Navigation Menu

É a primeira vez que
você acessa este blog
neste computador!


Deseja ver antes
nossa apresentação?


SIM NÃO

Mostrando postagens com marcador Origem. Mostrar todas as postagens

Origens - Introdução e Índice

Pouca coisa é mais fascinante do que a exploração das origens da humanidade - através desse profundo, ainda que incerto, estudo, podemos compreender melhor o nosso mundo e, principalmente, a nós mesmos. De onde vem a moralidade? Qual é a origem da religião? Por que sentimos culpa? E as línguas, de onde partiram? Tendo tais questões em mente, eu te convido a se aventurar pelas raízes daquilo que somos. Segue a lista de artigos dessa série:


Natanael Pedro Castoldi

Origens: A Linguagem Humana

Já vimos como a moralidade humana ("Origens: A Moralidade Humana"), a religião ("Origens: A Religião") e o sentimento de culpa ("Origens: O Sentimento de Culpa") dependeram da existência de Deus, e também vimos que provavelmente o ser humano iniciou sua jornada na Terra nalgum lugar da Ásia ("Origens: O Berço da Humanidade") e que, ao que parece, existiu uma humanidade pré-diluviana ("Origens: Uma Humanidade Pré-Diluviana?"). Tais estudos parecem suficientes para promover um debate de qualidade sobre a origem do homem segundo o Gênesis, mas ainda há outros tópicos acessíveis para o enriquecimento desse tema, como o desejo universal pela eternidade e a origem comum das línguas. É sobre a segunda questão que dedicaremos nosso estudo.

1ª Fonte: Solascriptura-tt.org, "Cientistas Confirmam a Bíblia – Mas Não a Aceitam!", Pr. David Cloud, (Wayoflife.org), Janeiro de 1996 (atualizado em 21 de Abril de 2004). Traduzido por Valéria Lamim Fernandes em Junho de 2004:

A citação que segue foi retirada do "The Story of English", de Robert McCrum e Robert MacNeil:

“Há dois séculos um juiz inglês na Índia observou que várias palavras em sânscrito eram muito parecidas com algumas palavras em grego e latim. Por exemplo, o termo sânscrito para ‘Pai’, pitar, era muito parecido com o termo ‘pater’ em latim. Um estudo sistemático revelou que muitas línguas modernas descenderam de uma mesma língua-mãe, e que desapareceram porque nada foi escrito. Identificando termos similares, linguistas sugeriram o que chamamos de uma língua-mãe indo-européia, falada até 3.500 a 2.000 a.C.”

2ª Fonte: Dicionário de Raízes Primitivas, Edução Resumida, Luiz Caldas Tibiriçá, SCB, 1999, pgs 6-7, 15-16 e 24:

Comecemos com o fato de que os antigos egípcios denominavam o sapo com um termo idêntico ao da língua tupi. Cururu ou cururuk, que significam "resmungar", são onomatopeias utilizadas tanto pelos tupis quanto pelos egípcios - e elas se repetem em outros muitos povos, antigos e distantes: "krus", em sânscrito -"grito" ou "lamento"-; "kröte", alemão; "cruj-ir", português - lamentar da coruja; e "krüg", índios timbira - "colérico", "resmungão".

Tibiriçá, com base nas evidências, sugere que o tupi, língua da América, tenha, há cinco mil anos, vindo da Ásia Central ou do Oriente Próximo, onde relacionou-se indiretamente com o antigo egípcio, com o japonês, com o sumeriano, com dialetos indo-europeus e diversas línguas africanas.

Mesmo que existam grandes dessemelhanças entre os diferentes dialetos pertencentes a famílias, o número de termos cognatos comuns é maior - no que se refere aos pronomes, os cognatos aumentam extraordinariamente, indicando uma origem mais recente, sob a influência de grandes civilizações, como o Egito, a Suméria, a China e outros povos e grupos étnicos, como os elamitas, os semitas... Quanto mais regredimos no tempo, recuando para as línguas mortas, há uma relação muito mais de cognatos entre elas.

Para Tibiriçá, com base em seu conhecimento de linguística, há uns 15 mil anos, provavelmente quase todos os povos concentravam-se no Oriente Próximo e no Norte da África, daí dispersando-se para outros continentes, carregando consigo uma linguagem bem elaborada.

Segue uma breve lista com exemplos de palavras comuns:

A - Baal - superioridade, estrutura:

Eurásia:
Fenício: baal - senhos, deus.
Assírio: baal - Júpiter, o protetor.
Hebraico: baal - dominar.
Árabe: bar'y - deus.
Hitita: baal - senhor, mestre.
Celta: bal - elevado, chefe. Bel'y - poder.
Turco: bar'i - deus. Bal'a - alto, eminente.
Urdu: bar'a - grande, elevado.
Finlandês: pääll'e - sobre, em cima. Pää - cabeça.
Tibetano: bla - superior, eminente.
Tâmil: val - forte, possante.
Chinês: baa - oito.

África:
Etíope-amárico: bal - senhor.
Sudanês-jur: bäär - alto, elevado.
Ioruba: bar'a - o deus do mal.

América do Sul:
Quêchua: pall'a - dama da nobreza (provável relacionamento com o latim, através do frígio: "pall'a", que era a mantilha usada pelas mulheres nobres).
Bororo: bar'u - céu. Bar'i - sacerdote, curandeiro.

América do Norte:
Antigo maia: baal - senhor, eminente (conexo com semítico).
Tzutuhil-cakchiquel: paal - está em pé, levantado. Paa - sobre, em cima.

Acepção: ideia de proteção, cobertura.
Sumeriano: bar, par - cobrir, proteger. Bar, par - cobertura, habitação.
Grego: pall'ium - vestimenta.
Latim: pall'a - mantilha usada por mulheres nobres.
Sânscrito: var'a - cobrir, envolver.
Tibetano: ber - capa, manta. Bla - sobre, em cima. Ba - casa, recinto.
Húngaro: per - casa.
Gaulês: pall'en - cobertura.
Dravídico: por - vestir.
Antigo egípcio: per - casa. Ba - ramo de palmeira, cobertura.
Ki-suahili: paa - teto, cobertura.
Sudanês-jur: par - casa, habitação. Pa - pele de animal para vestir.
Ioruba: bo - cobrir. Wo - vestir.
Melanésico: pal - casa.
Bisaio-hiligano: bal'ay - casa.
Masakará: pa - casa.
Mashakali: bear - casa.
Tchapakura: par'i - pele, couro para cobertura.
Caribe: par'a - casa.
Sul-aruaque: pai - casa.

B - Dyew, Dyen - deus do dia luminoso:

Eurásia:
Sumeriano: dib - santuário. Tib - deuses.
Sânscrito: dev'as - deus. Din'a - dia. Diaúh - dia luminoso.
Védico: dyaush - deus.
Latim: deus - deus. Div'us - divino.
Grego: dios - deus. Zeus - deus.
Anglo-saxão: tiw - deus da guerra.
Celta: due - deus.
Gaélico: dia - deus.
Etrusco: tiv - lua. Tin - luz, claridade.
Antigo armênio: div - dia, luz.
Tâmil: dev - deusa.
Chinês: tien - dia. Tien - deus. Tien - céu.
Japonês: ten - céu. Ten - deus.
Munda-santáli: din - dia. Div'he - luz.
Urdu: deot - deus.

África:
Hotentote: tiep - dia.
Sudanês-shilluk: thyen'o - noite, por céu.

América do Norte:
Khekchi: tioch - ídolo (conexo com védico).
Maia-quichê: teoh - deus.
Nahuatl: teo - divindade.
Koahuiltek: tep - luz, fogo, lareira. 
Taína: di - dia.

Relacionamentos possíveis:
Grego: Zeus, Pater.
Védico: Dyaush Pitar.
Antigo latim: Dyù Pitar ou Dyù Pater.
Latim: Júpiter (com deslocamento do acento tônico).
Maia: yopat - mitra usada pelos sacerdotes.

Não é necessário colocar aqui outras palavras, considerando o interesse do artigo. Basta que o leitor entenda que minha fonte é um dicionário e que, portanto, diversas outras palavras indicadoras de uma origem comum das línguas estão nele disponíveis. Uma sugestão de leitura, para ampliar os conhecimentos sobre a questão, são os dois volumes, Tomo I e Tomo II, do "A Origem Comum das Línguas e das Religiões", de Guilherme Stein Jr., publicados em 1998 e 2014 pela SCB.

Conclusão:
Quando consideramos que as línguas vieram de um tronco primitivo e que grande variedade do que temos hoje é resultado de uma diversificação de uma porção não tão numerosa de milênios, podemos constatar que a humanidade partiu de um único lugar dentro das últimas dezenas de milhares de anos - e já com uma língua bem trabalhada. Isso tudo traz alguma luz sobre assuntos como o Dilúvio e a Torre de Babel.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:

Origens: O Berço da Humanidade

Eu sou, definitivamente, fascinado pelas origens! Ao meu ver, é nos fundamentos, nas raízes da humanidade, que encontramos os aspectos de maior relevância para a nossa formação como seres humanos. Ao longo da série "Origens", já trabalhamos sobre as bases da moralidade humana, da religião, do sentimento de culpa e sobre a existência de uma humanidade pré-diluviana - esses temas nos esclareceram questões universais e diárias, sem as quais a maioria de nós não conseguiria se imaginar. Sobram, porém, temas que merecem nossa atenção, como a origem comum das línguas, o interesse universal pela eternidade e o medo da morte e, no caso desse artigo, sobre a óbvia origem da humanidade num espaço geográfico determinado - tendo o homem iniciado a sua jornada partindo de um ponto específico, podemos entender melhor como é possível interceptar línguas, religiões e sentimentos comuns a todos os seres humanos de todos os tempos.

- Primeira fonte: Coleção Grandes Guerras, IV, Invasões Bárbaras, Aventuras na História, fevereiro de 2005, Abril, pg 19 e 59:

Era um orgulho para os povos bárbaros apontar para ancestrais heróicos - vários grupos germânicos, por exemplo, consideravam-se filhos de Odin. Por mais que alegações desse tipo aparentem pura fantasia, parece haver algum fundo de verdade nelas.

Para a geneticista francesa Raphaëlle Chaix, do Museu do Homem, Paris, vários povos bárbaros vieram de apenas uma figura masculina - foram estudadas populações da Ásia Central, como os uzbeques, cazaques e turcomenos. Trabalhando com a sua equipe na análise das variações do cromossomo Y, que só passa de pai pra filho, Chaix descobriu que as linhagens (agrupamento mais simples acima das famílias) contavam com ancestrais comuns há cerca de 15 gerações, ou seja, mais de 400 anos. Os clãs, que reúnem várias linhagens, por sua vez, tinham seus "pais" há cerca de seis séculos. Outros povos, como os hunos e os mongóis, podem ter vindo de apenas uma figura ancestral. No caso dos magiares, o ancestral comum é conhecido pela tradição como Magor, e no caso dos hunos, Hunor.

Conclusões assim nem precisariam do respaldo genético, sendo óbvio que o retrocesso genealógico, reduzindo o número de indivíduos e as terras ocupadas, culminaria em pequenos assentamentos primitivos. É de se esperar que a imensa maioria dos povos siga esse padrão.

- Segunda fonte: Solascriptura-tt.org, "Cientistas Confirmam a Bíblia – Mas Não a Aceitam!", Pr. David Cloud, (Wayoflife.org), Janeiro de 1996 (atualizado em 21 de Abril de 2004). Traduzido por Valéria Lamim Fernandes em Junho de 2004:

Um estudo publicado em 4 de dezembro de 1995 pela "U.S. News & World Report", sob o título “The Genetic Eve Gets a Genetic Adam”, chegou nas seguintes conclusões:

- Após 8 anos de estudos, examinando as células de vários grupos étnicos, os pesquisadores remontaram a árvore genealógica da humanidade e chegaram até a "mãe de todos nós".
- Eles teorizaram que a "Eva mitocondrial", a ancestral de toda a humanidade, teria pisado na terra há cerca de 200 mil anos.

Essa matéria também aponta para dois relatórios da "Nature", que sugerem a ligação de 99,9% de todos os homens a um único ancestral macho. Um dos relatórios estabelece que esse "Adão" tenha vivido há cerca de 188 mil anos, enquanto o outro aponta para 49 mil. O artigo da "U.S. News & World Report" apresenta, por fim, as declarações de Michael Hammer, da Universidade do Arizona e autor dos estudos em questão:

"Estamos descobrindo que os humanos têm raízes genéticas muito superficiais, que remontam de forma muito recente a um único ancestral". "Isso indica que houve uma origem em um local específico no Globo e que, então, ela se estendeu a partir daí.”

Um outro artigo interessante foi publicado na revista "December Time", sob o título "Evolution’s Big Bang", cuja capa anunciava: "Novas descobertas mostram que a vida, como a conhecemos, começou em um incrível desvario biológico que mudou o planeta quase que da noite para o dia.”

Segundo J. Madeleine Nash, no artigo "When Life Exploded", "Time", 4 de dezembro de 1995, as bases de toda a vida animal surgiram subitamente, como que numa "explosão de criatividade", conhecida pelos cientistas como a "Explosão Cósmica" da biologia. Desde 1987, foram encontrados vastos berços de fósseis na Groenlândia, na China, na Sibéria e na Namíbia, revelando que o período de inovação biológica ocorreu quase que simultaneamente no mundo inteiro. Tais evidências encontram algum suporte na crescente teoria do Equilíbrio Pontuado que, por não ter no darwinismo tradicional uma base segura (o gradualismo é insustentável e a Coluna Geológica nunca foi encontrada), supõe saltos evolutivos nos seres, ocorridos em picos evolucionários que, de alguma forma, se assemelham com os "Dias da Criação".

Você pode encontrar alguns argumentos interessantes sobre a idade da humanidade e as datações no artigo que segue: "Origens: Uma Humanidade Pré-Diluviana?"

Robert J. Hutchinson, no livro "Uma História Politicamente Incorreta da Bíblia", Agir, 2012, pg 77, traz algumas informações parecidas.

- Terceira fonte: Deusquerfalar.com.br, 2 de setembro de 2011, "Curiosidade: Projeto Genoma encontra Adão"; OGlobo, 25 de dezembro de 2002, Ciência e Vida: “O verdadeiro Adão viveu na África, cientistas sustentam que toda a humanidade descende de um ancestral comum”:

O Projeto Genoma Humano concluiu que todos os seres humanos modernos partilham de um mesmo ancestral comum, localizado geograficamente na África, possivelmente nas proximidades da Mesopotâmia - a localização bíblica do Éden.

O Projeto também revelou que todos os seres humanos são 99,9% idênticos do ponto de vista biológico -  a diferença entre um negro e um japonês, além da visível, está num caractere trocado em cada conjunto de 1 mil. Tal ínfima diferença resulta em todas as dessemelhanças anatômica perceptíveis nos tipos humanos, o que pode ajudar a explicar rápidas transformações humanas partindo da região do Ararate para o restante do mundo.

- Quarta fonte: Criacionismo.com.br, 27 de outubro de 2010, Michelson Borges, baseado no estudo publicado pela revista "Nature", de outubro de 2010, "Humanos surgiram na Ásia e não na África". A notícia também foi publicada no Veja.com.br, 27/10/2010, Ciência:

Segundo pesquisas recentes, os seres humanos teriam vindo da Ásia, não da África! Paleontólogos de várias partes do mundo chegaram a essa conclusão com base no encontro de fósseis de três famílias diferentes de simiiformes –um suposto subgênero humano. Os fósseis, encontrados na Líbia, Norte da África, possuem cerca de 38 e 39 milhões de anos. O período a que remetem os fósseis, chamado Eoceno, é o mesmo em que se alega terem sido formadas as cordilheiras. O fato é que a variedade de espécies norte-africanas indica um período de especiação anterior ao período dos fósseis, mas o problema é que não foi encontrado quase nenhum simiiforme de datação mais antiga – não há nenhuma evidência de uma diversificação biológica anterior a isso no Norte da África. A evidência sugere, segundo esse aparecimento repentino dos simiiformes, que os grupos encontrados foram, na verdade, colonizadores, vindos doutra parte do mundo - da Ásia, mais especificamente.

- Quinta fonte: Criacionismo.com.br, 4 de maior de 2013, Michelson Borges, baseado no artigo publicado pela "Nature Communications", 23 de abril de 2013, "Evento misterioso alterou linhagem genética humana". O artigo também foi publicado no LiveScience.com, 23/04/2013: 

Um misterioso evento alterou dramaticamente a linhagem genética dos povos europeus há cerca de 4,5 mil anos. Tal conclusão foi obtida através de análises em esqueletos de 7,5 mil anos que foram desenterrados na Europa Central. O que intriga é que essa antiga civilização, que tinha sido claramente bem-sucedida, teve seus traços genéticos subitamente substituídos há 4,5 mil anos.

O estudo também confirma que pessoas que deixaram a Turquia (onde está o Monte Ararate) colonizaram a Alemanha há cerca de 7,5 mil anos. Foi descoberto que os primeiros agricultores da Alemanha tinham íntima relação com os povos do Oriente Próximo e da Anatólia, mas tais fluxos não puderam alterar significativamente o patrimônio genético europeu. Ainda persiste o mistério sobre a repentina mudança que ocorreu alguns milênios antes de Cristo. As bases genéticas da Europa moderna resultam desse desconhecido evento.

Se não havia população suficiente para entrar na Europa e simplesmente varrer do mapa a genética de povos que já estavam lá, que tipo de coisa pode ter acontecido com esses primitivos europeus? Um cataclismo me parece viável. Uma forte inundação, local ou universal, poderia ser responsável pelo esvaziamento e pelo repovoamento da Europa.

Conclusão:
Considerando todas as notícias, podemos pintar um quadro interessante sobre os primórdios da humanidade: 
1 - As bases da vida animal apareceram subitamente, numa explosão de criatividade. Com o Equilíbrio Pontuado, somos levados a pensar nos "Dias da Criação". 
2 - Existiu um casal ancestral comum a todos nós.
3 - A Ásia aparece como o verdadeiro berço do ser humano.
4 - Existe pouquíssima variação genética entre os seres humanos, de modo que a diversificação dos tipos não necessitou de grandes complicações cronológicas e geográficas.

É claro que novas descobertas podem destruir as informações acima trabalhadas, mas, de momento, essas são algumas das melhores conclusões acerca do assunto. A verdade é que, ao que parece, outras evidências favoráveis ao relato bíblico surgirão, pois essa tem sido a tendência de nossos tempos, aprimorados os recursos tecnológicos para as análises genéticas, encontradas novas ossadas e fragilizado o paradigma da evolução tradicional.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:

Origens: Uma Humanidade Pré-Diluviana?

Sempre fui fascinado pelo mistério: criptozoologia, arqueologia proibida, eventos sobrenaturais e paranormais, ufologia... Ao meu ver, o problema não está nessas ciências em si, mas nas interpretações que os seus mais proeminentes estudiosos dão aos seus achados - é evidente que grande parte daquilo que as sustenta é fruto de má interpretação e fraude, mas me parece óbvio que, diante da imensa vastidão de objetos e ocorrências, alguma parcela é verídica, carecendo, apenas, de explicações mais viáveis. Sem medo de analisar tudo aquilo que me está acessível e compreendendo que grande parte daquilo que é coerente com a realidade pode encontrar uma explicação bíblica plausível, acabei comprando o interessantíssimo livro "A História Secreta da Raça Humana", de Michael A. Cremo e Richard L. Thompson, da editora Aleph, 2012, que apresenta inúmeras evidências de uma suposta humanidade pisando na Terra há até 2,2 bilhões de anos. Estranhamente, o material lido me fez pensar sobre a existência de Deus (você entenderá melhor a questão ao longo do estudo) - sei que tudo o que foi apresentado pelos estudiosos é questionável de diversas maneiras, por isso mesmo que o título do artigo é uma pergunta, mas não posso ignorar as possibilidades. Também estou consciente de que a fé não depende dessas possíveis evidências - aprendi com Francis S. Collins, no best-seller "A Linguagem de Deus", editora Gente, 2007, que não posso depositar a minha fé naquilo que pode ser comprovado como falso. Sem mais delongas, comecemos o estudo.

Índice: 1º - A humanidade não pode ser muito antiga; 2º - Datações questionáveis; 3º - O assentamento das camadas pode ter sido rápido; 4º - Homens pré-diluvianos?; Conclusão.

1º - A humanidade não pode ser muito antiga:
Hoje a taxa de crescimento da humanidade está em 2% - baseado nesse número, seriam necessários apenas 1.100 anos para se atingir a população atual (6 bilhões no ano do estudo). Considerando as guerras, pestes, a fome e outros problemas, a população demoraria apenas um pouco mais para atingir o seu ápice. De qualquer forma, a humanidade não pode estar na Terra há milhões de anos - se ela estivesse aqui há um milhão de anos, a população atual seria de 108600. Isso é o mesmo que o 1 seguido por 8600 zeros. Uma porcentagem de crescimento aceitável para um vasto tempo seria 0,002%, o que é muito inferior ao observado - e mesmo que assim fosse, constataríamos que um número inimaginável de pessoas já teria morrido ao longo da história, o problema é que o extraordinário número de mortes exigidas para esse "um milhão de anos" não encontra respaldo empírico. Não temos nem os ossos e nem os incontáveis artefatos que as pessoas deixariam ao longo de um milhão de anos de existência humana.

2º - Datações questionáveis:
Uma das formas de datar a Terra, que culminou nos conhecidos 4,6 bilhões de anos, se baseou nas medições precisas das taxas de vários isótopos radioativos encontrados em meteoritos. O problema é que se sugere que a Terra e os meteoritos tenham a mesma idade - aliás, não encontramos meteoritos em todas as camadas de sedimentos da superfície do nosso planeta.

Em diversas situações, a datação radioisotópica produz resultados diferentes em repetidos experimentos na mesma amostra - isso aconteceu, por exemplo, na análise do meteorito Allende. Quando ocorre uma situação de estimativas conflitantes, geralmente se sugere que a amostra de rocha foi contaminada e os resultados são simplesmente desconsiderados. Temendo a "contaminação", os cientistas selecionam cuidadosamente os fragmentos que serão analisados - ocorre que, mesmo depois da pré-seleção, as datações podem divergir, tornando possível uma contaminação que não foi percebida. Todo o processo, no final das contas, levanta dúvidas: diante da fragilidade do material, como poderemos saber se as idades mantidas são coerentes com a realidade? Não podemos descartar que a análise seja feita e condicionada para sustentar uma datação coerente com o desejo dos estudiosos.

Observação: não sou defensor da "Terra Jovem" de 6 mil anos, considerando que a própria Bíblia não propõe tal idade (as genealogias não são completas e Gênesis 1 pode sugerir "Dias-Era") e tendo em vista que existem artefatos reconhecidamente mais antigos que a sugestão de alguns criacionistas. Como já disse, não vou basear a minha fé nas lacunas. A questão, por outro lado, é que eu não ignoro a argumentação da "Terra Jovem", uma vez que estou comprometido em manter a coerência com o que me parece mais crível, não em simplesmente defender o que quero que seja verdade. Existem bons argumentos dos dois lados, embora entenda que a ideia da "Terra Antiga" também tenha respaldo bíblico e encontre bases mais coerentes. Por esses motivos, circulo livremente entre as duas forças que se opõem e me sinto livre para questionar ambas. Considerando isso, continuemos:

Testes de datação contraditórios também foram feitos no fluxo de lava do vulcão Hualalai, no Havaí, que entrou em erupção entre 1800 e 1801. Ocorre que o teste de datação radioisotópica, realizado diversas vezes, estimou idades muito diferentes para a mesma amostra, indo de 140 milhões a 2,96 bilhões de anos. Coisa parecida aconteceu na cratera de Salt Lake, em Oahu - um teste sugeriu que a rocha tivesse 400.000 anos, enquanto outros estimaram de 2,6 a 3,3 bilhões de anos. 

Outros estudos foram realizados para datar as rochas de lava sob o oceano, afim descobrir que a pressão faz diferença nos resultados. Amostras do monte Kilauea, tomadas de uma profundidade de 4.680 metros, resultantes de uma erupção de aproximadamente 200 anos, dataram a rocha de algo entre 21 e 8 milhões de anos - outras amostras, apanhadas a 3.410 metros, dataram de 12 a 2 milhões de anos. O estranho é que as amostras da profundidade de 1.400 metros foram datadas em ZERO anos. O método utilizado também foi a datação radioisotópica.

A verdade é que poucos dos métodos de datação disponíveis sugerem uma Terra Velha, transpassando os milhões de anos. Quando se encontra um fóssil ou outro resquício mineral de vida, quase sempre a sua datação se baseia na rocha no qual foi encontrado - mas, como vimos, os métodos de datação empregados são questionáveis e falhos.
Fonte: 301 Provas e Profecias Surpreendentes, Peter & Paulo Lalonde, Actual, 1999, pgs 19-26.

3º - O assentamento das camadas pode ter sido rápido:
As camadas sedimentares do solo se organizam da seguinte forma: os sedimentos, carregados por um fluxo de água, começam com as partes mais pesadas se assentando no fundo, enquanto as mais leves seguem a corrente. Depois de assentados, os sedimentos pesados no fundo também começam a se mover no sentido da corrente, cobrindo alguns sedimentos mais leves, culminando em lugares onde os sedimentos mais leves permanecem no fundo - tudo isso foi observado por Gilbert Hall, sedimentólogo, através de um grande experimento. Isso prova que os sedimentos do solo podem ter se distribuído como os vemos em um período de tempo recente.

O Grand Canyon também evidencia isso: as camadas do solo observáveis nas encostas não raramente apresentam uma linha divisória perfeita entre si, indicando que o tempo decorrido entre a deposição de uma camada e outra foi curto, já que não se percebe erosão nenhuma entre elas. 

Enumeremos algumas outras evidências interessantes:

- A Coluna Geológica, "evidência" da evolução, em nenhum lugar se encontra completa. Animais mais "primitivos" misturam-se com os mais "recentes" nas mesmas camadas.
- Árvores inteiras foram fossilizadas na vertical, transpassando diversas camadas de solo, o que indica um rápido soterramento por inundação.
- Há muitos exemplos de rochas sedimentares dobradas, o que indica que, depois de assentado o material em camadas, uma força, provavelmente água, o dobrou.
- A existência de vastos cemitérios de fósseis, coisa que não se forma mais hoje, indica uma catástrofe.
- Animais marinhos "primitivos" na base da suposta Coluna Geológica não indicam evolução, mas um soterramento diluviano que enterrou, primeiramente, os seres mais primitivos e simples.
- Dinossauros morreram por afogamento, é o que indicam os fósseis de répteis dispostos na vertical, com a cabeça curvada para baixo e a cauda para cima.
Fontes: 301 Provas e Profecias Supreendentes, Peter e Paulo Lalonde, Actual, 1999, pgs 71-81; No Princípio, Randal Milton Pollard, Gênesis, 2001, pgs 40-43.

Qual é a importância desses raciocínios introdutórios? Todos os achados que o livro "A História Secreta da Raça Humana" comenta, são datados conforme a norma comum. O meu desejo que é as datas apresentadas, baseadas nas camadas do solo nas quais os fragmentos foram encontrados, sejam postas em questão para que se possa apontar para uma possibilidade mais coerente com a existência de ossos e objetos humanos em locais que, supostamente, possuem centenas de milhões de anos: a ocorrência de um Dilúvio, responsável por movimentar o solo, aniquilar a humanidade da época e assentar tudo novamente em camadas.

4º - Homens pré-diluvianos?

A - Ossos antiquíssimos:
Há inúmeros achados relatados no meu livro, alguns dos quais com direito a fotografia, por isso terei que selecionar apenas alguns dos mais interessantes.

- O fêmur de Trenton:
 Achado em 1899 por Ernest Volk, numa pequena saliência 2 metros abaixo da superfície, durante escavações sobre uma ferrovia desativada ao sul da Avenida Hancock, em Trenton, Nova Jersey, foi datado como possuidor de 107 mil anos. Isso põe em questão a teoria tradicional, de que os humanos modernos surgiram na África há cerca de 100 mil anos e chegaram à América há aproximadamente 30 mil.

- O esqueleto de Galley Hill:
O material foi achado em 1888 por operários que trabalhavam removendo depositórios em Galley Hill, nas proximidades de Londres. Um dos operários, Jack Allsop, declarou ao colecionador de artigos pré-históricos, Robert Elliott, ter encontrado um esqueleto humano completo incrustado nos depósitos locais a cerca de 2,5 metros abaixo da superfície. A observação não deixou dúvidas de que os ossos e os sedimentos nos quais se incrustavam tinham a mesma idade. O sítio de Galley Hill possui 330 mil anos.

- Maxilar de Moulin Quignon:
O artefato foi descoberto em 1863 por J. Boucher de Perthes no sítio de Moulin Quignon, na França. Trata-se de um pedaço de maxilar humano moderno retirado de uma camada de areia preta e cascalho, na qual também se encontravam instrumentos de pedra - a camada estava cerca de 5 metros abaixo da superfície! O local no qual o maxilar foi encontrado é datado de 330 mil anos.

- Fragmentos de crânio de La Denise:
Na década de 40 do século XIX, fragmentos de ossos humanos foram extraídos de estratos vulcânicos de La Denise, França. Segundo as análises, o material craniano não aparentava ser diferente de um crânio humano moderno. A datação do material vai de alguns milhares até dois milhões de anos.

- O crânio de Buenos Aires:
O objeto foi encontrado em 1896 por trabalhadores que escavavam um dique seco em Buenos Aires, Argentina. Segundo Ales Hrdlicka, da Smithsonian Institution, o crânio era idêntico ao do homem moderno, mesmo que tenha sido datado como tendo entre 1 e 1,5 milhões de anos.

- O maxilar de Foxhall:
Em 1885, foi descoberto um maxilar humano em Foxhall, na Inglaterra. O maxilar foi extraído de uma camada 4,8 metros abaixo da superfície na pedreira do sr. Law - o objeto estava inteiramente infiltrado com óxido de ferro. Qualquer coisa encontrada no nível de onde o maxilar foi extraído deveria ter, pelo menos, 2,5 milhões de anos.

- O maxilar de Miramar:
Em 1921, M. A. VIgnati registrou a descoberta de um maxilar humano encontrado na formação chapadmalalana do Plioceno Superior em Miramar, Argentina. As análises do material e do lugar de onde ele foi extraído sugerem uma idade que vai de 2 a 3 milhões de anos.

B - Ferramentas e adereços:

- Descobertas de Florentino Ameghino na Argentina:
No fim do século XIX, Florentino Ameghino investigou a geologia e os fósseis da costa da Argentina, onde descobriu instrumentos de pedra, ossos entalhados e outros sinais humanos na Argentina do período do Plioceno, do Mioceno e até de antes disso.

Em 1887, Ameghino descobriu coisas interessantes no Monte Hermoso, Argentina. Lá ele observou pedras toscamente trabalhadas, ossos queimados e terra queimada advinda de antigas lareiras. As camadas nas quais descobriu essas coisas datam de aproximadamente 3,5 milhões de anos.

- A pedra de estilingue de J. Reid Mior:
Em 1926, John Baxter, assistente de J. Reid Mior, descobriu uma pedra de estilingue na área subterrânea de Red Crag, em Bramford, Inglaterra. As análises do objeto incomum, de forma ovalada e possuindo estriamentos e facetas artificiais, evidenciaram-no como produto de trabalho humano. O objeto foi comparado, então, com outras pedras de estilingue reconhecidas pela arqueologia. A única diferença é que as análises do objeto e do local de onde ele foi retirado o colocam numa idade que paira entre 2 e 55 milhões de anos.

- Corrente de ouro de Morrisonville, Illinois:
No dia 11 de junho de 1891, The Morrisonville Times anunciou: "Uma curiosa descoberta foi trazia à luz na última terça-feira de manhã pela sra. S. W. Culp. Enquanto quebrava um pedaço de carvão para colocá-lo num balde, ela descobriu, ao despedaçar o carvão, incrustada em forma circular, uma pequena corrente de ouro com cerca de 25 centímetros de comprimento, de artesanato antigo e singular. A princípio, a sra. Culp pensou que a corrente tinha caído por acaso no carvão, mas, ao tentar soergue-la, a ideia de ela ter caído ali recentemente tornou-se de imediato falaz, pois, quando o pedaço de carvão se quebrou, ele separou-se quase pela metade, e a posição circular da corrente colocou as duas extremidades próximas uma da outra, e quando o carvão se separou, o meio da corrente afrouxou-se enquanto cada extremidade permaneceu presa no carvão. Esse é um estudo para os alunos de arqueologia que adoram decifrar a constituição geológica da terra, de cuja antiga profundidade o curioso vive brotando. Supostamente, o pedaço de carvão do qual foi extraída essa corrente provém das minas de Taylorville ou Pana (sul de Ilinnois), e quase nos tira o fôlego pelo mistério de pensarmos por quantas longas eras a terra vem formando estratos após estratos que ocultam as correntes douradas de nossa visão. A corrente era de ouro de 8 quilates e pesava 9 gramas."

O carvão em que foi encontrada essa corrente de ouro foi datado de algo entre 260 e 320 milhões de anos.

- Xícara de ferro de Oklahoma:
Em 10 de janeiro de 1949, Robert Nordling enviou a fotografia de uma xícara para Frank L. Marsh, da Universidade de Andrews, no Michigan. Tal xícara estava exposta num museu do Missouri e vinha com a seguinte declaração juramentada, de 1948, por Frank J. Kenwood: "Enquanto trabalhava na Estação Elétrica Municipal em Thomas, Oklahoma, em 1912, deparei com um naco sólido de carvão que era grande demais para ser usado. Quebrei-o com uma marreta. Essa peça de ferro caiu do centro, deixando sua impressão ou molde no pedaço de carvão. Jim Stall (um empregado da companhia) testemunhou a quebra do carvão e viu a xícara cair. Investiguei a fonte do carvão e descobri ser ele oriundo das Minas Wilburton, em Oklahoma." Segundo minha fonte, a mina de carvão de Wilburton tem 312 milhões de anos.

- Estatueta de Idaho:
Em 1889, em Nampa, Idaho, foi encontrada uma pequena imagem humana, modelada em argila. A estatueta habilmente trabalhada foi retirada de uma profundidade de 96 metros de uma área de escavação de poços. O objeto foi extraído de um local que, aparentemente, já vira a luz do sol, dado um acumulo de humo - logo abaixo já se encontrava a rocha de arenito. No mesmo local foram encontradas bolas de argila densamente cobertas de óxido de ferro - a miniatura era feita do mesmo material, que também estava bastante incrustada de óxido de ferro, evidenciando que ela não era produto de fraude. A sua datação pairou nos 2 milhões de anos de idade.

- Moeda de Illinois:
Em 1871, William E. Dubois, da Smithsonian Institution, declarou a descoberta de diversos objetos feitos pelo homem em níveis profundos na região de Illinois. Um deles foi algo semelhante a uma moeda de cobre, retirada de 35 metros abaixo da superfície - a análise do material, considerando os entalhes e a espessura uniforme, indicaram que ele foi produzido numa antiga oficina mecânica. Tudo indica que a moeda possui cerca de 200 mil anos de idade.

- Pedra entalhada de Iowa:
A edição de 2 de Abril de 1897 do Daily News, de Omaha, Nebraska, trazia um artigo de nome "Pedra entalhada enterrada em mina", descrevendo o achado de um objeto numa mina perto de Webster City, Iowa. Segue um trecho do material:

"Enquanto extraía carvão hoje na minha de carvão de Lehigh, a uma profundidade de 39 metros, um dos mineiros deparou com um pedaço de rocha que o intrigou, não sendo ele capaz de explicar-lhe a presença no fundo da minha. A pedra é de cor cinza-escura e tem cerca de 60 centímetros de comprimento, 30 centímetros de largura e 10 centímetros de espessura. Sobre a superfície da pedra, que é muito dura, existem linhas desenhadas em ângulos que formam diamantes perfeitos. O centro de cada diamante é um belo rosto de um velho com uma reentrância peculiar na testa que aparece em cada um dos quadros, todos extraordinariamente parecidos. Dos rostos, todos, exceto um, estão olhando para a direita. Como a pedra atingiu sua posição sob os estratos de arenito a uma profundidade de 39 metros é algo que os mineiros não tentam responder." O objeto é datado de 286-360 milhões de anos.

C - Outras descobertas:

- Tubos metálicos de lençóis de giz, França: 65 milhões de anos.
- Impressão de sapato em argila xistosa, Utah: 505 milhões de anos.
- Esfera sulcada da África do Sul: 2,8 bilhões de anos.
- Parede de blocos em mina de carvão, Oklahoma: 260-320 milhões de anos.
- Pegada humana, República Turcomana: 150 milhões de anos.
- Ossos entalhados e lâminas de pederneira, Monte Aperto, Itália: 2-3 milhões de anos.
- Prego de ferro em pedra, Escócia: 360-408 milhões de anos.

Criacionismo.com.br, 21/03/2013, Michelson Borges

"Ao acender fogo na chaminé, um habitante de Vladivostok descobriu uma cremalheira de metal presa em carvão. O homem entregou o achado extraordinário a cientistas da cidade. Após uma análise minuciosa, os pesquisadores concluíram que a peça tem uma idade de 300 milhões de anos e foi fabricada por um ser vivo."

Criacionismo.com.br, 25/06/2013, Michelson Borges

"Uma expedição de pesquisadores na Rússia realizou uma surpreendente descoberta: um parafuso fossilizado que, após análises, foi datado com idade superior a 300 milhões de anos."

Existem centenas de objetos espetaculares na obra consultada, mas entendo que o suficiente já foi trabalhado. Reforço que não tenho certeza sobre nada do que os pesquisadores publicaram, mas entendo que é altamente provável que alguns dos achados acima relatados sejam verídicos. Os motivos de a comunidade científica militar contra esse tipo de material, censurando-o, são bastante claros, considerando os paradigmas científicos de nossos dias, como a Teoria da Evolução - encontrar resquícios humanos de centenas de milhões de anos simplesmente destrói toda a proposta favorecida pelos acadêmicos. Apenas uma anomalia nesse sentido pode desbancar toda a teoria - tal observação empírica seria muitíssimo mais poderosa do que a formulação teórica. Não me posiciono contra a Teoria da Evolução, pois a tenho como compatível com o relato bíblico, mas também não a favoreço - transito livremente entre a proposta criacionista mais conservadora e literal e o evolucionismo.
Fonte: A História Secreta da Raça Humana, Michael A. Cremo e Richard L. Thompson, Aleph, 2012, diversas páginas e lista das pgs 350-359.

Conclusão:
Todas as pessoas com um pouco de conhecimento sabem que o ser humano não pode ter milhões de anos, mas os achados anteriormente trabalhados apontam para isso. Ora, é impossível que a humanidade exista há tanto tempo! Aí sobram especulações: "outras humanidades", alienígenas ou fraudes. O que se sabe é que as ossadas encontradas são idênticas às nossas, sugerindo uma existência contínua do ser "humano moderno" desde centenas de milhões de anos no passado até hoje, o que também desbanca a ideia de influência alienígena - até porque a possibilidade de vida alienígena no Universo é extremamente baixa (segundo especialistas, a chance de existir uma outra estrela com um planeta capaz de sustentar alguma forma avançada de vida é de 0,001% - outros sugerem que menos da trilionésima parte da trilionésima parte de um por cento de todas as estrelas teria condições de possuir um planeta como o nosso). Sobram-nos, portanto, três alternativas: fingir que as evidências não existem; aceitar o paradoxo, mantendo as datações antigas mesmo com resquícios humanos; ou aceitar a possibilidade de as camadas do solo terem se assentado de modo mais rápido, soterrando uma humanidade não tão antiga. Existem bons argumentos para sustentar a terceira postura.
Fonte: 301 Provas e Profecias Supreendentes, Peter e Paulo Lalonde, Actual, 1999, pg 41.

Considerando os achados aqui apresentados, podemos, com algum grau de segurança, afirmar que existem, sim, resquícios de uma humanidade pré-diluviana! A própria existência desses objetos familiares em camadas "impossíveis" sugere um dilúvio. Além disso, podemos imaginar uma humanidade com razoável grau de desenvolvimento - interessante arquitetura, uso de moeda, metalurgia e, tendo em mente o restante do material apresentado pela minha fonte principal, conhecedora da escrita, das armas e de outras tecnologias. Isso entra em acordo com as sugestões bíblicas sobre a tecnologia pré-diluviana, que erguia cidades, forjava metais, produzia instrumentos musicais e, é claro, que foi capaz, com a orientação de Deus, de erigir a grande Arca.

Como já disse, não sou contra a Teoria da Evolução, embora reconheça a validade dos argumentos que se opõem a ela - aliás, ela só seria viável com a intervenção de um Intelecto extremamente poderoso. Embora tais objetos possam ser usados contra o evolucionismo, como fazem os autores da minha fonte principal, tendo em vista que eles tiram todo o crédito da suposta Coluna Geológica, minha intenção não é confrontar a tal teoria. Quero apenas estabelecer a necessidade de um dilúvio e a existência de uma humanidade pré-diluviana que, por sua vez, pode ter vindo de um processo evolutivo coordenado por Deus, mesmo que isso seja improvável. Sobre esse assunto, falarei noutra oportunidade.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:

Origens: O Sentimento de Culpa

O universal "sentimento de culpa" é "coisa da cabeça" ou possui uma origem um pouco mais surpreendente? Esse sentimento pesado que resulta de um comportamento inadequado encontra suas raízes na natureza amoral ou brota de uma compreensão moral plenamente estabelecida na mente humana? Analisaremos o caso no artigo que segue.

Para um melhor entendimento dos conceitos que serão trabalhados, leia o artigo do EOMEAB: "Origens: A Moralidade Humana"

- C. S. Lewis: sobre aquilo que sabemos que devemos fazer, mas que não colocamos em prática
Dando continuidade aos raciocínios estabelecidos no artigo indicado acima, podemos afirmar que os seres humanos possuem duas características curiosas: todos eles são assombrados pela ideia de um padrão de comportamento que se sentem obrigados a pôr em prática, que é a Lei Natural, e ninguém escapa da certeza de que tal Lei não é corretamente praticada. A transgressão da Lei Natural indica que ninguém é perfeito e a culpa sugere que todos nós temos consciência de que deveríamos sê-lo - a ideia que temos sobre imperfeição aponta para a verdade de que as coisas não são como deveriam ser.

Não há sentido em dizer que pedras ou árvores deveriam ser de outro jeito - as formas das pedras e árvores podem ser consideradas "erradas" quando desejamos utilizá-las para propósitos específicos, mas elas, em si mesmas, não são ruins. Não podemos culpar pedras ou árvores pelas características que elas possuem - a planta não poderia ser diferente do que é, estando num determinado clima e tipo de solo. A árvore que consideramos "má" segue com a mesma exatidão às leis naturais que a árvore que temos como "boa". As leis da natureza não são, nesse caso, "leis" no sentido aplicado pelos seres humanos, mas apenas "coisas que sempre acontecem com os objetos da natureza" - com raras exceções. A Lei Natural, por outro lado, não indica aquilo que "os seres humanos efetivamente fazem", mas um padrão que pode ser propositalmente ignorado - a lei da natureza fala dos fatos em si mesmos, enquanto a Lei Natural indica que, para o ser humano, há algo agindo para além dos fatos. Noutras palavras: existem os fatos (como nos comportamos) e uma outra coisa (como deveríamos nos comportar). 

Em todo o restante do Universo não há necessidade de coisas que não os fatos. A água corre e o vento uiva, parando o assunto por aqui. O, porém, homem pensa e fala, mas a questão não se limita a isso - nós estamos sempre conscientes de que o nosso comportamento deveria ser diferente. Pode ser inconveniente que o primeiro a chegar num ônibus tome o melhor lugar, mas só nos sentimos impelidos a culpar aquele que de fato rouba o nosso assento; pode ser inconveniente que alguém nos faça tropeçar sem querer, mas só nos sentimos impelidos a culpar aquele que, mesmo não conseguindo, tentou nos derrubar de propósito - no primeiro caso ferimos nosso corpo, no segundo saímos fisicamente ilesos. Provavelmente aquele que roubou o assento e aquele que planejou o tropeço sentirão culpa. Os fatos em si não são o fim da conversa - há algo dentro de nós que nos leva a considerar as coisas para além de si mesmas.

A verdade é que a Lei Natural é algo que transcende os fatos do comportamento humano. É bastante claro que os homens estão sujeitos a uma lei moral que não foi criada por eles, mas que não conseguem ignorar mesmo quando tentam e à qual sabem que devem obedecer. Algum ser inteligente que estudasse os seres humanos como objetos físicos, como pedras ou cães, não teria a mínima ideia da existência de uma lei moral - analisaria nossos comportamentos visíveis, mas não poderia discernir os conflitos da nossa mente; perceberia apenas o que fazemos, sem atentar para o fato de que há uma lei que, residindo em nós, insiste naquilo que deveríamos fazer. A mera observação dos fenômenos não pode encontrar a realidade que os produziu! Noutras palavras: "Se existisse um poder exterior que controlasse o Universo, ele não poderia se revelar para nós como um dos fatos do próprio Universo - da mesma forma que o arquiteto de uma casa não pode ser uma de suas escadas, paredes ou lareira." Só podemos esperar que essa realidade se manifeste dentro de nós mesmos, como uma influência ou voz de comando que nos impele a adotar uma conduta coerente.

O único envelope que podemos abrir para nos depararmos com a Realidade Primeira é o próprio ser humano e, abrindo-o, encontrarmos uma resposta em favor dela - em todo o restante do Universo é evidente que não podemos encontrá-la. Quando "abro" a mim mesmo, descubro que não posso existir por conta própria, mas que vivo sob uma lei, que algo ou alguém quer que eu me comporte de uma maneira ideal. Como sei que ela é "ideal"? É esse "alguém" que me faz saber disso através dos sentimentos de completude ou culpa.

"Algo dirige o Universo e (...) se manifesta em mim como uma lei que me incita a praticar o certo e me faz sentir incomodado e responsável pelos meus erros." C. S. Lewis completa, em favor do Deus apresentado nas Escrituras, que esse "algo" que incute em nós a moralidade é mais parecido com uma mente do que com qualquer outra coisa, uma vez que ninguém jamais viu um pedaço de matéria instruir alguém.
Fonte: Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis, Martins Fontes, 2014, pgs 21-35.

- Dave Hunt: sobre a iniciativa universal de corrigir o sentimento de culpa
Não foi o cristianismo que inventou a "culpa moral" e o medo de um julgamento vindouro baseado no comportamento inadequado. O ser humano sempre foi, em qualquer lugar, uma criatura irremediavelmente religiosa - todas as práticas religiosas encontradas em qualquer cultura e raça ao redor do mundo envolvem o senso de culpa e a tentativa de apagá-la mediante algum tipo de sacrifício. Toda a história humana, das origens ao término de todos os povos, torna tal verdade inegável. Mesmo se não houvesse cristianismo, haveria a sensação de pecado e merecimento de juízo. 

"O sacrifício, encontrado em todas as religiões, é propiciatório ou ainda é um sacrifício de redenção e absolvição. Em qualquer caso, o sacrifício é substitutivo e procede de um profundo senso de culpa...
Quanto às situações que provocam culpa, nada pode esclarecer isso mais do que o emaranhado de proibições entre os, assim chamados, povos primitivos..." Jacques Ellul.

Consideremos que a sensação universal de que o ser humano é incapaz de suprir devidamente a Lei Moral, torna todas as religiões que forçam o indivíduo a procurar redenção pelas próprias forças, através de comportamentos exemplares, privações, comunidades, construções, mantras e sacrifícios, incapazes de produzir o conforto e a tranquilidade de uma absolvição da culpa e do pecado. O cristianismo é a única religião que fala de um Deus que, entendendo a impossibilidade humana de alcançar por conta própria a Perfeição, faz-se homem perfeito, habita entre os pecadores e toma o seu lugar no julgamento de morte - todos os povos sabem reconhecer que o ser humano merece a morte por sua transgressão.
Fonte: Em Defesa da Fé Cristã, Dave Hunt, CPAD, 2012, pgs 231-232.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:

Origens: A Religião

-> Apresentação e Índice
-> Origens - Introdução e Índice
De onde vem a religião? Da natureza ou de um mundo espiritual? Qual foi o primeiro tipo de religião? Existe uma religião primeira, que era a única a ser conhecida no primeiro núcleo da humanidade, e que ainda pode ser conhecida e encontrada dentro das religiões mais recentes? A resposta para tais questões é de grande relevância para quem deseja compreender melhor o ser humano e vislumbrar uma razão para existir. O que o entendimento sobre as bases mais primitivas da religião pode nos ensinar sobre Deus? Me acompanhe nessa jornada.

Índice: 1 - A religião não pode ter vindo da natureza; 2 - O monoteísmo foi a primeira experiência religiosa?; a - O conhecimento de Deus no paganismo da Antiguidade; b - O Deus Desconhecido; - Theos; - Zeus; - Logos; - El Elyon; - Alá; - Viracocha; - Thakur Jiu; - Magano; -  Koro; - Shang Ti e Hananim; 3 - O desastre da Antiguidade; 4 - A mitologia indica um passado comum; Conclusão.

1 - A religião não pode ter vindo da natureza:
Segundo C. S. Lewis, a religião chegou até nós por meio da descoberta - não se trata de algo que foi criado e que tenha evoluído ao longo da história humana. Para começar, a vida do ser humano nunca foi fácil - vivemos em um universo vasto, no qual reside a morte e o sofrimento e nós, humanos, parecemos especialmente orientados para sofrer, já que temos consciência e razão para prever e intensificar a dor. Uma análise fria do universo em sua atual configuração, partindo do testemunho de Lewis sobre como pensava enquanto ateu, não parece apontar para o amor e a bondade - mas os seres humanos, as criaturas com mais potencial para sofrer, vivendo em uma natureza agressiva e padecendo dos mais terríveis abusos, ainda assim insistem em sustentar a existência de uma divindade plenamente amorosa, tendo-a como criadora daquilo que existe, e reconhecem que deve-se praticar aquilo que é moralmente correto. Para além do "quero", o ser humano afirma que "deve". Pense nos judeus, um dos povos mais sofridos: são ex-escravos, foram atacados continuamente por imensos impérios, acabaram exilados, chegaram a perder suas terras, padeceram das maiores atrocidades já cometidas em guerras e, ainda assim, sustentam que o universo é produto de um Criador Perfeito. É lógico que, nesse caso, a religião não pode ter vindo da experiência humana e da observação do mundo! Mas de onde, então, ela veio?

Muitas pessoas defendem que a religião encontra sua fonte no medo da natureza, mas Lewis discorda: para ele, equiparar o medo do perigo físico ao medo do desconhecido é brincar com a palavra "medo". Existem diferentes categorias de medos: o medo natural, como o temor diante de um tigre, não é quantitativamente, mas qualitativamente distinto do medo que temos de fantasmas - o primeiro não poderia ter se transformado no segundo. Há os que afirmam que o medo de "tigres" evoluiu para o medo de fantasmas por meio da influência e do respeito por chefes tribais, mas isso não resolve a questão principal: de onde veio tal reverência? Imagine que há um tigre no cômodo ao lado e verifique que tipo de medo você sentirá. Agora imagine que há um fantasma... e agora imagine um fantasma ainda mais poderoso - o medo pela entidade pode ser chamado de "horror". Tal terror não está baseado em algo lógico, no conhecimento do potencial mortal do objeto de repulsa - o fantasma é temido por ser um "estranho", não um "perigoso". Podemos chamar isso de "Numioso", em referência ao aspecto irracional da religião. Um fato inquestionável é que o homem, por algum motivo, sempre acreditou que o universo fosse habitado por fantasmas - um lugar verdadeiramente assombrado.

O Numioso aparece em diversos relatos da nossa história, como quando o apóstolo João, no Apocalipse, caiu "como que morto" diante dos pés do Cristo ressurreto; no relato pagão de Ovídio, que retrata o bosque de Aventino como um "local assombrado", afirmando que "há uma presença ali"; na descrição de Virgílio do palácio de Latino, tido como "horrendo com os bosques e a santidade dos tempos antigos"; num fragmento de manuscrito atribuído a Ésquilo que descreve a terra, o mar e a montanha estremecendo sob o "terrível olho de seu Mestre." Por fim, um dos exemplos mais claros pode ser encontrado no testemunho de Jacó que, após uma visão celestial acorda em desespero, bradando: "Temível é este lugar!" O Numioso fascina o ser humano - é diferente parar para assistir um documentário de vida selvagem e um filme de terror. A fera selvagem está longe, mas a presença demoníaca perece estar para além da televisão. As pessoas sentem uma verdadeira e inexplicável atração pelo Numioso, pelo Estranho - sentem um arrepio na espinha, um frio na barriga e um nó na garganta, o ar fica pesado e a visão distorcida. É uma experiência verdadeiramente irreal e jamais poderia ter brotado do mesmo medo que temos da natureza, por mais grandiosa e desconhecida que ela possa ser - tal ocasião não é resultado de uma ideia, de uma má compreensão, mas uma experiência muitíssimo real e experimentada individual e coletivamente em diversos eventos ao longo da jornada humana por esse mundo. Como o homem imaginou seres sobrenaturais e como esses seres foram capazes de produzir tais sentimentos?

É provável que o assombro Numioso seja tão antigo quanto a própria humanidade - e mesmo que seja impossível determinar a sua origem, a questão é que esse sentimento veio a existir, acha-se difundido e não abandonou a mente humana mediante os avanços científicos. O que se sabe é que esse assombro não pode ser resultado de uma inferência do Universo visível - é impossível, partindo do simples perigo, desenvolver um argumento até chegar ao estranho, menos ainda ao Numioso pleno. 

O raciocínio de Lewis prossegue afirmando que a verdadeira origem da religião está plenamente situada no temor divino do sobrenatural - coisa que só os seres humanos possuem. Os seres humanos são as únicas criaturas do mundo que temem os próprios mortos - quando, como e por qual motivo esse medo veio a existir? De que forma os mortos atraíram esse sentimento peculiar? C. S. Lewis insiste na ideia de que o horror e o assombro pertencem a uma categoria distinta da do medo - "nenhuma descrição factual de qualquer ambiente humano seria capaz de incluir o estranho e o Numioso, nem sequer sugeri-los." Há apenas dois pontos de vista que podemos assumir acerca do espanto: ou ele é apenas uma peculiaridade da mente humana, que não corresponde a nada objetivo e que não serve para nenhuma função biológica (e estranhamente persiste em não desaparecer); ou verdadeiramente se trata de uma experiência direta com o sobrenatural. 

Devemos considerar que o Numioso não é moralmente bom - é mais provável que o ser humano, espantado, tenha o Numioso como algo "além do bem e do mal". É aqui que entra um outro aspecto fundador da religião: todos os seres humanos de todos os tempos reconhecem a existência de algum tipo de moralidade - a ideia de que "eu devo fazer algo" é semelhante ao Numioso pelo motivo de não existir nenhuma base natural para a sua existência. A moralidade, assim como o assombro, é um salto - aqui o ser humano vai além de qualquer coisa que possa ser mostrada pela experiência natural. Até podem haver distinções morais entre as diferentes culturas humanas, mas todas nutrem algo em comum: elas prescrevem um comportamento que as pessoas que o adotam não conseguem colocar em prática e, assim, todos os seres humanos reconhecem que estão condenados. Apesar disso, a experiência moral e a experiência Numiosa podem coexistir por muito tempo sem terem contato uma com a outra. Diversas culturas desenvolveram profundas filosofias e, ao mesmo tempo, mantiveram religiões tribais focadas em rituais propostos para suprimir o medo e apetecer a entidade.

O terceiro aspecto que se encontra na base das religiões está no fundir da experiência moral e da experiência numiosa: o Poder Numioso perante o qual sentem um assombro acaba se tornando o guardião da moralidade, gerando um grande senso de obrigação moral. Tal passo também não é óbvio, pois o verdadeiro comportamento de nosso universo, assombrado pelo Numioso, não guarda semelhança alguma com o comportamento que a moralidade exige de nós - o primeiro é implacável, devastador e injusto, enquanto o segundo impõe qualidades opostas. O Numioso já é aterrorizante, mas tê-lo como juiz, o impassível incentivador de um sistema moral impossível de cumprir plenamente, está para além de qualquer coisa que o ser humano pudesse sugerir ou desejar. Talvez essa seja a descoberta mais assustadora de toda a nossa história - como se o universo por si só já não fosse terrível o suficiente.

De todas as religiões, C. S. Lewis termina citando a única que dá o quarto passo que é, inclusive, um acontecimento histórico, tornando tudo mais aceitável: houve um homem nascido entre os judeus que afirmou ser o Algo que é ao mesmo tempo aquele que assombra de modo temível a natureza e quem fornece a lei moral. Sobre a figura de Cristo cabe falar noutra postagem.

A questão é que, para passar das religiões primitivas baseadas no medo para as religiões monoteístas mais sofisticadas (judaísmo, cristianismo e islamismo), deve ocorrer um salto qualitativo para o qual não há qualquer comando evolutivo. O verdadeiro monoteísmo só virá à tona quando Deus instilar em nós um temor espiritual que esteja unido ao Deus que tudo criou e que dirige a moralidade.

O que, por fim, deve ficar claro nesse primeiro tópico do estudo é que a origem primeira da religião precisa ser espiritual - a descoberta da religião, que despertou um interesse antinatural, precisou vir de fora da natureza. A posterior variedade de religiões pode ter vindo de experiências espirituais diversas e das menores variações nos conceitos morais - é claro que, uma vez sentido o Numioso e principiada a religião, muitos movimentos religiosos podem ter surgido como interpretações diferentes de experiências e ensinamentos anteriores. O fato é que o requisito básico para a existência de uma crença religiosa é a existência do sobrenatural que, por sua vez, só pode ser cogitado por ter se revelado primeiro - muitas religiões primitivas tomam base apenas nisso, realizando todo o tipo de ritual. A coexistência da moral e do numioso e o fundir da moralidade com o espanto podem ser passos posteriores, mas nunca se pode imaginar um pensamento religioso dissociado da experiência com o desconhecido.
Fontes: O Problema do Sofrimento, C. S. Lewis, Vida, 2013, pgs 17-31; Apologética Cristã Para o Século XXI, Louis Markos Ph.D., Central Gospel, 2013, pgs 34-35.

2 - O monoteísmo foi a primeira experiência religiosa?
É claro que existe uma lógica do Numioso, para o Numioso e moral separados e para os dois aglutinados, mas isso não necessariamente significa que a primeira experiência religiosa tenha se centrado apenas no Numioso - assim como a experiência com o Numioso pode, ainda hoje, produzir religiões destituídas de moral, orientadas apenas pelo medo. Uma vez que a religião precisou da revelação do sobrenatural, nada mais óbvio do que pensar que o próprio Deus tenha sido o primeiro a fazê-lo, acompanhando a aparição com uma revelação moral - bom, o próprio Gênesis pós-queda demonstra uma certa gradação na formação do judaísmo, tendo homens como Abraão e Jacó vivendo com a moral e o espanto parcialmente separados até que, preparado o povo, o próprio Deus pudesse dar o sofisticado passo que viera a fundir os dois, isso lá no Monte Sinai, por advento da entrega das Tábuas da Lei. A questão que fica é: "existe alguma evidência de que o próprio Deus tenha se revelado na mais longínqua antiguidade?" É possível argumentar nesse sentido, embora não se possa ter certeza. Apresentarei algumas evidências - tire as suas próprias conclusões.

a - O conhecimento de Deus no paganismo da Antiguidade:
Ao contrário daquilo que comumente se pensa, é possível interceptar um profundo conhecimento sobre Deus na Antiguidade Clássica. A ideia de um Criador Todo-Poderoso, Perfeito e Pai da humanidade aparece nos escritos de vários historiadores do mundo antigo e nos ensinamentos dos mais antigos filósofos. A concepção de Deus chegou a ser tão profunda em certos círculos pagãos, em particular no mundo greco-romano, que chegou a ter início uma controvérsia entre os que pregavam a lógica criacionista e os que procuravam evidências para uma espécie de materialismo - é surpreendente verificar a semelhança que há entre esses debates e os atuais, dados por criacionistas e evolucionistas. Verifique o seguinte dizer de Lao-tzé, proveniente da China do sexto século a.C.:

"Antes do tempo, e durante o tempo, tem existido um Ser com existência própria, eterno, infinito, completo e onipresente... Para além deste Ser, antes do início, não havia nada."
Fonte: Lao-Tzé. Teo-te-ching, tr. Léon Weiger. Versão inglesa por Derek Bryce. 1991. Llanerch Publishers. Lampeter. p. 13.

É óbvio que Lao-tzé refletiu sobre o tema sem ter tido influência do livro do Gênesis. Na verdade, considerando os dizeres de diversos outros filósofos pagãos da antiguidade, não é preciso sugerir que o livro do Gênesis tenha sido necessário para a produção de tais convicções - elas simplesmente existiam, de alguma forma, preservadas em diversas culturas do mundo, como se toda a humanidade encontrasse bases numa religião primordial. Mas, assim como ocorre hoje, tal perspectiva tinha os seus inimigos, como Kuo-Hsiang, oponente das ideias de Lao-tzé:

"Aventuro-me a perguntar se o Criador existe ou não. Se não existe, como poderia criar as coisas? ... A criação das coisas não obedece a qualquer Senhor; tudo se cria por si mesmo."
Fonte: Clarke, John. 1993. Nature in Question. Earthscan. p. 24.

A verdade é que exceções assim acabam confirmando a regra: para que a existência do Criador seja negada por um filósofo, ela primeiramente deveria ter sido exposta por outro. No caso de ter sido exposta antes de questionada, de onde teria vindo esse conhecimento? Não das Escrituras e nem de missionários - mesmo sendo imperfeito, o conhecimento de Deus estava bastante vivo entre os povos pagãos da Antiguidade, segundo Bill Cooper B. A. Hons, "somente poderia ter-se fundamentado sobre um corpo de conhecimentos que houvesse sido preservado entre as raças antigas a partir de um determinado ponto na história". Segue um antigo texto de Hierápolis, no Egito:

"Eu sou o criador de tudo o que existe... que surgiu a partir de minha boca. Os céus e a terra não existiam, nem tinha sido criada a erva do campo nem as coisas que rastejam. Eu as fiz surgir do abismo primordial, a partir de um estado de não existência..."
Fonte: Paráfrase de Bill Cooper B. A. Hons da tradução literal de Wallace Budge em The Gods of the Egyptians. Vol. 1. Dover. New York. 1969. pp. 308-313.

A verdade é que não existe nenhum registro de que, em algum momento, o ponto de vista acima retratado tenha sido questionado no Egito antigo. Não parece ter havido um debate. Fica evidente uma consciência razoavelmente comum de que o Egito já havia experimento o monoteísmo e que traços do mesmo ainda residiam no seu famoso politeísmo - na tentativa de remover o entulho de mitologias e superstições que havia sido depositado por sobre a ideia de um Criador, o faraó Aknhathon procurou persuadir todo o Egito de que havia somente uma única divindade e não as muitas que os egípcios adoravam, coisa que, porém, não era um conceito ateísta ou materialista que pudesse negar a posição e a realidade de um Criador. A mesma ausência de ateísmo e materialismo se dá tanto na Mesopotâmia quanto no Israel antigo (exceto pelo Salmo 14:1), o que evidencia o quanto a visão de mundo criacionista era forte no Crescente Fértil. A verdade é que a grande maioria das culturas do mundo antigo (das quais temos algum registro escrito) nutria um abrangente consenso de que o universo havia sido criado por uma única divindade, usualmente suprema - isso se dá até mesmo em culturas politeístas. Além disso, cada cultura nutria a visão de um Criador destituído de perversidade - coisa que também ocorre nas culturas que floresceram em ambiente pagão agressivo e pervertido. Verifiquemos o dizer de Hesíodo na sua "Teogonia", oitavo século a.C.:

"Antes de tudo veio à existência o Vazio... em seguida, a Terra. ... Do Vazio veio a escuridão... e da Noite veio a Luz e o Dia..."
Fonte: Hesíodo. Thogony. tr. Norman Brown. 1953. Bobbs-Merril Co. New York. p. 15.

O relato de Hesíodo se assemelha ao Gênesis, embora evidentemente não encontre bases nele, visto que ele tem uma visão envilecida do Criador. Tal percepção também era compartilhada por Xenófanes, cerca de dois séculos depois de Hesíodo:

"Homero e Hesíodo deram aos deuses todos os atributos que entre os homens são vergonhosos e censuráveis - roubo, adultério e mentira. ... [Porém] existe um Deus, maior entre os deuses e homens, não semelhante aos mortais quer em forma quer em pensamento... que vê como um todo, pensa como um todo, ouve como um todo. ... Ele permanece sempre no mesmo estado, sem qualquer mudança... E longe de se fadigar, governa tudo com sua mente."
Fonte: Barnes, Jonathan. 1987. Early Greek Philosophy. Penguin Classics. Harmondsworth. p. 42.

O interessante é que Xenófanes, conhecedor do nome de todos os deuses gregos, evitou nomear ou identificar o Deus de quem então falava. Não se tratava de Hermes ou Ares. A mesma ideia de um Criador inefável permeou o pensamento de Platão, conforme se percebe no dizer que segue:

"Ressaltemos, portanto, a razão pela qual o grande modelador desde universo dinâmico realmente o modelou. Ele era bom, e o que é bom não possui em si qualquer partícula de cobiça; sendo, portanto, isento de cobiça, ele desejada que todas as coisas fossem tão semelhantes a ele quanto possível. É este um princípio válido para a origem de um mundo dinâmico tanto quanto podemos descobrir a partir da sabedoria humana..."
Fonte: Platão. Timaeus and Criteas. tr. Desmond Lee. 1965. Penguin Classics. Harmondsworth. p. 42.

É interessante perceber aqui outra semelhança com Gênesis: "E viu Deus que era bom". Também é observável que Platão tinha descoberto este conceito no discernimento de filósofos anteriores a ele - sem dúvida ele tomava bases em conceitos filosóficos bem anteriores aos de Hesíodo, além de serem mais profundos. Partindo de Platão, a visão criacionista de mundo ganharia ares mais lógicos e "científicos", sempre atestando para um único Criador. Tales de Mileto (625-545 a.C.) é o responsável por outra forte declaração:

"Das coisas existentes, Deus é a mais antiga - pois ele não é gerado. O mundo é a mais bela, pois é criação de Deus... A mente é a mais veloz, pois tudo perscruta."

Segue uma outra reflexão, pronunciada por Crísipo (280-207 a.C.):

"Se existe algo na natureza que a mente humana, a inteligência, a energia e a força humanas não podem criar, então o criador dessas coisas deve necessariamente ser um ente superior ao homem. Os corpos celestes em suas órbitas eternas certamente não poderiam ser criador pelo homem. Eles, portanto, devem ter sido criados por um ser superior ao homem. ... Somente um tolo arrogante imaginaria que nada houvesse no mundo todo maior que ele próprio. Logo, deve existir algo maior do que o ser humano. E esse algo deve ser Deus."

É estranho como o pensamento grego pôde chegar nesse patamar, indo das reflexões mais grotescas de Hesíodo para a simplicidade e profundidade de Crísipo - consideremos que o cristianismo ainda não tinha nascido e que a sua influência sobre o pensamento grego só seria perceptível séculos no futuro. Alguns sugerem que isso tenha se dado através da influência de judeus helenizados, mas Bill Cooper contesta: aparentemente o primeiro contato dos gregos com o judaísmo se deu em 587 a.C., quando mercenários gregos participaram do exército de Nabucodonozor durante o ataque a Jerusalém - é lógico que junto com os mercenários havia um contingente civil menor que, sem dúvida, deve ter ocupado o tempo livre com longas horas de conversa e reflexão, porém, ver nisso uma possibilidade de aceitação do judaísmo está fora dos limites do aceitável: os judeus eram vistos com muito desprezo pelos gregos, isso de tal forma que se viram obrigados a aceitar a cultura grega para sobreviver. Um marcante exemplo dessa hostilidade reside em Antíoco IV Epifânio (175-163 a.C.), que perseguiu os judeus e procurou erradicar o judaísmo da face da Terra. Outro fator que inviabiliza a influência judaica sobre o pensamento grego está na tardia tradução da Torá para o grego, dada em 250 a.C., dezessete anos antes de Crísipo se tornar o condutor da escola estóica  - desse modo, a notável tradução do Gênesis para o grego se deu 58 anos depois da fundação da escola estóica, 308 a.C., e, portanto, o estoicismo nenhuma relação teve com o livro de Gênesis. Sua percepção de Deus foi independente - resta saber de onde foram tiradas as suas ideias.

Seguindo a linha de raciocínio do estoicismo acerca do criacionismo, Cícero, um estóico posterior, é o autor dos surpreendentes parágrafos que seguem:

"Ao observarmos um gnomon (relógio de sol) ou uma clepsidra (relógio hidráulico), vemos que eles indicam o tempo de maneira propositada, e não por acaso. Como podemos imaginar, então, que o universo como um todo seja destituído de propósito e inteligência, ao abarcar tudo, incluindo esses próprios artefatos e seus artífices? Nosso amigo Possidônio, como sabemos, recentemente elaborou um globo que, em seu movimento de rotação, mostra o movimento do Sol, das estrelas e dos planetas, dia e noite, exatamente como eles aparecem no céu. Ora, se alguém tomasse esse globo e o mostrasse aos habitantes da Bretanha ou da Cítia, algum desses bárbaros deixaria de perceber que ele era o produto de uma inteligência consciente?"

"Nos céus nada há de acidental, nada arbitrário, nada fora de ordem, nada errático. Tudo é ordem, verdade, razão, constância... Não posso compreender essa regularidade das estrelas, essa harmonia do tempo e do movimento em suas imensas órbitas durante toda a eternidade, a não ser como a expressão da razão, mente e propósito... O seu movimento constante e eterno, maravilhoso e misterioso em sua regularidade, declara o poder inerente de uma inteligência divina. Se algum homem não pode sentir o poder de Deus ao olhar para as estrelas, então duvido que seja capaz de qualquer outro sentimento também."

"Não é, realmente surpreendente alguém pôr-se a acreditar que um número imenso de partículas sólidas e separadas, pudesse, mediante colisões aleatórias, e movidas tão somente pela força de seu próprio peso, trazer à existência um mundo tão belo e maravilhoso? Se alguém pensa que isso é possível, não vejo porque também não pensar que, se um número infinito de letras, dentre as vinte-e-uma do alfabeto, feitas de ouro ou de que quer que seja, fosse misturado e lançado no chão, pudessem elas cair de tal maneira que formassem, por exemplo, o texto completo dos 'Anais' de Ênio. De fato, duvido que o acaso permitisse que as letras formassem seque um único verso dos 'Anais'!"

Podemos citar ainda outro indivíduo da Antiguidade, Lucílius que, sem a ajuda de nenhum cristão ou judeu, atribuiu o universo ao trabalho e manutenção de um Criador que "é, conforme afirma Ennius, o pai tanto dos deuses como dos homens, um Criador presente e poderoso. Se alguém duvidar disso, tanto quanto posso discernir, poderia também duvidar igualmente da existência do Sol. Pois ambos são igualmente evidentes. E se isso não fosse claramente percebido e manifesto à nossa inteligência, a fé dos homens não teria permanecido tão constante, não se teria aprofundado com o correr do tempo, e jamais teria se enraizado tão firmemente através dos séculos em todas as gerações humanas."
Fontes: Uma Outra História das Religiões, Odon Vallet, Globo, 2002, pg 20; Depois do Dilúvio, Bill Cooper B. A. Hons, SCB, 2008, pgs 13-27.

b - O Deus Desconhecido:
No livro "As Vidas de Filósofos Eminentes", de Diógenes Laércio, autor grego do terceiro século d.C., há um estranho relato sobre o famoso profeta Epimênides: num passado realmente distante, Atenas estava sendo julgada por uma terrível praga. Temendo que tal peste fosse resultado de um pecado que tivesse sido cometido contra algum deus, o povo sacrificou para todos os deuses, mas o mal não deixava a cidade. Então, por recomendação do Oráculo, Epimênides, um estrangeiro de Creta, foi chamado - um deus que não estava presente em todo o panteão grego precisava ser apaziguado pelo profeta. Tomando um rebanho de ovelhas pretas e brancas e soltando-o do topo da Colina de Marte, o estrangeiro desejou dar uma oportunidade para que o "Deus Desconhecido" se revelasse - a ideia era que cada lugar onde uma ovelha deitasse fosse marcado e, entendendo que as que se deitassem eram do agrado desse Deus, sacrificaria cada uma delas. Como era normal que as ovelhas se deitassem fora do horário habitual em que pastavam, o experimento se deu de manhã bem cedo, quando elas estavam todas famintas. As que deitaram foram sacrificadas diante de altares sem nome, erigidos especialmente para a ocasião. A praga abandonou a cidade. Mas quem era esse "Deus Desconhecido"? Seis séculos depois, o Apóstolo Paulo, encontrando um altar remanescente desse evento enquanto visitava Atenas, pregou o Deus de Israel - como vimos anteriormente, os gregos já estavam familiarizados com a ideia de um Deus Eterno e Criador, interpretado pelo Apóstolo como sendo o próprio "Deus Desconhecido".

É interessante que, quando Paulo cita uma poesia de Epimênides em Tito 1:12-13, chama-o de "profeta"!

Diógenes Laércio menciona que "em diferentes partes da Ática podem ser vistos altares sem qualquer nome gravado, servindo de memoriais para esta expiação". Dois outros escritores da Antiguidades - Pausânias e Filostrato - referem-se a "altares a um deus desconhecido", sugerindo que havia tal inscrição neles.

- Theos:
A pregação de Paulo em Atenas, registrada em Atos 17, é singular não somente pela raiz histórica no profeta Epimênides, mas também pela palavra usada para referir-se ao Criador: "Theos". Os gregos conheciam esse termo, mas não o empregavam para uma entidade específica, embora os filósofos possam ter sabido que Xenófanes, Platão e Aristóteles tenham usado "Theos" como um nome pessoal para um Deus Supremo. Tal termo foi tomado pelos tradutores da Septuaginta para referir-se à Elohim, pois era a única palavra grega direcionada à divindade que ainda guardava a pureza monoteísta: "Zeus" foi rejeitado, pois ele era filho de dois outros seres. O espanto dos gregos com a pregação de Paulo, afirmando que ele pregava "deuses desconhecidos", deve ter se dado ao emprego do nome "Jesus", não "Theos".

Aqui há algo surpreendente: Paulo afirma que o nome do "Deus Desconhecido" é Theos, o mesmo termo que os grandes filósofos gregos já tinham utilizado!

- Zeus:
Agora faça um exercício de comparação: Deus -> Theos -> Zeus. Fica evidente que as três palavras possuem a mesma raiz. Os três nomes começam com consoantes (Z, D e Θ -Th) que exigem que a ponta da língua esteja entre os dentes ou imediatamente por trás deles; eles três destacam o que os linguistas chamam de "vogal e média, aberta", no segundo espaço; os três nomes possuem no terceiro espaço as vogais "o" ou "u", "posteriores fechadas"; eles três possuem no quarto espaço o "s"; e todos eles partilham de um sentido semelhante.

O fato é que antes de o latim e o grego se separarem em línguas distintas, provavelmente "Deos" era o nome da Pessoa Divina. Com o passar do tempo, as seitas começaram a criar deuses menores, dando-lhes nomes pessoais, cada uma afirmando que a sua divindade era, na verdade, "Deos". Aos poucos, as mudanças de pronúncia levaram um grupo a utilizar "Deus", outro a falar "Θeos" e um terceiro a pronunciar "Zeus" - esses termos passaram a significar "deus" e não mais "Deus". Quando Platão, Xenofonte e Aritóteles procuraram inverter a tendência para a generalização, retornaram o uso de "Theos". "Zeus", uma terceira variação do "Deos" original, também sobreviveu à generalização, sendo utilizado como um nome pessoal específico - Epimênides utilizou "Zeus" como referência ao Deus Todo-Poderoso numa outra parte do mesmo poema que Paulo citou em Tito.

O problema com o uso de "Zeus" começou depois de Epimênides. Ao longo dos séculos os teólogos gregos manipularam o nome pessoal do todo-poderoso ("Zeus"), introduzindo significados inconsistentes com o conceito original. Esses teólogos passaram a sugerir que Zeus tivesse sido gerado por Kronos e Rhea e, fazendo isso, desqualificaram a palavra como indicadora da divindade eterna, auto-existente e onipotente. Como "Zeus" se tornou inutilizável, o termo "Theos" foi favorecido tanto pelos filósofos gregos já citados, quanto pelos judeus e cristãos.

- Logos:
O Apóstolo João chama Cristo de "Logos", o termo favorito dos estoicos. Heráclito usou pela primeira vez esse termo em 600 a.C., a fim de designar a razão ou plano divino que coordena um universo em mudança.

Fazendo uso das palavras "Theos" e "Logos" para referir-se a Elohim e Jesus, o cristianismo evidenciou-se como uma resposta aos anseios milenares dos gregos, não como algo proposto para arruinar a sua filosofia.

- El Elyon:
Quando Abraão, chamado por Deus, se aproximou de Salém, que posteriormente se tornou Jerusalém, foi recebido por Melquisedeque, seu rei. Era o "rei da justiça" que governava o "fundamento da paz", conforme os significados de "Melquisedeque" e "Jerusalém". O local foi identificado por Josefo como "vale de Salé", que é "vale do Rei", provavelmente uma homenagem ao próprio Melquisedeque. A questão é que o rei de Salém foi descrito como "sacerdote do El Elyon" - Deus Altíssimo. Quem poderia ser esse "Deus Altíssimo"? "El" e "Elyon" eram nomes cananeus para o próprio Javé - "El" foi bastante usado pelos hebreus descendentes de Abraão (Betel, El Shaddai e Elohim). Elohim, por sua vez, é uma forma plural de "El", cujo significado é misterioso. O termo "Elyon" aparece também em textos fenícios como um nome para Deus - o fenício é uma ramificação posterior da língua cananeia. A expressão chega a aparecer até numa antiquíssima inscrição aramaica encontrada na Síria.

Abraão provavelmente conhecia Deus como "Yahweh", não "El Elyon", mas o fato é que ele não protestou com Melquisedeque por este ser sacerdote de "El Elyon" - na verdade ele até deu o dízimo para Melquisedeque, posteriormente chamado de "grande profeta" na Carta aos Hebreus. A Bíblia, por sinal, considera Melquisedeque um autêntico profeta de Deus, da ordem sacerdotal da qual o próprio Cristo pertenceria - Sl 110:4.

Assim como Paulo aceitou "Theos" e João utilizou "Logos", Abraão reconheceu "El Elyon". A passagem em questão mostra claramente que havia um rei na Palestina que era sacerdote do Deus Altíssimo - isso é estranho, pois a tradição nos diz que todo o culto ao Verdadeiro Deus se iniciou com Abraão! Há mais de 4 mil anos, portanto, havia gente cultuando o Deus judaico-cristão. Aquilo que aconteceu com Melquisedeque também se repete com Jetro, sogro de Moisés, o que nos leva a pensar que houve uma classe de sacerdotes que, mesmo sem ter tido contato com a mensagem revelada ao patriarca Abraão, exaltava o Único Deus, como se fossem remanescentes de uma tradição religiosa mais antiga.

- Alá:
"Alá" é o equivalente árabe para "El" e "Elohim". Significa "O Deus". "El" -> "Elohim" -> "Alá". Tudo leva a crer que o termo que Maomé utilizou para denominar o seu único Deus encontra a sua raiz nos citados nomes para o Criador utilizados no Antigo Testamento.

- Viracocha:
Pachacuti, rei inca entre 1438 e 1437 d.C., foi o responsável por levar o Império Inca ao apogeu. Esse rei era um homem bastante culto e religioso - adorava o maior dos deuses, Inti, o sol. Porém, como descoberto em 1575 na cidade de Cuzco por Cristobel de Molina, colecionador de diversos hinos incas, ao analisar o trabalho de um cronista índio chamado de Yamqui Salcamayagua Pachacuti, o culto ao Deus-Sol teve os seus questionadores, sendo um deles o próprio rei já citado que, na sinceridade de louvar ao maior dos deuses, percebeu que Inti não preenchia os requisitos. Segue o comentário de Philip Ainswrth Means sobre o caso:

"Ele ressaltou que esses corpos luminoso segue sempre um caminho determinado, realiza tarefas definidas e mantém horas certas como as de um trabalhador (...) a radiação solar pode ser diminuída por qualquer nuvem que passe". Ora, se Inti é o "grande Deus", então como ele é obrigado a seguir um sistema e qualquer nuvem pode bloquear sua luz? O rei percebeu que sempre adorara um objeto e não o Criador. Foi então que, procurando entre as antigas tradições de sua própria cultura, Pachacuti encontrou uma divindade quase extinta da memória popular: Viracocha - o Senhor, o Criador onipotente. Somente havia restado um santuário inca para Viracocha. O culto ao Deus Criador Viracocha era, sem sombra de dúvidas, antiquíssimo - a adoração de Inti e outros deuses não passava de desvios recentes de um sistema de crença original mais puro. Don Richardson afirma que "Viracocha teve representantes proeminentes nas culturas indígenas 'desde o Alasca à Terra do Fogo'".

O dr. B. C. Brundage, Universidade de Oklahoma, EUA, resume aquilo que Pachacuti descobriu sobre Viracocha e deixou registrado: "Ele é antigo, remoto, supremo e não criado. Também não necessita da satisfação vulgar de uma consorte. Ele se manifesta como uma trindade quando assim deseja,... caso contrário, apenas guerreiros e arcanjos celestiais rodeiam sua solidão. Ele criou todos os povos pela sua 'palavra', assim como todos os huacas (espíritos). Ele é o Destino do homem, ordenando seus dias e sustentando-o. É, na verdade, o princípio da vida, pois aquece os seres humanos através de seu filho criado, Punchao (o disco do sol, diferente de Inti). É ele quem traz a paz e a ordem. É abençoado em seu próprio ser e tem piedade da miséria humana. Só ele julga e absolve os homens, capacitando-os a combater suas tendências perversas." Diante de tais esclarecimentos, o imperador determinou que as orações só deveriam ser dirigidas a Viracocha.

Pachacuti estava realizando uma verdadeira reforma religiosa no Império Inca, planejando conquistar as massas aos poucos, quando os espanhóis chegaram e anularam o serviço. O fato é que havia uma vaga profecia inca que afirmava que futuramente "Viracocha lhes traria bênção do Ocidente" - esperava-se missionários e não conquistadores. Aparentemente, assim como o Antigo Testamento preparou os judeus para Cristo, a tradição acerca de Viracocha serviria para preparar os Incas para o Evangelho.

- Thakur Jiu:
Quando o missionário norueguês Lars Skrefsrud, e seu colega, Hans Borreson, se puseram, tendo aprendido o idioma local, a evangelizar o povo santal, ao norte de Calcutá, Índia, em 1867, um dos sábios nativos comentou: "O que este estrangeiro está dizendo deve significar que Thakur Jiu não se esqueceu de nós depois de tanto tempo!" "Thakur" significa "verdadeiro" e "jiu", "Deus". Thakur Jiu é o mesmo que "Deus Verdadeiro", cujas características logo fizeram com que o povo santal  o associasse ao Deus pregado pelos missionários.

Segundo os estudos realizados por Lars e Hans, o conhecimento de Thakur Jiu era antiquíssimo e havia sido passado de geração em geração. Segundo as histórias do povo santal, Thakur Jiu, há muito tempo, criou o primeiro homem e a primeira mulher e colocou-os na terra de Hihiri Pipiri, onde foram tentados por um ser chamado Lita - depois de terem caído na tentação, eles descobriram que estavam nus e se envergonharam. As gerações posteriores se corromperam e negaram o chamado de retorno de Thakur Jiu, assim o Deus Verdadeiro escondeu um casal santo numa caverna no alto do monte Harata (note a semelhança com "Ararate") e eliminou o restante da humanidade. Os descendentes desse casal se multiplicaram e Thakur Jiu os dividiu e espalhou - um dos povos ali formados migrou pelas florestas e planícies, até ficarem presos diante de uma barreira de montanhas. Desanimados, aos poucos perderam a fé em Thakur Jiu, vendendo-se aos espíritos das montanhas, o que posteriormente os levou à prática da feitiçaria e até da adoração ao sol, mas não chegou a apagar completamente o nome de Thakur Jiu. Segundo as informações, os santal haviam migrado do monoteísmo para o politeísmo.

Quando Lars começou a utilizar o nome "Thakur Jiu" como uma referência a "Theos", entendendo que o termo era compatível com o Deus bíblico, a sua missão entre os santal prosperou imensamente.

- Magano:
Na região centro-sul da Etiópia milhões de pessoas compartilham da crença num ser benévolo chamado Magano, o Criador onipotente de tudo o que existe. Uma das tribos da região se chama Darassa e é parte do povo gedeo. Percebendo que aquela população, mesmo crendo num Deus soberano, se preocupava mais em livrar-se de Sheit'an, um ser maligno, Albert Brant questionou: "Vocês consideram Magano com tanta reverência, mas rendem sacrifícios a Sheit'an, por que isso?" A resposta que recebeu foi simples: eles não tinham comunhão suficiente com Magano para render-lhe culto.

Algum tempo antes, Warrasa Wange, um nativo, decidiu deixar de viver em função da luta contra Sheit'an e a se ocupar com Magano, a quem orou para que se revelasse ao seu povo. A resposta de Magano veio rapidamente: ele enviaria dois homens brancos para falar-lhes (me desculpe, caso você tenha caucasofobia). Algum tempo depois, em 1948, para encurtar a história, os missionários Albert Brant e Glen Cain chegaram à região. Os frutos das missões que disso principiaram são evidentes até hoje.

-  Koro:
"Koro" é o nome que recebe o Criador na língua banto da África. Foquemos nossa atenção na tribo banto dos mbaka, na República Centro-Africana: o missionário Eugene Rosenau, Ph.D., estranhou a prontidão com que os mbaka aceitaram o Evangelho e, questionando-os, se surpreendeu. O que, afinal, os tocou tanto? Eis a resposta que ouviu:

"Koro, o Criador, enviou uma mensagem a nossos antepassados há muito tempo, dizendo que Ele já mandara seu Filho realizar uma coisa maravilhosa em favor de toda a humanidade. Mais tarde, porém, nossos ancestrais afastaram-se da verdade sobre o Filho de Koro. Com o tempo, eles até esqueceram o que Ele havia feito pela humanidade. Desde a época do 'esquecimento', gerações sucessivas de nosso povo desejaram descobrir a verdade sobre o Filho de Koro. Mas tudo o que pudermos saber foi que mensageiros finalmente viriam para repetir esse conhecimento esquecido. De alguma forma, sabíamos também que os mensageiros provavelmente seriam brancos..." - Quem tem caucasofobia pode ficar tranquilo: dessa vez a vinda de brancos era apenas uma probabilidade.

Quando Eugene descobriu que o povo de uma aldeia chamada Yablangda era o "guardador das tradições de Koro", seguiu para lá. 75 a 90 por cento de todos os pastores africanos treinados por Eugene e sua equipe vieram dessa grande aldeia.

- Shang Ti e Hananim:
Para os chineses, Shang Ti é o Senhor do Céu - perceba a semelhança com "Shaddai". Na Coreia esse Deus é conhecido como Hananim, "O Grande". Shang Ti/Hananim é anterior ao confucionismo, taoísmo e budismo - segundo a Enciclopédia de Religião e Ética, a primeira referência a qualquer tipo de crença religiosa chinesa refere-se a Shang Ti e o aponta como o único Deus, isso por volta de 2600 a.C., dois mil anos antes do confucionismo!

Também é interessante perceber que havia, desde o início, uma compreensão entre os chineses e coreanos sobre a proibição de representar Shang Ti e Hananim por ídolos. O culto ao Criador, Shang Ti, parece ter sido realizado livremente na China até o começo da dinastia (1066-770 a.C.), quando seus traços de amor e misericórdia começaram a ser esquecidos, chegando ao ponto de somente o Imperador ser tido como digno de adorá-lo - e isso só uma vez por ano. Shang Ti, então, ficou virtualmente sem adeptos entre os chineses, dando espaço para a materialização de três religiões inteiramente novas e que vieram do nada, desejosas por preencher o vazio religioso - falo do confucionismo, do taoísmo e do budismo.

Muito mais tarde, Kublai Khan, fascinado com o que aprendera sobre o Evangelho com Marco Polo, pediu ao Papa para que enviasse missionários para o seu império, objetivando espalhar as boas novas de Jesus a todos os habitantes - o Papa demorou para responder e, quando respondeu, muitos dos missionários enviados acabaram morrendo ou desistindo da jornada. Convencido de que o monoteísmo era superior à idolatria, Khan, então, recorreu ao islamismo e é por isso que muitos mongóis se tornaram muçulmanos.

Sobre o uso de Hananim para o evangelismo, temos uma interessante observação feita em 1890:
"O nome Hananim é tão destacado e tão universalmente usado que não precisamos temer, em futuras traduções e pregações, os conflitos inconvenientes, ocorridos há muito tempo, entre missionários chineses a respeito do assunto, embora os romanistas tenham introduzido o nome que empregam na China." Hananim foi usado - hoje 10 novas igrejas são abertas diariamente na Coreia do Sul!
Fontes: O Fator Melquisedeque, Don Richardson, Vida Nova, 2013, pgs 13-75; Uma Outra História das Religiões, Odon Vallet, Globo, 2002, pg 92.

Recomendo que você veja o que o arqueólogo e teólogo Rodrigo Silva tem a dizer sobre as origens do monoteísmo - Programa Evidência, TV Novo Tempo, publicado no dia 1º/06/2014 no youtube.com, sob o título "EVIDÊNCIAS - As Origens do Monoteísmo":
3 - O desastre da Antiguidade:
Se com base em um relativamente pequeno número de documentos e testemunhos conseguimos interceptar uma possível religião fundamental para a humanidade, refletindo a revelação pessoal de Deus nos primórdios, imagine quanto mais poderíamos saber se as grandes bibliotecas da Antiguidade tivessem sobrevivido ao desastre! Um exemplo claro está na destruição da famosa Biblioteca de Alexandria, no Egito, que tinha centenas de milhares de documentos recolhidos em todo o mundo conhecido. Outro triste evento se deu com a ordem do imperador chinês Chin Shih Huang Ti para que todos os livros escritos antes dele fossem destruídos - isso aconteceu em 212 a.C. O conhecimento escrito dos maias também foi quase completamente aniquilado quando os espanhóis puseram os pés em Yucatán.
Fonte: A Incrível Tecnologia dos Antigos, David Hatcher Childress, Aleph, 2013, pgs 18-21.

4 - A mitologia indica um passado comum:
Para finalizar, consideremos as mitologias dos povos antigos: há diversas temáticas e contos comuns em povos do mundo inteiro e de toda a história, como se uma memória coletiva dos primeiros eventos tivesse sido preservada e sido levemente alterada com o tempo. Sobre isso, leia o artigo "As Mitologias Indicam Um Passado Comum?"

Conclusão:
Com base em toda a vasta pesquisa aqui publicada, podemos concluir que a religião só pode ter brotado de uma experiência concreta com o sobrenatural e que provavelmente a religião mais antiga experimentada pela humanidade foi o monoteísmo, persistindo em monolatrias, em tradições comuns espalhadas pelo mundo e nos monoteísmos que conhecemos hoje. Tal antiquíssima, pura e profunda visão religiosa só pode ter sido experimentada pelo ser humano através da revelação do próprio Deus Verdadeiro - eis uma prova poderosa de que Deus existe!

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:
- Origens: A Moralidade Humana
- A Origem do Judaísmo e a Conquista de Canaã
- Primórdios: Autoria da Torá, Idade do Universo e Dilúvio