de religião e, caso isso aconteça, ele perde todos os direitos civis, incluindo o direito à vida, a qual pode ser tirada por qualquer muçulmano, favorecendo o fanatismo e impedindo muitas conversões ao cristianismo. Os cristãos dos países árabes são perseguidos de diversas maneiras, com exclusão dos ofícios públicos e impostos mais elevados - a incoerência, segundo Zilles, é que quando os muçulmanos são discriminados nos países cristãos, reclamam, sendo muitos deles igualmente intolerantes.

- A ideia de Guerra Santa surgiu com Maomé, quando este se encontrava em Medina, depois de ter fugido de Meca, no tempo em que precisou armar defesas contra seus perseguidores. Necessitando de dinheiro para constituir um exército, supostamente o anjo Gabriel lhe permitiu a pilhagem de caravanas. Zilles afirma que, vendo o sucesso como confirmação do favor de Alá, Maomé sugeriu que todo o que morresse em Guerras Santas teria acesso direto ao paraíso - com os demais devendo esperar até o final dos tempos.

A mesquita é o seu lugar sagrado, não contendo imagens e nem cadeiras, apenas tapetes - o fiel, ao entrar nela, precisa tirar os sapatos e, ao rezar, acocora-se sobre os calcanhares, encostando a cabeça no tapete.

Os cristãos e os muçulmanos:
Cristãos e muçulmanos são monoteístas, cada um nos seus moldes; Jesus é citado 25 vezes no Corão, seja como filho de Maria, seja como "o messias Jesus, filho de Maria". Porém Jesus é considerado apenas um profeta como os demais, enviado por Deus para os israelitas. Os muçulmanos acreditam n nascimento virginal de Cristo, afirmam que Jesus realizava milagres desde criança e consideram que Deus revelou Sua vontade para ele - mesmo tendo sido rejeitado pelos judeus, os muçulmanos acreditam que Deus arrebatou Jesus aos céus sem ter passado pela morte. Maria é a única mulher que o Corão cita pelo nome.

Jesus, no Corão:
- Não é considerado Deus.
- Teve um nascimento milagroso, resultante do "desejo de Deus".
- Foi levado ao Céu.
- Voltará para a Terra no final dos tempos.
Fonte: Religiões, Crenças e Crendices, 4ª Edição, Urbano Zilles, ediPUCRS, 2012, pgs 75-82; Uma Outra História das Religiões, Odon Vallet, Globo, 2002, pgs 92-93 e 96.

Alguns aspectos históricos e geográficos singulares:
- Objetivo e caráter iniciais: restabelecer a unidade do monoteísmo contra os dogmas trinitários. Maomé, sobrinho e genro de condutores de camelos, órfão de pai e mãe, fez uma síntese do pensamento religioso de sua terra e eliminou tudo o que confrontasse a unidade de Deus, selecionando ideias capazes de unir os beduínos do deserto - logo os sarracenos abandonariam seus deuses locais e usariam de uma fé única como arma em suas empreitadas. As divindades femininas foram repudiadas e Alá passou a ser considerado totalmente masculino - sugere-se que Alá é o equivalente a Elohim, Deus dos judeus, e a El, antigo deus semita.

Maomé, ao cogitar na sua nova religião, tomou emprestado do cristianismo a imagem de um deus universal e extraiu do judaísmo a ideia de uma divindade superior à sexualidade e à procriação. O profeta, desanimado com o politeísmo de sua terra, que tinha mais de 500 divindades, valorizava o monoteísmo judaico e cristão e o seu uso de livros sagrados. Maomé rejeitava a doutrina da Trindade, em concordância com a maioria dos cristãos que conhecia, que eram hereges monofisistas e nestorianos - o islamismo adotou, ainda, alguns elementos das religiões persas (maniqueísmo e zoroastrismo), que tinham representantes nas caravanas que passavam pelo Oriente Médio, presentes nas descrições do Paraíso e no tema "Bem vs Mal", embora apresente Alá como mais poderoso que as forças malignas.

- Realidade política e intelectual: o islamismo floresceu numa região quase intocada pelo pensamento grego, tendo sido evitada pelos exércitos de Alexandre, pela Antiga Roma e também por Bizâncio.
- Contexto religioso: o islamismo nasceu numa realidade profundamente politeísta, com direito a divindades femininas, do culto à pedras e do oferecer de oferendas aos djins, conforme eram chamados os "espíritos da natureza".
- Expansão: essencialmente por meio de exércitos e caravanas.
Fonte: Uma Outra História das Religiões, Odon Vallet, Globo, 2002, pgs 86-95; Depois de Cristo, O Triunfo do Cristianismo, Reader's Digest, 1999, pg 318.

 De onde vem "Alá"?
A origem tanto da divindade quanto do seu nome é um assunto ainda em discussão e eu tenho duas versões contraditórias:

- Elohim = Alá: como já citado anteriormente, sugere-se que o nome "Alá" seja apenas uma variação do antiquíssimo "Elohim", remetendo à divindade que, una, é o princípio eterno de todas as coisas. Conforme aprende-se na leitura do livro "Uma Outra História das Religiões", Odon Vallet, Globo, 2002, pg 92, tal similaridade aponta para a consciência primordial e universal da crença num único Deus, num mesmo princípio ativo por detrás de tudo, que tem suas definições e natureza alteradas conforme o tempo e a cultura. O mesmo ocorre com o grego "Theos" com relação a "Deus" e a "Zeus", embora o terceiro tenha perdido o valor do significado da raiz de seu nome por advento das insanidades mitológicas que o contaminaram.

- Al-llah = Alá: refere-se ao nome de um deus em particular que originalmente existia num variado politeísmo, sendo o deus da lua, adorado pelos quraishes, povo de Maomé. Tal divindade da lua, séculos antes de o islamismo se tornar uma potência, recebia vários sacrifícios de animais e humanos. O islamismo originalmente tata-se, portanto, apenas da opção e imposição da parte de Maomé por sua divindade particular e familiar, já que o próprio nome do pai de Maomé, Abed Alá, significava "servo de Alá". Sendo Alá originalmente o deus da lua, não pode ter brotado diretamente do termo, mais genérico, "Elohim".
Fonte: Em Defesa da Fé Cristã, Dave Hunt, CPAD, 2012, pgs 38-40.

Problemas no islamismo - os dois lados:
- Costumes tribais primitivos, de antes do movimento de Maomé, segundo Dave Hunt, ainda persistem no islamismo atual. O Ramadã, por exemplo, já era festejado antes de o islamismo ser formulado - Alá, como já citado, era apenas mais uma dentre muitas divindades. Segundo Hunt, Maomé conquistou Meca depois de encontrar um pretexto para acabar com um tratado de paz selado com a cidade, destruindo os ídolos pagãos na Caaba, o que incluiu Alá, e começou a pregar contra a idolatria, porém, mesmo assim, Maomé manteve o templo de ídolos e preservou o ritual de beijar a pedra negra (parte integrante da antiga adoração aos ídolos). Na antiga tradição politeísta, Alá tinha três filhas: Al-Uzza, Al-Lat e Manah. Num sentido mais amplo, a permanência desses traços não chega a ser um aspecto negativo: Maomé provavelmente decidiu preservar algumas características culturais comuns aos primeiros convertidos para que tal religião lhes fosse mais familiar.

- Dave Hunt também levanta questões sobre a suposta ascensão de Maomé ao Céu, ocorrida tradicionalmente em Jerusalém. Segundo Hunt, não há base nem histórica e nem no Corão para tal crença - não há sustentação desse evento no dito livro e nenhuma alusão a testemunhas oculares do fato. O único versículo do Corão que alude a esse evento não é nada claro (Sura 17:1): "Glorificado seja aquele que carregar seu servo à noite do Local Inviolável de Adoração para o Local de Adoração distante [al-Aqsa], a vizinhança que nós abençoamos, para que pudéssemos mostrar a ele nossos testemunhos! Veja! Ele, apenas ele é aquele que ouve e que vê". Nisso não há nada que aponte para o alegado evento! O "Local Inviolável de Adoração" é Meca, mas Jerusalém, que nunca havia sido usada como um lugar com significado religioso para o muçulmano, não pode ser o "Local de Adoração distante" - segundo Hunt, não existe nenhuma menção de Jerusalém no Alcorão. Vale observar que tal questão, a da ascensão de Maomé, não interfere em nada nas doutrinas e costumes muçulmanos.

- Hunt também comenta sobre a política histórica de expansão do islamismo que "desde os primórdios, foi propagado pela espada. A escolha era a conversão para o islamismo ou a morte. Obviamente, qualquer 'fé' que alguém deve adotar a fim de escapar à execução não é genuína." Observemos que Hunt, apesar de apontar para uma verdade, não a apresenta em sua totalidade: conforme observado por Tim Dowley, os muçulmanos dos primeiros séculos, ao conquistarem as terras, geralmente não obrigavam o povo a se converter, promovendo apenas algumas restrições civis, cobrando impostos, instalando sua cultura e mantendo o controle do território conquistado - o processo de conversão de muitas terras ocorreu, em diversas ocasiões, de modo relativamente pacífico, com o povo mergulhado no domínio militar, religioso e cultural dos maometanos e observando na fé de seus conquistadores maiores oportunidades sociais.
"A maioria da população no novo império islâmico permaneceu não-muçulmana. Nesses primeiros anos, o Islã admitia a perpetuação das culturas locais e não insistia na conversão religiosa. O califa Omar introduziu um imposto chamado jizya, a ser pago pelos não-muçulmanos em troca do privilégio de continuar a praticar sua religião." Tim Dowley

- Se você tem interesse em conhecer alguns pontos complicados do Corão, que residem no tempo da sua confecção e na sua constituição, leia o artigo publicado no EOMEAB no dia 3 de julho de 2013, sob o título "A Bíblia não é Igual aos Outros Livros Sagrados?".
Fonte: Em Defesa da Fé Cristã, Dave Hunt, CPAD, 2012, pgs 38-41 e 267-270; Os Cristãos, Tim Dowley, Martins Fontes, 2009, pgs 93-94.

O Deus cristão e Alá:
O Deus pregado pelo cristianismo se resume numa palavra: "amor", enquanto Alá, como pregado no islamismo, pode ser resumido na palavra "temor". Alá é uma divindade que destrói os pecadores, concentrando-se na salvação dos justos e não lida com o conceito de Graça, pois apenas recompensa as boas ações. O conceito de Graça difere o Deus cristão que, sendo Trino, não pode ser descrito como uma divindade solitária e de difícil acesso, pelo contrário: Ele mesmo organiza a história do mundo para garantir a remissão de qualquer pessoa, por pior que seja, que pedir perdão pelas suas transgressões e considerar Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, sem depender de obras e virtudes, de méritos e dolorosos rituais.
Fonte: Em Defesa da Fé Cristã, Dave Hunt, CPAD, 2012, pgs 41-42.

É interessante notar que o Deus cristão nunca deixou de ser o que sempre foi, em sua natureza essencial, dentro do pensamento religioso humano. Não há nenhuma boa evidência que sugira que a divindade chamada simplesmente de "Deus" (Elohim, Iavé, Theos), uma palavra de raiz antiquíssima e simples, além de ser dotada de um significado genérico e supremo, em Sua compreensão como Deus único, Eterno e Criador, tenha adentrado na mentalidade dos hebreus por influência dos politeísmos e demais paganismos derredores, também não há nenhuma evidência conclusiva que sugira que o Deus dos hebreus já fosse adorado de uma forma diferente e noutra esfera religiosa antes da Sua revelação para Abraão. Desde que temos registros, o Deus cristão, inicialmente revelado aos judeus, é o que hoje cremos, sendo a própria concepção de Trindade, embora não absolutamente clara, presente e evidente em todo o Antigo Testamento* - também consideremos como as exigências morais que Jesus levantou apenas aprofundaram o interesse de Deus já presente no Velho Testamento em ver os homens mais orientados para o atingir da excelência moral do que ritual, com direito ao questionamento dos sacrifícios e da própria suficiência do Templo (Amós 5:21-24; 1 Samuel 15:22 e 1 Reis 8:27). * Leia o seguinte artigo do EOMEAB: A Trindade na Bíblia. As Teofanias e o cumprimento de uma série de profecias do Antigo Testamento em Jesus apontam para uma continuidade proposital e direcionada pelo Deus Eterno: Teofanias: Cristo no Antigo Testamento; Cristo e as Profecias do Antigo Testamento. Leia mais sobre o tema no seguinte artigo do EOMEAB: O Antigo Testamento Originou-se de Religiões Pagãs?

Natanael Pedro Castoldi

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Grandes Textos - As Fontes de Deus

Sim, eu gosto de ler, eu gosto de escrever. Me entristece o fato de que as pessoas, motivadas especialmente pela cultura inserida pelo Twitter e pelo facebook.com, já não mais conseguem ler textos de uma ou duas páginas na internet. Antes da explosão dessas redes sociais, ainda nos tempos do Orkut, me lembro da quantidade de leituras que meus textos de 10, 12 e até 20 páginas recebiam. Bons tempos! Afinal, com quinze minutos é possível ler algo profundo e modificar toda uma visão de mundo - caso o texto for ruim, são apenas quinze minutos que deixaram de ser desperdiçados no facebook. Lembremos que até o texto ruim instiga uma reflexão interessante - nem que seja uma crítica. Com base nisso, não temo postar aqui meus trabalhos doutros anos, sejam eles não tão bem escritos, sejam eles longos, pois, querendo ou não, algo de bom eles apresentam. Eu não quero simplesmente incentivar a preguiça mental que já se alastra por toda a sociedade, rica ou pobre, cristã ou não, muito ou pouco instruída. Sendo assim, mais um grande texto escrito por mim em 2012 (10 de abril) e primeiramente publicado nO Mirante, disponibilizarei na sequência.

O Lado Oculto da Vida

Na televisão paga se vê de tudo... e foi num daqueles programas que você não entende como vieram a existir, que ouvi uma história interessante. O programa, não me lembro o nome e, tampouco, o canal, tratava do serviço dos limpadores de forro, sótãos e todo o tipo de ambiente que fica entre a área de convívio da família e o teto, mostrando quantidade de coisas, muitas estranhas, que vão se acumulando bem acima da cabeça das pessoas sem que percebam ou, até mesmo, saibam. A sujeira está lá, mas ninguém vê e ninguém se preocupa com ela até que algum cheiro ou líquido escorra pelas paredes - tecnicamente, a sujeira nem existe aos olhos de quem não a vê até o momento em que ela não se evidencia. Num dado momento, um dos profissionais relatou uma história irônica e engraçada envolvendo essa questão: numa antiga igreja, por cem anos morcegos se multiplicaram acima das cabeças dos fiéis e entupiram, gradativamente, toda a parte superior do edifício, sem que ninguém percebesse ou desse atenção aos pequenos sinais de que, nas alturas, havia um imenso depósito de detritos suspendido sobre o salão principal, ninguém notou até que... no meio de uma missa a estrutura chegou no seu limite e rompeu-se, fazendo os enormes montes de excrementos caírem por sobre os membros da congregação, que perceberam o problema tarde demais e da maneira mais difícil. Dessa rara história, consegui tirar três lições fundamentais, uma sobre a existência de Deus e o juízo divino, outra sobre a nossa conduta perante O Criador e, por fim, uma terceira, relativa ao nosso relacionamento com as outras pessoas.

Por que cargas d'água só existe aquilo que conseguimos ver?! Tocar com as mãos, sentir com o olfato ou audição? Por quê?! Ora, os antigos astrônomos nunca viram os dois lados da lua e nem por isso disseram que ela era um disco ou uma bacia, pelo contrário: os mais sábios, pela análise da única face visível, compreendiam se tratar de uma esfera quase perfeita, com outro lado idêntico. Não é porque você nunca tocou ou analisou de perto a grande árvore que cresce no topo da montanha ao longe que ela seja somente uma ilusão, que você não possa provar a sua existência e, tampouco, que só exista o lado que você vê, já que o outro nunca foi visto nem provado por ti. O ser humano não está em posição de determinar verdades com base em seu ponto de vista, em sua percepção, segundo as ferramentas que dispõe, o pensamento predominante e as ganâncias que possui, existe uma verdade que transcende o que se pode ver, uma outra face da vida, o lado oculto do Universo, onde o próprio se enraíza, de onde o próprio brota e se fundamenta, o corpo oculto do iceberg, o enterrado alicerce da cabana, o invisível lençol de onde surge o córrego.

Assim como entendemos que existe uma nascente quando vemos o rio, que existe um alicerce quando vemos a cabana e que existe um grande corpo submerso quando vemos o iceberg, com base em química e física, podemos entender que, com o Universo expandindo-se em "algo", exista uma "nascente", um corpo maior por detrás, um alicerce fundamental constituído de elemento, não um absoluto vazio, mas uma causa de imensurável poder como fonte do efeito colossal que podemos ver. Essa é uma questão elementar e ignorar a existência inquestionável desse que é Deus está mesmo no nível de alguém ignorar a existência de seu próprio cérebro, pois não pode vê-lo -"apenas" senti-lo- e não importam a lógica, as evidências e, tampouco, a opinião dos demais. "Mas o cérebro nós conhecemos, estudamos e, com a tecnologia, podemos vê-lo dentro do crânio, com Deus não é assim!" Quando entendemos que tudo o que acontece hoje é regido pela causa e efeito, pela ação e reação, numa quantidade decrescente de energia, não temos outra alternativa senão a de ver nas Origens o mesmo padrão -o que é impossível hoje, também há de ter sido impossível ontem-, sendo assim, ignorar Deus, mediante tantas evidências científicas e lógicas,  é o mesmo que ignorar a existência do cérebro mediante o mesmo grau de evidências científicas e lógicas,  o que se torna ainda mais forte quando entendemos que o próprio cérebro é assombrosamente complexo demais para ter se originado de uma evolução casual, por tentativa e erro, à partir de seres absolutamente inferiores. "Mas", você pergunta, "no que isso se relaciona ao tema em questão?"

Não gosto da ideia de usar a sujeira escondida como figura para a existência de Deus, pois, como já disse outrora -"Inescapável" e "Pandemia"-, o que é construtivo, benéfico, puro, amigável, amoroso e etc, precisa possuir ou vir de uma fonte intelectual, enquanto o oposto é apenas a degradação do que já existe - e, existindo organização, beleza e amor no universo visível, podemos entender que Deus existe e é extremamente benigno, perfeito. O que posso extrair da história e relacionar com a postagem é que nem tudo o que não vemos, não sentimos ou não conhecemos só por isso inexiste, pois nosso ponto de vista, ridiculamente pequeno, não é capaz de determinar existência ou inexistência pela mera análise de observação, experimento e repetição - não é porque não vemos o outro lado de uma montanha que ele não existe, não é porque ainda não chegamos ao cume da mesma, observando-o, experimentando-o e tornando a experimentá-lo, que ele seja uma ilusão - tudo tem o seu "outro lado" e o cosmos não é exceção! Existe muita coisa acima do teto do Universo que não somos capazes de ver ou compreender! Mas o que existe acima da imensa vastidão desse cenário extremamente complexo e belo, faz-se evidente pela própria complexidade e beleza que observamos, entendendo que nada entra em movimento sem um agente externo fazê-lo, entendo que nenhuma obra de arte coesa se forma sem a existência de um artista, compreendendo que uma complexa máquina não pode ser construída sem a existência de um engenheiro, que um organizado sistema não pode formar-se em a existência de um arquiteto, que aquilo que possui energia não pode existir sem uma fonte -"Pelo que luto"... Sem dúvida, do Teto do Universo escorrem rios de evidências de que existe alguém no andar de cima! E ninguém, pela mais simplória ou profunda filosofia e ciência é capaz de não percebê-lo, como é dito em Romanos 1:20. O Criador quer fazer-se o mais evidente possível, até os limites de nosso livre arbítrio para, em amor, mostrar-se inquestionável aos incrédulos para, quando se prostrarem voluntariamente, virem a conhecê-Lo mais profundamente. O homem que descrê em Deus não é muito diferente de um feto que descrê na existência da mãe ou no mundo exterior, por não vê-la ou vê-lo. C.S. Lewis tem duas frases que se encaixam perfeitamente nesse parágrafo: "O homem orgulhoso está sempre olhando de cima para baixo, para as coisas e pessoas: é evidente que enquanto você estiver olhando de cima para baixo não pode ver o que está acima de você"; "O homem que tenta diminuir a glória de Deus, recusando-se a adorá-Lo, é como um lunático que deseja apagar o sol escrevendo a palavra 'escuridão' nas paredes de sua cela".

É aqui que entra o ponto central dessa parte do artigo: o homem, voluntariamente, tem ignorado a existência inquestionável dO Criador. Isso, de fato, é algo que tenho percebido há algum tempo: nenhum -ou quase- neo-ateu que argumenta contra a ciência e moral cristã, está disposto a ouvir ou ler uma resposta coerente da parte da oposição, simplesmente não dando atenção nenhuma ao dizer, entendendo apenas uma parcela do todo, desvirtuando a verdade dita ou mudando de assunto, rumando para ataques morais nos cristãos ou trazendo mais questões. Não parece haver interesse nenhum, nenhum mesmo, de conhecer a verdade, de conceber o que é mais coerente, de mudar ou de, compreendendo honestamente os valores bíblicos, estimular uma reforma na fé cristã, para fazer valer o seu melhor, em nome do bem geral! Eles querem argumentar a sua incredulidade, que gera conforto e egoísmo, sem abrir mão de cegueira, desonestidade, parcialidade ou hipocrisia. Eles querem é ver a Igreja pegando fogo, arruinada, cada vez mais suja e condenável, eles querem o fim completo do cristianismo e ponto final, independendo de qualquer argumento ou verdade, sendo o que considero como uma postura voluntária e incondicional, completamente irredutível. Se eles desejassem ver com honestidade, certamente perceberiam as razões científicas e morais contidas nas Escrituras e valorizariam o que há de bom na Igreja, mas não querem, provando que o seu anticristianismo não parte do desacordo com a Bíblia, com Deus, com a Igreja ou qualquer outra coisa, mas, sim, pura e simplesmente de si mesmos - eles são os culpados, culpados que põem a culpa nos outros. Eles sabem, simplesmente ao se olharem no espelho ou vislumbrarem uma belíssima paisagem, que Deus existe... eles sabem que a existência de Deus, inquestionável com base no mínimo esforço filosófico e científico, não pode entrar em xeque por intermédio da má conduta humana! Portanto, são indesculpáveis e O Pai sabe disso. Diante de uma situação assim, discutir não adianta, principalmente quando partimos do ponto de que o próprio ateu sabe, no seu coração, que está numa situação perigosamente incerta - não precisamos argumentar em demasia, ele sabe! O que devemos fazer é seguir o conselho de Chesterton: "Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que ele deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar a cada mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio".

A humanidade, atualmente, pode ser dividida em quatro perante Deus, o bíblico: os Seus filhos fiéis e obedientes -não perfeitos nem excelentes, mas dispostos-, a quem já reservou uma morada no Paraíso -João 14:2-; os "cristãos" por tradição, cultura, herança familiar ou vaidades, que se dizem "filhos de Deus", mas não seguem absolutamente nada do que Jesus orientou, sendo, portanto, o mesmo que qualquer incrédulo -ou pior, pela hipocrisia-; os membros doutras religiões diversas, que, pelo fato de não terem O Cristo como Salvador, então numa situação perigosa; e os ateus, que são religiosos doutra categoria, já que, quase que na totalidade, descreem em Deus, no cristão, por livre, espontânea e irredutível vontade. Deus é amor -1 João 4:16- e justiça -Salmos 7:9-, portanto, trabalha de modo particular com cada categoria: os primeiros, já salvos, encontrar-se-ão com O Pai assim que morrerem -Lucas 23:43-; os cristãos hipócritas que, tendo acesso à verdade não a desejaram conhecer, pecando voluntariamente, serão julgados severamente, segundo a perversidade de seus corações -João 15:2, 6-; os crentes noutras religiões serão julgados segundo as intenções de seu coração, pois Deus inseriu, conforme já descobriu a neurociência, os valores morais numa parte específica do cérebro, e todos, universalmente, entendem o que é certo e errado -Lucas 12:48-; os ateus, no âmbito da incredulidade voluntária, serão julgados por sua rebeldia aberta e ilegítima contra Deus e, se morrerem nessa situação, jamais poderão ser perdoados -Provérbios 19:29. Para essas quatro categorias existem três mundos: o Céu, para onde vão diretamente os verdadeiros filhos de Deus, o Mundo dos Mortos, onde estão, temporariamente, todos os que morreram na condição de iniquidade, e o Inferno, para onde irão os que forem julgados para tal condenação. A ideia é a seguinte: por Cristo os cristãos verdadeiros são justificados e salvos para o Paraíso, mas os que não se converteram, por não optarem por Jesus, rumam o Hades. No Hades, no Dia do Juízo, todos os ímpios serão severamente julgados segundo o seu coração e todos os que, conhecendo a Deus, O negaram ou praticaram voluntariamente a iniquidade, serão lançados no Inferno, enquanto aqueles que, desconhecendo a Verdade, se portaram de modo coerente com o padrão moral que nos é inato, que viveram regidos pelo caráter, serão privados da condenação e salvos em Jesus - acontece que será muito difícil qualquer homem conseguir justificação dessa forma, portanto o melhor caminho é O Filho, escolhido ainda em vida, vide Hebreus 9:27-28. Trabalhei com essa questão para alicerçar melhor o que segue:

O Pai criou o homem e a mulher, dando-lhes liberdade e opção - do contrário, se fossem máquinas programadas, seriam nada mais do que espelhos ou algo como cartas de amor que Deus escreveria para si mesmo - e, nessa opção, desobedeceram, isso mesmo depois de Deus ter alertado -Gênesis 2:17. O Pai não aniquilou a humanidade, permitiu a sua sobrevivência em pecado, falando a homens e usando homens para falar a Sua verdade salvífica, isso em palavra e em escrita. Deus levantou profetas para alertar, ergueu alianças -Deuteronômio 4:31-, fundamentou estatutos -Salmos 19:7-, prometeu bênçãos -Deuteronômio 30:19- e, de antemão, alertou para os perigos da iniquidade -Romanos 6:23. Ele correu atrás do homem, sabendo que este, sozinho, não conseguiria agradá-Lo. O Pai, mesmo diante da transgressão, sempre deu mais uma chance e um novo aviso, teve paciência, suportou o pecado e só julgou depois de selados contratos, devidamente avisadas as conseqüências e exauridas as chances e o temor dos povos. O Pai quer promover salvação, por isso deixou-Se evidente na Criação -Salmos 19:1-, permitiu ser encontrado -Jeremias 29:13-, levantou profetas, inspirou a confecção de um grande livro e, por fim, enviou o Seu Filho -Hebreus 1:1-, em carne humana, para ser o humano necessário para, em justiça, pagar o preço de morte exigido desde Gênesis 2:17. Jesus, inclusive, desceu ao Hades para pregar a Boa Nova aos cativos e dar-lhes uma nova chance, já que morreram antes de Ele vir ao mundo -2 Pedro 3:18-19.

Deus precisa, até hoje, julgar a iniquidade humana, principalmente daqueles que não foram redimidos da pena pelo sacrifício de Cristo, isso com base em três princípios: o homem deve colher o que semear -Gálatas 6:7-, o próprio afastamento de Deus traz caos e dor -Gálatas 5:19-21- e o Reto Juiz precisa condenar o ato de rebeldia contra a Sua autoridade e santidade -1 Coríntios 6:9-, sendo, atualmente, o maior juízo a própria condenação ao Inferno, para onde vão, voluntariamente, os que, em vida, disseram: "eu não quero Deus, por isso zombo dEle em ceticismo e devassidão". O livre arbítrio impede Deus de obrigar os homens a segui-Lo - e se alguém não quer Deus, pra onde irá? Para onde Ele não está em plenitude! O fato é que O Criador também precisará destruir esse mundo corrompido, afim de renová-lo, restaurá-lo segundo o Seu padrão de perfeição e, para tal, não irá poupar ninguém que carregue consigo, voluntariamente, a marca do pecado -2 Crônicas 24:20-, e não mudará de planos por causa da insatisfação de uns poucos. Deus precisará destruir para dar um basta definitivo em todo o caos do pecado, em prol de algo maior e melhor, mas isso não significa que Ele quer, que Ele tenha prazer em destruir, senão não avisaria com antecedência -Malaquias 2:2-, senão não teria enviado O Cristo para nos avisar e salvar -João 3:15-17- e, muito menos, teria inspirado a Bíblia -2 Timóteo 3:15. Se Ele avisa é porque quer arrependimento -Atos 3:19- e quer arrependimento para evitar a nossa destruição -Hebreus 5:9-, afim de ter uma eternidade maravilhosa com os que optaram por Ele -1 Coríntios 2:9!

Essa é a questão! Deus avisa. Ele vai destruir e reconstruir! Os homens sabem disso, mas não querem ouvir... E Deus não muda, por isso Seu juízo se acumula, já que, cada vez mais, tornamo-nos, como humanidade, indesculpáveis e passíveis de tremenda destruição. Toda a oposição voluntária à Deus está enchendo as taças de Sua ira -Apocalipse 15:7-, Ele, cada vez mais, está vendo uma humanidade irredutível em sua devassidão -2 Timóteo 4:3-4-, uma humanidade irremediável -Romanos 1:21-22-, mesmo tendo acesso a toda a revelação de Deus e Sua disciplina. Ele sabe que as coisas não irão mudar -Jeremias 17:9-, por mais que se mostre e faça visível -até o ponto em que não burla o livre arbítrio-, portanto, tendo homens que não aceitarão a restauração por si mesmos, para restaurar terá que destruir e, sim, destruirá! A Sua ira está crescendo, acumulando-se sobre os tetos do Universo, alimentada, incentivada e requisitada por uma humanidade que comete a transgressão, que zomba, que se idolatra e que já declarou inimizade explícita contra Deus. Tudo o que o homem semeia, colhe... se pede para ser aniquilado, ao fazer exatamente o que a Bíblia diz para não ser feito, exatamente aquilo que produz juízo, será destruído! Ora, é o livre arbítrio: quer a aniquilação por livre e espontânea vontade? Assim sucederá -Romanos 1:24! Leve em conta que tudo o que Deus nos pede promove a vida -Mateus 5-, pois Ele é o criador e mantenedor da vida -João 1:3-4- e, portanto, o que é transgressão, na verdade, trata-se de um atentado à sobrevivência física e espiritual -Romanos 1:28-32 e 2 Timóteo 3:2-7! Ao desferir juízo, portanto, Deus só potencializa uma realidade de morte já imperante e escolhida por aquele que decidiu permanecer como Seu inimigo.

Então, brincando com fogo, cutucando o perigo, enfiando dinamites em todos os seus fundamentos, o homem, sem saber -ou já sabendo-, está no limiar de sua destruição -está pedindo-a, está promovendo-a. E o Deus que muitos dizem inexistir, Aquele que mora no "andar de cima", está entupindo o teto do Universo com Seu ardor, com Seu juízo e segurando-o até o limite que conseguir suportar -a iniquidade é insuportável para o santo Deus-, afim de preservar a humanidade, que ama, o máximo possível -2 Pedro 3:9-, mas chegará um momento em que as estruturas se fenderão e o julgamento cairá sobre o mundo!! O estrume que a humanidade depositou voluntariamente ao longo da história por sobre sua cabeça, pela transgressão e indiferença, cairá todo por cima dela, soterrando-a no produto de seu próprio e consciente pecado. Quando a humanidade menos perceber, os explosivos que depositou "de brincadeira" em seus alicerces, explodirão e promoverão a sua queda! Nessa hora, então, os homens finalmente olharão para cima e dirão: "Era verdade! Havia alguma coisa além do alcance de nossa visão, coisa que ignoramos por milênios..." E antes de o pensamento se concluir, o estrume encherá a sua boca. O juízo que não viam, provindo do Deus que ignoravam, se fará visível do modo mais doloroso e mortal, sem ninguém estar esperando -afim de preservar o livre arbítrio e testar o coração humano- e, fazendo-se visível, mostrará um Deus irado dando o golpe final no velho monstro chamado Pecado. E será tarde para os servos desse monstro!! Os céticos, que hoje afirmam que Deus não existe sem ter certeza e, assim, zombam dEle, da mesma forma que fazem os falsos cristãos, certamente se surpreenderão quando o esterco que tentaram -sem sucesso- lançar contra Deus, cair por sobre eles -Malaquias 2:3! É impossível, obviamente, ferir Deus, portanto, quem quiser tentar fazê-lo, não sendo Ele uma opção para tal, já que o Tudo é infinitamente superior ao "meio-termo" -leia "Filosofia Simples"-, acabará ferindo a si mesmo, pois, havendo apenas dois lados, se um lado, na defensiva, está invulnerável, e alguém for ferido, só poderá ser o lado de quem atacou, não é? Inimizade contra Deus é o mesmo que alguém, voluntariamente, direcionar um canhão contra a sua própria casa!

Da mesma forma que existe um lado oculto no Universo, uma realidade maior que não conseguimos ver, também existe uma faceta oculta em nossa vida: a esfera espiritual. Esse ponto trata da célula responsável, em conjunto, pelo mal da humanidade, já que os homens, individualmente, a constituem. A lição da história contada no princípio da postagem também cabe muito bem aqui: quando entendemos que Deus existe, mas que também existe um mal pútrido no Universo -1 João 5:19-, que podemos perceber nitidamente por intermédio de traições, dor, mentiras, vícios, morte... também entendemos que podemos nos encher do que é maligno -Mateus 6:22-23- ou do que é de Deus e, portanto, benigno -Filipenses 4:8. Existem três formas de enchermos nossa vida do esterco do pecado: o que não se entregou ao Filho e não aceitou o Seu sacrifício salvífico, já nasce imerso na iniquidade (1) herdada física e espiritualmente de Adão -Romanos 3:10-, mas pode poluir-se e perverter-se ainda mais (2) pelo ato do pecado, através do adultério, bebedeiras, violência... não podemos esquecer que o cristão, mesmo já salvo, pode, voltando ao ato contínuo do pecado, encher-se e perverter-se nessa mesma podridão -2 Pedro 2:20-22- e, por fim, a própria omissão -Tiago 4:17-, mornidão -Apocalipse 3:16-, paralisia do cristão (3), pois o relacionamento com Deus só se desenvolve de modo diário e contínuo e o descanso espiritual só permite que os braços da carne agarrem mais firmemente a nossa vida, à ponto de poluir pelo destemor, pela preguiça, pelo egoísmo e vaidades, a nossa alma, afastando-nos do Pai. Cada passo pecaminoso que damos, numa realidade sem Deus ou sem a confissão de pecados diante dEle -1 João 1:9-, insere um pouco mais de sujeira em nossa alma e, de modo gradativo, nos enchemos de lixo e obstruímos todas as saídas, reduzindo cada vez mais as nossas chances de libertação, cegando-nos cada vez mais em vícios e prazeres. Aos poucos, sem percebermos, quando pensamos que temos o controle da situação -1 Coríntios 10:12-, somos dominados e acorrentados -2 Pedro 2:19-, até que o teto de nossa vida espiritual, entupido de trevas -1 Pedro 5:8-, arrebenta e tudo vêm à tona: reconhecemos que estamos totalmente imersos na iniquidade -2 Pedro 2:9-10-, que não conseguimos mais nos libertar por conta - isso quando o ruir do teto de nossa vida não vem num ato de adultério, traição, roubo e outros atos repulsivos e escandalizantes -Lucas 6:45. Quando ignoramos a integridade da nossa alma, quando negligenciamos o seu cuidado -Mateus 23:25-26-, preocupando-nos mais com o exterior -coisa muito bem pregada pela teologia da prosperidade-, nos entupimos, cada vez mais, de detritos que nós mesmos produzimos e colocamos, voluntariamente, para dentro de nossa alma, chegando a um ponto insustentável. É claro que Deus condenará à morte aquele cujos genes espirituais estiverem abarrotados de coisas mortais! Na verdade, O Pai só irá oficializar uma situação já imperante -1 Tessalonicenses 4:7!! A vida com Deus exige santidade e santidade exige integridade, esforço, caráter -Tiago 1:21; 2 Coríntios 7:1!

O terceiro ponto, para concluir, está na nossa relação com os demais. Falamos sobre a relação da humanidade com Deus, do "eu" com Ele e, agora, do "eu" com o próximo, o que também determina obediência ou desobediência para com Deus -Mateus 22:39. A lei que rege a sociedade atualmente é a da selva, a do mais forte: ninguém realmente se preocupa com a integridade dos demais, obrigando-os a aceitar a imposição da sua vontade, dos seus prazeres e dos seus gostos, tudo em nome da "liberdade de expressão". Ninguém mais pensa no bem geral, ninguém mais tenta melhorar em nome do todo, ninguém mais se priva de algo em prol do bem estar dos próximos, ninguém! Então todos buscam exercer domínio ideológico e comportamental por sobre os outros, afim de determinar, pela força, um maior poder, acontece que essa conduta, geral, faz de todos, enquanto "livres", escravos, prisioneiros, pois cada um, enquanto invade a liberdade e soberania do outro, tem a sua própria liberdade e soberania invadida, fazendo do teoricamente benéfico cenário anarquista, um verdadeiro campo de concentração, onde todos se prendem e caminham para a morte geral. Essa filosofia, do prazer extremo, incondicional, imediato e egoísta, tem promovido uma troca de estrume sem precedentes entre os indivíduos. Um invade a liberdade do outro e, rompendo os tetos de sua vida, despeja toda a imundície verbal, auditiva, visual... que o domina, poluindo ainda mais a vítima que, por sua vez, despejará essa sujeira, juntamente com a sua particular, noutra pessoa e assim por diante. Todos se enchem de podridão através da televisão, rádio e internet e, nas ruas, saem espalhando e recebendo a sujeira que os toma. O problema maior é que esse egoísmo todo não tem poupado as crianças que, na inocência, recebem uma quantidade insuportável de lixo dos mais velhos, poluindo-se extremamente, tornando-se precoces, perdendo a infância e caminhando para um negro futuro de vícios, sexo e morte. Quase todas as relações humanas têm se desenvolvido com base na troca de lixo, com um, baseado no seu pior, procurando o mais sujo do próximo e dando-lhe em troca aquilo que também lhe é mais sujo - relacionamentos fundamentados em inveja, egoísmo, interesses materiais, sexo casual e prazer momentâneo, tudo em prol do "eu", usando os outros e sendo usado e abusado por eles. É uma troca sem fim, sem precedentes e sem paralelo de pecados e, infelizmente, os que querem manter sua integridade acabam se tornando vítimas passivas de tão grande bombardeio de estrume. Sim, vivemos numa humanidade literalmente enfiada em esterco! Vivemos numa sociedade tão imersa nele que o próprio cérebro de seus indivíduos parece ter se tornado como tal!! O sistema que se formou é simples: você oferece estrume em troca de estrume, morte por morte, se somando exponencialmente, um sugando e sendo sugado pelo outro, numa relação de pecados que só pode terminar com todos, de tão sugados, atirados ao chão como sacos vazios - "eu me sugo", "eu te sugo", "você me suga" e "nós lançamos num abismo sem fim tudo o que temos de bom".

Essa é a realidade de nosso mundo para com Deus, para com os próximo e para conosco. Somente morte e juízo! Mas é claro que existe uma alternativa benigna: abrir mão do egoísmo, prostrar-se de joelhos e olhar para cima, reconhecendo a soberania e a glória do Pai, confessando a nossa podre condição e aceitando o que Deus fez por nós através de Seu Filho. Uma vez livres do pecado, basta-nos, em esforço, viver dignamente, em santidade, protegendo-nos do bombardeio pecaminoso que nos cerca -Efésios 6:11-18- e levando  virtude aos que só sabem sugar, baseando as nossas forças em Deus, permitido-nos levar a Palavra da Vida aos que estão se matando, para que não se suguem até a morte ou façam cair o juízo do Pai sobre as suas cabeças, mas para tal precisamos estar dispostos a abrir mão de nós mesmos, permitindo-nos sugar até que for necessário para que os incrédulos que nos cercam se rendam diante do Senhor. Dessa forma poderemos mudar a realidade deprimente em que vivemos e, sabendo da vindoura ira de Deus, tirar do Salão do Juízo os que nos ouvirem antes que o teto fende e tudo se cubra do dito excremento - O Pai quer salvar e nos enviou como sentinelas, para que alertemos para o perigo que se aproxima, como faróis, para indicarmos o caminho correto em meio às trevas, afim de os que nos ouvirem e verem, se salvem da grande tempestade que virá, vide Mateus 5:13-16 e Filipenses 2:15! Uma vez lavados e rotineiramente purificados -João 13:10-, esperando pelo vestir de roupas brancas e puras no Céu -Apocalipse 3:4-, por que não procurar o mesmo bem para os que, sem perceber, estão mergulhados até o pescoço num fétido esgoto -Romanos 6:20?! Reanalisemos a bondade inquestionável de Deus, que precisa restaurar o Universo, e nos comprometamos! Ele avisa -Deuteronômio 30:19-, Ele se deixa encontrar -Jeremias 29:13-, Ele enviou o Seu Filho para promover nossa salvação -João 3:16-, Ele se faz evidente na Criação -Romanos 1:20-, Ele se faz evidente na Bíblia -2 Timóteo 3:15-, Ele envia homens para pregar a Sua verdade -2 Timóteo 4:1-2-, Ele dá chances -Malaquias 2:2-, Ele sempre perdoa -1 João 1:9-, Ele enviou o Espírito Santo para nos ajudar -João 14:26-, Ele nos julga pelo nosso caráter -1 Samuel 16:7! Como não ser salvo?! Só um louco é capaz de dizer "não" a Deus diante disso tudo! Ninguém tem como dizer que Ele é injusto ou não quer salvar... Então, entendendo a Sua existência e a situação crítica em que nos metemos, mudemos de postura!

Natanael Pedro Castoldi, 2012

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