Navigation Menu

É a primeira vez que
você acessa este blog
neste computador!


Deseja ver antes
nossa apresentação?


SIM NÃO

Mostrando postagens com marcador João Batista. Mostrar todas as postagens

Existem Contradições Entre Lucas e Josefo?

-> Apresentação e Índice
Flávio Josefo, o famoso historiador judeu do Primeiro Século, é a testemunha extra-bíblica mais importante para os primórdios do cristianismo. Diversos nomes, costumes e localidades do texto neotestamentário encontram farta corroboração nos textos de Josefo, porém, supostamente nem todos esses encontros se encaixam perfeitamente, levantando uma série de questionamentos - e é lógico que, mediante os desencontros, os críticos das Escrituras preferem ter Josefo como a figura mais historicamente confiável, enquanto os evangelistas são tidos como errôneos. De todos os autores neotestamentários, aquele que mais encontra afinidade com os fatos registrados por Josefo é Lucas- nesse caso, sabe-nos perguntar: realmente há contradições severas entre o relato do Terceiro Evangelho e a obra de Josefo?
Para uma introdução mais satisfatória, leia o artigo "Uma Análise das Evidências Extra-Bíblicas Sobre Jesus"

João Batista:
O relato do historiador sobre a pregação e morte de João Batista é grandemente aceito pelos estudiosos. Vide o que ele diz:

"Vários judeus julgaram que aquela derrota do exército de Herodes era um castigo de Deus, por causa de João cognominado Batista. Era um homem de grande piedade que exortava os judeus a abraçar a virtude, a praticar a justiça e a receber o Batismo, depois de se terem tornado agradáveis a Deus, não se contentando em cometer pecados, mas unindo a pureza do corpo à da alma. Assim, como um multidão de pessoas o seguia para ouvir sua doutrina, Herodes, temendo que o poder que João tinha sobre eles viesse a suscitar alguma rebelião, porque eles estavam sempre prontos a fazer o que ele lhes ordenasse, julgou dever prevenir o mal para não ter motivo de se arrepender por ter esperado muito para remediá-lo. Por esse motivo mandou prendê-lo numa fortaleza de Maquera, de que acabamos de falar, e lá, foi executado. Os judeus atribuíram essa derrota de seu exército a um castigo de Deus, por um ato tão injusto." Antiguidades 18:116-19.

Tal narrativa parece encontrar pontos de discordância com o relato do Novo Testamento, mas ambos os documentos são fáceis de conciliar. Consideremos, primeiramente, que Josefo sempre evitou a escatologia e messianismo, e tinha uma tendência de descrever partidos religiosos judeus em termos filosóficos - isso nos ajuda a ver que o relato do historiador judeu é compatível com o NT, mesmo com divergências de perspectiva. Josefo afirma que João Batista exortava os judeus a abraçarem "a virtude, a praticar a justiça e o Batismo" - é exatamente isso que o NT nos transmite. Josefo também afirma que João Batista considerava que o Batismo é aceitável a Deus,  o que igualmente concorda com o relato do neotestamentário (Mc 1:4; Mt 3:1, 6 e Lc 3:3). Josefo diz que João incentivava a prática da justiça uns para com os outros e "à piedade para com Deus", o que o João bíblico também afirmava (Lc 3:11). Desconsiderando aquilo que Josefo desejou omitir e aquilo que o NT procurou enfatizar, podemos ver que não há discrepância entre os relatos - mas ainda sobram os motivos para a morte de João Batista, aparentemente discrepantes entre Josefo e o NT.

Marcos, em Mc 6:14-29, afirma que a morte de João Batista, já preso, se deu por este ter criticado o casamento do governador com a sua cunhada, isso enquanto Josefo sustenta que a execução foi resultado a influência de João Batista e dos temores de Herodes. Ocorre que Josefo não ofereceu uma razão para a ação de Herodes, um evento claro e derradeiro, enquanto Marcos, Mateus e Lucas nos trazem um motivo bastante claro: Herodes temia a influência de João sobre o povo e a crítica que o profeta faz ao tetrarca da Galiléia reflete as ideias daquele tempo, como a de que o regente deveria ter apenas uma mulher e ser um exemplo moral - o Manuscrito do Templo, 11QTemple 66:12-13, um dentre os Manuscritos do Mar Vermelho, confirma tais exigências. A primeira mulher de Herodes fugira para seu pai, o Rei Aretas da Nabatéia, e o comportamento do governador rompeu a frágil trégua entre a Galiléia romana e a Nabatéia - com a guerra quase certa, o governador precisava do apoio de seu povo e a condenação sugerida por João Batista através de sua crítica em nada o ajudaria. O NT não comenta sobre a situação política na qual Herodes se encontrava, mas encaixa-se perfeitamente no contexto descrito por Josefo - especialmente se considerarmos que a enfática pregação de João Batista registrada no Evangelho de João estivesse, também, no contexto de uma crítica às ações imorais de Herodes. É altamente provável que o historiador judeu tenha tentado colorir João Batista em termos de filosofia greco-romana, apagando os traços proféticos.

Pôncio Pilatos:
Sobre o Pôncio Pilatos do Novo Testamento, retratado por alguns como um personagem fictício e diferente do registrado por Josefo, levantarei algumas considerações. O Pilatos neotestamentário aparece como um homem vacilante e incerto, enquanto o de Josefo e outros escritores da Antiguidade, como Filo de Alexandria, é visto como alguém rígido e sanguinário. Ora, Lucas, em Lc 13:1, relata um evento no qual Pilatos aparece como alguém violento! Consideremos, ainda, que Filo e Josefo eram inimigos declarados de Pilatos e que, portanto, seus textos sobre ele provavelmente são tendenciosos. Dois eventos significativos são relatados por Josefo, ambos questionando o caráter de Pilatos:

Em Antiguidades 18:55-59 e Jewish Wars 2:171-174, Josefo fala de um incidente dado na noite em que Pilatos transferia estandartes militares com a imagem do imperador da Cesaréia Marítima para Jerusalém, quando um grupo de judeus rumou para Cesaréia para implorar ao governador que removesse os ofensivos estandartes - Pilatos cedeu, mas somente depois de os judeus deixarem claro que estariam dispostos a morrer se isso não fosse feito. Noutra ocasião, registrada em Antiguidades 18:60-62 e Jewish Wars 2:175, Josefo afirma que Pilatos tirou dinheiro do tesouro do Templo para realizar obras municipais - o recurso foi tirado do tesouro sagrado, uma oferta consagrada chamada "korban", ofendendo grandemente os judeus. Provocando a manifestação do povo, o governador contornou a situação enviando soldados disfarçados para o meio da multidão para surrar os manifestantes no tempo oportuno. Nas duas situações podemos reparar no estranho silêncio dos sacerdotes regentes - retirar parte do tesouro do Templo não seria possível sem o aval e a ajuda dos próprios sacerdotes. Fica claro que Caifás, o sumo sacerdote, colaborava com Pilatos - tanto que Caifás foi destituído do cargo logo depois de Pilatos ser removido por advento de um brutal ataque aos samaritanos em 37 d.C. Antiguidades 18:88-89 e 95.

Tais relatos realmente parecem entrar em desacordo com a imagem que Lucas transmite de Pilatos, mas não podemos afirmar que o Terceiro Evangelho não nos traz nenhum indício da severidade do governos romanos: Lucas 13:1 sugere um evento no qual Pilatos massacrou um grupo de galileus. Somando os relatos de Filo, Josefo e a passagem de Lucas, muitos estudiosos foram levados a pensar que Pilatos não tivesse respeito algum pelos sentimentos judaicos e que a sua reação às manifestações judaicas quase sempre fosse violenta, posição que não entra em total harmonia com o contexto e a análise das citações. Para começar, consideremos o caso dos estandartes, no qual Pilatos simplesmente cedeu, não matando ninguém. Também é interessante verificar que a utilização do tesouro do Templo só foi possível através do consentimento das autoridades religiosas judaicas - é possível que o ataque contra a multidão que protestava contra o uso desse dinheiro tenha sido o mesmo mencionado em Lucas 13, fazendo-nos ter apenas evidências para um único encontro sangrento entre Pilatos e seus súditos judeus. O ataque aos samaritanos resultou no fim da sua carreira.

O ataque de Pilatos aos samaritanos, ocorrido em 36 d.C., também não foi somente uma covardia sem sentido. Naquele tempo um profeta samaritano persuadiu muitos de seus compatriotas de que Deus havia lhe mostrado onde estavam os utensílios perdidos do templo, juntando muitos aos pés do Monte Gerizim, onde outrora ficara o templo samaritano. Josefo, em seu relato, sugere que uma insurreição nacional, acompanhada de uma renovação, fazia parte do itinerário do profeta. Além disso, havia forte rivalidade entre judeus e samaritanos, de modo que Caifás pode ter instigado Pilatos ao ataque para evitar que estes construíssem um templo rival - é possível, ainda, que Caifás tenha interpretado de modo alarmante as ações dos samaritanos, pressionando o governador. É por isso que, feito o ataque, tanto Pilatos quanto Caifás foram removidos de seus postos. Há outras histórias de governadores romanos que agiram por pressão de sacerdotes, como ocorreu com Cúspio Fado (46-48 d.C.) e Antônio Félix (52-60 d.C.). Com isso não se está almejando apresentar um Pilatos santo - ele era, definitivamente, um indivíduo corrupto e cruel, mas, sendo coerentes com a realidade, não devemos exagerar os fatos como fizeram Josefo e Filo. Considerando as evidências nos aproximamos da ideia de um Pilatos um pouco menos sanguinolento, que, por sinal, combina mais com a descrição bíblica da sua participação na crucificação de Cristo.

É lógico que o interesse de Pilatos em Cristo era essencialmente político. Nenhuma decisão poderia ser mais arriscada para Pilatos, tendo em vista a tendência judaica de se revoltar contra Roma: ele teria que julgar um judeu na véspera da Páscoa, o dia mais sagrado do calendário judaico, enquanto Jerusalém estava lotada de judeus praticantes e ansiosos pela libertação de Israel. De um lado estavam Caifás e seus associados, que haviam se ofendido com alguns dizeres e feitos de Jesus, do outro havia um grupo de seguidores que amavam o Messias. Seria sábio executar publicamente um "pregador e curador" potencialmente inocente? Isso na véspera da Páscoa? Seria sensato fazê-lo por pressão da aristocracia religiosa, odiada por muitos judeus, somente por Cristo ter ofendido alguns de seus membros? Somente depois de Jesus ter se recusado a negar as acusações contra ele desferidas, é que foi condenado, mas não sem antes uma acusação séria  contra o império ser sugerida - a de que ele se denominava "o rei dos judeus" - e de Pilatos ter depositado toda a responsabilidade sobre as autoridades judaicas. O governador foi astuto ao tentar diminuir o máximo possível a sua responsabilidade sobre a morte de Jesus.

Outro questionamento ao texto bíblico está na suposta ausência de evidências de que prisioneiros eram soltos na véspera da Páscoa, embora os quatro Evangelhos sustentem tal costume de Pilatos. A verdade é que outras fontes antigas afirmam que muitos governadores romanos e autoridades judaicas costumavam libertar prisioneiros em diversas ocasiões, inclusive na época da Páscoa. Algumas dessas evidências se encontram na "mishná" ("Pesahim" 8:6), no papiro Flor 61, de 85 d.C., na obra de Plínio, o Moço (Epístolas 10:31), no trabalho de Lívio (História de Roma 5:13.8) e em Josefo (Antiguidades 17:204 e 20:215).

O relato de Josefo também combina muito bem com a descrição do processo pelo qual Cristo passou antes de ser crucificado - lembrando que a crucificação realmente era uma forma de julgamento comum no Império Romano para lidar com criminosos mais perigosos. Segue um trecho do Jewish Wars 6:300-309, que trata do julgamento de Jesus ben Ananias, que começou a profetizar em 62 d.C.:

"Quatro anos antes da guerra [...] veio à festa, em que é costume dos judeus erguer tabernáculos a Deus, um certo Jesus filho de Ananias, um lavrador indouto que, de repente, ficou em pé no templo e exclamou: 'Uma voz do oriente, uma voz do ocidente, uma voz dos quatro ventos, uma voz contra Jerusalém e o santuário, uma voz contra o noivo e a noiva, uma voz contra todas as pessoas' (Jr 7:34) [...] Alguns dos principais cidadãos, irados com essa fala maldosa, prenderam o homem e o açoitaram muito. Mas ele, nada falando em sua própria defesa nem em particular aos que o açoitaram, continuava a gritar como antes. Então, os governadores o levaram ao governador romano. Ali, embora tendo os ossos esmagados, não implorou misericórdia nem chorou... Quando Albino, o governador, perguntou-lhe quem era e o que fazia, e por que gritava assim, ele não deu resposta [...] Albino o pronunciou como louco e o soltou [...] Ele gritou especialmente nas festas [...] Enquanto clamava do muro: 'Mais uma vez, ai da cidade, do povo e do santuário...' uma pedra... o derrubou e o matou."

Tanto Jesus Cristo quanto Jesus ben Ananias entraram no Templo e proferiram ameaças proféticas contra o Templo, ambos foram presos pelas autoridades judaicas, sendo surrados e interrogados. Depois os dois foram entregues ao governador romano e interrogados por este, além de serem açoitados. A única diferença foi que Cristo foi condenado à morte enquanto Jesus ben Ananias foi liberto.

Até mesmo a zombaria que Jesus sofreu dos soldados romanos encontra corroboração noutros documentos. Filo descreve a zombaria sofrida por um lunático de nome Carabas: "Colocaram uma folha de 'biblus' em sua cabeça, como se fosse uma meia-coroa, vestiram-no com um tapete à guisa de manto real, enquanto alguém que encontrou um pedaço do papiro nativo jogado pela rua, deu-lho como cetro. Ao receber a insígnia real, jovens carregando varas nos ombros e homens portando lanças ladearam-no como uma guarda de honra - uma farsa teatral em que ele se deixava enganar." In Flaccum 36-39. A humilhação sofrida por um suposto pretendente a imperador, Vitélio, 69 d.C. (Dio Cassius, Roman History 64:20-21), uma declaração do imperador Adriano e de uma embaixadora judia encontrada no Papiro do Louvre 68.1.1-7, e a redação de Plutarco em Pompeu 24:7-8, também sustentam aquilo que os soldados romanos fizeram com Cristo.

Existe alguma evidência de Pilatos fora da Bíblia e de Josefo?
Há uma inscrição encontrada no antigo teatro da Cesaréia Marítima que cita Pilatos:

"Tibério Náutico
Pôncio Pilatos
Magistrado da Judéia
Restaura..."

Conclusão:
Considerando as diferentes naturezas e objetivos dos textos neotestamentários e da obra de Josefo, é verificável que os trabalhos se complementam, não se contradizem. Além da análise dos textos e das intenções dos autores, podemos encontrar em outros documentos e inscrições parâmetros de análise para melhor entendermos e sustentarmos os relatos sugeridos pela Bíblia e/ou por Josefo. Ainda assim, devemos ter cuidado no uso que fazemos de Josefo, reconhecendo as suas aspirações políticas - embora a sua obra tenha sido amplamente sustentada pela arqueologia, o relato neotestamentário tem sido considerado praticamente perfeito em sua coerência com as evidências encontradas, tanto em Josefo quanto noutros documentos e artefatos arqueológicos, além de ter sido redigido pouquíssimo tempo depois dos eventos por ele tratados e, especialmente nos casos de Lucas e João, apresentar um relato simples, quase livre de interpolações e plenamente característico de testemunhas oculares.
Fonte: O Jesus Fabricado, Craig Evans, Cultura Cristã, 2009, pgs 143-161.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:
- O Testemunho Ocular do Evangelho de João
- A Precisão do Relato de Lucas
- Os Mais Antigos Testemunhos do Novo Testamento

Uma Análise das Evidências Extra-Bíblicas sobre Jesus

Não podendo aceitar que um número razoavelmente grande de escritores não-cristãos dos primeiros séculos tenham registrado algo sobre Jesus, um indivíduo consideravelmente obscuro, de uma terra distante e desprezada e de uma família pouco prestigiada, os céticos põem-se a questionar a coerência e veracidade desses documentos - considerando os fatores, Cristo, que vagou em pobreza num ministério de três anos na Galiléia, é até exageradamente bem respaldado por não-cristãos, especialmente se tomarmos consciência de que algumas dessas fontes vieram de regiões muito distantes da Palestina. Vale lembrar que muitas dessas citações foram redigidas poucas décadas depois da morte e ressurreição de Jesus. Unindo todas as fontes que temos nos primeiros séculos, há muito mais evidência manuscrita sobre Jesus do que sobre Júlio César ou qualquer outra figura de grande prominência da Antiguidade.

“Gosto de me proclamar um historiador. Minha abordagem em relação à cultura é histórica. E estou dizendo: há mais evidências para a vida, a morte e ressurreição de Cristo do que para muitos fatos da história antiga.” Edward Musgrave Blaiklock, professor de cultura clássica da Universidade de Auckland. Fonte: Uma História Politicamente Incorreta da Bíblia, de Robert J. Hutchinson, 2012, pg 37.

Flávio Josefo:
O mais considerável autor da Antiguidade a escrever sobre Jesus é José bar Matias, também conhecido como "Josefo", membro de uma família aristocrática sacerdotal, nascido em 37 d.C. e famoso historiador judeu. Algumas obras de Josefo nos são acessíveis hoje: Guerras Judaicas, 7 volumes, composta em meados dos anos setenta d.C.; Antiguidades dos Judeus, 20 volumes, publicada por volta de 90 d.C.; Contra Ápio, 2 volumes, por volta de 90 d.C.; e Vida de Flávio Josefo, por volta de 90 d.C. Nessas obras encontramos boa parte do que sabemos sobre a história de Israel na Antiguidade, temos acesso à preciosas informações sobre os fariseus e saduceus, escribas e sacerdotes (incluindo os bíblicos Anás e Caifás) e governantes e figuras políticas históricas, como Herodes, o Grande, Arquelau, Herodes Antipas, Filipe, Agripa, Pôncio Pilatos, Félix e Festo. Diversos lugares mencionados no Novo Testamento são encontrados no trabalho de Josefo, como a Galiléia, Cesaréia, Jericó, o Monte das Oliveiras e Jerusalém. Tais contribuições já seriam suficientes para respaldar grande parte do conteúdo bíblico, mas o historiador judeu vai mais longe: ele cita figuras bíblicas de grande proeminência, como Jesus, Tiago, que escreveu a epístola que leva o seu nome, e João Batista. Sobre João Batista e Pilatos eu falarei noutro artigo.

"Naquele tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se todavia devemos considerá-lo simplesmente como homem, tanto as suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o CRISTO. Os mais ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele fê-lo crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas haviam predito e que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiram o seu nome." Antiguidades 18:63-64. Fonte: O Jesus Fabricado, Craig Evans, Cultura Cristã, 2009, pg 145. Craig Evans é professor de Novo Testamento e Diretor do programa de graduação da Acadia Divinity College, em Wolfville, Nova Scotia, atuou como consultor para a National Geografic Society sobre "The Gospel of Judas" e depõe em documentários da BBC, do Discovery Channel e do History Channel.

Amy Orr-Ewing, diretora do Zacharias Trust e formada pela Universidade de Oxford e pelo King's College, em Londres, trata de algumas possíveis dificuldades desse relato: muitos estudiosos consideram que tal trecho sobre Jesus é fruto de inserções cristãs posteriores no texto de Josefo, mas outros estudiosos apontam que até as cópias mais antigas da obra do historiador judeu apresentam tal parágrafo e que, portanto, julgar sua citação sobre Jesus colocaria em questão todo o restante de seu trabalho. Há, ainda, aqueles que sugerem que Josefo, sendo um judeu, está fazendo uso de zombaria e escárnio contra os cristãos em sua alusão à Cristo, justificando a configuração do parágrafo. Com base nisso, podemos ter tal relato como historicamente útil. Fonte: Por que Confiar na Bíblia?, Amy Orr-Ewing, Ultimato, 2008, pg 58.

Segue o testemunho flaviano segundo aparece no trabalho de F. F. Bruce, teólogo escocês formado pelas universidades de Aberdeen, Cambridge e Viena, professor de grego na Universidade de Edimburgo e na Universidade de Leeds, diretor do departamento de história e literatura bíblica na Universidade de Sheffield e professor de crítica e exegese bíblica na Universidade de Manchester, falecido em 1990:

"E, por essa época, surgiu Jesus, homem sábio, se é que, afinal, deveríamos chamá-lo homem; pois ele era operador de feitos maravilhosos, mestre daqueles que recebem a verdade com prazer. Atraiu muitos judeus, e também muitos gregos. Esse homem era o Cristo. E quando Pilatos o condenara à crucificação mediante acusações feitas pelos principais líderes dos judeus, aqueles que o haviam amado desde o começo não o abandonaram; pois lhes apareceu vivo outra vez ao terceiro dia, havendo os divinos profetas falado isso e milhares de outras coisas maravilhosas a seu respeito: e mesmo agora a família dos cristãos, assim denominador por causa dele, ainda não se extinguiu."

O parágrafo de Josefo da forma como o conhecemos já era vislumbrado nos tempos de Eusébio de Cesaréia, que o citou duas vezes, porém Orígenes, que viveu antes de Eusébio, declarou com veemência que Josefo não acreditava na divindade de Cristo, o que tem levantado questionamentos sobre a autenticidade desse relato. Embora seja pouco provável que um autor não-cristão trataria Jesus da forma como Josefo supostamente tratou, não há nada em termos de crítica textual que milite contra a passagem na sua presente forma - a evidência manuscrita é unânime e ampla. Por outro lado, é possível que Orígenes conhecesse uma versão mais antiga do testemunho flaviano, mas também é possível que o historiador judeu tenha empregado ironia em sua citação sobre Jesus.

"'Se é que, afinal, deveríamos chamá-lo de homem' pode não ser mais do que uma referência sarcástica à crença dos cristãos de que Jesus era o Filho de Deus. Da mesma sorte, a afirmação: 'Esse homem era o Cristo' pode apenas significar que esse era o Jesus vulgarmente conhecido como Cristo. (...) a que se refere à ressurreição, pode não haver outro propósito senão registrar o que afirmavam os cristãos."

F. F. Bruce também menciona que o dr. St. John Thackeray ("a mais destacada autoridade em Josefo na Inglaterra nesses últimos anos") e outros consideravam que o trecho apresenta vários exemplos característicos da fraseologia de Josefo. Deve-se, ainda, salientar que a omissão de palavras e o uso de frases curtas são elementos característicos da tradição textual das Antiguidades, o que sustenta a sugestão de que foi omitida a expressão "assim chamado" antes de "Cristo", assim como aconteceu com a frase "e diziam", ou possivelmente "e dizem" após "pois lhes pareceu". Tais emendas são interessantes, com ênfase na primeira ("o assim chamado Cristo"), que ocorre novamente quando Josefo fala de Tiago. Outra possível emenda sugerida por Thackeray é de que, no lugar de "a verdade", se leia "coisas estranhas". Dr. Roberto Eisler considera que algumas palavras foram eliminadas no começo do trecho, que originalmente teria o seguinte início: "E mais ou menos nessa época surgiu outro foco de novas dificuldades, um certo Jesus." Tendo em mente as correções de uma possível interferência cristã no trecho, o testemunho flaviano ficaria assim:

"E, por essa época, surgiu outro foco de novas dificuldades, um certo Jesus, homem sábio. Ele era operador de feitos maravilhosos, mestre daqueles que recebem coisas estranhas com prazer. Atraiu a muitos judeus, e também a muitos gregos. Esse homem era o assim chamado Cristo. E quando Pilatos o condenara à crucificação mediante acusações feitas pelos principais líderes dos judeus, aqueles que o haviam amado desde o começo não o abandonaram; pois lhes apareceu, segundo diziam, vivo outra vez ao terceiro dia, havendo os divinos profetas falado isso e milhares de outras coisas maravilhosas a seu respeito: e mesmo agora a família dos cristãos assim denominados por causa dele, ainda não se extinguiu."
Fonte: Merece Confiança o Novo Testamento?, F. F. Bruce, Vida Nova, 2010, pgs  141-144.

Edwin M. Yamauchi, Ph.D., formado em hebraico e estudos helenísticos, tendo mestrado e doutorado em estudos mediterrâneos pela Brandeis University, membro de 8 instituições, dentre elas a Rutgers Research Council, a National Endowment for the Humanities e a American Philisophical Society, conhecedor de 22 línguas, responsável pela apresentação de 71 monografias para sociedades de pesquisa, tendo ensinado em mais de cem seminários, universidades e faculdades, como Yale, Princeton e Cornell, dirigente e presidente do Instituto de Pesquisas Bíblicas e presidente da Conferência sobre Fé e História, autor de 80 artigos publicados em 37 periódicos acadêmicos e participante das primeiras escavações do Templo de Herodes - a arqueologia o inspirou a escrever vários de seus livros -, tem algo a nos dizer sobre o testemunho flaviano:

"Por motivos óbvios, os primeiros cristãos interpretaram-no como uma comprovação 100% autêntica sobre Jesus e sua ressurreição. Eles reverenciavam esse material. Depois, a passagem inteira foi posta em dúvida por alguns eruditos na época do Iluminismo. Hoje em dia, porém, há um consenso notável tento entre os estudiosos judeus quanto entre os cristãos de que essa passagem é totalmente autêntica, embora possa haver algumas interpolações."

Em seguinte Yamauchi esclarece sobre alguns dos pontos originais do dizer de Josefo e sobre aqueles que podem ter sido acrescentados:

"nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio" - tal frase não costumava ser usada por cristãos em referência a Jesus, combinando mais com Josefo.
"... se todavia devemos considerá-lo simplesmente como um homem" - deixando a entender que Jesus era mais que humano, parece uma interpolação.
"... suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios" - tal passagem está em total acordo com o vocabulário que Josefo utilizava.
"Era o Cristo" - parece uma interpolação, já que Josefo geralmente afirmava que os discípulos é que o consideravam o Messias.
O trecho que segue, mencionando o julgamento, a crucificação e o fato de que os seguidores de Jesus o amavam, não é incomum e é tido como genuíno.
"No terceiro dia, ele apareceu diante deles com a vida restituída" - é pouco provável que Josefo tenha feito tal declaração de fé na ressurreição.

Considerando os pontos levantados por Yamauchi, retirando o que parece ser interpolação, terminamos tendo diante dos olhos um texto que nos traz as seguintes informações sobre Jesus: ele foi um líder martirizado da igreja de Jerusalém, um mestre sábio, que deixou vários discípulos e que morreu crucificado por ordem de Pilatos, pressionado por alguns líderes judeus.

Alguns levantam a acusação de que, se Jesus de fato existiu, é estranho que Josefo tenha apresentado tão poucos relatos e descrições do Filho, enquanto tratou mais detalhadamente de pessoas como João Batista, mas, segundo Yamauchi, Josefo estava mais interessado em questões políticas e na luta contra Roma, o que tornava João Batista especialmente importante - tenha em mente que não há respaldo bíblico para ter Jesus como um zelote revolucionário. Por fim, comprovada a precisão dos relatos de Josefo sobre a guerra dos judeus através das escavações arqueológicas, não podemos desconsiderar o que o historiador judeu falou sobre Jesus.
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel,Vida, 2011, pgs 102-106.

Apesar das controvérsias, o comentário que Josefo faz sobre o martírio de Tiago, em Antiguidades 20:200, "o irmão de Jesus, chamado Cristo", apoia o testemunho flaviano: se Cristo foi aludido de modo tão breve no 20:200, podemos concluir que Josefo tinha consciência de já ter descrito Jesus de forma mais detalhada anteriormente, de modo que ele dispensava apresentações.
Fonte: Bíblia de Estudo Arqueológica, Vida, 2013, pg 1751.

Thallus:
Thallus, que viveu por volta de 52 d.C., escreveu sobre a história da Grécia e suas relações com a Ásia. Não temos nenhum manuscrito dele, mas ele é citado por Júlio Africano em 221 d.C. Trata-se de uma descrição de Thallus sobre uma grande escuridão que houve na terra durante a crucificação de Cristo, na qual procurou diminuir a importância religiosa desse evento:

"No terceiro volume de suas histórias, Thallus explica a escuridão como sendo um eclipse do sol - o que me parece pouco razoável." Era pouco razoável, pois era época de Páscoa, ou seja, de lua cheia.
Fonte: Por que Confiar na Bíblia?, Amy Orr-Ewing, Ultimato, 2008, pg 58.

Para F. F. Bruce, a citação de Júlio Africano indica que: a tradição do Evangelho era conhecida em círculos não cristãos em Roma já na metade do Primeiro Século e que os inimigos do cristianismo tentavam negar essa tradição com base em explicações naturalistas.
Fonte: Merece Confiança o Novo Testamento?, F. F. Bruce, Vida Nova, 2010, pgs  147-148.

 Sobre Thallus, Yamauchi cita o estudioso Paul Maier:
"Esse fenômeno, evidentemente, foi visível em Roma, Atenas e outras cidades do mediterrâneo. Segundo Tertuliano [...] foi um evento 'cósmico' ou 'mundial'. Phlegon, um autor grego da Cácia, escreveu uma cronologia pouco depois de 137 d.C. em que narra como no quarto ano das Olimpíadas de 202 (33 d.C.), houve um grande 'eclipse solar', e que 'anoiteceu na sexta hora do dia [ao meio-dia], de tal forma que até as estrelas apareceram o céu. Houve um grande terremoto na Bitínia, e muitas coisas saíram fora do lugar em Nicéia'."
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel,Vida, 2011, pg 110.

Tácito:
Tácito escreveu sua história de Roma por volta do ano 110 d.C. Ao relatar sobre a época de Nero, comentou sobre a terrível decisão do imperador de incendiar Roma:

"Assim, para calar os rumores, Nero jogou a culpa e puniu com requintes de crueldade uma classe de homens odiados por causa de seus vícios, a quem as multidões chamam de cristãos. Cristo, de quem eles receberam o nome, foi executado por ordem de Pôncio Pilatos na época em que Tibério era imperador, e assim essa superstição perniciosa foi contida por breve tempo, apenas para retornar revigorada, não apenas na Judeia, berço da praga, mas até alcançar Roma, lugar onde todas as coisas horríveis e vergonhosas que há no mundo encontram abrigo."
Fonte:  Por que Confiar na Bíblia?, Amy Orr-Ewing, Ultimato, 2008, pg 59.

A narrativa de Tácito não deixa a impressão de ter sido derivada de fontes cristãs, tampouco de informantes judeus, uma vez que estes não teriam feito referência a Jesus como "o Cristo". Tácito, pagão, concebia a expressão "Cristo" como um nome próprio como qualquer outro. Genro de Júlio Agrícola, governador do território britânico de 80 a 84 d.C., Tácito tinha acesso a toda a informação oficial que desejasse para a confecção de sua obra.
Fonte: Merece Confiança o Novo Testamento?, F. F. Bruce, Vida Nova, 2010, pg 153.

Sobre isso, Yamauchi também comenta:
"Trata-se de um depoimento importante da parte de uma testemunha que não simpatiza com o sucesso e com a difusão do cristianismo, baseado em uma personagem histórica, Jesus, crucificado por ordem de Pôncio Pilatos."
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel,Vida, 2011, pg 108.

Suetônio:
Suetônio escreveu as biografias dos primeiros doze césares e no "Vida de Nero", aproximadamente 120 d.C., registrou:

"A punição foi imposta aos cristãos, uma classe de homens que aderiu a uma superstição recente e nociva". E sobre a "Vida de Cláudio", afirmou:
"Como os judeus, instigados por Cresto, provocavam distúrbios frequentes, ele os expulsou de Roma."
Fonte: Por que Confiar na Bíblia?, Amy Orr-Ewing, Ultimato, 2008, pg 59.

A identidade desse "Cresto" não é totalmente conhecida. É bastante provável, porém, que o choque entre os judeus e os cristãos na Roma desse período vinha de impasses resultantes da recente introdução do cristianismo nos círculos judaicos da cidade, e Suetônio, diante de relatos dessas disputas entre os judeus acerca de uma pessoa chamada "Cresto" (variante de "Cristo" entre os gentios), supôs erroneamente que essa pessoa estava no centro do conflito - na Roma dos tempos de Cláudio. Nessa fase antiga da História da Igreja, é fácil de entender uma má compreensão das autoridades romanas acerca das relações entre o judaísmo e o cristianismo. Essa expulsão dos judeus de Roma aparece em Atos 18:1-2.
Fonte: Merece Confiança o Novo Testamento?, F. F. Bruce, Vida Nova, 2010, pg 154; Bíblia de Estudo Arqueológica, Vida, 2013, pg 1751.

 Plínio Segundo (Plínio, o Moço):
Plínio foi governador da Bitínia, Ásia Menor, de 111 a 113 depois de Cristo, e foi responsável pela confecção de várias cartas ao imperador Trajano. Numa de suas cartas, ele pediu conselhos sobre como poderia lidar com os cristãos:

"Eles afirmaram [...] que sua única culpa, seu único erro, era terem o costume de se reunirem antes do amanhecer num certo dia determinado, quando então cantavam responsivamente um hino a Cristo, tratando-o como Deus, e prometiam solenemente uns aos outros não cometerem maldade alguma, não deflaudarem, não roubarem, não adulterarem, nunca mentirem, e não negar a fé quando fossem instados a fazê-lo."

Segundo Yamauchi, tal passagem é importante, pois mostra como, por volta de 111 d.C. o cristianismo já estavam amplamente espalhado - uma difusão bastante rápida. Temos no documento algo sobre quem eram e como se comportavam os cristãos daquele período.
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel,Vida, 2011, pgs 108-109.

Mara Bar-Serápion
Mara Bar-Serápion, um cidadão sírio, ao filho Serápion, pouco depois de 73 d.C.:
“Que proveito tiveram os atenienses ao tirar a vida de Sócrates? Fome e peste lhes sobrevieram como juízo pelo nefando crime que cometeram. Que lucro obtiveram os cidadãos de Samos ao lançar Pitágoras às chamas? Num instante seu território se viu coberto de areia. Que vantagem alcançaram os judeus com a execução de seu sábio Rei? Foi justamente em seguida a esse fato que o reino deles foi abolido. Deus, com justiça, vingou esses três sábios; os atenienses foram consumidos pela fome; os sâmios foram tragados pelo mar; os judeus foram arruinados e banidos da própria pátria, vivendo em completa dispersão. Entretanto, a morte não extinguiu a Sócrates, que continuou a viver no ensino de Platão. A morte não aniquilou Pitágoras, que continuou a viver na estátua de Hera. Nem o sábio Rei a morte destruiu, pois continuou a viver nos ensinos que transmitia.”

É pouco provável que Mara Bar-Serápion tenha sido cristão, pois, se fosse o caso, teria declarado que Cristo continuou a viver ressurreto dos mortos. Provavelmente ele era um filósofo gentio, pioneiro no que veio a se tornar algo comum: equiparar Jesus aos grandes sábios da Antiguidade.
Fonte: Merece Confiança o Novo Testamento?, F. F. Bruce, 2010, pg 148-149.

Os Talmudes:
De origem farisaica, esses textos rabínicos começaram a surgir depois da invasão romana em Jerusalém, quando os fariseus montaram seu quartel-general no sudeste da Palestina. Várias leis haviam sido formuladas ao longo dos anos e sido transmitidas oralmente de geração em geração, avolumando-se grandemente, o que suscitou o interesse de codificá-las em documentos. Após um longo processo de escrita, um completo código de jurisprudência se via concluído por volta do ano 200 d.C., conhecido como "Mishná". Tomando a Mishná como base, várias escolas rabínicas, em especial na Babilônia, criaram um grande corpo de comentários, formando os "Guemarás" que, unidos à Mishná, vieram a constituir os Talmudes. Por volta de 300 d.C. o Talmude de Jerusalém estava concluído, enquanto o Talmude Babilônico veio a ser finalizado por volta de 500 d.C.

Para os rabinos dos tempos mais remotos, cujos dizeres estão registrados nesses documentos, Jesus era apenas um transgressor em Israel, praticante de magia, que desdenhava das palavras dos sábios, levava o povo a se desviar do caminho e que, mesmo assim, insistia que "não veio para destruir a Lei". Diziam que ele, na véspera da Páscoa, fora pendurado na cruz por dizer heresias e desviar o povo - cinco discípulos foram enumerados e caracterizados como realizadores de curas. Tais acusações são esperadas de uma facção que se opôs ao Messias desde o início.

Jesus aparece nos textos farisaicos, dentre outras denominações, como "Ha Taluy" ("o pendurado") e "Ben Pantera", não como quem nasceu filho de um soldado romano chamando "Pantheras", mas em referência ao nascimento virginal de Cristo - "pantera" é uma corrupção do termo grego "parthenos", que significa "virgem".
Fonte: Merece Confiança o Novo Testamento?, F. F. Bruce, 2010, pg 131-133.

Yamauchi cita o professor M. Wilcox:
"A literatura judaica tradicional, embora menciona Jesus só muito raramente (e, seja como for, tem de ser usada com muita cautela), respalda a alegação do evangelho de que ele curava e fazia milagres, embora atribua tais atividades à magia. Além disso, ela preserva a lembrança de Jesus como professor, diz que ele tinha discípulos (cinco) e que, ao menos no período rabínico primitivo, nem todos os sábios haviam concluído que ele era 'herege' ou 'enganador'."
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel,Vida, 2011, pg 112.

"Não deveríamos esperar mais evidências extra-bíblicas de Cristo?"
Ecoando as palavras de Yamauchi, é recorrente na história que os registros dos fundadores de religiões só comecem a aparecer várias gerações depois da morte do líder. Nós temos uma documentação histórica de melhor qualidade sobre Jesus do que sobre qualquer outro líder religioso da Antiguidade.

As "Gathas" de Zoroastro, datadas de algo entorno de 1000 a.C., a maior parte das escrituras do zoroastrismo só começou a surgir no século III d.C. - a biografia mais popular de Zoroastro só apareceu em 1278 d.C. Os ensinos de Buda, que viveu no século VI a.C., só foram escritos depois do início da Era Cristã - a primeira biografia é do Primeiro Século. A biografia de Maomé (570-639 d.C.) só foi escrita em 767 d.C. - ora, há evidências escritas sobre Jesus já no ano 50 d.C. e tradições que remontam, possivelmente, o próprio ano da Ressurreição! Leia: "Os Mais Antigos Testemunhos do Novo Testamento".
Mesmo se não tivéssemos nenhum documento neotestamentário ou literatura cristã, sobrando só os relatos extra-bíblicos sobre Jesus, ainda assim poderíamos conhecer uma parte significativa da Sua pessoa e do Seu ministério: saberíamos que Ele era um professor judeu; teríamos noção de que muitas pessoas acreditavam que Ele curava e fazia exorcismos; saberíamos que muitos acreditavam que Ele era o Messias; que multidões O seguiam; também compreenderíamos que Ele foi rejeitado pelos líderes judeus; que foi crucificado sob a ordem de Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério; teríamos informação para saber que Seus seguidores, mesmo depois da Sua morte, acreditavam que Ele ainda estava vivo; que muitos dos seus discípulos deixaram a Palestina e se espalharam pelo mundo; e que todo o tipo de gente, de todas as raças, gêneros, idades, lugares e classes sociais, O adoravam como Deus.
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel,Vida, 2011, pgs 112-114.

Sobre o número de documentos atestando a vida e morte de Cristo, Geoffrey Blainey, professor da Universidade de Harvard e da Universidade Melbourne, brilhante historiador, autor de 35 livros e detentor da premiação International Britannica Award, se manifesta:

"Minha conclusão é que, pelo padrões da época, sua história [de Jesus] foi surpreendentemente registrada, já que ele só ficou conhecido nos últimos anos de vida e, assim mesmo, em uma região do Império Romano pouco desenvolvida e afastada. De todas as pessoas comuns daquela época, desconhecidas fora de sua terra, a vida e os ensinamentos de Jesus estão entre os mais documentados."

Sobre o Novo Testamento, diz:
"Existem numerosos folhetos ou evangelhos sobre ele, e quatro são famosos. Conhecidos como os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, todos, exceto um, foram concluídos no período de 50 anos que seguiu à morte de Jesus." Fonte: Uma Breve História do Cristianismo, Geoffrey Blainey, Fundamento, 2011, pg 5.

Outras evidências extra-bíblicas da existência de Cristo você pode encontrar nas seguintes postagens do EOMEAB: Jesus Realmente Existiu? Fontes Seculares; Cristo Realmente Morreu? Fontes Seculares.
Outros livros consultados: Jesus, Christiane Rancé, L&PM POCKET, 2012, pgs 16 e 17; O Novo Testamento, Sua Origem e Análise, Merril C. Tenney, SHEED Publicações, 2008, pgs 215-216.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também: