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Jesus Cristo: O Centro da História

-> Apresentação e Índice
Segue um breve texto sobre a singularidade de Cristo. Trata-se de uma reflexão minha publicada no facebook.com no dia 21 de dezembro de 2014. Espero que toque o coração de todos. Boa leitura!

Foi no monoteísmo mais antigo e rígido da história que apareceu um cara afirmando ser Deus e Se sustentando em diversas profecias dos séculos anteriores. Porém esse homem não era louco: Sua sabedoria e perspicácia cativaram os mais simples, mas deixaram as autoridades perplexas - quando um governante romano decidiria fazer perguntas de cunho filosófico para um mero judeu, camponês da Galileia? Ele também não era um mentiroso, pois Sua pregação até hoje é tida como detentora da mais elevada moralidade. Esse homem singular pregava o cumprimento de algo que começara em Gênesis 3:15 - e fazia todo o sentido -, sustentando Suas palavras com feitos extraordinários, realizados de modo incomum: sem o uso de apetrechos, medalhões, soluções ou rituais, e sem recorrer a ninguém além de Si mesmo, simplesmente falando e fazendo as coisas acontecerem - pessoas eram curadas, voltavam da morte, eram alimentadas, a tempestade se acalmava, a água tornava-se caminho sólido para Sua caminhada e até os demônios reconheciam a Sua autoridade. Seu nome foi tão poderosamente reconhecido por todo o mundo, que até pagãos o declamavam, sem conhecimento, em seus exorcismos.

Todos os movimentos de Cristo pareciam ser pensados - Ele sabia exatamente onde tudo iria dar e, por isso, falava com grande coragem e autoridade. Quem, além do Messias prometido, poderia considerar-Se o próprio "Eu Sou"? Nunca ninguém em Israel havia usado esses termos para falar de si mesmo. Quem, além do Messias, poderia citar a Lei, mas revisá-la com base na Sua própria autoridade e testemunho? Quem, além do Ungido, teria a audácia de chamar Iavé de "Paizinho"? Referir-se ao Pai com tamanha intimidade era inaceitável para os judeus, que mal tinham coragem de pronunciar ou escrever o nome de Deus.

Quem foi esse homem que não precisou bajular ninguém para dar início ao movimento mais poderoso de toda a história humana? Que não precisou se colocar como um revolucionário dos pobres, nem um conselheiro dos reis? Que não precisou inflamar o exacerbado nacionalismo judaico e nem curvar-se de modo interesseiro aos invasores romanos? A Sua vida, mensagem, morte e ressurreição eram escândalo para os judeus e os gentios, mas a evidência era forte demais para ser ignorada. O legionário romano precisou curvar-se diante da cruz, reconhecendo que Ele era o Filho de Deus, pois os fundamentos do mundo se abalaram quando "tudo se consumou" e as trevas cobriram a região. E o que aconteceu no terceiro dia, que fez dos discípulos amedrontados e escondidos, os mais corajosos e incansáveis evangelistas de que temos conhecimento, sustentando a verdade inconveniente da Ressurreição até o martírio? Sim, Ele ressuscitou! E nem os judeus e nem os romanos foram capazes de mostrar alguma evidência do contrário. Aqueles que presenciaram Sua morte também declararam Seu retorno - e mais de 500 pessoas O viram de uma única vez.

Quem foi esse homem que dividiu a História? Que em três anos mudou para sempre os alicerces da Civilização? Cujo exemplo e cuja pregação sustentaram as mais significativas revoluções? Quem foi esse homem que ainda hoje é seguido por 2,2 bilhões de pessoas, sendo o centro do livro mais amado - ou odiado - e lido de todos os tempos? Que serviu de base para os mais importantes passos da humanidade nos últimos dois milênios? Mais estudos foram feitos sobre Cristo do que sobre qualquer outro tema! Como já reconheceu o cético: seria necessário um Jesus para inventar Jesus. Ninguém teria uma inteligência tão completa e sublime para criar uma figura tão surpreendente, que até hoje é considerada por muitos como o maior educador, o maior líder, o maior psicólogo, o maior dos sábios e uma das pessoas mais inteligentes que já pisaram na face da Terra. Ele é tão espetacular que evitamos incluí-Lo nas listas das pessoas importantes de nossa história - pois Ele é o próprio centro da História. Como não agir como o ex-ateu, Lew Wallace, que, ao ler o Novo Testamento com o objetivo de destruí-lo, não encontrou opção senão a de se curvar diante da magnitude daquele que realmente é o Salvador do Mundo? E que definitivamente foi elevado aos céus diante dos olhos daqueles que se submeteram às mais terríveis privações e torturas em amor ao Seu nome? Como pode alguém que esteve entre nós há tanto tempo ainda ser considerado como o maior responsável pelas mais significativas mudanças de vida, curas e despertamentos, sejam intelectuais, sejam espirituais, de pessoas do mundo inteiro? Coisas incríveis continuam acontecendo com o simples evocar do Seu nome! A estadia de Cristo entre nós, vindo da Eternidade como Divindade e voltando para lá, foi mais do que uma estrela iluminada na constelação das figuras históricas que mudaram o mundo: Ele foi mais como um cometa, que encheu o céu noturno de luz e que colidiu com a Terra de modo violento e profundo, deixando marcas indeléveis e alterando para sempre a sua configuração. Nenhum lugar desse mundo seria o mesmo sem a Sua presença. E é por isso que eu sou cristão.

Natanael Pedro Castoldi

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Grandes Textos - O Perfeito Precisa Existir, Parte 2

Feitas as devidas introduções na Parte 1, entendo não ser necessário se delongar muito aqui, indo direto ao texto sobre o conceito de perfeição que postei nO Mirante no dia 8 de novembro de 2011 sob o título "O Perfeito". Esse será o terceiro artigo desse blog sobre o tema, demonstrando a importância que dou para essa questão. Espero que o leitor compreenda o seu conteúdo e tire as melhores conclusões possíveis sobre o trabalho.

O Perfeito

É tão bom saber que estou trabalhando com a Verdade e poder, sem receio algum, perambular nesse universo de descobertas, sentindo grande euforia a cada novo pensamento, a cada nova compreensão. Noutro dia cheguei a outro desses pensamentos que, embora muito óbvios e dotados de grande simplicidade, me deixou muito animado, por ter-me sido parcial novidade e facilitado muito sobre as demais questões teológicas.

O cristianismo é, de fato, algo misterioso, não pela estrutura, pelo que diz, mas por ser uma fé tão profunda e, ao mesmo tempo, muito óbvia e simples, por ser uma fonte de sabedoria que nunca termina e, ao mesmo tempo, compreensível para os mais ignorantes e ingênuos. Tudo o que envolve a profundíssima filosofia, reforçada pela ciência inerrante e muito à frente daquilo que hoje temos, torna o cristianismo um tesouro de valor imensurável, concebendo que existe algo circulando entre os seres humanos que, definitivamente, não é obra humana, pois é impossível que algo principiado há quase quatro mil anos e concluído há dois mil seja tão eficaz, tão profundo em tudo o que prega, à ponto de ainda estar acima do nível da capacidade intelectual humana, detendo em suas palavras mais conhecimento do que tudo o que podemos obter com a soma de toda a literatura que nossa humanidade acumula, mais conhecimento e profundidade do que conseguimos angariar com toda a nossa tecnologia e vã filosofia humana. É impossível que o homem de milênios atrás tenha confeccionado algo que até hoje nos surpreende, algo que, embora simples o suficiente para o entendimento infantil, possua conteúdo, possua questões que levam ao espanto os maiores de nossos sábios. Isso é incrível! Ver assim, tão nítida, a ação de Deus em meio à Sua criatura, procurando-a, instruindo-a, zelando com toda a honestidade e amor por sua eterna salvação, é muito animador. Dentre todos os pontos que fazem da fé cristã uma realidade anos-luz à frente de qualquer outra ciência, filosofia e fé, escolhi um em especial para dar seqüência a essa postagem: a perfeição.

Embora algumas religiões antigas, pouquíssimas, tentaram trabalhar explicitamente com alguma forma de conceito de perfeição, nenhuma delas conseguiu conceber uma fração do que realmente representa essa idéia, apresentando, em todas as suas divindades, falhas incorrigíveis de caráter e constituição física. O cristianismo, por outro lado, é muitíssimo diferente de tudo o que existe ao trabalhar com o conceito de perfeito - e fazê-lo com qualidade. "O Perfeito", dentro da fé cristã, é algo que, primeiramente, se deduz com a mera observação do nosso Universo, como você pode ler em "Inescapável", já que, havendo complexidade, poder, intelecto e moral dentro da criação, há de existir um Criador pleno, perfeito em complexidade, poder, intelecto e moral. Esse é o primeiro ponto sobre perfeição que faz da fé cristã algo peculiar, pois ela reflete a inquestionável necessidade do que se observa e experimenta, trabalhando, como se lê no Pentateuco e sua Lei, com um Deus absolutamente perfeito, pleno em toda a santidade, moral, poder, presença, tempo, amor... O Perfeito é necessário dentro do evento da Criação. O perfeito padrão moral de Deus é evidenciado pelas Suas exigências em Êxodo e Levítico, totalmente compreensíveis quando temos O Perfeito querendo habitar entre um povo imperfeito.

Essa qualidade de perfeição, que é a plenitude, o máximo imaginável e inimaginável acerca de tudo o que é bom, totalmente viável para Aquele que simplesmente É -Êxodo 3:14-, parece-me mais um ponto que evidencia o cristianismo como produto direto do pensamento dO Criador, pois o homem, imperfeito, jamais conseguiria produzir, forjar de forma tão coerente e certeira, a idéia dO Perfeito, além do fato de que Deus, sendo perfeito, é mais um incômodo para o homem, imperfeito, do que qualquer outra coisa e é por isso que nossa natureza, imperfeita, tende a desejar pelo imperfeito, nunca pelo perfeito, que repele, e, também por isso, constantemente lutamos contra Deus, querendo, como humanidade, matá-Lo. É tão constrangedor e incômodo para o homem aceitar essa realidade e tomar a iniciativa de se submeter ao Perfeito, que torna-se mais confortável fingir que Ele não existe e ignorá-Lo enquanto há tempo. O homem realmente forjaria algo assim, totalmente avesso à sua imagem profana?! Parece-me impossível. Na próxima vez que você questionar uma atitude tomada por Deus ao ler a Palavra, lembre do fato de Ele ser perfeito e que, simplesmente por isso, você, imperfeito, não tem condições plenas para compreender todas as razões e a natureza do tal ato divino.

O Perfeito. Esse conceito também explica muito sobre o motivo de estarmos nessa situação de evidente depravação. Partindo do ponto de que O Perfeito é o apogeu, o limite infindável, imensurável, de tudo o que é bom, pois o mau independe da ação de vontade intelectual, é apenas o decréscimo daquilo que é benigno, então o entendemos como o 100% e, como máximo, é interminável, infinitamente maior do que qualquer coisa imperfeita, independendo do nível de imperfeição em que se encontre. Entendo que o homem, antes da Queda, era perfeito, mas não na plenitude de tudo, sendo plenamente bom em moral, espírito e corpo, incorruptível, mas não pleno em poder e majestade, pois o homem, assim como os anjos, é criatura, menor do que O Criador, ao contrário dO Pai, O Criador, dO Espírito Santo, eternamente igual ao Pai e dO Filho, que, gerado de Deus, é a Sua plenitude. Assim que o homem desobedeceu ao Senhor, o mero ato de ir contra a Sua vontade, criou-se a imperfeição, pois houve a corrupção - veja bem: o homem genuíno, do Éden, era perfeito em espírito e carne, mas não era perfeito em poder, não podendo ser igual à Deus nessa questão. Não sendo pleno em poder, portanto, ele poderia ser derrubado por algo mais poderoso do que ele, como é um arcanjo caído. Mais sobre isso na postagem "A Razão". Entenda: O Perfeito é infinito, pois é o máximo, além do compreensível, o 100%, irredutível, logo, se surge a imperfeição, mesmo num nível pequeníssimo de, digamos, 0,001%, passamos a ter algo finito, limitado e, pior ainda, redutível, pois a raiz de falha, uma vez que penetrou na natureza caída, pode crescer. Com isso concluímos que até mesmo o 0,01% imperfeito, que parece pouco, é INFINITAMENTE mais depravado do que O Perfeito, simplesmente porque, repito, O Perfeito, sem nenhuma raiz de maldade, é infinitamente bom, pleno, e o imperfeito, com a raiz de corrupção, é finito e, logo, infinitamente pior do que O Perfeito. Por isso você pode entender como o simples ato de desobediência no Éden surtiu efeitos tão catastróficos, já que foi uma queda violentíssima! De uma posição plena, o homem decaiu infinitamente, do infinito para o finito e, com essa semente de caos semeada, passou a decair com o passar o tempo, já que o caos se alastra. É como lançar uma pequena pedra num lago totalmente inerte, dormente, e ver, num segundo, todo o sistema agitando-se e toda a superfície das águas sofrendo o impacto do golpe. Também podemos exemplificar o conceito geral com a figura do círculo, que considero, como perfeccionista, a imagem perfeita, já que não possui início nem fim, sendo infinito, mas, veja bem, se da circunferência for retirado 0,001% do total, ele deixa de ser infinito para tornar-se finito, com um ponto inicial e outro final. Isso quer dizer que ele está infinitamente menor agora do que antes, na plenitude, era.

Isso me parece prova experimentada e observada de que o infinitamente bom, como era o homem original, ou Lúcifer antes de caír, pode, de alguma forma, reduzir-se ao ponto de se tornar finito e, portanto, imperfeito - uma mísera redução é suficiente para que todo o ser mergulhe num mar de lodo, não havendo formação de outra matéria, mas o súbito despencar da plenitude da criatura de uma realidade para a avessa.

Com essa questão de perfeição e imperfeição passamos a entender porque estamos tão distantes de Deus: somos infinitamente piores do que Ele, que é infinitamente perfeito, logo, Ele nos repele e nós O repelimos naturalmente, não podendo, cada um com sua respectiva natureza, habitar o mesmo espaço - 1 Timóteo 6:16; Colossenses 1:21. A diferença entre nós e Ele é tão grande que, se O vermos, estando nós na situação de depravação, certamente morreremos - Êxodo 33:20. Também com base nisso entendemos que nada, NADA, absolutamente NADA do que fizemos com base em nossa infinita imperfeição surtirá algum efeito no aproximar de Deus, já que é impossível conseguirmos atravessar, por nossas próprias e infinitamente imperfeitas forças, o mar de infinita imperfeição que nos separa dO Criador. Nenhum homem, por mais bondoso que seja, deixará de ser infinitamente imperfeito por conta própria e nisso todos os humanos naturalmente se equivalem, o bom menino é tão infinitamente corrompido quanto uma prostituta, sua realidade espiritual não é em nada diferente, se partirmos do ponto de que ambos estão infinitamente distantes dO Perfeito Deus. Espiritualmente o homem, caído, é igual aos demônios: totalmente, infinitamente, distante e avesso ao Pai e, exatamente por isso, se continuar nessa situação, padecerá da mesma condenação infernal reservada para os tais anjos caídos. É aqui que entra a necessidade da Graça divina, já que todo o esforço humano, imperfeito, é incapaz de levá-lo um milímetro mais perto do infinitamente distante Criador. Na Graça é Deus, O Perfeito, que vai até o homem e oferece-lhe uma solução, uma maneira de ser achado perfeito diante dEle, oferecendo a autoridade e santidade do sangue e do nome de Seu santíssimo Filho, para lavar-nos de nossas impurezas e representar-nos diante do Seu tribunal - Gálatas 2:16.

É na morte sacrifical de Cristo que temos outra necessidade dO Perfeito. Como O Perfeito é infinitamente melhor do que o imperfeito, apenas com outra perfeição é que pode-se resolver o problema, atravessar o infinito mar de imperfeição - somente O Perfeito pode cobrir o imperfeito, somente O Perfeito pode chegar-se ao Perfeito! Com a Queda, Deus procurou uma solução provisória para o infinitamente vasto problema humano, solução essa que era mais didática e profética do que efetiva. Deus é plenamente, perfeitamente, justo e, sabendo que, sem Ele, O Perfeito, que cria e mantém a Vida - ao contrário do imperfeito, do caos -, somente há morte -Romanos 3:23-, haveria de matar o homem pela sua infinitamente insuportável corrupção, pelo seu adentrar em trevas palpáveis de tão densas, totalmente opostas a radiante Luz onde O Pai habita -1 João 2:8. Mas Deus, além de justo -Salmos 7:9-, é amor -1 João 4:16- portanto, assim que o homem caiu, logo tratou de iniciar o processo para a vinda dO Messias e, nesse meio tempo, principiando com Abel, pôs em andamento o sistema sacrificial que se encorpou no Êxodo hebraico, no qual o pecador, após cometer iniquidade, deveria oferecer o sangue de um macho imaculado, perfeito, sendo o sangue a representação da vida e seu derramar, da morte - o pecado cobrava seu salário mortal sendo expiado, propiciado na carne de animais, Levítico 17:11, 22:19-20.

A justiça de Deus saciaria-se plenamente com a aniquilação completa da humanidade, que não seria liberta do pecado, da imperfeição, mas tornar-se-ia menos que pó, mas o amor dO Pai, também pleno, O fez trabalhar de outra forma, equilibrando justiça e amor numa medida perfeita, assim como Ele o é: ao invés de aniquilar completamente o homem, Deus apoiou-se na única alternativa, que era a morte de um homem perfeito, imaculado, cuja perfeição pudesse fazer a humanidade regressar novamente à sua situação original. O problema é que esse tal "homem perfeito" é impossível dentro de uma humanidade imperfeita, de filhos imperfeitos vindos de pais imperfeitos, cujo pecado, cuja a infinita depravação da alma, tornou-se parte da sua natureza, da sua herança. Esse homem perfeito, igual à Deus, a, como humano, derramar seu sangue perfeito em nome da humanidade, deveria ter origem no único lugar perfeito de que temos ciência: o Céu dos Céus -Salmos 33:13 e 14, 113:5-, onde Deus se assenta em Seu trono e, ao mesmo tempo, ter parte com a humanidade, nascer da humanidade, para, sendo pleno humano, porém perfeito, numa situação igual à de Adão quando fora criado -parte vinda do pó e parte vinda diretamente de Deus-, se encontrar apto para reiniciar a humanidade, reinserir a perfeição no homem, libertando-o do pecado, da imperfeição. O Espírito de Deus, então, gerou no ventre de uma mulher exemplar, certamente grande serva dO Pai, o prometido Messias que, tendo Deus como genitor, não herdou a maldição de Adão - Jesus foi filho de Deus, não de Adão, por isso sua "genética" espiritual era perfeita e imaculada. O homem comum seria um sacrifício imperfeito para aniquilar o pecado, mas o Homem do Céu não, já que nasceu sem pecado e nunca experimentou da Queda, ao contrário de Adão.

Na postagem "O Príncipe dos Exércitos" eu falo algo acerca do sacrifício perfeito de Cristo que repetirei, noutras palavras, aqui. Jesus, sem ter permitido penetrar em sua vida nenhum dardo inflamado do Maligno, era perfeitamente, infinitamente bom, perfeito como o era Adão antes da Queda. Nesse momento O Filho estava representando a plenitude da humanidade, por isso foi perfeito segundo a perfeição permitida às criaturas, que são menores do que O Criador, abrindo mão do pleno poder, que, como gerado de Deus, possuía no Céu - Filipenses 2:7. Esvaziando-se de si mesmo, Jesus tornou-se o "segundo Adão", perfeito em espírito e em moral. Como O Perfeito em carne humana, teve infinita matéria perfeita para despejar na cruz, quando o Seu sangue foi derramado, e, portanto, o Seu sacrifício, partindo do ponto de que Ele era - e é- infinitamente puro, pôde cobrir, sem reduzir-se em nada, toda a podridão da humanidade, já que o perfeito é interminável e o imperfeito é finito. É por isso que o sacrifício de Cristo foi derradeiro, sendo infinitamente bom e, portanto, suficiente para cobrir todos os pecados desse mundo em todos os tempos -João 1:29. Adão principiou a humanidade ímpia, Cristo, o "segundo Adão", inaugurou a humanidade justa, começando-a como o seu primeiro representante e oferecendo o Seu sacrifício como pagamento por todos quantos o aceitarem - Romanos 10:9. Jesus foi o ponto culminante daquilo que começou no princípio do Êxodo, quando o sangue de um cordeiro perfeito salvou os hebreus da morte e libertou-os da escravidão egípcia, sendo essa a primeira Páscoa -Êxodo 12:3-12, 42-, pois O Filho, também na Páscoa, ofereceu-Se como cordeiro imaculado para o sacrifício cujo sangue libertaria o Seu povo, que, dessa vez, cumprindo a Aliança Abraâmica -Gênesis 12:1-3-, trata-se de toda a humanidade -João 3:16. Cristo foi como o cordeiro que substituiu Isaque no altar do sacrifício -Gênesis 22:8 e 13. Lucas 22:19-20 deixa claro que a Nova Aliança foi selada pelo sangue de Jesus e Hebreus 7:25-28 explica a necessidade do sacrifício de Cristo de modo semelhante ao que você aqui leu. Atos 4:12 conclui muito bem a questão acerca da inescapável necessidade dO Filho para a salvação, sendo Ele o único Perfeito apto para, vindo ao mundo, construir, com base em Sua perfeição, uma ponte até O Perfeito, que é Deus.

Durante o momento do sacrifício dO Filho em carne humana, Ele tornou-se um cordeiro maculado, pois, assim como o cordeiro de sacrifício deixa de ser perfeito quando recebe o golpe de faca do sacerdote, O Filho deixou de sê-lo quando encheu-se do pecado, das imperfeições humanas, mas, no momento em que isso aconteceu, a purificação do mundo já havia sido consumada - Isaías 53:4-11; 2 Coríntios 5:21. Quando O Filho tornou-se abominação, tornou-se pecado, então O Pai já não mais podia estar perto dEle -Mateus 27:46. Instantes antes da morte, Cristo disse: "Está consumado", -João 19:30- pois, morrendo, o sacrifício perfeito, profetizado por milênios, finalmente havia sido concluído. Na seqüência, Cristo desceu e sepultou todos os pecados humanos que haviam caído sobre Ele no Hades -1 Pedro 3:19; Atos 2:31. Porém, de todos, o evento mais importante foi a Sua ressurreição, em corpo e em espírito, quando saiu do sepulcro no terceiro dia em glória -Lucas 24:6-7. Aconteceu com Cristo exatamente o que deve acontecer conosco, ou melhor, o que passou a acontecer desde de então: Ele morreu como pecado, com o nosso pecado, e, ressuscitando por intermédio do Espírito -Romanos 8:11-, revigorou-Se novamente em perfeição. É exatamente esse o traço fundamental da Nova Aliança no sangue de Cristo, pois você crucifica a tua iniquidade e teu "velho homem", nascido da carne humana e herdeiro da morte eterna, juntamente com Jesus e, morrendo como Ele morreu, não fisicamente, pois Ele o fez por nós, mas espiritualmente, utilizando-se da porta que Ele nos abriu, renasce pelo Espírito Santo e torna-se uma nova criatura, -João 3:6-7-, mas, dessa vez, gerada por Deus. Você "morre" como pecado e nasce novamente como filho de Deus, agora de "genética" espiritual coerente com Ele. Vide Romanos 6:5-11:

"Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado.
Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor."

A ressurreição de Cristo também tem o valor descrito acima: Ele voltou de uma situação de morte para a vida, ou seja, Ele venceu a morte, aniquilou o seu poder, destronou-a nesse mundo -João 16:33. Sobre a questão do "novo nascimento" e quebra do domínio do pecado, da imperfeição, sobre nós, pode-se levantar a seguinte questão: "então, quando cristãos, nos tornamos perfeitos?" Pareceria insano dizer que sou um cara perfeito porque nasci em Cristo e, de fato, é, pois não sou perfeito e isso é evidente, já que volta e meia entristeço o meu Senhor. Existe, porém, uma coisa que aconteceu com Cristo, mas que não aconteceu conosco: Seu corpo, juntamente com o Seu espírito, venceu a morte. Para nós isso só pode acontecer com o espírito, pois apenas o espírito do velho homem morre para ser renascido no Espírito Santo e tornar-se a Sua habitação, nenhum ser humano experimentou a morte do corpo e um novo nascimento físico, dotado de uma nova "biologia", apenas Cristo o experimentou. Esse é o grande diferencial, pois, embora nosso espírito, renascido e santificado pelo Espírito Santo, possa ser encontrado perfeito perante Deus, nossa carne não mudou em nada, pelo contrário, continua sendo como antes era, minada de desejos bestiais, de anseios por prazer, almejando, constantemente, a nossa morte eterna. Aconteceu com Jesus algo mais, já que Ele ressuscitou também em carne, essa que, após vencer a morte e distanciar-se dos anseios carnais, é perfeita e imaculada. Romanos 7:14-25 deixa bem clara essa realidade: enquanto os membros de nosso corpo carnal respeitam apenas uma lei, a do pecado, o nosso espírito, renascido com O Espírito Santo, continua perfeito nEle.

Embora essa possa parecer uma realidade cômoda, levando, quem sabe, alguns a pensarem que, dessa forma, o pecado pode ser praticado para saciar a carne sem medo, pois o espírito continuará puro, a Bíblia, juntamente com a lógica, nos mostram outra verdade e é por isso que existem dezenas de passagens bíblicas exortando para sufocarmos o máximo possível a nossa carne -Colossenses 3:5-15-, afim de evitarmos que o pecado, a imperfeição, atue novamente em nós da maneira como atuava nos dias da ignorância e penetre novamente em nosso espírito -Mateus 6:22-23, 18:9-, obrigando a retirada do Espírito Santo e, por fim, culminando na perda daquilo que fora adquirido com o novo nascimento em Cristo, uma vez que esse "novo nascimento" não veio acompanhado de perseverança -1 Pedro 2:11- e permitiu-se aniquilar pelo retorno do "velho homem" -Hebreus 6:4-6, 10:26-27; 2 Pedro 1:5-10 e 2:13-15, 20-22. Não podemos esquecer que Deus é um ser racional e relacional, por isso Ele sempre valorizará grandemente as nossas iniciativas de agradá-Lo, buscando estar com Ele. Quem vive em pecado voluntário está dizendo, voluntariamente, que despreza Deus e que prefere servir à sua carne, isso é o mesmo que negar o Espírito Santo e, como o cristianismo se baseia na opção individual, esse desejo será cumprido e, então, nosso corpo e espírito será lançado para sua própria sorte e destruição - Marcos 3:29; Romanos 1:23-24. Aqui entra a ideia expressa no Êxodo, quando Moisés vai ter várias vezes com o faraó: até a Sexta Praga o faraó endurece o seu coração por vontade própria, mas, depois dela, Deus é quem passa a endurecê-lo, dizendo algo como: "você não quer me ouvir? Que seja feita a tua plena vontade". Isso tudo é muito simples: devemos buscar a perfeição de Cristo, a santidade do Seu caráter, isso por intermédio do Espírito Santo, simplesmente porque Deus é perfeito e santo, querer e fazer o oposto é o mesmo que rejeitar Deus - 1 Pedro 1:16.

Outra questão que nos faz perfeitos diante de Deus, mesmo não o sendo, está no privilégio de nos tornarmos seguidores de Cristo. O Filho nos comprou com o Seu sangue -1 Coríntios 6:20-, por isso somos dEle, e a vida dEle se desenvolve através de nós -2 Coríntios 3:2-3-, logo é Ele quem responde em nosso lugar -1 João 2:1-, é Ele quem nos representa diante de Deus -Romanos 8:34-, é Ele quem é O Perfeito que agrada a Deus e somente aceitando receber a Sua marca, a marca do Seu sangue sobre nós, deixando-O reinar em nossas vidas, é que seremos agradáveis ao Pai, pois a imagem de Cristo em nós cobrirá a nossa imperfeição. O perfeito nome de Cristo -Filipenses 2:9-, oferecido a nós, torna-nos, diante dO Criador, perfeitos -1 Coríntios 6:11; Colossenses 3:17. Todavia, a perfeição plena somente nos sobrevirá, de fato, no dia em que formos arrebatados com Cristo, tendo nossos corpos carnais ressuscitados e renascidos na nova "biologia" inserida por Jesus no dia em que Ele ressurgiu, daí sim seremos novamente infinitamente puros física e espiritualmente, tendo a nossa carne herdada de Adão já derrubada em definitivo e substituída pela carne herdada de Cristo, esta que não mais clamará pelo Mal, do qual ela não terá conhecimento, já que nenhuma raiz de maldade haverá nela - 1 Tessalonicenses 4:17 -, então, finalmente, poderemos estar junto com Deus de forma plena e pela eternidade!

Para finalizar meu raciocínio sobre perfeição, vou aplicá-lo de forma breve noutro conceito nebuloso do cristianismo: a Trindade. Muitos não entendem como Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo -Mateus 28:19- podem ser três pessoas e, ao mesmo tempo, um só Deus. Ora, com base no que já foi pensado, é muito simples entender esse conceito: Pai, Filho e Espírito Santo são iguais na essência, pois O Pai, eterno, é perfeito porque assim o é; O Espírito Santo é, pelo que se sabe, coeterno com O Pai, sendo o próprio Espírito de Deus -Gênesis 1:2-, logo, é igual ao Deus Pai; e O Filho, que parece ter sido gerado dO Pai, é 100% igual à Ele em natureza, pois herdou dEle tudo o que Ele é -João 14:6-11. As Três Pessoas da Trindade são perfeitas em toda a plenitude das coisas, dos atributos, nenhuma possui menor medida do que a outra, apenas há uma subordinação hierárquica, jamais de valor ou poder, entre elas, sendo O Pai o supremo Deus, O Filho gerado para a glória de Deus -João 14:13- e O Espírito Santo a mover-se para a glória dO Pai e o anúncio dO Filho -João 14:16-18. Sendo as três pessoas perfeitas em toda a plenitude, infinitamente boas, então o pensamento de qualquer uma delas é exatamente o mesmo pensamento das outras duas, a vontade de uma delas é igual à vontade das outras, pois concordam em tudo, já que a perfeição não é multiforme, mas somente pode se apresentar de um modo, o "Modo Perfeito". Trata-se, basicamente, de um reino comandado por três reis, tais trabalhando sempre em parceria e concordância e dando a resposta não individualmente, mas na pessoa que os três, unidos, constituem - no caso em questão, os três reis são perfeitos e, por isso, nunca divergem de opinião ou vontade, representado na pessoa dos três um só Deus.

"O Perfeito", esse, de fato, é um conceito fundamental e exclusivo do cristianismo, necessário para se entender a razão de as coisas serem como são, necessário para se conceber importantíssimos fundamentos bíblicos, necessário para se compreender o tamanho de nossa depravação e a inescapável necessidade do auxílio, ou melhor, da obra de Deus para a nossa salvação. Sem mais muito o que dizer, espero que você mesmo reflita e amplie esse artigo, lembrando-se de Colossenses 1:26-27:

"O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; e para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente."

Natanael Pedro Castoldi, 2011

Leia também:

Grandes Textos - O Perfeito Precisa Existir, Parte 1

-> Apresentação e Índice
-> Grandes Textos Para Grandes Temas - Introdução e Índice
-> Grandes Textos - O Perfeito Precisa Existir, Parte 2
-> A Simplicidade do Cristianismo - 4: O Perfeito Existe?
O homem sempre trabalhou com conceitos absolutos: luz e trevas, frio e calor, vida e morte, certo e errado, perfeito e imperfeito. Onde há homem, há alguma forma de crença numa realidade perfeita, mesmo que as sociedades mais primitivas não consigam expressar de modo adequado o que compreendem como "perfeição". No mais íntimo do ser humano existe, quer compreenda quer não, um conceito de "perfeito". Os filósofos gregos viam a perfeição nos astros, que alegavam ser perfeitamente esféricos, com superfícies lisas e destinados a cursar caminhos perfeitamente circulares - para eles, a ideia do "círculo" emanava "perfeição". Muitos desses filósofos também acreditavam que esse universo em formato perfeito era eterno, imutável, suficiente em si mesmo. Algumas concepções mais primitivas, e igualmente erradas, direcionavam os absolutos para divindades humanoides, quer híbridas, quer não: cada desejo ou sensação humana tinha sua fonte numa suposta divindade que literalmente encarnava-o, sendo o absoluto do desejo ou da sensação específica (Afrodite para o sexo, Ares para a guerra, Dionísio para a música, a gastronomia e o prazer). Posteriormente desenvolveu-se, sobretudo entre os gnósticos, a ideia de que o corpo material é podre, desprovido de qualquer benefício, enquanto o corpo espiritual é sempre pleno e perfeito. Seja como for, os absolutos sempre fizeram parte do ser humano, e isso é algo que nos diferencia dos animais. Independentemente da via, toda a forma de compreensão absoluta, coerente ou não, revela algo sobre a natureza divina.

O ideia de que existem absolutos no universo, especialmente o absoluto de benigno, que é o "Perfeito", parece não ter uma origem no mundo natural. A ideia dos absolutos é fruto único da mente racional e observadora, espantada com a assombrosa vastidão e precisão do mundo material em todas as escalas e cenários: tudo, do olho que observa, do cérebro que traduz, ao objeto observado, do grão de areia ao grande pinheiro, é indescritivelmente maravilhoso. A ideia dos absolutos é fruto da mente racional capaz de planejar uma sociedade e seu futuro: aquilo que a experiência mostra ser importante para a sobrevivência é considerado "bom" e aquilo que se evidencia malévolo é tido como "mau", tudo concebido pela compreensão do mundo, o apelo instintivo e genético, pela consciência moral (que Deus incutiu no homem para facilitar o processo de aprendizado em prol da sobrevivência) e pela experiência. Diante da morte e do perigo, imediatamente se estabelece o absoluto, havendo uma clara distinção entre o saudável e o ruim. Com base nisso, tendo o apelo psicológico e genético pela eternidade e satisfação, o homem passa a desejar o Bem Pleno e a repudiar aquilo que prejudica. Esse Bem Pleno sempre foi procurado através da excelência humana ("só posso atingir o Pleno se eu mesmo for pleno" - pensamento real, embora incoerente), através de uma arquitetura colossal e profundamente trabalhada em templos, através de montanhas de sacrifícios, através da excelência física e militar, através da excelência intelectual ou, ainda, através do avanço tecnológico. Até hoje o homem vive procurando o Pleno, com ênfase nos desenvolvimentos tecnológicos (quer afastar a morte, a doença e tudo o que é "mau"). Desenvolvimento tecnológico, intelectual, arquitetônico e físico é mais do que algo instintivo e filho da natureza, está muito além do necessário para a sobrevivência - tudo isso se deve basicamente à uma insatisfação psicológica, genética e espiritual, que transpassa as barreiras do imediatismo bestial e leva o homem para além das fronteiras da barbárie: o conceito de absolutos, culminando no Bem Supremo e na necessidade de se atingir esse Bem, afastando o Mal, é a engrenagem mais poderosa que movimenta o homem na história.

O homem só procura o que sabe que perdeu e só lembra do sabor daquilo que já experimentou. A percepção dos absolutos, que movimenta o homem desde seus tempos mais primevos, parece indicar que já estivemos no Paraíso que tanto procuramos, que já experimentamos a Plenitude que tanto almejamos reencontrar. Se no mundo que o homem pode tocar não existe nenhum traço de perfeição, então de onde veio o nossa sede pelo Perfeito? As mais antigas histórias, as mais primitivas cosmogonias, falam de homens que, nos primeiros dias, estavam mais perto das divindades, experimentando ininterruptamente a plenitude delas, isso antes da necessidades dos templos e sacrifícios. Esse desejo é uma memória universal. A insatisfação com a ideia de "somente sobreviver", procurando o Pleno, indica uma real experiência do homem com o Perfeito. O homem já experimentou o "fruto da eternidade" e ainda se lembra do seu sabor, seguindo sempre desacostumado e apavorado com a morte. A ideia do Pleno, seja conforme pensavam alguns filósofos gregos sobre a perfeição imanente no universo, seja conforme pensam muitos em nossos dias sobre a possibilidade de atingirmos um ideal de humanidade, apenas refletem aspectos de uma realidade inquestionável e extremamente importante para o nosso desenvolvimento. Essas não são verdades em si mesmas, mas apontam para aquilo que é verdadeiro, que existe em nós para além de qualquer fonte natural, que brota da eternidade, fazendo-nos desejá-la; que brota da perfeição, fazendo-nos almejá-la. Qualquer um que sabe distinguir aquilo que é "certo e errado", que teme a morte, que crê, mesmo que utopicamente, na possibilidade de plenitude para o homem, qualquer um que luta sinceramente por um "mundo melhor", qualquer um que deposita a esperança nalguma divindade ou nos avanços tecnológicos para burlar aquilo que, em nosso mundo e natureza, é maléfico, respira, das raízes daquilo que define o ser humano, das memórias mais ancestrais, o conceito de absolutos e, portanto, de Plenitude, de Perfeição. Está fixado, querendo ou não, na verdade que sustenta nosso universo, que atribui beleza à existência, que dá sentido para a vida - e todos aqueles que fogem dessa norma frequentemente apresentam quadros de deficiência psicológica. O próprio conceito de que existe "deficiência" aponta para os absolutos.

O homem é um ser projetado para ver a beleza (e produzi-la), em oposição ao que é feio; a ordem, em oposição ao que é desordenado; a vida em oposição ao que é morto. E todo o homem, querendo ou não, fixa os pés naquilo que considera rocha sólida para sustentar sua vida: algo que encarne o Pleno Bem - seja o mundo natural, uma figura divina ou uma esperança tecnológica. Não conseguimos viver sem o Pleno Bem. E o Pleno Bem está além da comida para sobreviver, da roupa para vestir e do parceiro para ter filhos. O Pleno Bem movimenta a humanidade, porque possibilita o sacrifício: parece válido sofrer voluntaria e racionalmente (burlando o instinto imediato) em prol de uma causa Plena - é como sofrer numa escalada severa, sabendo que no topo da montanha haverá um gordo bosque, com benefícios suficientemente grandes para valer o risco e o sacrifício. Esse tipo de iniciativa não existe, para além do instinto, num mundo natural. É nesse tipo de iniciativa que reside o heroísmo - é impossível imaginar que alguns dos vários inventores que morreram experimentando suas obras o tenham feito apenas por renome, sem paixão.

O homem quer mais. Ele quer fama, recursos, ele quer, coletiva ou individualmente, encontrar o Pleno, o Paraíso. Num certo sentido, essa busca apaixonada e incontrolável, embora racional e voluntária, pelo Pleno, pelo que aparentemente já foi experimentado, mas hoje está perdido, parece ser fruto direto de uma Existência Plena, do Perfeito. Se existe o Perfeito, tendo como prova não a própria Perfeição, que é incompatível com nosso mundo universalmente reconhecido como imperfeito, mas o nosso próprio desejo se encontrá-lo (a bússola só aponta para o Pólo Norte porque ele existe), então existe Deus. O Perfeito é Deus. E como Deus é Perfeito e está fora de tudo o que existe além dEle, a Sua revelação para o homem não pode ser absoluta enquanto o imperfeito imperar: simplesmente não há espaço, tempo ou qualquer outra condição em nossa realidade material para suportar uma revelação total do Perfeito. Esse é o primeiro ponto. A segunda dificuldade está no fato de que o próprio homem, que já não é mais perfeito, é incapaz de interpretar Deus corretamente, plenamente, atribuindo divindade ao que não é divino, nutrindo esperança de plenitude naquilo que nunca poderá ser pleno. Esse desencontro gera toda a espécie de distorção da verdade na qual todos direta ou indiretamente estão fixados, que todos direta ou indiretamente respiram.

Seja o que for, seja como for, não importa o que se pense ou deixe de pensar, a Perfeição é Deus e, se facilitar, podemos chamar Deus de "O Perfeito". Existindo perfeição, existe O Perfeito, seja num lugar, seja numa pessoa, seja numa natureza. Esse Perfeito, logo, é a fonte de todo o desejo humano histórico, genético, psicológico e espiritual pela plenitude, em qualquer sentido que seja. É dEle que brotam todos os desejos de plenitude, que estão acima da natureza comum, e é para Ele que se direcionam todos eles. A única coisa que muda é o objeto valorizado: o mundo, a tecnologia, a divindade espiritual... havendo concordância universal na possibilidade de retorno ao ideal, o Certo, ao Paraíso, à Plenitude, à imortalidade, ao que já experimentamos, ao que desejamos, ao que ardentemente almejamos e pelo que estamos sempre enlutados, relembrando amargamente a sua perda. 

A Verdade só pode ser uma e todos estão vivendo-a, mesmo sem perceber, pois tudo o que existe está dentro dela, e não existe ninguém que a compreenda em sua plenitude. O que diferencia os homens dos animais é a consciência de que tal Verdade existe e o que diferencia os homens entre si é a interpretação dessa Verdade, a perspectiva pela qual cada um a observa. Não existe homem psicologicamente saudável que esteja fora disso. Sem isso não existe beleza, não existe paixão, não existe sentido, não existe humanidade! Lutar contra isso é atentar contra toda a razão e bom senso, contra a sobrevivência, é dinamitar tudo o que está sendo construído nas estruturas históricas, genéticas, espirituais e psicológicas desde que o homem brotou da terra. Toda a poesia e música, todo o romance, toda a pincelada no quadro ou o toque na lira, todo o mármore escupido, o cabelo tingido, a unha pintada, a pele tatuada, tudo o que de nós está fora do que chamamos de "mundo natural", é resultado disso. E se a obra do homem, como artista, é fruto do Perfeito, então o próprio homem é fruto de um artista, que é o próprio Perfeito, o fruto de nosso senso de perfeição. Ou poderia vir um apreciador de arte de algo que não fosse a própria Arte? Um apreciador de beleza de algo que não fosse a própria Beleza? O detentor de um assombrosamente maravilhoso organismo, de algo que não seja um Grande Engenheiro? De onde viriam as complexidades e as apreciações, se não existisse o definidor do que deve ser valorizado e o objeto primeiro de apreço? Se valorizamos o belo e isso está além do mundo natural, então somos fruto da Beleza, que quer ser percebida e valorizada por nós, mesmo que através de Sua revelação naquilo que brota da terra e desponta no céu. Tudo o que de benéfico somos e sentimos, assim como a própria natureza, é fruto de um absoluto respectivo e esse absoluto se encontra no Perfeito.

Nesse sentido, e isso fica claro, até mesmo a luta contra a existência desse Perfeito possui raízes e só existe porque existe esse mesmo Perfeito. Se existe alguém fazendo algo para, aos seus olhos, tornar "o mundo melhor", se existe alguém demonstrando paixão nalguma militância, transpassando os limites do instinto natural e fazendo uso de recursos dotados de beleza e complexidade, se existe alguém militando em prol de um avanço humano pra a plenitude, então existe o Perfeito e, logo, é através daquilo que fazem para destruí-Lo, e da forma como o fazem, que provam que o Perfeito, Absoluto do Benigno, existe. Tudo e todos, sempre, começando pelo simples fato da existência, provam que Ele existe. No artigo "A Caverna", é dito que qualquer coisa que exista para além do Vazio Absoluto é prova mais do que suficiente de que o Criador existe, aqui afirmo que qualquer compreensão intelectual humana é evidência de uma Mente Superior e que qualquer senso de absoluto é evidência de que existe O Perfeito. Somos "imagem e semelhança de Deus" também porque pensamos! O ato de pensar é exercício divino, que não encontra raízes na natureza e que se faz presente em nós como broto do Eterno; o ato de pensar, por si só, é uma evidência de que existe o Pensamento Eterno. Através do pensamento Deus se fez encontrável, desejável, reconhecível, identificável. Todo o homem, todo o ser pensante, pelo simples ato de pensar, já recebeu de Deus todos os subsídios necessários para encontrá-Lo e aceitá-Lo. Ninguém é inculpável. O Deus Perfeito, o Pleno, revelou-se a todos através da natureza, dos absolutos morais e do simples ato de raciocinar.

O Deus Perfeito revelou-se ao homem em matéria natural e elemento mental, semeou Sua vontade em histórias por todas as culturas, selecionou um povo específico para se apresentar mais profundamente e, por fim, fez-se carne e, como ser perfeito, habitou entre os homens imperfeitos, fazendo evidente a realidade da Perfeição que o homem sempre procurou sem nunca ter encontrado. Tal perfeição, outrora inatingível, pois o homem entendia que precisa ser pleno para alcançar a plenitude (uma incoerência), fez-se tangível através de Jesus, do próprio Deus Perfeito se esvaziando e vindo ao imperfeito, criando a ponte entre a perfeição e a imperfeição. Em Cristo o homem encontrou uma evidência por observação e experimento, para além dos desejos da alma, de que o Perfeito existe e É. De Deus brotaram todas as iniciativas humanas pela busca do Pleno Bem e para Cristo, o Deus Filho, todas elas convergiram, bastando o reconhecimento humano dessa realidade. É por isso que a Boa Nova é fácil de entender e aceitar para qualquer povo, de qualquer cultura, de qualquer período histórico: responde aos anseios mais primitivos, mais profundos, mais ardentes do homem, anseios esses que as excelências humanas jamais conseguiram suprir adequadamente. O homem de todas as terras reconhece que o Perfeito existe e que está numa condição de imperfeição. O homem de todas as terras é capaz de encontrar na Boa Nova os motivos dessa imperfeição e a via, construída por Deus, para reencontrar o seu verdadeiro eu, o solo propício para o germinar da semente da eternidade, que luta contra a morte e procura a Plenitude, que não suporta as condições da existência em nosso mundo no seu atual estado. Em Cristo o universal senso de absolutos ganha seu verdadeiro sentido e interpretação, as coisas são colocadas nos seus devidos lugares e a nossa incapacidade de interpretar corretamente o Divino é, num dado nível, contornada, já que recebemos do Filho o legado de Sua própria interpretação do Pai. Diante da dificuldade humana em atingir o Pleno, o humanidade tem se dividido em três grupos: o daqueles que se esforçam em negar a existência do Pleno (embora O procurem), o daqueles que procuram o Pleno em religiões e filosofias (interpretações incompletas do Todo) e o daqueles que em Cristo, o Perfeito Encarnado, depositam as suas vidas.

O Perfeito existe, deixou Sua marca dentro de todos os homens e Se revelou pessoalmente ao mundo. Não há como fugir dEle, tanto que o fato de eu estar escrevendo e você lendo (e refletindo), já é evidência mais do que suficiente da Sua existência.

Natanael Pedro Castoldi

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- O Perfeito
- Filosofia Simples

Grandes Textos Para Grandes Temas - Introdução e Índice

Embora a proposta do EOMEAB seja transmitir o conhecimento apologético de modo breve e fácil, achei que seria desperdício não aproveitar esse veículo para publicar alguns de meus textos mais antigos sobre temas relevantes da teologia, muitos deles escritos nos tempos do seminário, como fruto das reflexões imediatas e das conversas e debates. Esses textos vieram como resultado de questões que vinha pensando com mais cuidado desde 2010 e serviram como base para os trabalhos aqui publicados sob o título de "A Simplicidade do Cristianismo". Todos os trabalhos dessa série, escritos entre 2011 e 2012, receberão a marca "Grandes Textos" antes do título específico, para que o leitor saiba mais rapidamente que se trata de uma obra mais longa. Uma outra observação interessante: os textos publicados são resultado direto de eventos e necessidades de minha vida, de modo que suas introduções poderão causar estranheza, já que apontam para eventos e circunstâncias de difícil entendimento - eu tinha o meu primeiro blog quase como um diário de teologia, filosofia, ciência, psicologia e outras questões, já que depositava nele, sem pensar muito, tudo o que de melhor me vinha. Espero que o leitor goste.

Os "grandes textos" abordarão temas variados, como a existência de Deus, a origem do Mal, o juízo de Deus, atributos divinos e sobre a natureza do cristianismo.

- A Origem do Mal
As Fontes de Deus
- A Existência de Deus
- Deus Existe
- O Perfeito Precisa Existir, 1
- O Perfeito Precisa Existir, 2
O Deus Misterioso
Sinto, Logo Deus Existe
O Isolamento de Deus e a Descrença
A Veracidade do Novo Testamento
- O Deus Evidente
- O Amor Cristão

Natanael Pedro Castoldi

Paradigmas

"Paradigma" se resume no sistema de princípios e ideias que serve para orientar a busca de conhecimento do indivíduo, como um mapa, dizendo-lhe no que acreditar, o que questionar e como obter as respostas para as suas dúvidas. Em todas as esferas do conhecimento humano e em todo o tipo de cultura e ideologia, há um paradigma dominante, que supera e inibe novas percepções ou teorias - na maioria dos casos, o paradigma ensina o indivíduo a questionar todas as ideologias e percepções que entrem em desacordo com o consenso, mas quase nunca o estimula a verificar a razoabilidade do próprio paradigma, como se o mesmo fosse uma inquestionável e irredutível verdade. O fato é que o paradigma, quase sempre, exclui, deturpa ou censura a ameaça, a verdade que o denigre ou ofende, militando por um comportamento de mente-fechada, de andar tendencioso e parcial, não exortando para uma busca sincera pela Verdade, seja ela inconveniente ou não, mas predefinindo o que é "verdadeiro" e conveniente e, através da meta, do fim, forçar os meios, as formas, impondo viseiras, rédeas, cordas e correntes, levando ao andar por uma trilha cercada de paredões intransponíveis, que obrigam o indivíduo a seguir do modo desejado e para onde o "paradigma" quer que ele vá.

Alguns exemplos de paradigmas são: a Teoria da Evolução, nos ramos científicos, o marxismo, nas ciências sociais do mundo acadêmico, o "Politicamente Correto", nas veredas morais, a tradição católica (um mapa definido pela História), a teologia reformada (especialmente a questão da Predestinação) e o movimento pentecostal (o "falar em Línguas", por exemplo), nos átrios da Igreja. É claro que "Paradigma" não é, necessariamente, algo ruim, uma vez que padrões de conduta, métodos de busca e cercados ideológicos, podem ser obtidos através da tentativa e erro ou com base em experiências iniciais fortíssimas e inquestionáveis, de modo que o mapa serve para se evitar a falta e o sofrimento, porém a abertura para o questionamento e a análise deve ser dada, sem culminar em exclusão, a todos os pensadores, a todos os seres humanos, uma vez que aquilo que os antigos definiram pode ter sido fruto de noções e perspectivas do momento; uma vez que as experiências espirituais podem ter como base apenas a ação do Espírito Santo de determinado modo em um indivíduo específico e uma vez que determinadas teologias podem ter como base o histórico de vida do teólogo e o seu contexto cultural e histórico. É igualmente sabido que teorias naturalistas podem ter se fundamentado no desconhecimento de determinado período histórico e bandeiras políticas podem ter sido hasteadas mediante períodos de desordenada transição - é reconhecido que o início da Revolução Industrial, por exemplo, foi caótico, pois houve uma explosão populacional, grande êxodo rural e um misto da mentalidade do antigo sistema econômico com o novo, coisa que, em um punhado de décadas, foi satisfatoriamente resolvida. Todos nós nascemos envoltos em paradigmas, já inseridos em vários deles, segundo nossos pais almejaram ou o ambiente que nos cerca de antemão definiu, de modo que, aquele que não se interessar em refletir sobre a veracidade e coerência das "verdades" que o cercam, simplesmente seguirá inerte a corrente, mudando de cosmovisão somente decorrência do interesse social e/ou familiar. Devemos, sim, questionar e entender se os paradigmas nos quais estamos inseridos são dignos ou não de aceitação.

Os seres humanos e seus pontos de vista: o problema em analisar e ter a minha perspectiva como definição para o que é verdadeiro está no fato de que eu nunca, jamais, conseguirei ver as coisas por completo, fazer uma análise coerente e coesa, unindo todas a peças e possibilidades, pois a minha personalidade, o meu histórico de vida, as influências derredores e outros diversos aspectos, já me configuraram emocional e intelectualmente para discernir e engolir apenas determinadas coisas e de determinados modos - ninguém é totalmente imparcial e mente-aberta, por mais que tenha sinceras intenções de sê-lo. O desânimo pode levar ao relativismo, que também depende de um paradigma filosófico para ganhar força - o pior é que não se consegue encontrar um paradigma suficientemente eficaz para unir numa coerente cosmovisão os paradigmas religiosos, científicos, morais e políticos, havendo severas dissenções dentro de cada esfera e entre elas. Parece não haver uma verdade única.
Noutro dia, enquanto estava numa das cadeiras da graduação em psicologia, observei o reflexo das lâmpadas do teto na tampa do meu notebook, que é polida e ligeiramente cuva nas bordas: conforme eu movimentava os meus olhos na direção das bordas, as lâmpadas mudavam de lugar, se comprimiam, se esticavam, se afastavam ou aproximavam - é claro que eu já conhecia esse fenômeno, mas dentro do tema "paradigma" refleti melhor sobre ele. De qualquer lugar que eu observasse, qualquer centímetro longe ou para os lados, veria os reflexos de uma forma diferente - e qualquer pessoa, a menos que estivesse exatamente no mesmo lugar que eu e fosse da minha altura, veria o reflexo de uma maneira particular. A luz das lâmpadas estava no todo, mas eu só era capaz de discernir uma forma e um local de reflexo por vez, nunca podendo unir numa mesma imagem todas as possibilidades e analisar a questão segundo aquilo que ela integralmente é, pois eu sou limitado mental e fisicamente. Três eram os absolutos: havia lâmpadas, havia luz e havia reflexo no meu notebook, o mais, porém, estava suscetível aos mais variados pontos de vista - havendo uma óbvia exclusão de qualquer ideia que pregasse não existir lâmpada, nem luz e nem notebook. A análise da História do Mundo, o pensamento filosófico, a observação científica, a bandeira política... tudo é vislumbrado, pelo menos em parte, do ponto de vista exclusivo e sem paralelo do indivíduo. Qualquer cientista que observa uma folha vai afirmar que aquilo é, absolutamente, uma folha, porém a sua interpretação do cenário vai depender de onde ele observa: um pode ver a folha enquanto está próximo do desenho de um esquema evolutivo e outro pode observá-la estando ao lado de uma Bíblia - quem está inteiramente certo e inteiramente errado, só com base nisso não podemos saber, pois, embora o paradigma dominante de antemão exclua o segundo, não existem evidências suficientes nem para sustentar a perspectiva do primeiro.

Existem absolutos: o paradigma existe apenas porque o ser humano, como observador do Universo, se interessa em interpretá-lo e, assim, cada interpretação discrepante, constitui um paradigma. Mas a natureza, por si só, é imparcial - ela existe e acontece, independentemente de qualquer interpretação. A força da gravidade na Terra não depende de interpretação, ela é e acontece; a existência do frio e do calor não é passível de interpretação, pois simplesmente é e acontece; a Lei da Causa-e-Efeito, em termos gerais, não é passível de interpretação: as coisas que surgem são frutos de uma causa maior (em diversos sentidos) do que elas. Existem absolutos: o elemento se desgasta com o tempo, de modo que o Universo material não pode, por si só, ser eterno e, portanto, em sua configuração atual, deve ter tido uma origem, um princípio. Conforme se observa pelo afastamento das galáxias, esse princípio do Universo se deu num lugar específico, num momento específico e de uma só maneira. Esses são absolutos - a observação crua da natureza nos aponta, indiscutivelmente, para isso. Podemos não saber as formas, os meios, mas podemos ter certeza absoluta do "onde" e, com base nisso, sugerir o "fim" - podemos afirmar que as coisas se originaram um dia com a mesma certeza que temos de nossa existência, do fato de eu estar aqui escrevendo e do fato de você estar, nesse exato momento, lendo esse artigo.

Outros absolutos são: as coisas nascem e morrem, todas elas, os seres vivos só surgem de um outros seres vivos, todos os seres vivos se alimentam de alguma forma... Como podemos ter certeza dessas coisas, mesmo sendo ofuscados por nossos paradigmas? Todas as pessoas sãs, independentemente de seus históricos de vida, de suas configurações mental, física e emocional, de seus contextos, entram em consenso indiscutível com base na crua observação e na experiência de vida. Se as coisas surgiram de um único lugar e de uma só maneira inicial, então existe uma Verdade Absoluta, embasada no andamento das coisas desde antes das Origens, Verdade essa que compreende todas as pequenas verdades observadas, de modo que o que é verdadeiro não é relativo, é preexistente, atemporal e maior do que todas as coisas verdadeiras juntas, pois engloba todas as verdades numa só Verdade Absoluta - o que é relativo é o nosso limitadíssimo ponto de vista. Sendo assim, ninguém deve se lançar cegamente em nada que nenhum ser humano tenha pensado (nem nesse artigo) sem questionar, ninguém deve ter como verdade inquestionável nada que parta da mente humana comum - creio eu que, em algum momento da vida, toda pessoa deva sentar e refletir, tentando banir momentaneamente tudo aquilo que simplesmente foi incutido em sua mente e reanalisar todas as coisas. 

Talvez uma das mais seguras fontes da Verdade está na imparcial natureza: o que os seres humanos, desde os tempos mais remotos e primitivos, já incutiam em suas mentes? O que, por natureza instintiva, os seres humanos já consideravam, mesmo que inconscientemente, verdadeiro? Por dezenas de milênios, ou mais (dependendo de quando o ser humano surgiu), a ideia de um mundo espiritual acompanhou-nos: todos os povos, de todos os cantos do mundo e de todas as épocas nutriram uma crença espiritual - nenhum esforço humano pode ser comparado ao esforço religioso. Pouquíssimas pessoas podem ser consideradas realmente ateístas, pouquíssimas, pois mesmo a maioria dos nominados "ateus" crê em algo além do natural e se esforça tremendamente, com base na razão, para tentar afastar de si o instinto, a propensão genética, histórica e cultural, mais do que multimilenar, de uma fé no Desconhecido. O maior problema para o cético é que não se observa nenhuma fonte natural para os "genes divinos" incutidos em nós e que nos incentivam a procurar por algo espiritual, de modo que tal particularidade humana parece ter sido simplesmente colocada em nós. Talvez afirmar que o próprio Sobrenatural o colocou em nós não seja interpretação, uma vez que é verdade absoluta que as coisas que existem não surgem, simplesmente, do nada. O que não é interpretação é que o ser humano, na absoluta maioria, crê em algum ser espiritual. Simples e, assim como a força da gravidade, fruto da imparcial natureza.

Ora, por que mesmo entendemos determinadas questões como verdades inquestionáveis? Observação crua e experiência. Gostaria, então, de fazer uma pergunta: o ser humano é um ser racional e a razão é a força mais eficaz para o controle de nossas vontades ou propensões, de modo que, mesmo havendo influência genética para a crença no divino, sem nenhuma experiência sobrenatural genuína ao longo da História, algo observado e sentido, em nome da coerência, o ateísmo teria crescido exponencialmente há um punhado de milênios. O fato é que coisas inexplicáveis acontecem diariamente, em todo o tipo de ritual religioso, nos quatro cantos do mundo, em todos os povos e de todos os tempos, o que sustenta racional e emocionalmente a perene e universal crença no sobrenatural - só truques, frenesis e ignorância, só emoção e manipulação, não seriam capazes de manter o ser humano de todo o mundo alinhado há dezenas de milênios nas veredas religiosas. Quando o cético diz que é "Deus não existe e isso é inquestionável", ele o está fazendo com base em seu esforço intelectual de não crer, está se baseando na sua falta de experiência e observação da realidade que despreza e repetindo o discurso doutras pessoas, totalmente limitado pelo paradigma que protege a sua descrença. A maioria absoluta crê no espiritual, isso é absoluto - paradigma é a interpretação que cada pessoa dá ao objeto espiritual observado e estudado, culminando em diversidade religiosa.

Até mesmo a moralidade humana está, em essência, além dos pontos de vista - apesar de presenciarmos um atual esforço filosófico para tentar relativizá-la. Independentemente do período histórico, da cultura e do povo, determinados padrões de conduta são aceitos: roubar é errado, assassinar é errado e trair é errado. Mesmo os transgressores desses padrões morais, ao longo de toda a história, reconheciam a sua condição criminosa. A moral, assim como a fé em Deus, é igualmente complicada para o cético, pois não encontra fontes naturais fora do ser humano, parecendo vir do... nada! O mais estranho é que a própria neurociência está estudando uma área física do cérebro que armazena esses elementares padrões morais, de modo que não se trata de uma universal convenção social, mas de algo simplesmente incutido no ser humano - nesse sentido, a própria moralidade é fruto da imparcial natureza, simplesmente existindo em nós, independentemente dos pontos de vista e esforços intelectuais. Você pode perguntar sobre o "amor" pra qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo, até nos mais isolados, e, pelo menos em parte, todas irão falar as mesmas coisas - isso se repete ao longo de toda a História, não sendo fruto de influências sociais.

No que acreditar? O ser humano sabe que as coisas não surgem do nada, que a vida não surge da matéria bruta, que existe um mundo espiritual e que os elementos fundamentais da moralidade humana são mais do que aprendizagem. Somente com base nos absolutos imparciais, sem atenção para as pequenas exceções, é que poderemos encontrar a Verdade Absoluta, que poderemos encontrar o "Paradigma do Universo", a interpretação verdadeira de todas as coisas. Some todos esses aspectos citados e tente chegar a uma conclusão. Tentando ser realmente imparcial, podemos concluir que Algo existia antes de nosso Universo, que esse Algo vivo foi o originador da vida, que esse Algo espiritual foi o responsável por nosso universal interesse pelo sobrenatural e que esse Algo moral foi o responsável pela moralidade em nós incutida. Sendo Ele Eterno, Vivo, Espiritual e Moral, está além de todos os politeísmos, está além de todas as religiões que pregam uma eternidade impessoal, está numa religião de um Eterno Deus presente, pois colocou em nós o interesse por buscá-Lo, doador da Vida e da Moral, o único Criador - trata-se de um monoteísmo bastante conhecido, que se encaixa perfeitamente bem na essência bruta, desapegada de interpretações, desses padrões fundamentais e imparcialmente naturais.

Cristo, a Verdade Absoluta: o que torna o cristianismo assombrosamente verdadeiro está, além do caráter monoteísta em concordância com o parágrafo acima, nalguns dos seus fundamentos revelados em Cristo Jesus: trabalha com uma moral absoluta e com a morte sob a análise das mais diferentes perspectivas.
A moral cristã, na essência, concorda com todos os padrões elementares da moralidade universal e, como a religião verdadeira, do Deus Perfeito, apresenta-a de modo mais radical do que todas as demais culturas apresentam, sendo fruto imediato do Elevadíssimo Deus, para além das diluições interpretativas e adaptações culturais: fala de um amor profundíssimo e para além da razão e do instinto humano, um amor que sofre e caminha até a morte pelo outro, um amor que vai além da teoria e, pela influência do próprio Deus, leva o homem a abrir mão dos interesses enraizados de sua sobrevivência em nome do bem comum, em nome da vida do próximo. Foi exatamente isso que o Seu fundador fez, numa perfeitíssima harmonia entre a teoria e a prática, ricamente fortalecidas com sinais inexplicavelmente miraculosos. Quando Cristo fala de moralidade, Ele está pisando em um solo comum a toda a humanidade, citando verdades inquestionáveis e constrangedoras - constrangedoras, pois a radical conduta cristã é impraticável sem o auxílio do próprio Criador.

O cristianismo também caminha em solo seguro quando fala sobre a morte. Todo mundo reconhece a existência da morte, sabe o que pode levar alguém a morrer, sabe o que acontece com o corpo do morto, sabe sobre o caráter irreversível do desligamento do corpo. Quando Cristo morreu na Cruz, inclusive sendo perfurado por uma lança que atingiu-Lhe o coração, todos os espectadores sabiam o que isso significava, todos os judeus de Jerusalém, em frenesi com a presença do Messias, tiveram notícias romanas, judaicas e cristãs da morte de Cristo - ninguém era capaz de duvidar de Seu óbito mediante as severas torturas, a Cruz e a lança. A Verdade Absoluta era, sim, que Jesus estava morto - essa é a natureza e não importa a interpretação. O Messias morreu justamente no lugar onde pregou, onde foi frequentemente visto e largamente conhecido - morreu diante de discípulos que queriam poder duvidar da Sua morte, diante de céticos que engoliram perfeitamente bem o Seu falecimento e diante de inimigos que festejaram e se certificaram de Seu término. Ele morreu e os discípulos se esconderam, desamparados, decepcionados e amedrontados. A morte de Cristo é um evento histórico que nenhum historiador sério há de questionar, pois, independentemente das interpretações e teorias que surgiram ao longo dos últimos dois mil anos, temos em mãos documentos, inclusive de judeus, inimigos de Cristo, de poucas décadas depois da Sua morte, atestando para o Seu julgamento mortal na Cruz. É indiscutível! Cristo morreu, foi enrolado em sufocantes e bem atados metros de tecido e aprisionado num sepulcro selado por uma pesadíssima pedra e vigiado por guardas, onde permaneceu por três dias, tempo mais do que suficiente para reconhecer uma morte como irreversível e absoluta. Jesus morreu, o cristianismo trabalha com isso e os documentos históricos da mais alta antiguidade apontam para o mesmo evento.

Certo, Jesus morreu, mas algo ímpar em toda a História Humana, cooperando com uma série de profecias muito antigas, cooperando com a própria pregação do Messias, aconteceu depois de dada como inquestionável e irreversível a morte de Jesus: Ele ressuscitou! Não há nenhum relato histórico em toda a História Humana que ateste para a ressurreição de um homem e, principalmente, para o fato de alguém ressuscitar sem a interferência de ninguém. Isso está além da interpretação! Esse foi um evento imparcialmente observado e experimentado: Jesus foi vastamente reconhecido como Ressuscitado justamente na cidade na qual Ele foi indiscutivelmente dado como morto! Foi justamente ali que o cristianismo começou e esse começo dependia de uma fortíssima e inquestionável experiência: os discípulos não teriam se permitido martirizar com base numa mentira. Se a pregação da Ressurreição fosse mentirosa, facilmente os inimigos de Cristo encontrariam o corpo que, por sua vez, dificilmente teria sido roubado pelos poucos discípulos que restaram e os judeus que viram o Messias morto - e pediram por Sua morte -, dificilmente acreditariam se não lhes fossem apresentadas evidências concretas, já que a Ressurreição era algo que eles mesmos não queriam. Jesus Ressuscitou, foi tocado pelos discípulos, comeu e bebeu, pregou, apareceu para indivíduos e multidões de até 500 pessoas, sendo elas judias, cristãs ou romanas, e Ascendeu aos Céus diante de várias testemunhas! Lembrando que os judeus teriam algumas dificuldades de aceitar o Cristo Ressuscitado como Messias se não associassem a Sua impecável conduta, a Sua mensagem maravilhosa e os Seus inexplicáveis milagres com a Sua Ressurreição. Jesus Ressuscitou assim como a força da gravidade atrai os objetos para o solo, de modo que isso simplesmente aconteceu, independentemente do ponto de vista.

O mesmo sob todas as perspectivas: a mais magnífica de todas as pregações do livro de Atos dos Apóstolos é a do Apóstolo Pedro, no capítulo 2, que se resume numa das mais poderosas apologéticas cristãs da Bíblia e um dos mais eficazes sermões evangelísticos de que temos notícia:

- Versículos 1-4: um evento espiritual fortíssimo, semelhante à entrega dos 10 Mandamentos no Monte Sinai, sucedeu a pregação de Pedro. Os poucos galileus estavam falando em línguas estrangeiras que desconheciam.
- V. 5: o evento se deu durante o Pentecostes, festa na qual judeus de toda a bacia do Mediterrâneo iam para Jerusalém. O evento foi testemunhado por milhares de pessoas não-cristãs, no caso, judeus - muitos certamente helenizados. Indivíduos de todas as classes sociais, níveis intelectuais e conscientes das mais variadas filosofias, alguns, certamente, influenciados pelo pensamento greco-romano, estavam no local e presenciaram o evento - um punhado deles certamente viu Jesus na Cruz, presenciou-O Ressuscitado ou ouviu notícias fervilhantes do espantoso acontecimento.
- V. 7-8 e 13: o fato de serem os galileus desprezados por viverem no fim do mundo, na maioria camponeses analfabetos, tornou o evento ainda mais miraculoso aos olhos dos demais judeus.
- 14-21: Pedro corajosamente se levanta e inicia o seu discurso associando o evento com uma profecia de Joel conhecida por todos os judeus presentes.
- 22-24: Pedro começa a falar de Cristo Jesus, que era conhecido, pelo menos em notícia, de todos os judeus presentes, assim como os Seus feitos miraculosos, a Sua morte e a notícia da Sua Ressurreição - ele fez questão de apontar os conhecimentos comuns de todos os presentes em relação a Cristo, pois, querendo ou não, todos ali sabiam dessas verdades.
- 25-31: aqui Pedro explica profeticamente os motivos que levaram Cristo, O Filho, a ressuscitar, aludindo a uma profecia de Davi.
- 32-36: unindo a verdade observada, de que Cristo Ressuscitou, ao testemunho profético, Pedro mostrou às multidões que Jesus só poderia ser o Messias e que, Ressuscitado, está assentado à destra de Deus, sendo Ele também Senhor.
- 37-40: unindo a experiência inquestionável, com o evento retumbante ocorrido no Pentecostes, com as sóbrias palavras de Pedro, muitos da multidão se sensibilizaram e, conscientes das suas transgressões, se arrependeram.
- 41: três mil pessoas se converteram naquele dia. Ora, se tal conversão em massa, em Jerusalém, não tivesse de fato ocorrido, seria difícil para Lucas ter desferido tão descarada mentira, uma vez que o evento era do conhecimento de judeus de todo o Mediterrâneo. Todas as pessoas, independentemente dos pontos de vista, dos paradigmas, acabaram reconhecendo a mesma coisa.

O mais interessante na pregação de Pedro é que ele desafiou judeus de Jerusalém, desafiou judeus gregos e romanos, sabendo que o Império Romano iria se opôr, sabendo que as autoridade judaicas iriam persegui-lo, sabendo que os filósofos gregos iriam tentar destruir as suas ideias. Somente com uma certeza inquestionável, de quem viu o que pregou, e na certeza de que muitos outros no local tinham tido experiências semelhantes, isso sem contar com a certeza de que as notícias espalhadas pelos judeus do Mediterrâneo eram carregadas de confiabilidade ocular, é que Pedro poderia ter falado dessa forma e com tal ousadia. O cristianismo se expandiu pelo Império, mesmo perseguido, foi aceito por filósofos gregos, foi largamente aceito por judeus e com relativa facilidade adentrou nas vias pagãs doutras culturas, isso porque o Verdadeiro Deus o esteve acompanhando, isso porque a Mensagem da Cruz é de aceitabilidade universal, mesmo que, num primeiro momento, segundo os paradigmas mais comuns, pareça loucura, e também porque a sua mensagem moral é discernível, mesmo que dura, para quase toda a humanidade - o fato de ser dura indica que ele não foi inventado segundo as conveniências humanas.

O mais interessante é que o cristianismo é a religião que melhor se assenta nos ramos científicos, políticos, morais e filosóficos, como a representação mais clara da Verdade Absoluta.

Conclusão: com base na necessidade da existência de Deus, veracidade moral e no advento da Ressurreição de Cristo, posso entender que o cristianismo é a Verdade Absoluta, independentemente de pontos de vista, de interpretações - são eventos concretos, inquestionáveis, inescapáveis que o constituem, não apenas filosofias e tratados teóricos, o que o torna diferente de todas as demais religiões. Além disso, é a única religião que reconhece a incapacidade humana, com base em suas falhas perspectivas e limitadíssimos esforços, de alcançar por conta própria a plenitude, uma vez que reconhece que Deus, o único que, sendo Eterno, é capaz de ver todas as coisas como elas realmente são, é também o único que pode nos levar à salvação, coisa que também é um anseio universal.

E quanto ao que não entendo sobre Deus e o mundo? Posso continuar procurando respostas, mas sempre lembrando que eu só consigo ver as coisas e interpretá-las limitadamente, com base nos meus pontos de vida, de modo que, se não consigo compreender verdadeiramente nem mesmo um grão de areia, jamais irei compreender integralmente o infinito Deus ou a plenitude do Universo. Deus é o único que vê todas as coisas simultaneamente como elas realmente são e, portanto, o que Deus visivelmente faz ou permite em nosso mundo pode até se interpretado como algo negativo, mas nós só vemos "em parte", não vemos o todo, não sabemos tudo o que se passa na Plenitude Divina, não temos consciência dos planos da Mente de Deus - julgamos pequeno o iceberg apenas observando a sua ponta

"Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas." Colossenses 2:2-4

"Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor." 1 Coríntios 13:10-13

Resumo:
- Verdades Absolutas: fenômenos ou objetos naturais que observamos e experimentamos (gravidade, frio ou calor). Aqui as coisas são isentas e imparciais.
- Paradigmas: a interpretação que damos ao Universo, segundo nossas configurações mentais e intenções (teorias, filosofias). Tendencioso, parcial.
- Cristianismo: única religião que se baseia essencialmente em eventos, acontecimentos observados e experimentados, como a Ressurreição de Cristo, que foi anteriormente pregada (profetizada) e interpretada pelo próprio Ressuscitado, o que lhe dá ainda mais credibilidade - a pregação tem como base o evento. Sendo Cristo Deus, Ele É o que É, sendo , portanto, a própria definição de Verdade.
- Paradigmas cristãos: teologias mil, movimentos, denominações diversas... Estariam errados todos os paradigmas? Não, pois a maioria se trata de aprendizado, rica maquinação intelectual ou experiências de vida, aptas a proteger a Igreja e os cristãos, validados pela liberdade que a Bíblia nos dá - o problema surge com as heresias, com aquilo que tira a suficiência de Cristo e enaltece o homem.

A Igreja, definitivamente, precisa se preocupar menos com aquilo que é passível de interpretação e suscetível aos mais variados pontos de vista, e fixar-se mais nos eventos históricos e proféticos inquestionáveis que a sustentam!

Natanael Pedro Castoldi

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