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Nós Somos Deus? Tudo é Deus?

-> Apresentação e Índice
Tenho percebido o crescimento de movimentos religiosos panteístas e panenteístas em nossa sociedade ocidental, resultantes do contato com antiquíssimas filosofias orientais e do reavivar de perspectivas religiosas xamânicas dos antigos ameríndios. O fato é que as pessoas têm uma busca, isso é inegável: elas querem encontrar algum sentido para a vida, considerando a agonia que é habitar um universo hostil, escuro e gelado, e tendo em vista a pequenez do homem - pouquíssimas pessoas se conformam com a brevidade da vida, relutando em ceder diante da torturante ideia de que somos apenas matéria em movimento, sempre caminhando para a morte irreversível. É por isso que, a exemplo da Europa e dos Estados Unidos, esses movimentos ganharam força depois de crescido o ateísmo - o desespero aflora quando percebido o vazio de significado que há numa visão de mundo desprovida de Deus e de eternidade. 

Tanto o ateísmo quanto esses novos movimentos religiosos, sincréticos por natureza, ganham adeptos mediante o enfraquecimento da igreja, quando a mensagem vívida da fé cristã deixa de ser disseminada com fervor e, portanto, de ser discernida pelas pessoas. Ela, então, é totalmente ofuscada pelos escândalos e pelas mazelas das congregações e dos movimentos religiosos tradicionais, que já não falam mais ao povo do seu século, deixando de fazer sentido, de responder às necessidades presentes - a voz do profeta milenar não passa de um longínquo, abafado e indecifrável eco. A questionável associação do cristianismo com os problemas de nossa sociedade, a atraente experiência aromática, musical e visual das novas religiões - o que movimenta nosso espírito e nossas emoções -, e a facilidade que é se enveredar numa busca espiritual pessoal e customizada, na onda individualista de nossos tempos, são algumas das causas do alastrar dessas filosofias. As pessoas querem respostas e as estão buscando nas vozes que falam mais alto. Cabe-nos, como cristãos, portanto, lidar com a validade dessas perspectivas e apresentar o que de fato é o cristianismo, removendo a crosta de tradições estranhas, pecados humanos, filosofias vis e outras incoerências que vieram a se alojar por sobre a verdadeira fé - façamos isso através de palavras, mas, principalmente, por meio da vida íntegra segundo o padrão de Cristo, uma vez que, possivelmente, seremos nós, na prática, a "Bíblia" que aqueles que não são cristãos irão ler, e o único "Cristo" que muitos deles irão ver. Que a paz que lhes falta, já que tentam esvaziar a mente ou entorpecê-la com substâncias diversas para fugir de seus próprios dilemas, seja encontrada no brilho de nossos olhos, no contato com um testemunho que brota de nosso coração.

Nosso diálogo com esses movimentos religiosos é da maior importância, seja pelo testemunho de uma fé viva e baseada no amor de Cristo, seja pela demonstração lógica da teologia cristã e das incoerências desses movimentos, por isso é importante identificar o que lhes é central: a pregação mais comum transmitida pelos seus seguidores é a de que todos os homens e todas as coisas são "Deus" - a divindade está no universo, ele é divino, ela é o próprio universo. Nesse sentido, cabe ao homem adorar a si mesmo, procurando o sentido da vida em seu interior e no contato com o mundo natural. A isso chamamos de panteísmo ou panenteísmo - no primeiro caso, Deus é todo o universo e somente ele e, no segundo, Deus é todo o universo, sendo o universo um membro de Deus, mas está também além dele. Ambas as perspectivas culminam no mesmo ponto: nós e a natureza externa somos divinos, constituímos Deus - no panteísmo, somos "Deus" porque Deus é apenas o universo e nada mais, Gaia; no panenteísmo, somos "Deus", pois todo o universo é uma extensão do "corpo" divino. Há algumas falhas lógicas e científicas que nos impossibilitam concordar com a divindade nesses termos:

- Se "tudo é Deus", então Deus não é nada: se tudo e todos são "Deus", então "Deus" passa a ser apenas uma outra palavra para "coisa" e "pessoa". Para Dave Hunt, Em Defesa da Fé Cristã, Dave Hunt, CPAD, 2012, pgs 42-43, o panteísmo é exatamente a mesma coisa que ateísmo: se tudo é Deus, então nada é Deus, pois o termo perde todo o significado. Chamar as coisas de "Deus" acaba sendo apenas uma maneira diferente de chamar uma coisa de "coisa" - esse "Deus que é tudo" continua respeitando às leis da química e da física, o universo continua se expandindo e esfriando e os seres vivos continuam nascendo, crescendo, se reproduzindo e definhando. No final, todos os que morrem voltam ao pó e servem de adubo para novas vidas - dizer que isso "faz parte do ciclo eterno da existência de Gaia" é apenas definir de modo um pouco mais poético a realidade nua e crua da ausência de significado.

- Tanto o panteísmo quanto o panenteísmo são impossíveis: a ideia de que o Cosmos é Deus em si mesmo ou, ao menos, uma parte indivisível de Deus, exige que o elemento material seja eterno, incriado, auto-existente e autossuficiente. Se esse elemento material foi criado, então ele não pode ser Deus em si, pois é menor do que aquele que o criou. Se o universo é parte indivisível de Deus, ele também precisa ser eterno, sendo ele a própria expressão da divindade, parte de sua natureza - e a eternidade da divindade impede que a sua natureza se modifique. Não pode existir um "Deus incompleto", pois isso não é Deus, de modo que, ou o universo sempre foi uma eterna parte de Deus, ou Deus não existe ou, ainda, Deus não se encaixa nessas definições.

Como sabemos que o universo não é eterno? Toda a observação astronômica, química e física tem demonstrado que o universo está se expandindo de um ponto inicial e que a energia da matéria está em constante declínio, de modo que deve existir um começo. Há uma evolução dos elementos químicos, como se observa no resultado das explosões das estrelas. A própria evolução dos seres vivos indica que o universo não pode ser eterno - ele está sempre em constante processo de mudança e decaimento. Considerando os princípios da Causa e Efeito e da Termodinâmica (a Causa sempre é maior que o Efeito, "nada se cria, tudo se transforma" e "a energia sempre decai"), percebemos que há, sim, a necessidade de eternidade para a existência do universo, mas que ele mesmo não pode ser eterno - até porque uma sequência eterna de eventos dentro do tempo não pode existir, uma vez que o tempo presente nunca poderia chegar.
Fonte: 20 Evidências de Que Deus Existe, Kenneth D. Boa e Robert M. Bowman Jr., CPAD, 2012, pgs 41-46; Ciência e Fé em Harmonia, Prof. Felipe Aquino, Cléofas, 2012, pgs 116-121.

O entendimento de que o universo não pode ser eterno, tendo ele uma origem, nos leva a concluir que ele, em si mesmo, não pode ser Deus - e conforme a Lei da Causa e Efeito, seu originador precisa ser maior do que ele. Se há divindade, ela existe não no Efeito-Universo, mas no Criador-Causa.

Afirmar que a causa do universo é o Vazio Absoluto não resolve a questão: a inexistência não pode gerar a existência, o não-ser não pode gerar o ser. Ou o universo é eterno em si mesmo, ou ele possui um Originador que é maior do que ele - não havendo possibilidades de que ele seja eterno, então Deus existe e está além da matéria. Os atributos superiores de Deus o colocam como a Causa maior que o universo, seu efeito - isso no caso do Deus pregado pelo teísmo. Assim, tanto o panteísmo quando o panenteísmo caem por terra - o segundo, especialmente porque as qualidades superiores do Originador-Causa, necessárias para o efeito inferior, o impedem de ser parte matéria. Seria uma divindade mista e repleta das contradições de nosso mundo - não pode haver contradição no Eterno.

Outro motivo que torna a ideia de que o Vazio Absoluto pode ser a causa do "Deus-universo" é bastante óbvio: se tudo é "Deus", então "Deus" passa a ser apenas uma outra palavra para "coisa". E pode a divindade vir a existir? A origem anula muitos dos atributos inerentes ao que se denomina "Deus". Definir como "Deus" aquilo que está sujeito ao tempo e ao decaimento, é apenas chamar qualquer coisa de outro nome.

- A alternativa também não convence: no anseio por fugir dessas conclusões, muitos dos adeptos desses movimentos religiosos estão aderindo à Teoria da Evolução como uma explicação para a necessidade de buscarem pelo desenvolvimento interior. Inclusive fazem uso disso para questionar a validade da sugestão de que Deus seja o Criador, pois "uma criação de Deus não precisaria evoluir" - um argumento falho, primeiro porque a própria ideia incutida no termo "evolução", que é "começo", exige o Criador, o Iniciador, e, em segundo lugar, porque a evolução pode ser uma forma através da qual o Criador trabalha, gradativamente, naquilo que cria.

Há duas possibilidades para essa ideia de que os seres humanos carregam em si a divindade, que é discernida através da "evolução do eu": havendo um começo para o universo, ou a herdamos de lugar nenhum, ou a recebemos do Criador. O primeiro caso se invalida pelo mesmo motivo que nos leva a considerar impossível que o qualquer coisa que é venha a existir partindo daquilo que não existe, que não é. O segundo caso também não convence: se há um Deus para ter colocado algo de divino em nós, então nós não podemos ser deuses, ou Deus, uma vez que há uma divindade suprema, maior, para refletir-Se em nossa insignificância - se há alguém a ser adorado nessa história, portanto, esse alguém é Deus, que não somos nós, mas Aquele que colocou em nosso espírito a Sua marca. Ser reflexo de algo não é ser ele. Não podemos ser "Deus" com esse Deus, pois nós e todo o universo material somos elemento limitado, temporal, finito - o oposto d'Aquele que nos originou. Ele é antes de tudo para que tudo possa vir a ser, logo, só Ele é Deus. Ou pode o ser humano considerar-se Deus se recebeu seu senso de divindade de alguém? Se o ser humano fosse Deus, esse que lhe dotou de certo grau de divindade seria "mais Deus que Deus" - mas é possível haver "mais" e "menos" Deus, sendo Ele um só? E pode haver mais de um Deus, sendo um criatura d'Aquele que é maior?

Há os que afirmam que Deus incutiu em nós o reflexo da Sua divindade e se afastou. Isso é deísmo. Mesmo que assim fosse, não há como fundamentar a ideia de que o homem é Deus, pois ele continua sendo menor do que Aquele que lhe criou. De qualquer forma, apelar para o deísmo é inconcebível, considerando a natureza d'Aquele que necessariamente nos criou: se buscamos viver em amor como resposta ao anseio amoroso que o Criador colocou em nós, então o próprio Criador é amor, e, se Ele é amor, Ele também é relacional, de modo que não pode, simplesmente, ter-nos abandonado. O amor e a moralidade humana não encontram bases de causa no universo indiferente e impessoal, mas podem muito bem ter resultado do toque do Deus de justiça e amor - amor relacional, preservado na eternidade através do relacionamento entre as Três Pessoas que constituem a Trindade. Ora, se temos em mente coisas que são certas e erradas e se desejamos amar para além daquilo que é racional, então precisamos de um Deus de amor e moral - da natureza, que é impessoal, indiferente e amoral, é que não podemos retirar nenhuma perspectiva ou padrão que venha a fundamentar tais saberes e desejos humanos.

A Bíblia, de fato, afirma que Deus colocou algo de Sua divindade em nós, não para nos tornar divinos - pois Deus não cria Deus, e nós somos criados, não gerados, como é o caso do Filho -, mas para que desejássemos ardentemente pela Sua presença. Nós somos, sim, a "imagem e semelhança de Deus", mas sermos "semelhantes" não nos torna iguais - tal semelhança se refere ao que nós e Deus temos de diferente do restante da Criação: somos racionais, amorosos, morais, criativos e possuímos espírito. Isso me leva a uma conclusão bastante lógica: se há alguém que precisa ser procurado e adorado, esse alguém não sou eu, mas o Criador que me fez.

Conclusão:
É verdade que há uma sabedoria interessante por detrás de tudo o que o ser humano constrói - e isso se aplica também a alguns dos ensinamentos transmitidos por esses movimentos religiosos -, mas nem por isso todas as suas propostas são válidas. Dizer que o universo é Deus em si mesmo ou parte de Deus não significa nada e invalida-se pela observação científica; afirmar que o Deus-Universo veio a existir do Vazio Absoluto também é inviável; afirmar que o Deus-Universo veio a existir de Deus é de uma incoerência sem tamanho; afirmar que nós somos Deus de Deus também é ilógico. Diante disso tudo, fica difícil não concluir que a base mais sólida para a nossa fé reside no teísmo: Deus é antes de tudo e tudo o que Ele criou não pode ser Deus, embora possa ser muito bom; e nós não somos Deus, mas carregamos a Sua imagem e semelhança. O mais incrível, porém, é perceber que esse Deus de amor, que, por ser Deus, é perfeito e nos ama com perfeito amor, chegou ao ponto de fazer-Se homem, para vir ao nosso encontro pessoalmente, como o Deus relacional que é, experimentando nossos dilemas e nossas dores para, no final, como Deus moral e justo, morrer em nosso lugar em pagamento pela transgressão, transgressão essa iniciada pelo primeiro pecado, que é o afastamento do Deus Vivo através da negação de um relacionamento com Ele - coisa que, inevitavelmente, resultou em pena de morte.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:
O Panteísmo Faz Sentido?
A Religião Ateísta
Quem é Deus?

O Panteísmo Faz Sentido?

Gaia - Desktopography 2012, by TheLGX
Panteístas são aqueles que creem que Deus está totalmente contido no universo, que o próprio universo é deus por si mesmo, uma divindade em absoluto. Para o panteísta, tudo o que existe no universo é uma parte de Deus, todo elemento, em certo sentido, é divino. O adepto dessa crença, que tem crescido nos últimos anos por advento do neopaganismo, também pensa no universo como um organismo eterno, imutável - daí vem a "teoria de Gaia". Os gregos antigos pensaram dessa forma, membros de várias religiões orientais também encontram fundamentos no panteísmo e até mesmo muitos ateus dos últimos séculos acharam conveniente resgatar seus princípios para, com isso, não terem que reconhecer o Principiador na origem de tudo. Diante do comodismo que tal pensamento acarreta, de suas evidentes consequências morais e do seu crescimento na carona do movimento da Nova Era, é bastante pertinente que questionemos a sua validade.

1 - A observação do universo impossibilita o panteísmo:
A pesquisa científica dos últimos séculos descobriu que o universo é resultando de um processo "evolutivo", uma vez que é constituído de diversas categorias de elementos - uns existentes em estágios iniciais da matéria e outros resultantes do decaimento da energia inicial. Essa movimentação de energia, que se desgasta e transforma os elementos, necessariamente apontou para um começo, uma origem, um estopim que foi identificado com a ideia do Big Bang, interceptado através da observação de um universo em expansão partindo de um único ponto, registros de radiação que remontam o evento e da lógica matemática.

Tomás de Aquino, séc. XII, baseado na Bíblia, sugeriu que os cristãos deveriam acreditar que o universo teve um começo. Até os séculos XVIII e XIX, os pensadores ocidentais geralmente entendiam que o universo teve uma origem, embora, no fim do séc. XVIII, Immanuel Kant, o grande filósofo iluminista, tenha sugerido que o universo era infinitamente vasto e velho. Em certo sentido era isso que os telescópios pareciam sugerir, pois nunca se chegava ao final do Cosmos - felizmente o avanço da ciência provou o contrário. A teoria da relatividade geral, de Einstein, analisada por Willem de Sitter, um astrônomo holandês, indicou que o universo estava se expandido - fenômeno observado por Edwin Hubble. É claro que muitos cientistas protestaram, dentre eles o próprio Einstein, que tentou encontrar uma alternativa matemática ao seu cálculo. Arthur Eddington, um dos cientistas responsáveis por provar a expansão do universo, considerava suas conclusões "repugnantes" e tinha a esperança de encontrar um meio de evasão, para não ter que reconhecer o Criador - até Hubble lutou contra suas descobertas. Agora já era tarde.

Diversas teorias para evitar uma origem para o universo foram formuladas no século XX, como a "teoria do estado firme", sugerindo que o universo se expande só em alguns lugares e não em outros, e a "teoria da oscilação do universo", que pressupõe uma série infinita de expansões e contrações ao longo da jornada do Cosmos. A primeira teoria caiu e a segunda foi inviabilizada em 1965, quando Arno Penzias e Robert Wilson descobriram a radiação de fundo que, segundo previra a hipótese do Big Bang, seria deixada para traz pela explosão inicial do universo. A segunda teoria só caiu em descrédito por advento dos dados obtidos pelo satélite COBE, projetado para medir essa radiação de fundo com grande precisão - em 1990 concluiu-se que a radiação era tão constante pelo espaço que o universo deve ter começado com uma explosão extremamente quente de um ponto central de origem, tão quente que não poderia sugerir uma série infinita de explosões anteriores. Em 1992, o material obtido pelo COBE foi analisado por Stephen Hawking, que afirmou a radiação de fundo, embora constante, tinha irregularidades suficientes para explicar a aglomeração de matéria que viria a formar as galáxias. O triunfo do Big Bang, estabelecendo uma origem para o Cosmos, levantou a necessidade de se encontrar o Originador. O teísmo, e não o panteísmo, é capaz de explicar o universo tendo em vista a evidência científica.

Além da descoberta da origem do universo, a percepção lógica de que tudo o que vemos terá fim colide com o panteísmo. Um universo muito mais velho do que o nosso certamente seria inabitável, com diversas estrelas já mortas, incluindo o Sol. Conforme o universo se espalha, ele enfraquece. Ele não será eterno!
Fonte: 20 Evidências de Que Deus Existe, Kenneth D. Boa e Robert M. Bowman Jr., CPAD, 2012, pgs 41-46.
Leia mais sobre isso no artigo "A Religião Ateísta".

2 - O Panteísmo não se sustenta:
O panteísmo sugere que "o grande algo que nos inclui" só existe por uma razão que está dentro desse "algo". Para o panteísmo, a existência do mundo é auto-explicativa, sendo ele uma expressão do Espírito ou Mente ou Poder infinito - o mundo é identificado como ou com Deus. Existem diversos tipos de panteísmo - falaremos sobre três.

Uma das formas de panteísmo afirma que só Deus existe e que tudo o que vemos, sentimos ou experimentamos é ilusão - inclusive você. Podemos questionar o motivo de não nos sentirmos como meras ilusões - a consciência que temos de nossa identidade particular e pessoal é forte demais para cogitarmos a noção de que não existimos. Poderíamos, ainda, questionar os motivos de nos interrogarmos sobre a veracidade dessa proposta: "se a pessoa que está lutando com a questão não existe, então quem ou o que está debatendo a questão?"

Uma outra proposta panteísta, visando responder a primeira questão, acaba gerando um problema muito pior. Essa teoria afirma que só Deus existe e que todos nós somos Deus, não apenas ilusões. Diante disso podemos questionar: "eu não me lembro de ser Deus... se fôssemos Deus, todos nós não o saberíamos?"

A terceira visão panteísta sugere que Deus e o mundo são aspectos distintos de uma mesma realidade - daí temos o que chamamos de "panenteísmo". Tal visão é muito mais sensata do que as demais, mas também pode ser questionada, e isso fazendo uso da própria metáfora que os seus adeptos usam para sustentá-la: no ser humano, a alma e o corpo são mutuamente dependentes e nenhum está completo sem o outro - quando um existe sem o outro, temos o que chamamos de "morte". Mas por qual motivo Deus precisaria do mundo para viver ou para ser completo e perfeito?
Fonte: 20 Evidências de Que Deus Existe, Kenneth D. Boa e Robert M. Bowman Jr., CPAD, 2012, pgs 35-37.

3 - O Panteísmo não explica nada:
Para Dave Hunt, panteísmo é a mesma coisa que ateísmo, pois, se tudo é Deus, então nada é Deus, uma vez que o termo perdeu todo o significado. O panteísmo sugere um Deus cheio de contradições, que é tanto o vazio do universo quando a matéria, tanto a saúde quanto a doença, tanto a morte quanto a vida, tanto o mal quanto o bem. Nesse caso, seria possível definir "mal" ou "bem", já que está tudo diluído na divindade? Sendo o Deus o próprio universo, então não existe nenhum ponto de referência externo do qual ele possa ser avaliado e o qual lhe dê propósito e significado. "O panteísmo pode oferecer apenas a ausência de significado, a desesperança e o desespero supremo".
Fonte: Em Defesa da Fé Cristã, Dave Hunt, CPAD, 2012, pgs 42-43

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:

A Religião Ateísta

É estranho quando vemos ateus utilizando a Teoria da Evolução e a Teoria do Big Bang como baluartes contra o cristianismo, uma vez que essas teorias são compatíveis com o relato bíblico; em nada invalidam a existência de Deus; foram filósofos e cientistas ateus os maiores oponentes do Big Bang, inicialmente sugerido por um padre, Georges Lemaître; e que, nas primeiras décadas, a TE foi amplamente aceita por comunidades cristãs. Sobre a relação da Teoria da Evolução com a Igreja e a origem do bizarro debate entre "fé e ciência", leia o artigo do meu irmão, Ticiano Castoldi, graduando em História, publicado no seu blog, minasdraug.blogspot.com.br, no dia 1º de dezembro de 2012, sob o título "Darwinismo e Igreja: os primeiros contatos" - aconselho, ainda, a leitura de outro trabalho seu, publicado no mesmo blog, sob o título "Seria Deus um evolucionista?". Segue um breve relato da luta dos ateus do Séc. XIX e início do Séc. XX contra a Teoria do Big Bang.

Resumo do que segue: 1 - A percepção grega do Universo; 2 - A superioridade do pensamento hebraico; 3 - As conclusões da ciência; 4 - A incoerência dos ateus; 5 - Sobre a metafísica; 6 - Teorias mirabolantes; 7 - A religião da ciência; 8 - Sacrifícios em nome da "deusa Razão"; Conclusão.

1 - A percepção grega do Universo:
Para os gregos antigos, o mundo não tivera início e não teria fim, sendo algo fixo, sem evolução, sem mudança e sem desgaste, divino em si mesmo e incriado. Parmênides (Séc. VI-V a.C.) dizia que o mundo era divino e estático; Demócrito (460-370 a.C.) e Leucipo (Séc. V a.C.) afirmavam que a matéria não tinha origem e nem composição. Os antigos pensadores pré-socráticos, como Platão, Aristóteles e Plotino, julgavam que os astros fossem feitos de substâncias divinas e que jamais evoluíam ou envelheciam, sendo deuses em absoluto. 

2 - A superioridade do pensamento hebraico:
Antes de produzidas as antigas reflexões gregas e, logicamente, muito antes do advento da Ciência Moderna, os hebreus já percebiam que o Universo tivera uma origem e que, no processo de criação, passou por um estágio caótico, no qual era nada além de uma "substância informe" - eles receberam a revelação de que a tudo o que viam era fruto de um processo evolutivo, de uma Criação coordenada por Deus e dada em seis etapas distintas. Tal percepção de mundo fez com que os hebreus vissem a História como algo linear, apontando para a degradação da vida e da matéria e, então, para um mergulho na perfeição e na eternidade de Deus. É por esse motivo que os hebreus sempre se preocuparam em registrar honestamente a sua história como povo. Leia mais sobre isso na seguinte postagem do EOMEAB: "A Bíblia e a Ciência".

3 - As conclusões da ciência:
Não gosto da ideia de tratar das conclusões científicas pelo singular "a ciência", pois a ciência não é como um organismo completo e unânime, estando mais para um bosque repleto de seres distintos e antagônicos, mas vou abrir uma exceção aqui, considerando as conclusões mais universalmente aceitas pelos cientistas. O fato é que os avanços científicos derrubaram todas as citadas pressuposições gregas - descobriu-se que a matéria é constituída por uma grande variedade de átomos, formadores de moléculas e macromoléculas. Das macromoléculas verificou-se a existência das moléculas-gigantes que, unidas, carregam uma quantidade praticamente imensurável de informação genética que, por sua vez, é a base para as numerosas formas de vida. Tudo isso indica um processo evolutivo, que inicia com os átomos e suas partes menores, caminhando até as moléculas-gigantes, cujas fundamentais são: adenina, guanina, timina, citosina e uracila - unidas as quatro primeiras, combinadas de três a três, temos os caracteres genéticos e as estruturas básicas dos seres vivos, dos unicelulares até o ser humano. Disso também temos as cadeias moleculares que formam as proteínas, com seus vinte aminoácidos fundamentais. Das bases moleculares, podemos, ainda, perceber a evolução biológica, que culmina na formação de sistema biológicos principais.

Percebida a composição da matéria e os diferentes níveis de complexidade, que apontam para uma relação de continuidade, os pesquisadores são levados a concluir que o Universo está num processo de evolução irreversível. Consideremos os elementos mais simples que compõem a matéria: cada estrela é uma massa de hidrogênio que se transforma, gradativamente, em hélio e, terminada essa transformação, a estrela morre, tornando-se uma "anã branca". É fácil perceber que nada no Universo é eterno, sempre se modificando, desgastando-se, virando outra coisa e, por fim, morrendo. A percepção de um Universo eterno é a negação de começo e transformação e é impossível sustentar tais percepções em nossos dias.

Mesmo havendo farto material para contestar a macroevolução e tendo o darwinismo tradicional, com a ideia do gradualismo, como uma pressuposição falida, até mesmo o mais literal dos cristãos há de conceber que existem variações na matéria e nos seres, principalmente considerando que na Arca de Noé entraram, necessariamente, apenas as espécies fundamentais da fauna que, posteriormente, foram se diversificando para o que temos hoje. No final das contas, a conclusão é uma só: tudo o que há no Universo teve um começo. A ideia de um começo retira do Universo o status de um "deus em absoluto" e exige uma influência externa, eterna e onipotente - um Iniciador, uma Vontade, uma Inteligência, um Projetista.

4 - A incoerência dos ateus:
Mesmo que a Ciência Moderna tenha desconstruído todas as principais percepções sobre o Universo que haviam sido sustentadas desde o tempo dos antigos gregos, muitos pensadores racionalistas e ateus do Séc. XIX, para não pronunciar o nome de Deus, retomaram a jazida visão de mundo da Antiguidade Clássica. Dentre eles podemos citar: Marx, Engels (1857), Friederich Nietzsche (1900) e Augusto Comte (1857).

Era conveniente para o ateísmo que se entendesse o Universo como um "movimento cíclico eterno", um Ser Absoluto, algo infindável, que nunca envelhecia. Tal percepção de mundo foi trabalhada ou restaurada mesmo com a plena consciência das conclusões científicas mais coerentes - eles ignoraram a lógica científica que eles mesmos supostamente defendiam. O princípio termodinâmico de Carnot (1832) e Clausius (1888), que aponta para a degradação da energia, foi apenas uma das muitas ideias científicas daquele período que os racionalistas sumariamente ignoraram.

- Friedrich Nietzsche (1900): retomando a concepção grega antiga, rejeitou a ideia de um Universo cuja história fosse linear, progressiva e irreversível. Ele pensou no Universo como algo caótico e destituído de qualquer forma.
- Augusto Comte (1857): em sua empreitada ateísta, proibiu que seus discípulos estudassem o espectro, através do qual se pode perceber a composição química das estrelas.
- Engels, Nietzsche e Heidegger fazem frequentes referências aos mais antigos filósofos gregos, como Heráclito, Parmênides, Xenófanes e Anaximandro. Outros ateus se apoiam em Demócrito e Leucipo, atomistas gregos cujas ideias poderiam sustentar seu ateísmo. Tudo era válido para rejeitar o conceito de um Deus Criador e distinto do mundo.
- Jean-Paul Sartre pretendeu ignorar as ciências experimentais e desprezou a pesquisa das realidades físicas e biológicas. O existencialista Martin Heidegger e Albert Camus (1913-1960), fizeram o mesmo. Camus tinha o mundo como algo absurdo.
- É sabido que os filósofos marxistas da antiga Cortina de Ferro, defensores do ateísmo, entraram em severa crise quando os físicos quiseram estudar melhor as consequências da lei da entropia - o seu ateísmo, para subsistir, dependia da eternidade da matéria.

A verdade é que o ateísmo moderno não superou toda a influência negativa desses pensadores. Está mais gritante do que nunca a percepção de que o Cosmos é um "deus em si mesmo", uma entidade impessoal que se auto-gerou e arquitetou. Essa perspectiva ganha força ao lado do crescimento do neopaganismo, característico do movimento da Nova Era, que quer adorar um deus sem rosto, etéreo; tal pregação ateísta também encontra bases no pensamento dos estoicos antigos, retomado por muitos pensadores ateus de nosso tempo, que admitem uma Razão imanente no Universo, tornando-o inteligente e harmonioso sem a necessidade de Deus - trata-se de um Universo que explica a si mesmo, uma verdadeira entidade divina. Em oposição aos mais significativos desenvolvimentos filosóficos e científicos do Séc. XIX, os pensadores ateus do período proclamaram o ateísmo como um dogma, como a única filosofia científica possível - tal crença no ateísmo está bastante evidente em nossos dias, de tal modo que o mesmo tornou-se uma verdadeira religião para muitos dos seus seguidores.

Por esses e outros motivos é que alguns ramos da ciência, em especial a astronomia, que felizmente é estudada sem preconceitos, não se concilia mais com o ateísmo, considerando-o inconcebível e impensável.

5 - Sobre a metafísica:
É inerente ao ser humano entender o porquê das coisas - de onde as coisas vieram? Por qual motivo elas existem? Quem as criou? Tais questionamentos muitas vezes entram no ramo da metafísica, que significa "além das coisas naturais". Trata-se do estudo dos fenômenos para além do que observamos, uma reflexão que transpassa os limites físicos e naturais - quando alguém deseja saber não só as causas próximas, mas a "causa das causas", envereda-se nas especulações metafísicas. Até a época moderna a metafísica foi muito valorizada pelos intelectuais, mas sofreu severos abalos com os trabalhos de Immanuel Kant (1804), Sigmund Freud (1939), Augusto Comte (1857) e Friedrich Nietzsche (1900), que levantaram a pressuposição de que só conhecemos os fenômenos sem poder penetrar nas suas causas, sem jamais poder atingir a realidade em si mesma - todo o conhecimento além das ciências naturais foi desprezado.

Infelizmente, muitos cristãos também foram influenciados pelo materialismo e pela impossibilidade de conhecer aquilo que está além das percepções naturais e, mesmo crendo em Deus e nos valores morais, pregam que estes jamais podem ser pensados através da razão, mas somente desejados pela fé - ora, a Igreja nunca pregou isso. O fato é que a negação da metafísica exige o uso da própria metafísica, assim como é necessário filosofar se desejarmos argumentar contra a filosofia.
Fonte: Ciência e Fé em Harmonia, Prof. Felipe Aquino, Cléofas, 2012, pgs 116-121.

6 - Teorias mirabolantes:
Diante das inúmeras evidências em favor do Big Bang, alguns dos grandes pensadores ateus de nossos dias estão formulando teorias para não terem de engolir as implicações teístas da descoberta da "Origem do Universo". Algumas delas são:

- O "ricochete cósmico": sugere que o Universo está em expansão e contração contínuas, ajudando a evitar um início definido. Ocorre que não há evidência para um número infinito de explosões! A única coisa que podemos sabe é que o Universo explodiu somente uma vez; não existe matéria suficiente no Universo para que ele continue explodindo indefinidamente; não há matéria suficiente no Universo para fazer com que ele se contraia e venha a explodir novamente - a "teoria do ricochete" contradiz a lei da termodinâmica, supondo que nenhuma energia seria perdida em cada contração e explosão; o Universo não pode suportar um ciclo eterno de expansão e contração - ele já estaria parado, congelado, inerte; um número infinito de explosões é algo verdadeiramente impossível e, havendo um número finito delas, teríamos que explicar de onde veio a primeira de todas - isso não resolve o problema que o Big Bang levanta.

- Tempo imaginário: para evitar o início absoluto, Stepehn Hawking formulou uma teoria que utiliza o "tempo imaginário" - sua teoria pode ser chamada de "teoria imaginária", já que seu teórico afirmou que se trata de uma suposição metafísica que não pode explicar o que aconteceu no tempo real. O próprio Hawking, tendo em vista que quase todo mundo acredita que o Universo e o próprio tempo tiveram origem no Big Bang, sugere o fracasso da sua teoria quando aplicada ao tempo real. Trata-se de apenas um vislumbre imaginativo.

- Incerteza: sendo decisiva a comprovação do início do Universo, muitos ateus passaram a questionar a primeira premissa do argumento cosmológico: a lei da casualidade. A lei da casualidade é o fundamento de toda a ciência e seu questionamento coloca os ateus em uma situação complicada, já que se orgulham tanto de serem os supostos "campeões da razão e da ciência". Seu questionamento toma bases na física quântica, especialmente no princípio da incerteza de Heisenberg - esse princípio aponta a impossibilidade de predizer a posição e a velocidade de partículas subatômicas. Os ateus que tomam base nesse princípio sugerem que, sendo a casualidade desnecessária no reino subatômico, talvez ela também não se aplique ao resto do Universo. Há, porém, um severo erro nesse pressuposto: ele confunde casualidade com previsibilidade. Heisenberg não prova que o movimento dos elétrons não tem causa, apenas afirma que nós não temos a capacidade de predizer a sua posição e velocidade em um determinado momento. A verdade é que os teóricos quânticos reconhecem que é possível que não sejamos capazes de prever simultaneamente a velocidade e a posição dos elétrons, pois a nossa tentativa de observá-los é a própria causa de seu comportamento estranho.

7 - A religião da ciência:
O astrônomo agnóstico Robert Jastrow faz uma interessante observação sobre o comportamento religioso dos cientistas ateus:

"Os teólogos geralmente ficam alegres com a comprovação de que o Universo teve um começo, mas os astrônomos ficam curiosamente perturbados. Suas reações dão uma interessante demonstração da resposta da mente científica, supostamente algo bastante objetivo - quando as provas reveladas pela ciência levam a um conflito com os artigos de fé que professamos. Resulta que os cientistas comportam-se como o resto de nós quando nossas crenças estão em conflito com as provas. Ficamos irritados, fingimos que o conflito não existe ou descrevemos por meio de frases sem sentido." De fato, a sugestão de Atkins sobre os "pontos matemáticos" e a ideia de "energia negativa" de Asimov, se encaixam na percepção de Jastrow.

Einstein também se incomodou com as conclusões de seus estudos: o seu trabalho estava apontando para a ideia de que o Universo teve um começo, possibilidade que o afligia. Jastrow descreve o comportamento de Einstein: "Essa é uma linguagem curiosamente emocional para uma discussão sobre algumas fórmulas matemáticas. Suponho que a ideia de um início do tempo perturbou Einstein por causa de suas implicações teológicas." De fato, os cientistas ateus e panteístas também têm crenças teológicas. 
Fonte: Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, Norman Geisler e Frank Turek, Vida, 2012, pgs 86-89.

8 - Sacrifícios em nome da "deusa Razão":
Não poderia concluir esse artigo sem citar algumas das atrocidades cometidas durante a Revolução Francesa, que pregou uma religião devotada à deusa Razão, um culto que pretendia substituir o cristianismo. Vamos aos fatos:

Inspirados por Russeau, líderes como Robespierre e Danton, tentaram implantar uma utopia na França - sonhavam num sistema no qual somente os mais virtuosos teriam voz. Em nome da causa, os partidários da revolução enfiaram, em 1792, a cabeça da Princesa de Lamballe numa lança, depois dançaram entorno dela. Um ano depois o rei Luís XVI foi guilhotinado - depois foia vez da rainha Maria Antonieta, que nunca disse que "comia brioches" ao saber da fome do povo. Padeiros foram executados por causa do preço do pão, além de carpinteiros, camponeses, mendigos e adolescentes. Louis Saint-Just chegou a afirmar que "A república consiste no extermínio de todos que se opõem a ela." Ele também morreu guilhotinado. Um panfleto da época diz "que nas cidades o sangue dos traidores seja o primeiro holocausto à liberdade."

Em um ano, contando a partir de setembro de 1793, cerca de 40 mil pessoas foram sacrificadas em nome da "nova humanidade" - pelo menos 16 mil delas morreram na guilhotina. Esse total é cerca de cinco vezes o da Inquisição espanhola - o fanatismo por detrás do culto à "deusa Razão" foi, portanto, muito maior do que aquele esteve por detrás da Inquisição. 

No final das contas, até Danton e Robespierre foram guilhotinados. Dez anos depois a monarquia foi restituída por Napoleão, terminando a Revolução com um líder mais despótico que Luís XVI.
Fonte: Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, Leandro Narloch. Leya, 2013, pgs 258-259.

Consideremos, ainda, o pensamento de alguns dos maiores pensadores do Iluminismo:
- David Hume (1711-1776) e Edward Gibbon (1737-1794) justificaram a prática da escravidão como um preço "lamentável, mas necessário para a civilização". Para Gibbon, a escravidão é "quase justificada pela lei soberana da autopreservação". Hume vai além: "os negros e, em geral, todas as outras espécies de homens (uma vez que há quatro ou cinco tipos diferentes) [são] naturalmente inferiores em relação aos brancos." Immanuel Kant é ainda mais severo: "Os negros da África não possuem, naturalmente, nenhum sentimento maior do que o de brincadeiras."
Fonte: Uma História Politicamente Incorreta da Bíblia, Robert J. Hutchinson, Agir, 2007, pgs 162-163.
- Maquiavel, Thomas Hobbes, Jeremy Bentham e John Austin, entre outros pensadores anticristãos, rejeitaram a ideia dos direitos humanos. Bentham considerava os direitos humanos como sendo "falácias anárquicas"; Maquiavel afirmou que "os homens devem ou ser mimados ou completamente destruídos"; Hobbes tinha como certo que os homens abrissem mão de seus direitos naturais em nome de um Estado totalitário; para Austin, a validade de uma lei reside unicamente no fato de ela ter sido proclamada por um governante.

Outras frases bizarras:
"Se vais às mulheres, não vos esqueçais de vosso chicote." Friedrich Nietzsche. Hutchinson, pg 16.

"O destino da mulher é ser uma devassa, como a cadela, a loba; ela deve pertencer a todos aqueles que a reivindicam." Marquês de Sade.  Hutchinson, pg 87.

"A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística." Joseph Stálin.  Hutchinson, pg 21.

Conclusão:
Fica evidente que a ideia de uma origem para o Universo sempre perturbou os ateus, especialmente até a primeira metade do Séc. XX, sendo preferíveis as percepções de mundo nutridas pelos antigos filósofos gregos. Para fugir das conclusões teológicas inevitáveis do Big Bang, muitos ateus sumariamente censuraram o conhecimento científico de seu tempo e sustentaram, através de teorias bizarras, suas visões de mundo, plenamente baseadas no interesse pessoal, na vaidade e numa luta pessoal contra Deus - e em diversas ocasiões essas vaidades promoveram massacres. Infelizmente muitos ateus ainda fantasiam, afirmando que todos os cristãos são ignorantes e inimigos da ciência e que eles, "os únicos amigos" do Big Bang e da Teoria da Evolução, são íntimos da verdade - o fazem, porém, sem a menor noção de que a história do ateísmo foi continuamente maculada por dogmas e lutas declaradas contra o próprio avanço da ciência. Com base nisso tudo, não é de se estranhar que o neopaganismo tem crescido de modo intenso em países de vasta tradição secular e ateísta. 

Finalizo esse artigo questionando a suposta segurança que os ateus nutrem numa igualmente suposta ciência - será que nós, não passando de máquinas que leem o mundo através de receptores sensoriais e interpretações de nosso cérebro, criaturas que brotaram do acaso e do aleatório, que vivem e pensam com base em impulsos químicos e físicos irracionais, podemos confiar tanto em nossas leituras do mundo? Como podemos ter certeza de que aquilo que nos cerca é real? A verdade é que o tão adorado -mas desprezado- método científico, que, em teoria, sustenta as crenças dos ateus, não pode comprovar a própria ciência - ou a ciência pode ser analisada pelo método científico? Quantas outras crenças que os ateus sustentam e que servem de base para o ateísmo jamais serão atingidas pelo método científico? A quanto ao próprio método?

Natanael Pedro Castoldi

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Grandes Textos - A Existência de Deus

O EOMEAB não pode ser considerado um "blog filosófico". O leitor assíduo já deve ter percebido que grande parte das postagens é voltada para história e teologia, exceto por alguns textos esparsos, o que pode indicar um suposto desapego do autor para com a arte de pensar - nada poderia estar mais longe da verdade! A minha paixão pela defesa da fé, iniciada com debates sobre criacionismo aos 12 anos, já começou acompanhada da filosofia - afinal, já que eu não tinha muito material, precisava me virar com muita reflexão, interpretação e observação, produzindo conhecimento e ampliando o pouco que me estava disponível. Os debates de cunho mais científico ficaram para trás, mas a filosofia prosseguiu. Mesmo sem saber definir "filosofia" ou explicar com profundidade quem era Platão e Aristóteles, eu tinha coragem de filosofar - e filosofava! Sem saber conceitos, sem conhecer os pensadores ou me incluir nalguma linha filosófica, eu me dava a liberdade de pensar e expressar-me. Assim, tomando muito do que via e observava, eu desenvolvi solitariamente as concepções que ainda predominam em minha mente, mesmo depois de ter estudado verdadeiramente. Cultivei, desde a semente, e tratei de cuidar e aperfeiçoar aquilo que para mim faz sentido, que tirei do instintivo pensar, da vivência - para mim, a filosofia é algo mais visceral, parte de dentro e se manifestou quase que involuntariamente, não é simplesmente algo externo, expresso em páginas, em letras, e justificado com diplomas. Falo isso para esclarecer sobre eventuais erros nas minhas reflexões filosóficas, que estão aparecendo mais no EOMEAB com a série "Grandes Textos", e para facilitar o entendimento do leitor quanto às peculiaridades do trabalho, especialmente o que segue nessa postagem. 

O artigo, originalmente intitulado "Caverna" e foi publicado primeiramente nO Mirante, no dia 07/02/2012.

Caverna

Você já ouviu falar do Mito da Caverna, de Platão? Pois bem, brevemente contarei-o ao meu modo: havia um grupo de homens que desde que se lembravam viviam dentro de uma caverna, nunca tendo saído dela, nela nascido e nela vivendo absolutamente todo o tempo, por isso a sua concepção de satisfação estava no pouco que haviam experimentado do mundo, já que aquilo que suas mentes e corpos ainda não tinha sequer sonhado não poderia fazer parte de sua rotina, nem ser almejado. Esses homens contentavam-se apenas em ficar sentados observando as sombras produzidas pela luz externa -modificando um pouco a questão-, tendo as outras pessoas, que passavam do lado de fora da gruta, como meras sombras que produziam sons específicos, assim como as aves, mas tudo não passava da silhueta de indivíduos vagando no mundo exterior e isso já bastava para os cativos. Porém um dia, um entre os inertes resolveu levantar-se e procurar pela fonte da luz e das sombras, então retirou-se da caverna e, perplexo, deparou-se com uma vastidão assombrosa de terras verdejantes e cheias de vida, por isso voltou à caverna para chamar os demais que, duvidando, no comodismo, preferiram não ir ver para crer e permaneceram aprisionados.

O Mito da Caverna é definitivamente riquíssimo e dele quero extrair uma série de ensinamentos. Primeiramente é um erro pensar que os seres aprisionados não sentiam necessidade de nada daquilo que havia fora da caverna porque não o conheciam - como seres humanos, criados para um mundo diferente e com propósitos, no mínimo sentiam um aperto estranho no peito, uma necessidade inexplicável de algo que não sabiam o que era, um vazio, a urgência por água fresca e frutos suculentos, a brisa no rosto, o morno raio solar e sua luz reconfortante, a apreciação da verde natureza e do céu azul rajado de branco. O homem precisa disso, o homem depende disso! E isso está tão inserido em nós, que fomos projetados para viver nesse mundo, que nascemos com tais tendências e anseios, é algo que vêm em nossa genética, nosso ímpeto por sobreviver e, além de sobreviver, usufruir das belezas e sabores dos bosques, pradarias, montanhas e vales, por isso afirmo que também em nossa alma estão inseridas tais questões, que fogem da mera luta instintiva pela vida. Se o homem sente natural necessidade de algo, por mais que nunca o tenha visto, provavelmente ele existe, e se no homem existe um sentimento, uma vontade, um anseio que nada nesse mundo consiga suprir com excelência, então algo externo à matéria visível e palpável deve existir, pois o vazio, a necessidade daquilo que não vemos, mas sentimos, demonstra o fato de termos sido projetados genética e espiritualmente para tal. O homem não saiu da caverna por curiosidade, apenas, pois se estivesse totalmente suprido nela, não iria procurar nada além daquilo que já conhecia, mas reconhecendo a necessidade de algo que desconhecia, saiu a procurá-lo. A busca por Deus, ou por alguma outra suposta divindade celestial, é tão antiga quanto o próprio ser humano, resumindo-se nalgo natural e tipico do homem, que simplesmente existe inato em nós, independendo de explicação ou vontade, sendo um anseio real e profundamente vital, ao contrário do recente e crescente ateísmo, que evidencia-se como contrário a nossa natureza pelo fato de carecer de inúmeras evidências e argumentos para, parcialmente, validar-se e, ainda assim, todo o ateu, pelo desespero demonstrado em seus argumentos parciais, tendenciosos, fracos e apelativos, deixa claro que, no fundo, não crê realmente que Deus não existe, mas luta continuamente contra seus genes físicos e espirituais, de modo nitidamente doloroso, afim de não ter que se curvar aO Senhor do Universo. O ateísmo é muito mais uma postura particular, resultante de conflitos de indivíduos descontentes com O Pai, do que uma ciência inescapável.

A questão é: nada surge do Nada, nenhum efeito está desprendido de uma causa, mas tudo o que existe é reflexo da existência de algo que possa englobá-lo. Sendo assim, se o homem sente necessidade de crer em Deus, sendo o efeito de uma causa, logo, é impossível que Deus não exista, pois, se não o fosse, de onde viria tal anseio por Ele? A própria luta contra Deus, desenvolvida por rebeldes insubmissos, é evidência de que Ele existe, pois não se luta contra o "nada" - se Ele não existisse, seria fácil demais comprová-lo. Nós nos sentimos incomodados ou reconfortados com algo existente, não inexistente. Nada pode vir do Nada, logo, tudo só pode vir do Tudo, não existe novidade no Eterno, que eternamente é o que sempre foi simplesmente por sê-lo eternamente assim, portanto a necessidade que temos de crer em Deus não é produto do acaso, do Nada, mas sim do Tudo e esse Tudo é o próprio Deus, a causa do efeito, a causa do anseio que temos por Ele. Se fôssemos fruto do acaso, não haveria nada, absolutamente nada que direcionaria à Deus, pois Ele não existiria para que houvesse algo do tipo, mas como isso existe, parece-me plausível crer que Ele também existe. Pense no mundo em que vivemos como sendo a caverna do mito: vivemos nele e só conhecemos o que há nele, mas há algo fora disso, algo além, causador de nossa insatisfação em relação ao que é visível e palpável, algo que nada feito de matéria é capaz de aniquilar e como resposta ao fato de estarmos incompletos uns decidem olhar para o que há fora da "caverna", enquanto outros preferem ignorar e, sofrendo, permanecerem inertes. A única alternativa, a única resposta para aquilo que sentimos, mas não conseguimos explicar ou suprir com nada do que existe na humanidade ou no mundo natural, está fora dessas esferas, só pode estar, sendo a causa do efeito, no tudo do Tudo.

Isso é apenas raciocínio teórico? O teste fundamental para ver se algo de fato existe e é efetivo está no experimento e comprovação daqueles que se dispõem a fazê-lo. O primeiro ponto de comprovação está na universal verdade de que todos os seres humanos sentem que algo lhes falta, na verdade universal de que a humanidade precisa se curvar a algum deus, isso é inquestionável e você nunca encontrará alguém, ateu ou não, que não viva sem nenhum dogma, nenhuma crença miraculosa e de qualidade sobrenatural. O homem, sendo também espírito, não pode abrir mão de sua vital ligação com o espiritual externo, faz parte de sua natureza. O segundo ponto de comprovação está mais voltado à fé cristã: bilhões de pessoas reconhecem que o ser humano padece de um problema a ser resolvido e quase todas afirmam com veemência que o dito "vazio" e a tristeza que ele produz resolveram-se com o ato de entrega à Cristo - eu vejo centenas de milhões de cristãos, que encontraram verdadeira alegria em Jesus, servindo-O em países que os perseguem violentamente, eu vejo muçulmanos, hindus, ateus... se convertendo ao Rei dos reis, mas pouco do oposto vejo e, quando tal oposto ocorre, a culpa não está na fraqueza da fé nO Filho, mas no mau exemplo de pais que seguem Cristo como uma religião qualquer ou que O desonram em demasia, no mau testemunho de cristãos fanáticos, legalistas ou libertinos, que não se entregaram realmente a Jesus, não mudando de vida e, por conseqüência, criando repulsa a outros cristãos, que desistem da fé, ou a não cristãos, que preferem evitá-la, outros ainda desistem de continuar ou se integrar por terem asco de algumas tradições extra-bíblicas da Igreja, que mais parecem mitologia, ou por causa da estúpida fé cega e infundada de muitos, que bradam aos quatro ventos que "ciência e fé não se ligam", que "só se pode crer em Deus pela fé, não havendo argumentos científicos"... o que faz sermos tachados como ignorantes e, portanto, um atraso para o desenvolvimento do conhecimento. Se você ler algumas postagens de meu blog perceberá o quão frágeis são essas posições - "A Máquina do Tempo", "A História do Mundo", "Sucessão religiosa", "Ilusão", "Espantosas letras" e "A Menor Religião do Mundo".

O Mito da Caverna também deixa aval para falarmos da diferença científica mais evidente entre cristianismo e ceticismo: as Origens. A fé cristã pode coexistir com a Teoria da Evolução e nenhum de seus argumentos invalidam a ação de Deus como Criador da vida e programador de seu desenvolvimento, da mesma forma ela pode coexistir com o Big Bang, pois o "nada" de onde veio "tudo" pode, muito bem, ser O Tudo, que é Deus -já que nada pode vir do Nada. A diferença não está propriamente nas evidências, pois as evidências de que o Big Bang aconteceu só provam que, de fato, ele aconteceu e nada mais, pois isso não exclui Deus e, da mesma forma, as evidências da Evolução - muito mais fracas e míticas - não tem outro potencial senão de comprová-la - ou, pela falta, reprová-la -, mas Deus prossegue inatingível, a diferença fundamental entre ceticismo e cristianismo está nos domínios da filosofia, do raciocínio quanto ao que não podemos realmente estudar, mas que, com base em conceitos matemáticos das ciências da física e química, conseguimos, pelo menos, fundamentar. Digo "entre ceticismo e cristianismo", pois das religiões existentes, a mais científica, a mais viável, é a cristã, originada no judaísmo, cujo argumento monoteísta revolucionário - pois emergiu há um punhado de milênios num universo politeísta insano - compreende a mais sóbria visão espiritual de origem do universo e vida e sua manutenção - se você quer discutir seriamente e honestamente as Origens com base numa religião, não poderá fugir do monoteísmo da forma como a Bíblia o apresenta - "Inescapável" e "Inegável". A questão é a seguinte: diante das "sombras dentro da caverna" o ceticismo procura uma explicação dentro da esfera visível e palpável e o cristianismo reconhece que a origem das "sombras" é externa, está fora de nossos domínios, em resumo: os céticos procuram explicar que as sombras simplesmente, de alguma forma, brotaram das paredes rochosas do recinto, originando-se casualmente e de modo a apresentarem figuras coerentes, enquanto os cristãos alegam que as sombras, na verdade, são o reflexo de uma existência externa, a "ponta do iceberg", o ponto visível de algo que principia no universo do inteligível. Não te parece coerente meu raciocínio? Mas é exatamente o que vemos nas visões de ambos os lados acerca do Big Bang: os descrentes afirmam que o "tudo" simplesmente brotou do Nada, não sendo reflexo doutra coisa senão de si mesmo, vindo a existir do vazio absoluto sem causa ou genitor, enquanto os crentes só conseguem ver antes do "tudo" surgir, O Tudo como eterno causador, sendo o universo visível apenas o reflexo da existência do universo invisível.
Observação: desde a origem do Universo a quantidade de matéria, vinda de Deus, é a mesma, tornando-se aos poucos inutilizável pelo decaimento da energia, ou seja: a quantidade não muda, o que muda é a sua organização, complexidade e as combinações entre as substâncias.

A questão aqui nem precisa entrar nos méritos da complexidade do universo que nos cerca, produto nítido de uma mente criadora, pois só o fato de algo existir, qualquer coisa que seja, por mais simples pareça, já é evidência de sobra para a existência de Deus. Pense comigo: o vazio absoluto é igual a nada, algo infinitamente inerte, morto, desprovido de toda a existência, enquanto a existência de uma única partícula de matéria ou energia representa preenchimento, acompanhado do espaço e tempo, logo, uma diferença infinita: do infinitamente vazio à existência, que trata-se de uma quebra, o preenchimento desse infinito. A minha conclusão, portanto, é que a origem de qualquer coisa do vazio absoluto aponta para um avanço infinito, uma evolução sem medida, um imensurável aumento de complexidade, cujo nível de dificuldade de ter vindo a existir sem causa é inconcebível. A exigência de Deus para a origem de uma mísera partícula de energia ou de um computador completo à partir do Nada é a mesma, está no mesmo nível, pois ambos indicam um salto infinito de complexidade. A existência de qualquer coisa já me é prova suficiente de que Deus existe e isso fica muito claro quanto entendemos que nosso universo está inteiramente imerso nesse jogo de reflexos: tudo o que existe é resultado, reflexo, doutra existência. A sombra de um homem é reflexo, indica descaradamente a existência de tal homem e, por sua vez, a existência desse homem é reflexo do alimento que ingere, a repôr seus tecidos e abastecê-lo de energia, também da existência de pais biológicos e, por fim, da existência de Deus, pois os pais desse homem vieram de outros pais humanos e assim por diante, chegando no ponto longínquo em que o patriarca e a matriarca da humanidade inteira surgiram e é aqui que, mais uma vez, dividem-se o ceticismo e o cristianismo: o lado descrente afirma que o homem é reflexo do animal inferior e o lado crente afirma que o homem é reflexo direto do divino Criador. Novamente o Mito da Caverna nos faz refletir.

Me responda uma pergunta: da sombra surge o homem ou do homem surge a sombra? Seria um absurdo sugerir que o homem é produto da sombra, não é? Isso é óbvio, logicamente a sombra não tem potencial algum em complexidade para originar o homem, que é imensuravelmente maior, em constituição, do que ela, muito mais viável, pela lógica, observação e experiência é afirmar que o mais complexo é o causador do menos complexo, portanto é loucura sugerir o oposto. Nada surge do Nada, como já disse, e isso se enquadra nesse raciocínio: o aumento da complexidade numa evolução de seres exige o surgimento de coisas novas, de coisas novas do Nada, pois não há nível de complexidade, matéria ou energia disponível para proporcioná-lo - lembremos que a tendência dos seres, constituídos fundamentalmente de energia, é que ela decaia, regrida com o tempo, resultando em diminuição de complexidade, não acréscimo, o que é óbvio, pois se a energia aumentasse, de onde ela estaria vindo? Do Nada?! O "Nada" nem ao menos pode existir, levando em conta que onde não há nada, também não há tempo, pois ele só se desenvolve onde há matéria e energia a movimentar-se e, tampouco espaço, pois o espaço só pode ser compreendido quando há algo ocupando-o, ou melhor, produzindo-o, preenchendo-o, portanto sem matéria, tempo ou espaço não há existência para que algo venha a... existir! A idéia da Lei da Causa e Efeito se fundamenta nisso: o originador de algo não pode ser menor do que aquilo que originou, pois isso exige novidade, acréscimo de complexidade, coisa que ele não tem condições de fornecer, portanto a conseqüência é sempre menor do que seu causador, da mesma forma que é a sombra que vêm do homem e não o homem que vêm da sombra. Pense: vida + vida = vida; vida - vida = morte; a vida é mais complexa do que a morte, por isso independe dela para ser vida, está acima dela e vem antes dela, mas a morte, por outro lado, é o decréscimo da vida, logo, vem como conseqüência da vida, não causadora, a morte não tem vida para oferecer, mas a vida tem morte a oferecer quando subtraímos dela a virtude, logo, a vida não pode vir da morte, mas a morte pode vir da vida, portanto, existindo vida hoje no Universo, sua origem não pode ser casual e da matéria bruta, sem vida, somente pode ser resultado doutra vida, anterior e superior em virtude e constituição, pois o decréscimo dessa vida, como causa do efeito, resultou em vida, não em morte, logo, tal fonte de vida, superior a vida que nos cerca, por ser sua causadora, pode, muito bem, ser de vitalidade eterna e, como causadora da matéria viva, ser constituída de algo maior do que a matéria palpável, o que me faz concluir que tudo se trata do Deus Eterno.

Essa é a questão: o 50 não pode fornecer 100, mas o 100 pode fornecer 50, pois só o que existe pode promover existência. Se no 50 não existe 100, no máximo 50, então não se pode subtrair o 100, para tal a metade que falta deveria surgir, vir à existir, à partir da inexistência, o que, como vimos, é um absurdo. Digamos que os animais inumanos sejam, em complexidade, em constituição, 50% daquilo que nós, humanos, somos. Sabemos que além da complexidade do corpo que temos, há aspectos em nós que são exclusivos, não tendo nenhuma fonte observável e provável o mundo animal, portanto, esperar que esses aspectos exclusivos tenham surgido causalmente em nós, tenham nos sido dados como milagres, sem nenhuma fonte, advindos do nada, trata-se de novidade e o eterno não combina com novidade, além de a novidade exigir um acréscimo daquilo que não existe dentro do que existe, mas se não existe, de onde poderia vir a existir? O tudo só pode vir do Tudo. O homem ser a "sombra" de um primata inferior, como conclusão, é possibilidade insana, pois exigiria novidade, aumento de complexidade... até porque parece insano dizer que o homem é apenas "sombra" de um chimpanzé, já que a única coisa que se observa é que sombras e reflexos sempre são inferiores aos seus emanadores. A luz não é maior do que o Sol! Com isso não quero dizer que o homem é a criatura primeira e que todos os seres seguintes vieram dele, mas dizer que o homem só pode ter vindo a existir de algo maior do que ele, coisa que não encontramos em parte alguma do Universo, a não ser que acreditemos em  Deus, e O Criador, sendo o 100%, poderia originar tanto o homem, 99%, quando a ameba que habita a poça d'água, 0,5%, pois do 100% podemos subtrair tanto o 99%, quanto o 0,5% - e a ciência cética ainda insiste que, no princípio, a matéria bruta, 0%, deu origem a um ser unicelular vivo, 0,5% e desse ser, ao longo de bilhões de anos, veio o 99%, que é o homem, lógica insana, pois do 0 não se pode tirar o 99, da sequidão total não se pode tirar água, do fogo não se pode tirar gelo, das trevas absolutas não se pode tirar luz, do vazio absoluto não se pode tirar o espaço e da inexistência não se pode tirar a existência, mas podemos tornar um charco tórrido como um deserto, subtraindo a água, o fogo em gelo, apagando-o completamente e retirando todo o seu calor, a luz em trevas, bloqueando todas as suas entradas, o espaço em vazio absoluto, retirando-lhe toda a matéria, e a existência em inexistência, ao aniquilarmos aquilo que existe. É por isso que digo e repito: somente o Tudo pôde possibilitar a existência de tudo.

Imagine agora que a Caverna é a sua mente: todo o conhecimento que você possui do mundo que te cerca já estava em sua mente quando você nasceu ou teve que ser obtido? Obviamente obtido! Obtido de onde? Não de você mesmo, logicamente, pois se não existia em você, não poderia vir de você, caso contrário existiria e você o conheceria sem ter que absorvê-lo. De onde então? De fora, do ambiente externo, do desenvolvimento do universo das cercanias, refletindo para dentro de tua mente uma série de informações, que você absorveu como uma esponja absorve água - e a água não pode absorver a esponja. O que originalmente não existia em tua mente, mas hoje existe, só pode ter vindo de fora dela, não do nada e de dentro dela, pois nada vem do Nada! Logo, o que tu conhece é reflexo do que te foi apresentado. Agora me responda: o teu conhecimento do Universo é maior do que o Universo? Obviamente não, pois o que sabemos sobre algo não pode ser maior do que ele, portanto a idéia de que o reflexo é sempre menor do que o objeto que reflete se consolida e, por fim, o tudo não pode vir de algo menor, que é o Nada, nem a vida da morte, nem o homem dos animais inferiores, pelo contrário, o tudo só pode vir do Tudo -maior do que ele-, a vida da Vida -maior do que ela- e o homem dO Criador -maior do que ele. O mais interessante desse raciocínio todo é que ele me leva a concluir que tudo o que existe hoje, não podendo haver novidade no eterno ou o surgimento de coisas novas do Nada, veio de um ambiente externo, ou seja, o Universo em toda a sua plenitude, não pode ter vindo a existir do Nada ou de si mesmo, pois se viesse a existir à partir de si mesmo, sendo o seu próprio tudo, na verdade não teria vindo a existir, já que já estaria existindo plenamente em si. O que posso concluir disso tudo é que, assim como a menor partícula de energia não pode ter vindo a existir do nada, pois esse seria um salto infinitamente grande à partir do vazio absoluto, tudo o que existe no Universo veio de um ambiente externo à ele, de algo fora dele, além dele, acima dele, nada, absolutamente nada, dele para ele mesmo. O Universo então passa a ser a Caverna e as "sombras" dentro dela, reflexo do que está fora dele. Somente Deus pode ser o originador externo do Universo que vemos!!!

O ponto final de minha análise repetirá alguns argumentos do que já fora dito, mas é igualmente válido: as sombras dentro da caverna de Platão são evidencias do que? De que existe algo além da caverna, fora dela, ao redor dela, algo maior do que ela, englobando-a. Já disse que a existência da mais simples partícula já é uma sombra de Deus, um reflexo de Sua existência, mas há "sombras" mais gritantes a evidenciar a existência dO Criador e é aqui que falarei sobre a complexidade do Universo. Um dos trunfos da ciência cética contra Deus é o fato de não podermos observar e experimentar em prol de Sua existência, logo, Ele não pode ser comprovado, argumento fraquíssimo, ao levarmos em conta que O Criador é maior do que a Sua criação, portanto, não podemos encontrá-Lo diretamente através do produto criado - Ele está além disso, o criador da matéria é constituído de algo que está acima dessa matéria -, é como tentarmos desvendar a anatomia de um engenheiro estudando apenas o engenho que ele construiu. Ora, isso é impossível, mas pelo menos podemos ter certeza de que o engenheiro existe, porque a sua obra é complexa demais para ter vindo à existência por conta e porque, num canto ou outro do maquinário existem marcas de suas impressões digitais, que são a sombra, a evidência indireta que ele existe. O mesmo é para com Deus! As sombras de Seu trabalho são evidências indiretas de Sua existência, o que já O faz inescapável.

Vou citar apenas dois exemplos do corpo humano para te evidenciar esse fato: a retina de cada olho humano possui algo entorno de 10 milhões de células sensíveis à luz, sendo cada uma delas mais complexa do que o mais avançado de nossos computadores, resolvendo, em conjunto, 10 bilhões de cálculos por segundo; o cérebro humano possui aproximadamente 10 bilhões de células nervosas e cada uma delas pode possuir entre 10 e 100 mil fibras de conexão com outras, tornando possível a existência de mil trilhões de conexões em um único cérebro humano, o mais surpreendente é que tais conexões se organizam de modo coeso e efetivo, como resultado de planejamento. Se você, ao ver uma palavra de três letras escrita no chão não é capaz de crer que aquilo tenha vindo do acaso, mas logo constata a existência do "escritor", pois o produto do intelecto exige um intelecto superior -"Causa e Efeito"-, então como pode crer que uma máquina tão misteriosa e surpreendente quanto o ser humano poderia ter vindo do acaso?! A nossa existência é uma nítida sombra da existência de Deus, nós somos as Suas inegáveis impressões digitais!! Isso que nem falamos da complexidade do Universo - "Geocentrismo".

Pense: se o ser máximo da natureza não pode ter vindo de ninguém menos do que o próprio Deus, por que o cristianismo, a religião mais profunda, complexa, sóbria e realista, não seria também a religião correta, como produto direto da mente desse mesmo Criador?! E aqui eu uso do Mito da Caverna para argumentar também em prol da confiabilidade divina da fé cristã. Leia: "Impossível", "O Perfeito", "Encontro inesperado", "Pandemia" e "Está em oculto".

Para não me delongar mais, irei concluir a postagem. Espero que esse raciocínio puramente filosófico tenha mexido contigo e te feito repensar conceitos. Lembre-se de que você tem duas escolhas: limitar-se à "caverna" ou, reconhecendo que as "sombras" indicam que existe algo mais, procurar Aquele que existe fora dela! No final das contas, o mais importante disso tudo está nas primeiras reflexões desse artigo: perceba em ti o real anseio por Deus e se renda diante dEle!! Ele existe, Ele é real e Ele não quer que você mesmo, negando-O, julgue-se a uma eternidade longe dEle, o que certamente será um inferno... no Inferno!

Natanael Pedro Castoldi, 2012

Leia também:

Os Filósofos, os Teólogos, os Cientistas e Deus

Para ampliar a gama de argumentos do cristão mediante as alegações dos críticos das Escrituras ("não se pode ser inteligente e acreditar em Deus ao mesmo tempo"; "a Religião não trouxe nenhum benefício para o mundo acadêmico"), decidi publicar mais uma postagem constituída basicamente de frases de gente extremamente capacitada, de gente que verdadeiramente revolucionou o mundo. Tire as suas próprias conclusões. As frases se relacionam com a crença nalguma divindade, não necessariamente apontando para o cristianismo (é claro que a maioria fala do Deus revelado na Bíblia).

1 - Filósofos, teólogos e estadistas:
- Aristóteles (384 - 322 a.C.), filósofo grego:
"Embora seja invisível aos olhos da natureza mortal, Deus reconhece-se através de suas obras."

- Sêneca (4 a.C. - 65 d.C.), escritor e filósofo romano:
"A fé em Deus está inscrita em todos os corações. Mentem os que dizem não acreditar na existência de Deus, pois durante a noite e quando estão sozinhos, também eles duvidam!"

- Cícero (106 - 46 a.C.):
"A existência de Deus é tão óbvia, que me parece que aquele que a nega lhe falta o bom senso."

- Francis Bacon (1561-1626), político e filósofo inglês, primeiro filósofo a formular as regras do método científico (empirismo):
"Um conhecimento supérfluo da filosofia afasta-nos da religião, um conhecimento profundo da mesma filosofia reaproxima-nos dela."

- E. M. Arouet, de pseudônimo Voltaire (1694-1778), escritor e filósofo francês, representante máximo do Iluminismo francês:
"Se Deus não existisse, teria que ser inventado, mas ele existe. Toda a natureza proclama."

- Jean J. Russeau (1712-1778), filósofo francês:
"Medito sobre a ordem da Natureza para a admirar e para adorar o sábio Criador que nela se manifesta."

- D. Diderot (1713-1784), filósofo e romancista francês:
"Os olhos e as asas de uma borboleta bastam para destruir os argumentos dos que negam a Deus."

- Emmanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão:
"A razão indigna-se com motivo, com a ideia de que tudo é produto do acaso. Há duas coisas que nos enchem de admiração; o céu estrelado por cima de nós e a lei moral dentro de nós."

- J. W. V. Goethe (1749-1832), escritor alemão:
"Esta personificação monstruosa apresenta-se-nos como Deus, como Criador, como quem nos mantém no ser, a quem devemos adorar e louvar."

- Santo Agostinho (354-430), bispo, doutor da Igreja:
"Ninguém nega a existência de Deus se não tiver interesse em que ele não exista."

- M. Ghandhi (1869-1948), estadista indiano:
"Não hesito em dizer que estou mais persuadido da existência de Deus do que da nossa própria presença neste lugar."

- Pio XII (1876-1958), Papa:
"Contradizendo afirmações superficiais, (...) a verdadeira ciência descobre Deus e, conforme vai progredindo, aproxima-nos cada vez mais Dele."

- João Calvino (1509-1564), reformador franco-suíço:
"Primeiramente conhecemos Deus como nosso Criador, que nos mantém no ser através do Seu Poder, qe nos dirige com a Sua Providência, que nos protege com a Sua Bondade e nos cumula com toda a espécie de bênçãos."

- J. Langhbehn (1851-1907), escritor alemão:
"Aquele que nega a existência de Deus parece-se a quem nega a existência do Sol: não lhe serve de nada, pois ele continua a brilhar."

- Duplessy:
"Sob a influência de uma paixão, de uma imperfeição moral, desejar-se-ia que Deus não existisse."

- Edith Stein (1891-1942), judia convertida ao cristianismo, beata:
"Os que procuram a verdade, procuram a Deus, quer o admitam que não. Quem quiser saber o que é a verdadeira felicidade leia de novo as instruções - a Bíblia - do nosso arquiteto Deus e de sua empresa Igreja."

"Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os." Romanos 2:14-15


"Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis." Romanos 1:20

2 - Cientistas:
- Isaac Newton (1642-1727), fundador da física clássica e descobridor da lei da gravidade:
"A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta."

- William Herschel  (1738-1822), astrônomo alemão, descobridor do planeta Urano:
"Quanto mais o campo das ciências naturais se dilata, tanto mais numerosas e irrefutáveis se tornam as provas da eterna existência de uma Sabedoria criadora e todo-poderosa."

- Alessandro Volta (1745-1827), físico italiano, descobridor da pilha elétrica e inventor, cujo nome deu origem ao termo "voltagem":
"Submeti a um estudo profundo as verdades fundamentais da fé, e (...) deste modo encontrei eloquentes testemunhos que tornam a religião aceitável a quem use apenas a sua razão."

- André Marie Ampère (1755-1836), físico e matemático francês, descobridor da lei fundamental da eletrodinâmica, cujo nome deu origem ao termo "amperagem":
"A mais persuasiva demonstração da existência de Deus depreende-se da evidente harmonia daqueles meios que asseguram a ordem do universo e pelos quais os seres vivos encontram no seu organismo tudo aquilo de que precisam para a sua subsistência, a sua reprodução e o desenvolvimento das suas virtualidades físicas e espirituais."

- H. C. Oersted (1777-1851), físico dinamarquês, descobridor de uma das leis do Eletromagnetismo;.
"Cada análise profunda da Natureza conduz ao conhecimento de Deus."

- Jons Jacob Berzelius (1779-1848), químico sueco, descobridor de inúmeros elementos químicos:
"Tudo o que se relaciona com a natureza orgânica revela uma sábia finalidade e apresenta-se como produto de uma Inteligência Superior (...). O homem (...) é levado a considerar as suas capacidades de pensar e calcular como imagem daquele Ser a quem ele deve sua existência."

- Ph. V. Martius (1794-1868), botânico alemão:
"A nossa época está demasiado disposta a admitir que os cientistas professam o materialismo (...), que eles não têm sensibilidade para ouvir as advertências que lhes fazem os fundamentos espirituais de muitas coisas. No entanto, quem as deveria e poderia aprender melhor do que eles?"

- Karl Friedrich Gauss (1777- 1855), alemão, considerado por muitos como o maior matemático de todos os tempos, também astrônomo e físico:
"Quando tocar a nossa última hora, teremos a indizível alegria de ver Aquele que em nosso trabalho apenas pudemos pressentir.'

- Agustín-Louis Cauchy (1789-1857), matemático francês, que desenvolveu o cálculo infinitesimal: 
"Sou cristão, isto é, creio na divindade de Cristo como Tycho Brahe, Copérnico, Descartes, Newton, Leibniz, Pascal (...), como todos os grandes astrônomos e matemáticos da Antiguidade."

- C. Lyell (1797-1875), geólogo inglês, autor da Geologia moderna:
"Seja qual for a direção que levem as nossas investigações, descobrimos por toda a parte provas evidentes duma inteligência criadora, da sua Providência, da sua sabedoria e poder."

- H. Madler (1794-1874), astrônomo alemão, autor do primeiro mapa selenográfico:
"Um cientista sério não pode negar a existência de Deus, pois quem, como ele, pode penetrar tão profundamente a Sua oficina e admirar a Sua Sabedoria, só pode ajoelhar-se perante a grandeza do Espírito Divino."

- James Prescott Joule (1818-1889), físico britânico, estudioso do calor, do Eletromagnetismo e descobridor da lei que leva o seu nome:
"Nós topamos com uma grande variedade de fenômenos que (...) em linguagem inequívoca falam da sabedoria e da bendita mão do Grande Mestre das obras."

- Ernest Werner Von Siemens (1816-1892), engenheiro alemão, inventor da eletrotécnica e que trabalhou muito no ramo das telecomunicações:
"Quanto mais fundo penetramos na harmonia dinâmica da natureza, tanto mais nos sentimos inspirados a uma atitude de modéstia e humildade; (...) e tanto mais se eleva a nossa admiração pela infinita Sabedoria, que penetra todas as criaturas."

- William Thompson Kelvin (1824-1907), físico britânico, pai da termodinâmica e descobridor de muitas outras leis da natureza:
"Estamos cercados de assombrosos testemunhos de inteligência e benévolo planejamento; eles nos mostram através de toda a natureza a obra de uma vontade livre e ensinam-nos que todos os seres vivos são dependentes de um eterno Criador soberano."

"Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia. E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!" Salmos 139:14-17

- P. Sabatier (1854-1941), zoólogo alemão, Prêmio Nobel:
"Querer estabelecer contradições entre as Ciências Naturais e a Religião, demonstra que não se conhece a fundo ou uma ou outras dessas disciplinas."

- Edgar Daqué (1878-1945), paleontólogo e filósofo alemão:
"Só o ser humano, entre todas as criaturas, é chamado a aproximar-se de Deus com toda a força da sua consciente personalidade. Deus quer ser reconhecido pela sua imagem, e este conhecimento é um encontro amoroso, uma confirmação."

- Arthur Eddington (1882-1946), físico e astrônomo britânico:
"A física moderna leva-nos necessariamente a Deus."

- Carl Gustav Jung (1875-1961), suíço, um dos fundadores da psicanálise:
"Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão da sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por terem perdido aquilo que uma religião viva sempre deu aos seus adeptos, e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria."

- Werner Von Braun (1912-1977), físico alemão radicado nos Estados Unidos, especialista em foguetes e principal diretor técnico dos programas da NASA (Explorer, Saturno e Apolo), que culminaram com a chegada do homem à lua:
"Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que na época das viagens especiais temos conhecimentos da natureza tais que já não precisamos crer em Deus. Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salve da catástrofe o nosso mundo. Ciência e religião são, pois, irmãs, e não pólos antitéticos." "Quanto mais compreendemos a complexidade da estrutura atômica, a natureza da vida ou o caminho das galáxias, tanto mais encontramos razões novas para nos assombrarmos diante dos esplendores da criação divina."

- C. M. Hathaway, nascido em 1902, físico e engenheiro norte-americano, inventor do cérebro eletrônico:
"A Física moderna ensina-me que a natureza é incapaz de se organizar por si mesma. O universo apresenta uma grande organização. Por isso se torna necessário admitir uma Grande Causa Primeira."

- Pascoal Jordan (1902-1980), físico alemão, um dos fundadores da Mecânica dos quanta:
"O progresso moderno removeu os empecilhos que se opunham à harmonia entre ciências naturais e cosmovisão religiosa. Os atuais conhecimentos de ciências naturais já não fazem objeção à noção de um Deus Criador."

- Fr. Von Huene (1875-1969), geólogo e paleontólogo alemão:
"Essa longa história da vida que aos poucos se vai erguendo em escala ascensional, é, precisamente, a história da criação do mundo dos viventes. É a ação de Deus que tudo planeja e concebe, dirige e sustenta."

- M. Hermann (1876-1962), Diretor do Instituto de Biologia Max Plank:
"Os resultados da mais desenvolvida ciência da natureza ou da Física não levantam a mínima objeção à fé num Pode que está por trás das forças naturais e que as rege. Tudo isto pode aparecer mesmo ao mais crítico pesquisador como uma grandiosa revelação da natureza, levando-o a crer numa todo-poderosa Sabedoria que se acha por trás desse mundo sábio."

- Friedrich Dessauer (1881-1963), alemão, biofísico e filósofo da Natureza, fundador da terapia das profundidades por meio de raios Roentgen e da Biologia dos quanta:
"O fato de que nos últimos setenta anos o curso das descobertas e invenções nos interpela poderosamente, significa que Deus o Criador nos fala mais alto e mais claro do que nunca mediante pesquisadores e inventores."

- J. R. Von Mayer (1814-1878), médico e físico alemão, enunciou a Lei da Conservação da Energia:
"As autênticas Ciências Naturais e a Filosofia conduzem necessariamente à fé em Deus."

- Gustav Mie (1868-1957), físico alemão:
"Devemos dizer que um pesquisador de natureza que reflete (...) deve necessariamente ser um homem piedoso. Pois ele tem que se dobrar reverente diante do Espírito de Deus, que se manifesta tão claramente na natureza."

- J. v. Liebib (1803-1873), químico alemão fundador da química agrícola:
"A grandeza e a sabedoria infinita do Criador só são acessíveis àquele que se esforça para ler os seus pensamentos nas entrelinhas do grande livro que chamamos Natureza."

- Albert Einstein (1879-1955), físico judeu alemão, criador da teoria da relatividade, Prêmio Nobel 1921:
"Todo profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimento religioso, pois ele não pode admitir que ele seja o primeiro a perceber os extraordinariamente belos conjuntos de seres que ele contempla. No universo, incompreensível como é, manifesta-se uma inteligência superior e ilimitada. A opinião corrente de que eu sou ateu, baseia-se sobre grande equívoco. Quem a quisesse depreender de minhas teorias científicas, não teria compreendido o meu pensamento."

- Edwin Couklin (1863-1952), biólogo norte-americano:
"Querer explicar pelo acaso a origem da vida sobre a terra é o mesmo que esperar que um dicionário completo possa ser o resultado da explosão de uma tipografia."

- Max Plank (1858-1947), físico alemão, criador da teoria de quanta, Prêmio Nobel 1928:
"Para onde quer que se dilate o nosso olhar, em parte alguma vemos contradição entre Ciência Naturais e Religião; antes, encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências Naturais e Religião não se excluem mutuamente, como hoje em dia muitos pensam e receiam, mas complementam-se e apelam uma para a outra. Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão." (Gott steht für den Gläubigen em Anfang, fur den Phystker em Ende alles Denkens).

- H. Spemann (1869-1941), zoólogo alemão, Prêmio Nobel 1935:
"Quero confessar que, durante as minhas pesquisas, muitas vezes tenho a impressão de estar num diálogo em que meu interlocutor me aparece como Aquele que é muito mais sábio. Diante desta extraordinária realidade (...) o pesquisador é sempre mais tomado por uma profunda e reverente admiração."

- J. Ambrose Fleming (1849-1945), físico britânico:
"A grande quantidade de descobertas modernas destruiu por completo o antigo materialismo. O universo apresenta-se hoje ao nosso olhar como um pensamento. Ora, o pensamento supõe a existência de um pensador."

- Guglielmo Marconi (1874-1937), físico italiano, inventor da telegrafia sem fio, Prêmio Nobel 1909:
"Declaro com ufania que sou um homem de fé. Creio no poder da oração. Creio nisto não só como fiel cristão, mas também como cientista."

- Thomas Alva Edison (1847-1931), inventor no campo da Física, com mais de 2 mil patentes:
"Tenho (...) enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles: Deus."

- Charles Darwin, autor da teoria da evolução:
"Nunca neguei a existência de Deus. Creio que a teoria da evolução é plenamente conciliável com a fé em Deus. A impossibilidade de provar e compreender que o grandioso e imenso universo, assim como o homem, tiveram origem por acaso parece-me ser o argumento principal para a existência de Deus."

- J. V. Uexküll (1864-1944), biólogo alemão:
"Quem reconhece um plano, um objetivo, uma finalidade e uma intenção na Natureza, reconhece também a existência do Criador."

- Prof. Allan Sandage, dedicou sua vida à pesquisa dos astros:
"Foi a minha ciência que me levou à conclusão de que, o universo é demais complexo para poder ser explicado pela ciência. É somente por meio do sobrenatural que posso compreender o mistério da existência."

- Robert John Russel, fundou em 1981 o Centro de Teologia e Ciências Naturais no Graduate Theological Union, Berkeley, EUA:
"Em vez de solapar a fé e os valores espirituais, as descobertas científicas oferecem-lhes suporte."

- Prof. John Palingharne, físico na Universidade de Cambridge, se tornou presbítero anglicano em 1982:
"Se alguém toma consciência de que as leis da Natureza devem ser incrivelmente certeiras para produzir o universo que vemos, verifica que o universo não teve origem por acaso, mas deve haver um projeto para regê-lo."

- Carl Feit, biólogo cancerologista da Yeshiva University de Nova Iorque:
"O fato de que a mente humana pode penetrar os mistérios do universo, significa que algo do ser humano está em harmonia com a mente de Deus."

- Profa. Jocelyn Bell Burnell, astrônoma, pesquisadora das pulsares. Trabalha na Open University da Inglaterra e é membro da Sociedade Religiosa dos Amigos (Quakers):
"A falta de fé nos deixa sós e apavorados diante do futuro." "A minha fé não me impede de cultivar a ciência em toda a amplidão dos horizontes científicos.'

- Fred Hoyle, astrônomo britânico, ex-ateu:
"A existência de Deus pode ser provada com probabilidade matemática de 10 40000."

- Edward Mitchell, astronauta da Apolo 14, um dos primeiros homens a pisar na Lua:
"O Universo é a verdadeira revelação da divindade, uma prova da ordem universal da existência de uma inteligência acima de tudo o que podemos compreender."

- B. Vollmert, biólogo alemão:
"Atribuir o encadeamento das unidades da molécula de DNA ao acaso é uma hipótese absolutamente improvável (1/101000)."
Este número ultrapassa em muito o imaginável. A ciência fala de uma quase impossibilidade quando se refere a 1/1050. Como termo de comparação: o número de átomos existente no cosmos é de 1083!
"A probabilidade de se passar de um grau de evolução a outro superior por um crescimento casual é de 10-40000."

"Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." Salmos 19:1

"Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; e diga-se entre as nações: O Senhor reina.
Brame o mar com a sua plenitude; exulte o campo com tudo o que nele há; então jubilarão as árvores dos bosques perante o Senhor; porquanto vem julgar a terra. Louvai ao Senhor, porque é bom; pois a sua benignidade dura perpetuamente." 1 Crônicas 16:31-34

Fonte: Ciência e Fé em Harmonia, Prof. Felipe Aquino, Cléofas, 2012, pgs 88-99. Folheto Gott existiert; Pergunte e Responderemos, n. 316, setembro de 1988.

Natanael Pedro Castoldi
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