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O Universo Foi Projetado Para Nós

O Universo que hoje temos é todo fruto do acaso ou foi criado? Existem centenas de evidências que apontam para o Universo como um projeto extremamente preciso, direcionado especialmente para a possibilidade de vida na Terra e, como sabemos, todo o projeto exige a existência de um projetista. Tomando algumas fontes, irei apresentar uma porção desses argumentos, que resumem o chamado "Princípio Antrópico":

- O nível de oxigênio: na Terra o oxigênio corresponde a 21% da atmosfera - essa quantidade é a ideal para a vida. Se o nível de oxigênio se aproximasse de 25%, teríamos incêndios espontâneos, se tivéssemos por volta de 15%, morreríamos sufocados.
- Transparência atmosférica: o grau de transparência da nossa atmosfera é ideal. Se ela fosse menos transparente, não haveria radiação solar suficiente sobre a superfície da Terra; se fosse mais transparente, o Sol despejaria muito mais radiação aqui do que poderíamos suportar.
- Interação gravitacional entre a Terra e a Lua: se a interação gravitacional da Terra com a Lua fosse maior, os efeitos sobre as marés, a atmosfera e o tempo de rotação da Terra seriam muitíssimo severos; se fosse menor, as mudanças orbitais tornariam o clima instável. Em ambos os casos, a vida na Terra seria impossível. Até o tamanho da Lua é especialmente projetado: ela é do tamanho ideal para ajudar a estabilizar a órbita da Terra e produzir marés adequadas, que não sejam destrutivas, mas nutritivas para os continentes. Se a Lua estivesse muito mais perto, as marés poderiam cobrir até as mais altas montanhas.
- Distância entre a Terra e o Sol: para haver vida em nosso Sistema Solar, um planeta deve situar-se na faixa entre 145 e 160 milhões de quilômetros do Sol - a Terra encontra-se na marca dos 150 milhões. Se a distância entre a Terra e o Sol fosse alterada em apenas 2%, a vida seria impossível.
- Nível de dióxido de carbono: se a quantidade de CO2 na atmosfera da Terra fosse maior, passaríamos por um terrível efeito estufa; se fosse menor, a fotossíntese não aconteceria de modo eficiente, sufocando-nos.
- Gravidade: se a força da gravidade fosse alterada em 0,0000000000000000000000000000 0000000001%, o Sol não existiria e, portanto, nós também não.
Se a gravidade fosse um pouco mais forte, as estrelas ficariam tão quentes que se extinguiriam muito rapidamente e de forma desigual - nenhum planeta nas suas proximidades seria habitável. Se fosse um pouco mais fraca, as estrelas não atingiriam temperaturas quentes o suficiente para promover a combustão da fusão nuclear - elas queimariam por muito tempo, mas não produziriam nenhum elemento pesado necessário para a vida nos planetas.
Se a força da gravidade terrestre fosse aumentada apenas alguns pontos percentuais, alguns dos mais perigosos gases da nossa atmosfera se acumulariam, tornando a vida impossível; se ela fosse diminuída, muita água seria perdida.
- Força centrífuga: se a fora centrífuga do movimento planetário não equilibrasse precisamente as forças gravitacionais, nada seria mantido numa órbita ao redor do Sol.
- Velocidade do Universo: se o Universo tivesse se expandido numa taxa um milionésimo mais lenta, ele teria parado e desabado sobre si mesmo antes do surgimento das primeiras estrelas. Se tal expansão tivesse sido mais rápida, nenhuma galáxia teria sido formada.
- Velocidade da luz: qualquer lei da física pode ser descrita como uma função da velocidade da luz. Uma pequena mudança na velocidade da luz, portanto, alteraria as outras constantes e impediria a formação de vida na Terra.
- Vapores na atmosfera: se os níveis de vapor de água na atmosfera fossem maiores, um efeito estufa aterrador poderia aniquilar a vida humana; se fossem menores, um efeito estufa insuficiente faria a Terra ficar fria demais para a existência do ser humano.
- Júpiter: Júpiter, com sua força gravitacional e sua devida posição no Sistema Solar, serve como um "aspirador de pó cósmico", atraindo asteroides e cometas que, doutra forma, atingiriam a Terra.
- Espessura da crosta terrestre: se a Crosta fosse mais espessa, seria necessário transferir mais oxigênio para ela para permitir a vida na Terra; se fosse mais fina, as atividades tectônicas e vulcânicas seriam dramáticas demais para a existência da vida.
- Tempo de rotação da Terra: se a rotação da Terra durasse mais do que 24 horas, haveria calor demais durante o dia e frio demais durante a noite; se fosse menor, a velocidade dos ventos seria insuportável. 10% de diferença já impossibilitaria a vida.
- Inclinação da Terra: o eixo da Terra tem uma inclinação de 23º - se essa inclinação se alterasse mesmo que levemente, a variação da temperatura da superfície da Terra seria muito extrema.
- Raios: se mais raios caíssem na terra, sofreríamos com constantes e terríveis incêndios; se a incidência de raios fosse menor, haveria pouco nitrogênio se fixando no solo.
- Atividade sísmica: com mais atividade sísmica, muitíssimas pessoas morreriam; com menos atividade, os nutrientes do piso dos oceanos e do leito dos rios não seriam reciclados de volta para os continentes por meio da sublevação tectônica.
- Força nuclear: a "força nuclear forte" é aquela que liga as partículas subatômicas dentro do núcleo dos átomos. Se essa força fosse mais forte ou mais fraca mais do que aproximadamente 1%, o Universo ou seria totalmente hidrogênio ou não haveria hidrogênio algum - tudo seria muito inóspito. A "força nuclear fraca" possibilita a decomposição radioativa, a desintegração o núcleo e a fusão nuclear. Reduzindo ou aumentando um pouco dessa força, o Universo teria produzido hélio demais ou de menos - não haveria planeta algum.
- Número de estrelas: se existissem estrelas demais, possivelmente o Sol não teria sobrevivido; se existissem muito menos estrelas, os elementos pesados necessários para a vida jamais teriam se formado.
- Força eletromagnética: é ela que liga os elétrons ao núcleo dos átomos. Se tal força fosse ligeiramente mais fraca, os elétrons escapariam e não haveria molécula alguma; se fosse pouco mais forte, os átomos não poderiam compartilhar elétrons e também não haveria molécula alguma. Nenhuma forma de vida seria possível.
- Chances de vida: nosso Universo, de modo geral, é bastante inóspito para proporcionar a vida. As chances de encontrarmos uma galáxia ideal para a vida são de 1 em mil no Universo; as chances de encontrarmos o tipo certo de estrela são de 1 em um bilhão de galáxias aceitáveis; o tipo certo de sistema solar é de 1 em um bilhão de estrelas aceitáveis; o tipo certo de planeta é de 1 em dez bilhões de sistemas solares aceitáveis; o tipo certo de planeta é de 1 em dez quatrilhões de quatrilhões no Universo. Certo astrônomo calcula que as chances de encontrarmos um planeta propício à vida em qualquer lugar do Universo seja de 1 em mil quintilhões de quintilhões de quintilhões de quintilhões de quintilhões de quintilhões de quintilhões.

"A outra coisa que é exatamente certa a respeito do Big Bang é a suavidade ou uniformidade da 'explosão', qualidade que os cientistas denominam 'isotropia'. Na década de 1980, os cosmólogos entendiam que se o Universo começou com uma grande explosão, teria necessariamente resultado em uma distribuição isotrópica de matéria e radiação quase que totalmente perfeita. O satélite COBE (...) mostrou que a isotropia do Universo era exatamente certa, em um grau quase infinitésimo. Roger Penrose, matemático da Universidade de Oxford, calculou a margem permissível de erro em 1 em 10¹²³ - um número grande demais para explicar! Penrose comentou que esse número é muito mais que o número de partículas subatômicas existentes no Universo", Kenneth D. Boa & Robert M. Bowman Jr., 20 Evidências da Existência de Deus, CPAD.

O astrofísico Hugh Ross calculou a probabilidade de que as 122 evidências antrópicas em favor da Terra para propiciar a vida ocorressem noutro planeta qualquer do Universo por acaso. Ele considerou a existência de 10²² planetas no Universo e concluiu: a chance de isso acontecer nalgum outro planeta é de uma em 1 seguido de 138 zeros! Existem cerca de 1070 átomos no Universo - e seu resultado superou esse número! Sendo assim, as chances de isso acontecer são, tecnicamente, impossíveis.
Fontes: Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Norman Geisler e Frank Turek, Vida, 2012, pgs 96-108; 20 Evidências da Existência de Deus,  Kenneth D. Boa & Robert M. Bowman Jr., 2012, CPAD, pgs 47-56; 301 Provas e Profecias Surpreendentes, Peter e Paul Lalonde, Actual, 1999, pgs 37-42.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:

A Igreja, o Darwinismo e a Religião de Darwin

Uma coisa que os críticos do cristianismo geralmente não possuem, pelo menos os leigos, é um satisfatório conhecimento de História da Ciência. Seguidamente nos deparamos com argumentações e ataques baseados em conhecimentos muitíssimo limitados sobre aquilo que é defendido ou ofendido - e nenhuma dessas precipitações supera as questões sobre Darwin e o darwinismo. Vamos esclarecer alguns pontos:

1 - Certo número de teólogos e igrejas prontamente aceitaram o darwinismo:
"A Origem das Espécies gerou uma controvérsia imediata e intensa, apesar de a reação das autoridades religiosas não ter sido tão unanimemente negativa como se retrata em geral nos dias de hoje. Na verdade, Benjamin Warfield, de Princeton, teólogo, protestante notável e conservador, aceitou a evolução como 'uma teoria do método da providência divina', embora defendesse a ideia de que a evolução teria um autor sobrenatural.
(...)
Além disso, em vez de ter sido condenado ao ostracismo pela comunidade religiosa, Darwin foi enterrado no mosteiro de Westminster." Fonte: A Linguagem de Deus, Francis S. Collins, Gente, 2007, pg 104.
"Tampouco é verdade que as únicas objeções à teoria de Darwin provinham da Igreja. Sir Richard Owen, o principal anatomista da época (que, incidentalmente, fora consultado por Wilberforce), se opunha à teoria de Darwin; o mesmo acontecia com o eminente cientista lorde Kelvin." Fonte: Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus?, John C. Lennox, Mudo Cristão, 2011, pg 36.
"As crença comum de que [...] as relações concretas entre religião e ciência ao longo dos séculos mais recentes foram marcadas por uma profunda e constante hostilidade [...] não é apenas historicamente inexata, mas é de fato uma caricatura tão grotesca que se deve explicar como foi possível que ela objetivesse algum grau de respeitabilidade." Colin Russel, historiador da ciência, Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus?, John C. Lennox, Mudo Cristão, 2011, pg 37.

- O debate de Huxley-Wilberforce, Oxford 1860:
Há uma série de mitos largamente disseminados sobre o darwinismo e a suposta guerra entre a Ciência e a Religião. Um desses mitos reside no famoso debate entre o darwinista Huxley e o bispo Samuel Wilberforce, desenrolado no dia 30 de junho de 1860 na Associação Britânica para o Progresso da Ciência, Museu de História Natural de Oxford. Comumente se considera esse debate como "a vitória de um competente cientista por sobre um religioso néscio", mas ocorreu justamente o contrário.

O bispo Wilberforce era, na verdade, um grande intelectual. Apenas um mês depois do grande debate, ele publicou uma resenha de 50 páginas da obra A Origem das Espécies, de Darwin, considerando-a algo "extraordinariamente perspicaz; ela separa com habilidade todas as partes mais conjecturais e expõe bem todas as dificuldades. Ela me submete ao mais esplêndido interrogatório". É certo que esse bispo não era nenhum obscurantista - era-lhe claro que o debate com Huxley não se tratava de um impasse entre "Ciência e Religião", mas, sim, e puramente, de um debate científico. Sua mentalidade fica evidente no sumário da resenha já citada:

"Nós levantamos objeções às visões das quais estamos tratando, unicamente no âmbito científico. Fizemos isso partindo da convicção fixa de que é assim que a verdade ou a falsidade desses argumentos deveria ser tratada. Não concordamos com aqueles que levantam objeções a quaisquer reais ou alegados fatos da natureza, ou a qualquer inferência deles deduzida logicamente por acreditarem que contradizem o que lhes parece ser o ensinamento da revelação. Nós achamos que todas essas objeções cheiram a uma timidez, que é realmente inconsistente com a fé firme e bem firmada."

Sobre os relatos contemporâneos do debate, John Brooke ressalta:
"É significativo o fato de que o famoso debate entre Huxley e o bispo não foi noticiado por nenhum jornal londrino da época. De fato, não há registros oficiais do encontro; e os relatos, na maioria, foram feitos por amigos de Huxley. O próprio Huxley escreveu que aconteceram 'risadas incontidas na plateia' ante sua espirituosidade e 'creio que durante as 24 horas subsequentes eu fui o homem mais popular de Oxford." Mas somente com esses dizeres é impossível construir o verdadeiro quadro da situação. Vejamos:

Segundo Lennox, há evidências de que o debate esteve longe de ser desigual. Depois do evento um jornal registrou que um daqueles que havia se convertido ao darwinismo mudou de ideia ao testemunhar o impasse entre Huxley e Wilberforce. O botânico Joseph Hooker queixou-se que Huxley não "apresentou a questão de uma forma que conquistasse a plateia". O próprio Wilberforce escreveu três dias depois ao arqueólogo Charles Taylor: "Eu acho que o derrotei completamente." O relato do The Athenaeum dá a entender de que as horas foram igualmente divididas, afirmando que ambos, Huxley e Wilberforce, "enfrentaram um adversário à altura." Para Frank James, historiador da Royal Institution de Londres, a difundida impressão de que Huxley venceu o debate deve-se ao fato de que Wilberforce não era muito benquisto em Oxford. Sobre isso, ele afirma o seguinte: "Se Wilberforce não fosse impopular em Oxford, ele, não Huxley, teria conseguido a vitória."
Fonte: Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus?, John C. Lennox, Mudo Cristão, 2011, pgs 35-37.

2 - O pensamento de Dawin sobre Deus:
No seu livro, A Origem das Espécies, Darwin enfatiza:
"Não vejo nenhum bom motivo para os pontos de vista apresentados nesse volume chocarem os sentimentos religiosos de alguém. [...] Um elogiado escritor e teólogo escreveu-me que 'gradualmente aprendeu a ver que é uma concepção tão nobre dos deístas acreditar que ele criou umas poucas formas originais capazes de se autodesenvolver em outras, mas indispensáveis, quanto crer que ele precisava de um ato estimulante de criação para compreender os vazios causados pela ação de suas leis."

Darwin concluiu A Origem das Espécies com o seguinte texto:
"Há uma grandeza nessa visão da vida, com seus vários poderes, tendo ela sido lançada como o sopro da vida originalmente pelo Criador em poucas formas ou uma; e que, enquanto este planeta vinha orbitando de acordo com a lei da gravidade estabelecida, a partir de um início tão simples, inúmeras formas, cada vez mais belas e maravilhosas foram, e continuam, evoluindo."

Darwin, certa vez, afirmou: "Agnosticismo seria uma a descrição mais correta de meu estado mental". Noutra ocasião, porém, sentindo-se desafiado, reconheceu: "pela extrema dificuldade, ou uma quase impossibilidade, de conceber este universo imenso e maravilhoso, incluindo o homem com sua capacidade de examinar o passado tão distante e o futuro tão longínquo, como resultado de uma oportunidade ou necessidade cegas. Quando medito dessa maneira, sinto-me atraído a observar a Primeira Causa como tendo uma mente inteligente em algum grau análoga a essa dos homens; e mereço ser chamado de Teísta." Vale lembrar que Darwin, antes de ingressar no naturalismo, chegou a estudar para se tornar clérigo da Igreja da Inglaterra.
 Fonte: A Linguagem de Deus, Francis S. Collins, Gente, 2007, pgs 103-105.

Natanael Pedro Castoldi
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Grandes Textos - O Isolamento de Deus e a Descrença

Existem dois tipos de pessoas que estão realmente perto do Deus apresentado na Bíblia: os cristãos e os ateus. Os primeiros estão perto, ou deveriam estar, no âmbito espiritual, psicológico e intelectual, sempre alimentando a necessidade de se relacionar com o Criador e conhecê-Lo, enquanto o segundo grupo preserva um relacionamento somente emotivo e intelectual: a militância ateísta está sempre pensando no Deus que a Bíblia apresenta, declarando-O como um inimigo pessoal e se armando contra Ele com alguns recursos emocionais e racionais. Eles ignoram a necessidade de um relacionamento com o Criador. Os dois lados se mantêm perto do Pai através de atributos psicológicos e intelectuais, um para atacar e outro desenvolver um relacionamento espiritual, que, por sua vez, é a única coisa que realmente diferencia os cristãos dos ateus. A questão da ligação espiritual com o Criador parece ser a chave da mudança, porque, enquanto temos cristãos e ateus profundamente intelectuais e envolvidos emocionalmente no relacionamento, de amizade ou inimizade, para com o Eterno, apenas os seguidores de Cristo nutrem uma ligação espiritual com Ele - seus atributos emocionais e intelectuais ganham sentido e força através do relacionamento espiritual. E é sobre isso que o texto que seguirá falará: quanto mais nos isolamos da natureza de determinado ser, menos o desejamos ou o conhecemos. O que realmente diferencia a postura de dois seres humanos que possuem espírito diante do Deus Espiritual é a existência ou não de uma ligação espiritual com Ele.

O texto que segue foi publicado nO Mirante no dia 12 de novembro de 2011, sob o título:

Distanciamento

Há uma tendência geral na espécie humana: conforme nos separamos, nos isolamos de uma realidade, de um conceito, de uma verdade, por mais óbvio que aquilo possa parecer, o desconsideramos, o descreditamos e substituímos, não por outra coisa mais coerente, pois nada pode ser mais coerente do que a Verdade, mas por algo que, então, se encontrará mais próximo, mais visível, mais palpável, mais "seguro". O conceito que vou tentar retratar nesse artigo, já que nesse exato momento nem eu mesmo o compreendo de fato, apostando, como de costume, que a clareza me venha conforme for refletindo enquanto digito, se desenrola acerca das grandes filosofias, ciências e teorias que estão minando a mente ocidental num afastamento cada vez maior da realidade do Deus cristão, caminhando para o ateísmo, islamismo ou, ainda, o neopaganismo xamânico. Talvez, depois que eu e você entendamos bem algumas das principais fontes para as origens do pensamento atual, consigamos compreender que a ideia que hoje impera não está no poder devido à sua coerência ou validade, mas o está pela vontade de uma elite que domina e como conseqüência do distanciamento de muitos dos ambientes tipicamente humanos, que enveredaram os passos de nossa humanidade até bem pouco tempo.

O estopim de meu pensamento sobre esse assunto se deu há alguns meses, quando escrevi "Ilusão", mas a reflexão parou por ali, servindo-me de modo suficiente até poucos dias atrás, quando o assunto em questão novamente aflorou em minha mente de forma intensificada. Breves momentos depois de ter comentado algo na minha página no site de relacionamento, Facebook, decidi que seria viável escrever um raciocínio aprofundado sobre a questão, que no dia tratei da seguinte forma, logicamente com tons de exagero e ironia: "Eu acredito em vida após a morte e também acredito em vida após a internet. Por isso, boa noite! Vou ler um livro. Observação: daqui a alguns anos as pessoas simplesmente irão duvidar que essa história de vida após a internet existe, assim como já o fazem com a ideia de vida após a morte."  Por mais que o pensamento em questão tenha tido ares de insano exagero, numa sociedade em que as pessoas, por mais que possam, eventualmente, se encontrarem para conversar e tomar, quem sabe, um café, preferem trocar dígitos gélidos pela internet, perdendo, não duvido, sete horas por dia num vício irracional, na ilusão de construir centenas de amigos ao mesmo tempo, mas, na verdade, não alimentando boa amizade com ninguém; numa sociedade de, como já vivenciei, seres que perdem metade de um filme programado entre amigos para, em seus celulares, por mais de quinze vezes, terem de visitar seus perfis online e bisbilhotar a vida doutros ou, ainda, perderem essa tal metade do filme para avisar na internet que "o filme está muito bom", não pareço estar exagerando tanto. Esse, de fato, é um vício, primeiramente atrativo, mas, por detrás, terrivelmente mortal -como qualquer outro-, apto a destruir a vida emocional, afetiva, física e espiritual de qualquer um, que se isola e prende ao cibernético, distanciando-se de emoções genuínas, distanciando-se das pessoas e da transparência de bons relacionamentos, aniquilando o seu corpo que se deforma na frente das máquinas e não toma mais sol, estraçalhando o seu espírito, que se corrói junto com os olhos, numa espécie de idolatria ao virtual, ao "amigo online", à caricatura de ser humano, distanciando-se cada vez mais dO Perfeito, dO Criador. Para algo que há uma década era incomum, mas hoje já é uma extensão do corpo de alguns, parece-me que, não demorando muito, poucos irão conseguir imaginar "a vida após a internet" - e eu, aqui sentando, infelizmente faço parte desse grupo a sofrer, lentamente, com tal pandemia que se alastra, afim de promover grande genocídio nas culturas ocidentais.

O raciocínio empregado no meu pensamento anterior é muito simples: à medida que o homem se envereda e desbrava um novo caminho, logo esquece-se daquilo que outrora lhe era óbvio, que outrora compreendia muito bem, substituindo tal conhecimento por outro, que, na nova vereda, se apresenta de forma mais sólida. Os antigos acreditavam numa série de coisas que hoje, forçadamente, já caíram, ou estão caindo, no descrédito: a crença num universo criado por Deus era geral, a ideia de vida após a morte era inquestionável, a compreensão de que existem criaturas bizarras, demoníacas, era comum a todos. O argumento dos céticos de nossa sociedade rebelada e extremamente arrogante, que se acha no direito de julgar a verdade dos antigos, é que, por se tratarem de culturas atrasadas, rudimentares, extremamente inferiores ao que temos hoje, segundo a concepção destes, visões retrógradas, mergulhadas em mitologia, frutos da ignorância, eram mais comuns e, hoje, no apogeu do conhecimento, somos obrigados a abrir mão dessas questões insanas, é o que dizem. Pois eu não penso, nem de perto, assim. Existem três questões que temos que levar em conta para se compreender a malícia da mente de nossos contemporâneos ao fazerem tais alegações: principiemos nosso raciocínio analisando que, se os atuais sacerdotes do ateísmo estão trabalhando com a pura e derradeira verdade, inescapável de tão óbvia, por que precisam fraudar evidências, como o velho ramapithecus? Por que fazem questão de manter mentiras, como a ideia da recapitulação embrionária ou a Coluna Geológica? Por que creditam verdade antes da hora, para, logo, se emborracharem, como aconteceu com o darwinius masillae? Por que precisam ser tão desonestos para com as questões criacionistas, perseguindo cientistas criacionistas -biólogos, arqueólogos, paleontólogos, astrônomos, físicos, químicos, matemáticos...?! Ora, se a verdade deles é tão óbvia, por que parecem estar ofegantes à procura de vida fora da Terra, "como" se a vida aqui em nosso mundo "fosse" um enigma inexplicável?! Esse é o primeiro ponto: se é tudo tão óbvio e inescapável em prol do ateísmo, por que forçam, manipulam, censuram e perseguem, como se precisassem, urgentemente, de alguma evidência conclusiva para sua série de teorias insustentáveis?!

O outro ponto é muito simples: a existência de algo geralmente independe do estudo científico acerca dele, você não precisa conseguir explicar a razão de algo para acreditar que ele existe e, se você, tentando, não conseguir fazê-lo, não quer dizer que ele, existindo, deixará de existir, pois o teu conhecimento não é determinante para atribuir ou destituir a existência daquilo que é absoluto -e se, com base em estudos, algo for cientificamente viável, mas nunca fora presenciado, continuará inexistindo, pois a mera probabilidade significa muito pouco. Ora, com base na plena razão, tentando explicar como tudo funciona e atribuindo existência apenas ao que se explica é que a nossa sociedade tem conhecido o niilismo. Partido do ponto de que nada nesse Universo pode ser plenamente compreendido e explicado com base em nosso -pífio- conhecimento e exclusiva observância da matéria, descredita-se a existência e a certeza de tudo, atribuindo o nosso estado atual à uma ilusão, onde nada de fato é, nada de fato existe. Ora, isso é insano!! O que você pode observar e experimentar é absoluto, independente da tua compreensão dos mecanismos e do comportamento daquilo. Desde quando o homem passou a ter poder determinante sobre a Verdade? Vejamos: nós, seres humanos, somos um dos maiores mistérios desse Universo, pois nossa assombrosa constituição, que faz-nos absurdamente maiores do que qualquer outra criatura, não pode ser plenamente compreendida, explicada, e o existencialismo naturalista não está conseguido responder metade das nossas perguntas -e o que consegue responder, o faz de forma muito superficial e enigmática-, mas não é por isso que os seres humanos não existem, a falta de explicação sobre nós não é evidência de nossa inexistência, que é absoluta com base no simples fato de estarmos vivendo, construindo,  pensando e nos relacionando. Você, além de ver a si mesmo, vê e toca inúmeros outros seres humanos, tornando óbvia a nossa existência, independendo do nosso conhecimento acerca dela. Com base nesse pensamento, posso, tranquilamente, atribuir as concepções dos antigos não à ignorância, mas à aceitação da Verdade inquestionável, observada e experimentada, independendo do conhecimento que conseguiam ter acerca dela. Por mais que não conseguissem explicar, conceber, as questões espirituais, relacionadas aos demônios, à vida após a morte, à Deus, eles veementemente acreditavam, não por ignorância, repito, mas por concordarem e tornarem inquestionável o que viam e sentiam. É como digo: uma experiência vivida vale muito mais do que mil teorias contrárias. Ora, eu já vi demônios, eu já sofri ataques espirituais noturnos, eu já vi exorcismos, também já fui curando instantaneamente de um princípio de depressão ou dor de cabeça no simples ato de orar - tais experiências são conclusivas demais! Posso não compreender exatamente como isso tudo funciona, mas o fato de ter vivenciado me é evidência inquestionável de que isso existe, independendo de meu conhecimento.

O terceiro ponto é um pouco mais fraco, mas parece-me útil dentro da questão aqui desenvolvida. Um dos problemas de nossa sociedade pós-moderna está na acepção de verdades antigas: nos assuntos relacionados à ciência, por serem mais voltados ao espiritual e mítico, os antigos são considerados como bestas estúpidas, mas, no que se refere à filosofia, política, arquitetura e arte, são tidos quase como semi-deuses. Ora, parece-me estranho pôr a filosofia grega da antiguidade clássica como fundamento inquestionável do pensamento filosófico atual, mas atribuir absurdo às crenças espirituais desse mesmo povo. Será que uma nação com um pensamento tão profundo e complexo acerca de determinadas questões conseguiria produzir, com base na ignorância, absurdos vergonhosos? Parece-me impossível. Da mesma forma como me parece complicadíssima a ideia de um povo ter erguido, há quase cinco mil anos, construções que até hoje não podem ser compreendidas devido à sua magnitude e complexidade e, ao mesmo tempo, ter aberto espaço tão amplo para a irracionalidade mitológica, como fora com os egípcios antigos. Não posso esquecer da arte greco-romana, que ainda hoje determina nosso teatro e cinema e é parâmetro de excelência em pintura e escultura, fazendo com que nossa humanidade, a "plena", se humilhe e aceite o fato de que hoje não se produz mais nada com o mesmo valor, beleza e complexidade do que nossos ancestrais produziam. Ora, povos tão avançados em tantas questões, poderiam, simplesmente, ter um aspecto tão sombrio e tosco, como lhes é atribuída a crença infantil no espiritual?! Eu prefiro crer que eles atribuíam verdade ao espiritual, não por ignorância, mas, como citado anteriormente, por verem e sentirem coisas que os obrigavam a acreditar.

Dos três pontos trabalhados acima, gostaria de valer-me, à partir de agora, do segundo. A ideia de que não existe aquilo que não se pode explicar é a mais comum atualmente e, também, é a que mais torna cega a nossa humanidade. É aqui que entra o que forma comentado no princípio da postagem: o distanciamento. As crenças dos antigos no espiritual eram muito mais drásticas do que a ideia que está predominando atualmente simplesmente porque o ambiente e a forma como viviam os faziam mergulhar nessas realidades. Como outrora citei na postagem "Ilusão", nosso mundo atual só consegue creditar no naturalismo ateísta porque abandonou largamente o ambiente natural, trocando-o por laboratórios frios e sintéticos, por letras gélidas e vazias. De fato, o ateísmo faz muito mais sentido quando seus argumentos são lidos, desenvolvidos em belos, complexos e filosóficos textos, do que quando é testado na apreciação de um riquíssimo bosque de primavera. O distanciamento do homem atual, que está abandonando violentamente o ambiente selvático e erguendo verdadeiras cordilheiras de concreto, onde passa a habitar frias cavernas nessas "montanhas" cinzentas e toda a vida que adentra na escuridão desses ambientes vêm de sinais de rádio, televisão e internet, reproduzindo-se por meio da eletricidade, parece-me um diferencial decisivo para a mudança de mentalidade dos nossos em relação aos passados. É claro que torna-se mais difícil crer num Deus Criador quando tudo o que está cercando os maiores pensadores ateus de nosso mundo são cidades inteiramente erguidas por seres humanos e não uma imensa floresta de coníferas, repleta de vida, de arte, de engenharia e poder, não feita por mãos humanas, mas baseada num sistema de informação nitidamente inserido nos determinados seres por intermédio dO Criador. Outro problema é que, quando, finalmente, esses seres urbanos adeptos do ateísmo decidem ir para o campo, para um ambiente rural, infelizmente não estão interessados em reconhecer a apelativa imagem do ambiente natural e constatar a existência de Deus, pois querem apenas relaxar, respirar um ar fresco, fugir da fuligem e do barulho ensurdecedor das metrópoles -na insanidade urbana conseguem pensar muito pouco e na serenidade preferem não pensar, pois estão cansados. Quanto mais daquilo que cerca o indivíduo é produto humano, mais ateu ele tende a ser, pois menos necessidade de Deus ele passa a perceber, o que, aliado a sua predisposição de ignorar O Criador e viver uma vida devassa, torna seu ateísmo mais gritante e sedutor - é por isso que os países mais desenvolvidos, mais urbanos, que mais devastaram o seu patrimônio natural, são, também, as nações com os maiores índices de ateísmo. Ora, o que de filosófico, o que de belo, de profundo e de divino há na cinzenta e turbulenta imagem de uma grande capital? Nada! Enquanto a serenidade e beleza de um ambiente que não foi, ou foi muito pouco, corrompido pela profana mão do homem, apresenta-se como total oposto, como a fotografia do santíssimo Criador.

É extremamente comum vermos pessoas ignorando a existência daquilo que os seus olhos não podem ver, daquilo que o seu coração não sente, daquilo que a sua mente ainda não experimentou, mas isso não significa que tais coisas não existem. O descrer na vida após a morte, que é uma idéia cada vez mais aceita em nossa sociedade, vem diretamente dessa realidade. O ser humano tornou-se mais um pedaço de carne, sem espírito, sem razão, o que torna a violência apresentada nos cinemas algo normal e, até mesmo, divertido. Ver homens mutilados, ver zumbis ou qualquer coisa do tipo, tornou-se parte do entretenimento, refletindo o pouquíssima seriedade com que nossos contemporâneos estão levando os assuntos acerca da morte, isso tudo dentro do contexto de crescente ateísmo. É muito simples compreender o porquê de a morte ter se tornado tão irrelevante e, de modo extremamente ignorante, apresentada, é muito simples entender de onde vem a grande descrença de uma segunda vida, após o fim desta: a morte real, não fictícia, está se tornando algo extremamente distante da nossa realidade, já que a longevidade está aumentando e a morte burocratizou-se. Antigamente as pessoas morriam antes e quando estavam em fase terminam, ficavam próximas à família, sendo acompanhadas por todos até o momento em que dessem o último suspiro e, depois disso, todo o processo seguia nas mãos dos familiares. Atualmente, assim que o indivíduo está para morrer, é isolado e padece das últimas chances de restauração, morrendo, geralmente, no isolamento, poupando os filhos e os netos da triste cena. Depois de morto ele logo vai parar nas mãos de uma funerária, que trabalha com o corpo e o prepara para o velório, que, depois de um dia, já está feito. O parco presenciar da verdadeira morte pela nossa sociedade inibe uma profunda reflexão acerca do assunto, quase não existe mais a apelativa imagem de um corpo sendo esvaziado de seu espírito, num último suspiro ou, ainda, de pessoas, segundos antes do fim, alegarem experiências extra-corpóreas, a visão de fortíssimas luzes, paz e serenidade, ou, ainda, no caso de alguns, a aparição de densas e dolorosas trevas. A idéia de que existe vida após a morte está morrendo junto com o distanciamento desse fenômeno geral numa humanidade caída, que é o morrer.

Juntamente com o morrer da ideia dO Criador e da vida após a morte, está a atribuição de mito e alucinação a todo o relato de aparição demoníaca, o que também se explica pelo distanciamento. É lógico que Satanás, numa sociedade cética, evita aparecer, pois lhe é mais vantajoso que as pessoas sejam condenadas pelo ateísmo do que, vendo-o, venham a crer em Deus. O ateísmo, motivado pelo naturalismo e descrença numa vida eterna, se estabelece com poder e basta ao Maligno alimentá-lo construindo uma atmosfera totalmente material entorno dos descrentes, para mantê-los aprisionados à sua percepção ateísta de mundo. O distanciamento de uma realidade espiritual, inibindo a ação demoníaca ou divina observável na vida do indivíduo, o leva a descrer por completo na realidade espiritual e ignorar, com base em sua própria experiência, toda a evidência contrária que constantemente se desenrola dentro das igrejas, terreiros, aldeias e culturas ligadas ao espiritual. É claro que num mundo totalmente sintético, cibernético, a realidade espiritual se esfriará em demasia, tornando-a improvável para a vítima desse estilo medíocre de vida.

"O distanciamento" é uma triste realidade de nossos dias, faz com que, enfurnados em casas e apartamentos, apenas apegados à frias letras, gravuras e fotografias, os indivíduos, manipulados desde o berço, ignorem a apelativa imagem de uma natureza criada por Deus ou de um monumento ancestral que venha a tornar inquestionável a superioridade do homem antigo, muito mais próximo de ser o fruto da mente dO Criador, que está arruinando-se lentamente, do que um fruto do caos, que está construindo-se gradativamente. "O distanciamento", o melhor argumento para o ateísmo. "O distanciamento", a forma de, ignorando a realidade abandonada, creditar verdade à insanas, mas mais palpáveis, mentiras. É fácil para as elites, encoleiradas por Satanás, guiarem a humanidade como gado, criando um cenário propício para que todos andem juntos nas veredas do distanciamento, tornando as verdades antigas em nebulosidade repulsiva e fazendo com que as mentiras presentes se façam macias e confortáveis pastagens. O homem não vê meio metro à frente de seus olhos e, inseguro, por não ter mais identidade e propósito, apega-se firmemente à qualquer coisa aparentemente sólida que se apresenta diante dele mediante um mundo lamacento - esquecendo-se de que todas as mentiras em que se apegar nesse mundo distante da verdade, tal perdida nas areias do tempo, tratam-se de palanques de argila seca ao sol, que, com o tempo e o contato com as águas lodosas, irão dissolver-se por completo, levando os desesperados que os consideraram paradeiros seguros, ao afogamento nas entranhas desse pântano. Esse é um poderoso mecanismo satânico em prol da morte da humanidade: quanto mais longe da Verdade libertadora e salvífica o homem estiver, mais dificilmente poderá encontrá-la, pois, num dado momento, já não restará nenhuma fração dela na cosmovisão deste e tal lhe parecerá mais loucura e insanidade do que a plenitude da razão.

Leitor, lembre-se disso: a Verdade existe e, também, existem dois mundos: um, o de nossos dias, que precisa minar-se de mentiras para manter-se, e o antigo, que, por mais que não se baseava em pleno conhecimento, aceitava com sinceridade a verdade inquestionável. No mundo dos antigos o rei, desde dois mil anos atrás, era o cristianismo, que hoje está morrendo, profeticamente. Você é quem escolhe: admitir que tudo o que se vê e experimenta, com base em honestidade, leva-o à Deus, ou ignorar essa realidade e apegar-se à ilusão de um mundo mergulhado em mentiras, censura e malícia. Distancie-se da opinião geral, daquilo que é mais privilegiado e aceito, pense por conta própria, não encaixe tua mente no pensamento de outro, observe e experimente por ti mesmo! Faça isso, afim de ter a verdadeira liberdade, que não se encontra no ser obrigado a dizer "sim" ao ateísmo porque todos o dizem, mas, também, conseguir dizer "não" sem ter vergonha de ser tachado de retrógrado, ignorante, irracional, bastando-te considerar que a fé cristã, após uma análise sóbria desse mundo, lhe é a ideia mais coerente e sóbria. Também não quero te pressionar a crer como eu creio, mas te desafio a, honestamente, com base numa real reflexão e estudo, procurar a Verdade que, pelo menos para mim, é, de modo a ser inquestionável, a fé cristã.

Natanael Pedro Castoldi, 2011

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Grandes Textos - O Perfeito Precisa Existir, Parte 2

Feitas as devidas introduções na Parte 1, entendo não ser necessário se delongar muito aqui, indo direto ao texto sobre o conceito de perfeição que postei nO Mirante no dia 8 de novembro de 2011 sob o título "O Perfeito". Esse será o terceiro artigo desse blog sobre o tema, demonstrando a importância que dou para essa questão. Espero que o leitor compreenda o seu conteúdo e tire as melhores conclusões possíveis sobre o trabalho.

O Perfeito

É tão bom saber que estou trabalhando com a Verdade e poder, sem receio algum, perambular nesse universo de descobertas, sentindo grande euforia a cada novo pensamento, a cada nova compreensão. Noutro dia cheguei a outro desses pensamentos que, embora muito óbvios e dotados de grande simplicidade, me deixou muito animado, por ter-me sido parcial novidade e facilitado muito sobre as demais questões teológicas.

O cristianismo é, de fato, algo misterioso, não pela estrutura, pelo que diz, mas por ser uma fé tão profunda e, ao mesmo tempo, muito óbvia e simples, por ser uma fonte de sabedoria que nunca termina e, ao mesmo tempo, compreensível para os mais ignorantes e ingênuos. Tudo o que envolve a profundíssima filosofia, reforçada pela ciência inerrante e muito à frente daquilo que hoje temos, torna o cristianismo um tesouro de valor imensurável, concebendo que existe algo circulando entre os seres humanos que, definitivamente, não é obra humana, pois é impossível que algo principiado há quase quatro mil anos e concluído há dois mil seja tão eficaz, tão profundo em tudo o que prega, à ponto de ainda estar acima do nível da capacidade intelectual humana, detendo em suas palavras mais conhecimento do que tudo o que podemos obter com a soma de toda a literatura que nossa humanidade acumula, mais conhecimento e profundidade do que conseguimos angariar com toda a nossa tecnologia e vã filosofia humana. É impossível que o homem de milênios atrás tenha confeccionado algo que até hoje nos surpreende, algo que, embora simples o suficiente para o entendimento infantil, possua conteúdo, possua questões que levam ao espanto os maiores de nossos sábios. Isso é incrível! Ver assim, tão nítida, a ação de Deus em meio à Sua criatura, procurando-a, instruindo-a, zelando com toda a honestidade e amor por sua eterna salvação, é muito animador. Dentre todos os pontos que fazem da fé cristã uma realidade anos-luz à frente de qualquer outra ciência, filosofia e fé, escolhi um em especial para dar seqüência a essa postagem: a perfeição.

Embora algumas religiões antigas, pouquíssimas, tentaram trabalhar explicitamente com alguma forma de conceito de perfeição, nenhuma delas conseguiu conceber uma fração do que realmente representa essa idéia, apresentando, em todas as suas divindades, falhas incorrigíveis de caráter e constituição física. O cristianismo, por outro lado, é muitíssimo diferente de tudo o que existe ao trabalhar com o conceito de perfeito - e fazê-lo com qualidade. "O Perfeito", dentro da fé cristã, é algo que, primeiramente, se deduz com a mera observação do nosso Universo, como você pode ler em "Inescapável", já que, havendo complexidade, poder, intelecto e moral dentro da criação, há de existir um Criador pleno, perfeito em complexidade, poder, intelecto e moral. Esse é o primeiro ponto sobre perfeição que faz da fé cristã algo peculiar, pois ela reflete a inquestionável necessidade do que se observa e experimenta, trabalhando, como se lê no Pentateuco e sua Lei, com um Deus absolutamente perfeito, pleno em toda a santidade, moral, poder, presença, tempo, amor... O Perfeito é necessário dentro do evento da Criação. O perfeito padrão moral de Deus é evidenciado pelas Suas exigências em Êxodo e Levítico, totalmente compreensíveis quando temos O Perfeito querendo habitar entre um povo imperfeito.

Essa qualidade de perfeição, que é a plenitude, o máximo imaginável e inimaginável acerca de tudo o que é bom, totalmente viável para Aquele que simplesmente É -Êxodo 3:14-, parece-me mais um ponto que evidencia o cristianismo como produto direto do pensamento dO Criador, pois o homem, imperfeito, jamais conseguiria produzir, forjar de forma tão coerente e certeira, a idéia dO Perfeito, além do fato de que Deus, sendo perfeito, é mais um incômodo para o homem, imperfeito, do que qualquer outra coisa e é por isso que nossa natureza, imperfeita, tende a desejar pelo imperfeito, nunca pelo perfeito, que repele, e, também por isso, constantemente lutamos contra Deus, querendo, como humanidade, matá-Lo. É tão constrangedor e incômodo para o homem aceitar essa realidade e tomar a iniciativa de se submeter ao Perfeito, que torna-se mais confortável fingir que Ele não existe e ignorá-Lo enquanto há tempo. O homem realmente forjaria algo assim, totalmente avesso à sua imagem profana?! Parece-me impossível. Na próxima vez que você questionar uma atitude tomada por Deus ao ler a Palavra, lembre do fato de Ele ser perfeito e que, simplesmente por isso, você, imperfeito, não tem condições plenas para compreender todas as razões e a natureza do tal ato divino.

O Perfeito. Esse conceito também explica muito sobre o motivo de estarmos nessa situação de evidente depravação. Partindo do ponto de que O Perfeito é o apogeu, o limite infindável, imensurável, de tudo o que é bom, pois o mau independe da ação de vontade intelectual, é apenas o decréscimo daquilo que é benigno, então o entendemos como o 100% e, como máximo, é interminável, infinitamente maior do que qualquer coisa imperfeita, independendo do nível de imperfeição em que se encontre. Entendo que o homem, antes da Queda, era perfeito, mas não na plenitude de tudo, sendo plenamente bom em moral, espírito e corpo, incorruptível, mas não pleno em poder e majestade, pois o homem, assim como os anjos, é criatura, menor do que O Criador, ao contrário dO Pai, O Criador, dO Espírito Santo, eternamente igual ao Pai e dO Filho, que, gerado de Deus, é a Sua plenitude. Assim que o homem desobedeceu ao Senhor, o mero ato de ir contra a Sua vontade, criou-se a imperfeição, pois houve a corrupção - veja bem: o homem genuíno, do Éden, era perfeito em espírito e carne, mas não era perfeito em poder, não podendo ser igual à Deus nessa questão. Não sendo pleno em poder, portanto, ele poderia ser derrubado por algo mais poderoso do que ele, como é um arcanjo caído. Mais sobre isso na postagem "A Razão". Entenda: O Perfeito é infinito, pois é o máximo, além do compreensível, o 100%, irredutível, logo, se surge a imperfeição, mesmo num nível pequeníssimo de, digamos, 0,001%, passamos a ter algo finito, limitado e, pior ainda, redutível, pois a raiz de falha, uma vez que penetrou na natureza caída, pode crescer. Com isso concluímos que até mesmo o 0,01% imperfeito, que parece pouco, é INFINITAMENTE mais depravado do que O Perfeito, simplesmente porque, repito, O Perfeito, sem nenhuma raiz de maldade, é infinitamente bom, pleno, e o imperfeito, com a raiz de corrupção, é finito e, logo, infinitamente pior do que O Perfeito. Por isso você pode entender como o simples ato de desobediência no Éden surtiu efeitos tão catastróficos, já que foi uma queda violentíssima! De uma posição plena, o homem decaiu infinitamente, do infinito para o finito e, com essa semente de caos semeada, passou a decair com o passar o tempo, já que o caos se alastra. É como lançar uma pequena pedra num lago totalmente inerte, dormente, e ver, num segundo, todo o sistema agitando-se e toda a superfície das águas sofrendo o impacto do golpe. Também podemos exemplificar o conceito geral com a figura do círculo, que considero, como perfeccionista, a imagem perfeita, já que não possui início nem fim, sendo infinito, mas, veja bem, se da circunferência for retirado 0,001% do total, ele deixa de ser infinito para tornar-se finito, com um ponto inicial e outro final. Isso quer dizer que ele está infinitamente menor agora do que antes, na plenitude, era.

Isso me parece prova experimentada e observada de que o infinitamente bom, como era o homem original, ou Lúcifer antes de caír, pode, de alguma forma, reduzir-se ao ponto de se tornar finito e, portanto, imperfeito - uma mísera redução é suficiente para que todo o ser mergulhe num mar de lodo, não havendo formação de outra matéria, mas o súbito despencar da plenitude da criatura de uma realidade para a avessa.

Com essa questão de perfeição e imperfeição passamos a entender porque estamos tão distantes de Deus: somos infinitamente piores do que Ele, que é infinitamente perfeito, logo, Ele nos repele e nós O repelimos naturalmente, não podendo, cada um com sua respectiva natureza, habitar o mesmo espaço - 1 Timóteo 6:16; Colossenses 1:21. A diferença entre nós e Ele é tão grande que, se O vermos, estando nós na situação de depravação, certamente morreremos - Êxodo 33:20. Também com base nisso entendemos que nada, NADA, absolutamente NADA do que fizemos com base em nossa infinita imperfeição surtirá algum efeito no aproximar de Deus, já que é impossível conseguirmos atravessar, por nossas próprias e infinitamente imperfeitas forças, o mar de infinita imperfeição que nos separa dO Criador. Nenhum homem, por mais bondoso que seja, deixará de ser infinitamente imperfeito por conta própria e nisso todos os humanos naturalmente se equivalem, o bom menino é tão infinitamente corrompido quanto uma prostituta, sua realidade espiritual não é em nada diferente, se partirmos do ponto de que ambos estão infinitamente distantes dO Perfeito Deus. Espiritualmente o homem, caído, é igual aos demônios: totalmente, infinitamente, distante e avesso ao Pai e, exatamente por isso, se continuar nessa situação, padecerá da mesma condenação infernal reservada para os tais anjos caídos. É aqui que entra a necessidade da Graça divina, já que todo o esforço humano, imperfeito, é incapaz de levá-lo um milímetro mais perto do infinitamente distante Criador. Na Graça é Deus, O Perfeito, que vai até o homem e oferece-lhe uma solução, uma maneira de ser achado perfeito diante dEle, oferecendo a autoridade e santidade do sangue e do nome de Seu santíssimo Filho, para lavar-nos de nossas impurezas e representar-nos diante do Seu tribunal - Gálatas 2:16.

É na morte sacrifical de Cristo que temos outra necessidade dO Perfeito. Como O Perfeito é infinitamente melhor do que o imperfeito, apenas com outra perfeição é que pode-se resolver o problema, atravessar o infinito mar de imperfeição - somente O Perfeito pode cobrir o imperfeito, somente O Perfeito pode chegar-se ao Perfeito! Com a Queda, Deus procurou uma solução provisória para o infinitamente vasto problema humano, solução essa que era mais didática e profética do que efetiva. Deus é plenamente, perfeitamente, justo e, sabendo que, sem Ele, O Perfeito, que cria e mantém a Vida - ao contrário do imperfeito, do caos -, somente há morte -Romanos 3:23-, haveria de matar o homem pela sua infinitamente insuportável corrupção, pelo seu adentrar em trevas palpáveis de tão densas, totalmente opostas a radiante Luz onde O Pai habita -1 João 2:8. Mas Deus, além de justo -Salmos 7:9-, é amor -1 João 4:16- portanto, assim que o homem caiu, logo tratou de iniciar o processo para a vinda dO Messias e, nesse meio tempo, principiando com Abel, pôs em andamento o sistema sacrificial que se encorpou no Êxodo hebraico, no qual o pecador, após cometer iniquidade, deveria oferecer o sangue de um macho imaculado, perfeito, sendo o sangue a representação da vida e seu derramar, da morte - o pecado cobrava seu salário mortal sendo expiado, propiciado na carne de animais, Levítico 17:11, 22:19-20.

A justiça de Deus saciaria-se plenamente com a aniquilação completa da humanidade, que não seria liberta do pecado, da imperfeição, mas tornar-se-ia menos que pó, mas o amor dO Pai, também pleno, O fez trabalhar de outra forma, equilibrando justiça e amor numa medida perfeita, assim como Ele o é: ao invés de aniquilar completamente o homem, Deus apoiou-se na única alternativa, que era a morte de um homem perfeito, imaculado, cuja perfeição pudesse fazer a humanidade regressar novamente à sua situação original. O problema é que esse tal "homem perfeito" é impossível dentro de uma humanidade imperfeita, de filhos imperfeitos vindos de pais imperfeitos, cujo pecado, cuja a infinita depravação da alma, tornou-se parte da sua natureza, da sua herança. Esse homem perfeito, igual à Deus, a, como humano, derramar seu sangue perfeito em nome da humanidade, deveria ter origem no único lugar perfeito de que temos ciência: o Céu dos Céus -Salmos 33:13 e 14, 113:5-, onde Deus se assenta em Seu trono e, ao mesmo tempo, ter parte com a humanidade, nascer da humanidade, para, sendo pleno humano, porém perfeito, numa situação igual à de Adão quando fora criado -parte vinda do pó e parte vinda diretamente de Deus-, se encontrar apto para reiniciar a humanidade, reinserir a perfeição no homem, libertando-o do pecado, da imperfeição. O Espírito de Deus, então, gerou no ventre de uma mulher exemplar, certamente grande serva dO Pai, o prometido Messias que, tendo Deus como genitor, não herdou a maldição de Adão - Jesus foi filho de Deus, não de Adão, por isso sua "genética" espiritual era perfeita e imaculada. O homem comum seria um sacrifício imperfeito para aniquilar o pecado, mas o Homem do Céu não, já que nasceu sem pecado e nunca experimentou da Queda, ao contrário de Adão.

Na postagem "O Príncipe dos Exércitos" eu falo algo acerca do sacrifício perfeito de Cristo que repetirei, noutras palavras, aqui. Jesus, sem ter permitido penetrar em sua vida nenhum dardo inflamado do Maligno, era perfeitamente, infinitamente bom, perfeito como o era Adão antes da Queda. Nesse momento O Filho estava representando a plenitude da humanidade, por isso foi perfeito segundo a perfeição permitida às criaturas, que são menores do que O Criador, abrindo mão do pleno poder, que, como gerado de Deus, possuía no Céu - Filipenses 2:7. Esvaziando-se de si mesmo, Jesus tornou-se o "segundo Adão", perfeito em espírito e em moral. Como O Perfeito em carne humana, teve infinita matéria perfeita para despejar na cruz, quando o Seu sangue foi derramado, e, portanto, o Seu sacrifício, partindo do ponto de que Ele era - e é- infinitamente puro, pôde cobrir, sem reduzir-se em nada, toda a podridão da humanidade, já que o perfeito é interminável e o imperfeito é finito. É por isso que o sacrifício de Cristo foi derradeiro, sendo infinitamente bom e, portanto, suficiente para cobrir todos os pecados desse mundo em todos os tempos -João 1:29. Adão principiou a humanidade ímpia, Cristo, o "segundo Adão", inaugurou a humanidade justa, começando-a como o seu primeiro representante e oferecendo o Seu sacrifício como pagamento por todos quantos o aceitarem - Romanos 10:9. Jesus foi o ponto culminante daquilo que começou no princípio do Êxodo, quando o sangue de um cordeiro perfeito salvou os hebreus da morte e libertou-os da escravidão egípcia, sendo essa a primeira Páscoa -Êxodo 12:3-12, 42-, pois O Filho, também na Páscoa, ofereceu-Se como cordeiro imaculado para o sacrifício cujo sangue libertaria o Seu povo, que, dessa vez, cumprindo a Aliança Abraâmica -Gênesis 12:1-3-, trata-se de toda a humanidade -João 3:16. Cristo foi como o cordeiro que substituiu Isaque no altar do sacrifício -Gênesis 22:8 e 13. Lucas 22:19-20 deixa claro que a Nova Aliança foi selada pelo sangue de Jesus e Hebreus 7:25-28 explica a necessidade do sacrifício de Cristo de modo semelhante ao que você aqui leu. Atos 4:12 conclui muito bem a questão acerca da inescapável necessidade dO Filho para a salvação, sendo Ele o único Perfeito apto para, vindo ao mundo, construir, com base em Sua perfeição, uma ponte até O Perfeito, que é Deus.

Durante o momento do sacrifício dO Filho em carne humana, Ele tornou-se um cordeiro maculado, pois, assim como o cordeiro de sacrifício deixa de ser perfeito quando recebe o golpe de faca do sacerdote, O Filho deixou de sê-lo quando encheu-se do pecado, das imperfeições humanas, mas, no momento em que isso aconteceu, a purificação do mundo já havia sido consumada - Isaías 53:4-11; 2 Coríntios 5:21. Quando O Filho tornou-se abominação, tornou-se pecado, então O Pai já não mais podia estar perto dEle -Mateus 27:46. Instantes antes da morte, Cristo disse: "Está consumado", -João 19:30- pois, morrendo, o sacrifício perfeito, profetizado por milênios, finalmente havia sido concluído. Na seqüência, Cristo desceu e sepultou todos os pecados humanos que haviam caído sobre Ele no Hades -1 Pedro 3:19; Atos 2:31. Porém, de todos, o evento mais importante foi a Sua ressurreição, em corpo e em espírito, quando saiu do sepulcro no terceiro dia em glória -Lucas 24:6-7. Aconteceu com Cristo exatamente o que deve acontecer conosco, ou melhor, o que passou a acontecer desde de então: Ele morreu como pecado, com o nosso pecado, e, ressuscitando por intermédio do Espírito -Romanos 8:11-, revigorou-Se novamente em perfeição. É exatamente esse o traço fundamental da Nova Aliança no sangue de Cristo, pois você crucifica a tua iniquidade e teu "velho homem", nascido da carne humana e herdeiro da morte eterna, juntamente com Jesus e, morrendo como Ele morreu, não fisicamente, pois Ele o fez por nós, mas espiritualmente, utilizando-se da porta que Ele nos abriu, renasce pelo Espírito Santo e torna-se uma nova criatura, -João 3:6-7-, mas, dessa vez, gerada por Deus. Você "morre" como pecado e nasce novamente como filho de Deus, agora de "genética" espiritual coerente com Ele. Vide Romanos 6:5-11:

"Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado.
Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor."

A ressurreição de Cristo também tem o valor descrito acima: Ele voltou de uma situação de morte para a vida, ou seja, Ele venceu a morte, aniquilou o seu poder, destronou-a nesse mundo -João 16:33. Sobre a questão do "novo nascimento" e quebra do domínio do pecado, da imperfeição, sobre nós, pode-se levantar a seguinte questão: "então, quando cristãos, nos tornamos perfeitos?" Pareceria insano dizer que sou um cara perfeito porque nasci em Cristo e, de fato, é, pois não sou perfeito e isso é evidente, já que volta e meia entristeço o meu Senhor. Existe, porém, uma coisa que aconteceu com Cristo, mas que não aconteceu conosco: Seu corpo, juntamente com o Seu espírito, venceu a morte. Para nós isso só pode acontecer com o espírito, pois apenas o espírito do velho homem morre para ser renascido no Espírito Santo e tornar-se a Sua habitação, nenhum ser humano experimentou a morte do corpo e um novo nascimento físico, dotado de uma nova "biologia", apenas Cristo o experimentou. Esse é o grande diferencial, pois, embora nosso espírito, renascido e santificado pelo Espírito Santo, possa ser encontrado perfeito perante Deus, nossa carne não mudou em nada, pelo contrário, continua sendo como antes era, minada de desejos bestiais, de anseios por prazer, almejando, constantemente, a nossa morte eterna. Aconteceu com Jesus algo mais, já que Ele ressuscitou também em carne, essa que, após vencer a morte e distanciar-se dos anseios carnais, é perfeita e imaculada. Romanos 7:14-25 deixa bem clara essa realidade: enquanto os membros de nosso corpo carnal respeitam apenas uma lei, a do pecado, o nosso espírito, renascido com O Espírito Santo, continua perfeito nEle.

Embora essa possa parecer uma realidade cômoda, levando, quem sabe, alguns a pensarem que, dessa forma, o pecado pode ser praticado para saciar a carne sem medo, pois o espírito continuará puro, a Bíblia, juntamente com a lógica, nos mostram outra verdade e é por isso que existem dezenas de passagens bíblicas exortando para sufocarmos o máximo possível a nossa carne -Colossenses 3:5-15-, afim de evitarmos que o pecado, a imperfeição, atue novamente em nós da maneira como atuava nos dias da ignorância e penetre novamente em nosso espírito -Mateus 6:22-23, 18:9-, obrigando a retirada do Espírito Santo e, por fim, culminando na perda daquilo que fora adquirido com o novo nascimento em Cristo, uma vez que esse "novo nascimento" não veio acompanhado de perseverança -1 Pedro 2:11- e permitiu-se aniquilar pelo retorno do "velho homem" -Hebreus 6:4-6, 10:26-27; 2 Pedro 1:5-10 e 2:13-15, 20-22. Não podemos esquecer que Deus é um ser racional e relacional, por isso Ele sempre valorizará grandemente as nossas iniciativas de agradá-Lo, buscando estar com Ele. Quem vive em pecado voluntário está dizendo, voluntariamente, que despreza Deus e que prefere servir à sua carne, isso é o mesmo que negar o Espírito Santo e, como o cristianismo se baseia na opção individual, esse desejo será cumprido e, então, nosso corpo e espírito será lançado para sua própria sorte e destruição - Marcos 3:29; Romanos 1:23-24. Aqui entra a ideia expressa no Êxodo, quando Moisés vai ter várias vezes com o faraó: até a Sexta Praga o faraó endurece o seu coração por vontade própria, mas, depois dela, Deus é quem passa a endurecê-lo, dizendo algo como: "você não quer me ouvir? Que seja feita a tua plena vontade". Isso tudo é muito simples: devemos buscar a perfeição de Cristo, a santidade do Seu caráter, isso por intermédio do Espírito Santo, simplesmente porque Deus é perfeito e santo, querer e fazer o oposto é o mesmo que rejeitar Deus - 1 Pedro 1:16.

Outra questão que nos faz perfeitos diante de Deus, mesmo não o sendo, está no privilégio de nos tornarmos seguidores de Cristo. O Filho nos comprou com o Seu sangue -1 Coríntios 6:20-, por isso somos dEle, e a vida dEle se desenvolve através de nós -2 Coríntios 3:2-3-, logo é Ele quem responde em nosso lugar -1 João 2:1-, é Ele quem nos representa diante de Deus -Romanos 8:34-, é Ele quem é O Perfeito que agrada a Deus e somente aceitando receber a Sua marca, a marca do Seu sangue sobre nós, deixando-O reinar em nossas vidas, é que seremos agradáveis ao Pai, pois a imagem de Cristo em nós cobrirá a nossa imperfeição. O perfeito nome de Cristo -Filipenses 2:9-, oferecido a nós, torna-nos, diante dO Criador, perfeitos -1 Coríntios 6:11; Colossenses 3:17. Todavia, a perfeição plena somente nos sobrevirá, de fato, no dia em que formos arrebatados com Cristo, tendo nossos corpos carnais ressuscitados e renascidos na nova "biologia" inserida por Jesus no dia em que Ele ressurgiu, daí sim seremos novamente infinitamente puros física e espiritualmente, tendo a nossa carne herdada de Adão já derrubada em definitivo e substituída pela carne herdada de Cristo, esta que não mais clamará pelo Mal, do qual ela não terá conhecimento, já que nenhuma raiz de maldade haverá nela - 1 Tessalonicenses 4:17 -, então, finalmente, poderemos estar junto com Deus de forma plena e pela eternidade!

Para finalizar meu raciocínio sobre perfeição, vou aplicá-lo de forma breve noutro conceito nebuloso do cristianismo: a Trindade. Muitos não entendem como Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo -Mateus 28:19- podem ser três pessoas e, ao mesmo tempo, um só Deus. Ora, com base no que já foi pensado, é muito simples entender esse conceito: Pai, Filho e Espírito Santo são iguais na essência, pois O Pai, eterno, é perfeito porque assim o é; O Espírito Santo é, pelo que se sabe, coeterno com O Pai, sendo o próprio Espírito de Deus -Gênesis 1:2-, logo, é igual ao Deus Pai; e O Filho, que parece ter sido gerado dO Pai, é 100% igual à Ele em natureza, pois herdou dEle tudo o que Ele é -João 14:6-11. As Três Pessoas da Trindade são perfeitas em toda a plenitude das coisas, dos atributos, nenhuma possui menor medida do que a outra, apenas há uma subordinação hierárquica, jamais de valor ou poder, entre elas, sendo O Pai o supremo Deus, O Filho gerado para a glória de Deus -João 14:13- e O Espírito Santo a mover-se para a glória dO Pai e o anúncio dO Filho -João 14:16-18. Sendo as três pessoas perfeitas em toda a plenitude, infinitamente boas, então o pensamento de qualquer uma delas é exatamente o mesmo pensamento das outras duas, a vontade de uma delas é igual à vontade das outras, pois concordam em tudo, já que a perfeição não é multiforme, mas somente pode se apresentar de um modo, o "Modo Perfeito". Trata-se, basicamente, de um reino comandado por três reis, tais trabalhando sempre em parceria e concordância e dando a resposta não individualmente, mas na pessoa que os três, unidos, constituem - no caso em questão, os três reis são perfeitos e, por isso, nunca divergem de opinião ou vontade, representado na pessoa dos três um só Deus.

"O Perfeito", esse, de fato, é um conceito fundamental e exclusivo do cristianismo, necessário para se entender a razão de as coisas serem como são, necessário para se conceber importantíssimos fundamentos bíblicos, necessário para se compreender o tamanho de nossa depravação e a inescapável necessidade do auxílio, ou melhor, da obra de Deus para a nossa salvação. Sem mais muito o que dizer, espero que você mesmo reflita e amplie esse artigo, lembrando-se de Colossenses 1:26-27:

"O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; e para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente."

Natanael Pedro Castoldi, 2011

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Quase todo o debate acerca da existência de Deus é movido por birra. Sim, as pessoas gostam de formular complicações filosóficas para escapar do óbvio, daquilo que os homens acreditam desde sempre e que é nitidamente revelado na natureza. É a vontade de não crer que movimenta esse debate, somente isso - mas é através desse debate que muita coisa se desenvolve. Na verdade, quase todo o impasse é movido mais por ego do que por ideias, basta analisar - as pessoas ficam sempre forçando os mesmos argumentos e utilizando os mesmos recursos de escape, lapidando alguns pontos e renovando o estoque de supostas refutações quando necessário, mas dificilmente se tem um avanço no diálogo, resumindo tudo a uma discussão circular que pouco tem a oferecer. Nesse sentido, cada pensador, ou seja, humano, deve se colocar não como mero escudeiro de alguém ou de algo, mas como um peregrino nesse mundo, em busca daquilo que é mais coerente e verdadeiro, sabendo abrir mão de ideias e aceitar as novas, entrando em debates não para derrotar o oponente, mas para ser testado e aprender. O pensador não é porta-voz de ninguém, ele desbrava solitariamente as profundezas da sua mente e, com base no que absorve do mundo, produz conhecimento, produz ideias e nunca se sente satisfeito. Ele continua lapidando, podando e cultivando seus pensamentos, aprofunda-os para depois simplificá-los. Todo o ser humano deveria se colocar na condição de andarilho intelectual, não sentinela, pelo menos uma vez na vida: dispôr todos os seus pensamentos na "mesa" e analisá-los sob uma perspectiva mais imparcial e severa. Não somos obrigados a carregar, como animais de carga, as ideologias e filosofias que em nós foram depositadas desde o nascimento - não somos obrigados a permanecer nos paradigmas que involuntariamente adentramos. Eu tenho o texto que segue como uma parte de minha busca individual pela Verdade.

Observação: esse texto não pretende dar uma resposta suficientemente satisfatória para a existência de Deus, tratando-se apenas de mais um argumento, dentre muitos outros, em prol da existência d'Aquele que É. O que segue é mais uma conclusão de meus estudos, do que um acerto complexo, vasto e suficiente de tudo o que pode ser oferecido no que se refere ao assunto. Tal texto foi postado primeiramente nO Mirante, no dia 01 de abril de 2012:

Filosofia simples

Nos impressionamos com o pensamento complexo, com a reflexão profunda e ricamente trabalhada, mas creio ser ainda mais impressionante a simplicidade, a capacidade de alguns de, após longas horas ou alguns segundos de exercício intelectual, expressarem assuntos de grande complicação e mistério em poucas e inquestionáveis palavras. Dizem que o verdadeiro conhecedor de algo é aquele que consegue trabalhá-lo com o mínimo de palavras possível, também se diz que quanto mais facilmente se conseguir explicar algo, mais próximo do que compreendemos como verdade ele está, pois independe de grandes e longuíssimos acertos filosóficos persuasivos. A Verdade, no final das contas, não deve ser algo difícil de encontrar ou compreender, entendendo que o maior desafio da humanidade não é desvendá-la, mas aceitá-la! Um dos homens que melhor tem me mostrado isso é o grande pensador e apologista cristão, C.S. Lewis... mas ninguém melhor do que Jesus Cristo, não é mesmo? Nessas me pego tendo cada vez mais certeza de que, pela facilidade e simplicidade como a filosofia cristã consegue trabalhar em seus fundamentos, honestos e coerentes, não existe nada mais verdadeiro e óbvio do que o cristianismo! E não me venha com as propostas mirabolantes de caras como Dawkins que, em prol de sua rebeldia, cegou-se à ponto de sugerir coisas como o dito "tempo imaginário". 

O nome da postagem, Filosofia simples, trabalha com a questão já mencionada. Iniciei minhas reflexões filosóficas acerca da fé cristã com algo que agora chamo de "filosofia bruta", trabalhando com conceitos mais frios e palpáveis, fundamentados na nua observação, regados de pouca profundidade e complexidade, mas, ainda assim, providos de conceitos rígidos em seus fundamentos -você pode observar esse momento em "Pelo que luto". Passado o momento em que deparei-me com as primeiras maravilhas da filosofia, outra fase se iniciou, mais madura, mas não tão convincente, por se tratar do desenrolar de pensamentos incertos acerca de coisas certeiras, de um pouco prestigiado pensador tentando responder questões até então tenebrosamente misteriosas, chegando a respostas aceitavelmente conclusivas, o marco mais significativo se deu na postagem "A Razão", falo de uma espécie de "filosofia composta". Nesse momento emaranhei-me nas complexidades do Universo, mergulhando nas questões moralidade -"Pandemia"-, origem de tudo -"Caverna"-, origem do Mal -"Incoerência"-, necessidade da perfeição -"O Perfeito"-, natureza humana -"Sapiens"- e influências da alma -"Pneumo"-, chegando a resolução de grandes dilemas com os quais não conseguia sossegar. Num ponto de relativo conforto, escrevendo um comentário do Evangelho de João, uma síntese da fé cristã, um resumo em imagens das esferas contidas na apologética cristã e num momento de maior prática da minha fé, consegui resumir e simplificar melhor tudo aquilo sobre o qual já havia pensado e olhando para traz comecei a notar algo animador: as coisas, na verdade, são bem mais simples e fáceis de explicar do que costumamos conceber! Essa foi a conclusão na qual cheguei depois de um passo bruto e um composto, resultando no que passei a considerar uma "filosofia simples".

Parecem três momentos filosóficos necessários para o homem sensato: o primeiro expressar de seus pensamentos em relação à matéria recebida, o lapidar desse pensamento, que já se vê munido de personalidade e novidade e, por fim, o simplificar, o sintetizar do mesmo, se ele, de fato, for coerente - muitos param no primeiro passo e se perdem em argumentos superficiais, outros estagnam no segundo e se confundem no mar de informações - ou tentam, seguindo outros, pular o primeiro passo, afogando-se de súbito -, mas não muitos chegam no terceiro, quando verificam se tudo o que até então pensaram tem alguma valia ou fundamento observável, experimentável, repetível e, somente nesse estágio, conseguem se surpreender com o fato de que o que pensaram como "filosofia bruta" tinha mais coerência e profundidade do que imaginavam. Creio que quase que sempre a verdade está na superfície ou numa parte bem rasa do solo que decidimos escavar até as profundezas... e é no momento em que nos vemos exaustos de tanto cavar que percebemos que o barro que existe ali onde estamos é o mesmo barro que existe de onde viemos!

O que entendo como filosofia simples só precisa dinamitar os fundamentos daquilo que se opõe, afim de ver todo o suntuoso edifício de mentiras erguido sobre esses alicerces extremamente frágeis -mas por estarem escondidos das vistas, enganosos- ruir completamente. Nós não precisamos discutir nada além da Origem do Universo, não é necessário se falar de tempo, nem origem dos planetas, nem origem da vida, nem evolução, nem moralidade, nem pecados dos cristãos... nada disso, nenhuma argumentação cética fundamentada nesses passos avançados tem valor quando entendemos que todas, para o derrubar de Deus, dependem da certeza sobre o primeiro ponto, que é a origem de tudo o que pôde ter resultado naquilo que pregam - uma vez havendo incerteza ou certeza de impossibilidade, todo o mais se rende à opção, que é Deus. Sobra, portanto, trabalhar as questões de COMO Deus criou o Universo, COMO Deus criou a vida, COMO Deus fez a vida se desenvolver, COMO o homem escolheu por se afastar de Deus e COMO o homem consegue profanar até a coisa mais divina que temos em mãos: a fé cristã. Só nos sobra os "comos" e, talvez, os "por quês", mas jamais haverá espaço para um "se" e, tampouco, "ou". O que segue se trata da reflexão mais simples possível sobre as Origens:

Não quero discutir "que" criador, de "que" religião seria, somente falar do Senhor Deus que criou o Universo e cujas características necessárias para ter sido o estopim dessa criação se enquadram perfeita e exclusivamente ao Deus que encontramos na Bíblia e nenhum outro, como pode ser lido em "Inescapável". De qualquer forma, o assunto não é "qual" da parte do teísmo. O embate é entre teísmo e ateísmo, de um lado aquilo que engloba tudo o que se refere à crença nalgo que transcende aquilo que se vê e, doutro, pura e simplesmente a matéria e energia observável e experimentável. Um ponto pacífico para os dois lados é a necessidade de uma origem para tudo o que vemos, tudo aquilo que sabemos depender de outra coisa para ter existido ou existir, ou seja, o universo material, pois é absolutamente impossível que aquilo que contenha energia limitada, pelo fato de ter saído de algo anterior, também limitado e assim por diante, tenha condições em si mesmo de ser eterno - um tempo infindável simplesmente não pode ser compreendido por matéria findável, um tempo infinito simplesmente não pode ser concebível para a matéria finita e qualquer quantidade de energia, por maior que seja, chegando ao inimaginável, continua sendo finita e, apenas por isso, é pouco e nada diante do infinito. Uma origem é inescapável, mas para a matéria findável e finita, por isso só podemos trabalhar com extremos, já que um meio-termo é findável e finito: Tudo ou Nada. Ou o Tudo como originador de tudo o que existe ou o Nada como originador de tudo o que existe. O primeiro contato com esse raciocínio já nos traz, de cara, qual a alternativa mais coerente - e eu nem preciso dizê-lo.

O que é o Tudo? Primeiramente é algo, o elemento ilimitado necessário para a origem daquilo que é limitado, a existência infinita essencial para a existência finita. O Tudo é feito de si mesmo, auto-existente. O fato é que, como é necessário termos uma origem para o Universo, um causador maior do que aquilo que causou, ou seja, um causador ilimitado, infinito e eterno para o que é limitado, finito e mortal, esse Tudo é inescapável. Tal elemento é o que é, tendo o atributo de eternidade, sendo ele a própria eternidade, tendo o atributo de existência, sendo ele a própria existência. Antes daquilo que não é ele existir, só ele havia e ele era tudo, agora que existe algo que não é ele, só ele existe além daquilo que, saindo dele, não é ele, mas, mesmo assim, por ele ser infinito, ao contrário daquilo que veio dele, continua sendo Tudo, já que o limitado é incalculavelmente menor, a ponto de ser quase nada, diante do ilimitado -interessante como, mesmo assim, o Tudo nos valoriza acima de toda a lógica e razão, com base em perfeito e inexplicável amor! Entendo que esse Tudo não precisa de motivos para ser o que é, pois simplesmente é, eternamente, também concebo que sendo ele a resposta para todas as perguntas acerca do universo limitado, não pode ter uma resposta para si mesmo, uma explicação completa em relação aos "por quês" ou "comos". Não existe nada nesse universo limitado que nos possa servir de parâmetro ou até mesmo sustentar de modo coerente uma resposta sobre o Ilimitado, e se existisse, o tempo finito seria insuficiente para explicá-lo de modo coerente, já que o mesmo é infinito. Ele É e, sendo, me basta. É assim que me porto: todas as minhas perguntas em relação ao finito, limitado e mortal se respondem com Deus, mas à partir dEle as coisas já estão além de meus domínios e dignidade, me limitando a umas pequenas respostas e conclusões.

O que é o Nada? O Nada, de certo modo, também é ilimitado, pois é impossível que algo que não exista tenha algum limite, assim como é infinito, por não ter início e fim, por não ter ou ser nada. Por mais que compreendê-lo seja mais difícil que entender o Tudo, é a única opção, alternativa ao mesmo, já que um "meio-termo" seria, por si só, limitado, finito e mortal, enquanto o Nada, assim como o Tudo, não o é. Se não queremos o Tudo, só nos resta o Nada e ponto final, é impossível sugerir outro originador para o Universo além desses dois e, obviamente, somente um deles pode existir, pois um anula o outro completamente, já que se tratam de extremos absolutos - o "máximo de tudo" e o "máximo de nada". O cético, quando nega a existência de Deus, só pode se contentar com a única alternativa, o Nada, e é com ela que precisa trabalhar. O fato é: enquanto o Tudo explica tudo, mas nem todas as explicações do mundo seriam suficientes para entendê-Lo, já que Ele é mais do que aquilo que veio dEle, o Nada explicaria o quê?  É uma questão de coerência, de causa e efeito: o Nada não pode explicar nada e não existe nenhuma explicação no mundo para entendê-lo ou prová-lo, já que num mundo regido pela existência, não existe espaço algum para a inexistência, num universo que, embora limitado, ocupa todo o espaço em que se encontra -e onde se encontra?-, é impossível que um "nada absoluto" seja encontrado. Isso tudo é muito óbvio, é uma filosofia muito simples!

Agora faço outra pergunta: o "nada" pode ser, realmente, uma alternativa para algo? "Nada" é o mesmo que "nenhum", não é? Um zero de tudo, desprovido de qualquer existência, pois qualquer pingo de algo já anularia o "nada" e, por ser somente um "pingo", seria limitado e, portanto, incompatível com a eternidade; o "nada" é algo inexplicável, pois não há nada que possa explicá-lo, por não ser nada para ser explicado; o "nada" é o mesmo que a ausência absoluta de tempo, espaço e matéria... o "nada" é "nenhuma coisa"! Como o "nada", que não é nada mesmo, que não é coisa nenhuma, poderia originar alguma coisa?! Poxa, o "nada", que não possui absolutamente nada, nem ao menos existência, não pode ser o genitor de existência nenhuma... mas as coisas que existem... existem! Só nos resta o Tudo, não é? O fato é que eu ainda não respondi a pergunta do início desse parágrafo, pois, mesmo sendo impossível o Nada originar algo, ele ainda poderia ser uma alternativa ao Tudo, portanto, trabalhemos melhor com outra questão: se "nada" é o mesmo que "nenhum", qual seria a opção, alternativa, para o Tudo? "Nenhuma"... nenhuma?! Pois a própria  natureza da palavra já nos respondeu! Não há nenhuma alternativa para o Tudo! Se não há nenhuma alternativa para o Tudo não podemos fugir de uma só conclusão: o Tudo é a única opção, não existe nenhuma outra compreensão plausível, nada, literalmente nada! Só o Tudo pode explicar tudo, não tem como discutir isso. Para facilitar, já que estamos tentando simplificar as coisas, faça o seguinte esquema mental: o Universo está posto num canto abaixo do seguinte título: "Ligue o originador ao que ele originou". No outro canto, também abaixo do título, temos o Tudo, Deus, e você precisa ligar ao Universo quem você acha que o originou... e é daí que você me pergunta: cadê a alternativa?! Como a alternativa ao Tudo é absolutamente nada, é impossível expressá-la, com a sua própria ausência a demonstrando... mas se "nada" não está demonstrado como opção, que diferença faz, já que não é nada mesmo? Não faz falta "nenhuma", não é? Mas se o "nada", mesmo devidamente expressado com "nada", não está aparecendo, já que não é "nada", no final das contas não sobra somente uma única alternativa, que é Tudo?! O Tudo, portanto, é o originador do Universo... e se você quer ligar o "nada" a algo, não conseguindo pelo fato de ele inexistir, compreenderá que o "nada" só pode ligar-se a "coisa nenhuma", logo, fica bem óbvio que o Universo, que é algo, não pode ter vindo dele- e o ceticismo da parte dos ateus é tanto que se prestam a, por não crer no Pai, creditar "coisa nenhuma"! O fato é que o maior do finito é quase que nada perto do Tudo e o menor do finito é infinitamente maior que o Nada - qual dos dois, portanto, explica melhor a existência das coisas?!

Essa é a Filosofia simples! Trabalhamos com duas palavras e seus sinônimos e chegamos a uma conclusão óbvia, mas que só se torna óbvia depois de muito pensarmos. Se, no começo, entendemos que a Origem do Universo é um ponto pacífico entre ateus e teístas, concluímos a postagem entendendo que a existência de Deus também deve ser um ponto pacífico, de valor inquestionável, sobrando aos céticos apenas a voluntária e incondicional rebeldia contra O Criador. Deus existe, é impossível, segundo a mais pura e simples lógica -e, se você preferir, a mais profunda também-, desacreditá-Lo! Não tem como discutir isso... e, se não tem como fazê-lo, então toda a argumentação ateísta, que depende da inexistência de Deus, cai por terra e torna-se em nada além de falácia, mentira, desonestidade ou ignorância. Não existe Big Bang, nem Evolução, nem nenhum outro trufo ateísta que possa fazer alguma coisa! São o mesmo que nada diante da indiscutível existência de Deus e, sendo ou não fatos, passam a não ser mais originadores do Universo ou da Vida, mas apenas meios pelos quais o Tudo criou o Universo e a Vida em toda a sua variedade!! E, uma vez concebida a existência de Deus -"a existência dAquele que é a própria Existência", dAquele que é "o pai da existência daquilo que existe"-, nenhum meio tem valor decisivo na argumentação, sendo somente uma ferramenta, um mecanismo pelo qual O Criador promoveu um princípio em prol de um determinado fim. Nada mais e nada menos do que isso! O que aconteceu com aquilo que Ele criou também não passa de um meio, planejado ou não, que caminha para determinado fim -para alguns, eternamente benigno-, mas isso tudo é outra discussão, o que nos vale, de momento, pela Filosofia simples, é entender que extinguiu-se o espaço para qualquer pergunta provida de "se" ou "ou", não havendo condição nem alternativa, sendo de valor vital e exclusivo as perguntas "como" e "por quê". Quando resolvemos o começo de tudo, passamos a trabalhar todas as demais questões com base na resposta que primeiramente obtivemos -não se trabalha com o número 100, quando você ainda nem falou o 1! E então, num passo de cada vez, compreendemos o Universo de modo razoável e consistente! Se, no caminho, questões mais específicas se levantarem ou lacunas se evidenciarem, volte aos termos da Filosofia bruta e da Filosofia composta e, se a reflexão se der com base em esforço e honestidade, respostas consistentes ou satisfatórias sempre surgirão.

Natanael Pedro Castoldi, 2012

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