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SIM NÃO

O Cristão, a Legítima Defesa e a Guerra Justa

Existe uma perigosa teologia circulando em nossos dias: a de que amor é o mesmo que passividade, humilhação, engolir a injustiça de modo omisso. Amor não é isso! Amor não é observar inerte o tirano consumindo vidas ou o criminoso estuprando sua família. Com base em Chesterton, no livro Ortodoxia, Mundo Cristão, percebo o amor como algo ativo - uma reflexão completa sobre isso você encontrará no artigo "A Dinâmica do Amor Cristão". O amor está além do pessimismo e do otimismo, pois o pessimismo não envolve movimento de mudança, apenas crítica, assim como o otimismo, que, não querendo ver a realidade em sua totalidade, não se movimenta por achar que "tudo está bom" - já o amor é realista: por amar, ele não produzirá apenas um pessimista, que só verá o que há de ruim, e muito menos um mero otimista, que vive uma mentira. O amor nos incentiva ao movimento, à reação diante da maldade - o amor cristão tem, sim, um aspecto feroz, e o amor pode se irar diante da vilania, assim como Deus o faz. É por amar que ele deseja, ardentemente, ver a mudança acontecer e, para tal, pode chegar ao ponto do sacrifício. Isso significa, sim, que o cristão tem direito à legítima defesa e que podemos apoiar aquilo que a teologia cristã definiu como "Guerra Justa" - que é exatamente o que o Papa Francisco conclamou diante das recentes movimentações terroristas no Iraque, onde cristãos e outras minorias estão senso massacradas.

O primeiro ponto a considerarmos aqui, é que a Bíblia não aprova uma guerra por qualquer motivo, encorajando a paz com todas as pessoas (Romanos 12:28). Mas isso não significa que não existam circunstâncias nas quais uma guerra ou um conflito se justifiquem (Mateus 24:6):

1 - A Bíblia não proíbe todas as circunstâncias de assassinato. Matar em legítima defesa é justificado (Êxodo 22:2).
2 - A morte em casos em que se aplica a pena de morte é validada (Gênesis 9:6). O governo está divinamente autorizado a usar "a espada" (Romanos 13:4) - isso foi reconhecido por Jesus (João 19:11).
3 - Deus emitiu as regras de guerra para Israel (Deuteronômio 20).
4 - Embora Jesus impedisse que os discípulos usassem a espada para fins espirituais (Mateus 26:52), Ele incentivou seus seguidores a comprarem uma espada, caso fosse necessário para se protegerem (Lucas 22:36-38) - como os discípulos não foram atacados, Jesus reprovou a atitude de Pedro.
5 - João Batistas não pediu pela abolição dos exércitos e nem exortou os soldados ao arrependimento pela sua função militar (Lucas 3:14).

Mesmo que a Bíblia incentive a obediência cristã aos governantes (Romanos 13:1-7; Tito 3:1; 1 Pedro 2:13-14), tal obediência tem limites:

1 - Quando o governo ordena a adoração de ídolos ou de um rei (Daniel 3:6).
2 - Quando o governo proíbe a pregação do Evangelho (Atos 4:5).
3 - Quando o governo ordena a matança de crianças (Êxodo 1).
4 - Os cristãos podem discordar de governos que se envolvem em guerras injustas. Mesmo assim, como nos casos de Daniel (Daniel 6), os três jovens hebreus (Daniel 3) e Pedro (Atos 4-5), os que desobedecem devem estar dispostos a arcar com as consequências.

A Bíblia também apresenta várias condições para uma guerra justa:

1 - Ela deve ser declarada pelo governo (Romanos 13:4).
2 - Sua motivação reside na defesa dos inocentes e/ou contra um agressor perverso (Gênesis 14).
3 - Ela deve ser travada por meios justos (Deuteronômio 20:19).

Por fim, os argumentos bíblicos em prol do pacifismo total são imperfeitos:

1 - A instrução de Jesus sobre "dar a outra face" se refere a um insulto pessoal (como um tapa no rosto), não a ferimentos físicos (Mateus 5:39).
2 - A exortação para o amor pelos nossos inimigos não elimina o uso da força para impedir que ele nos matem (Atos 23, quando Paulo recorre à proteção do Império para impedir sua morte).

O significado do "não matarás", de Êxodo 20:13:

Despedaçar, matar, assassinar - levar à morte, homicídio. A palavra indica homicídio premeditado, um assassinato acidental ou um ato supremo de vingança.

Fonte: Bíblia de Estudo Defesa da Fé, CPAD, 2010, pg 1070, Norman Geisler; Bíblia de Estudo Palavras-Chave, CPAD, 2011, pgs 1935 e 1936, referência 7523.

Tanto na Bíblia quanto na História da Igreja, os servos de Deus aparecem agindo e reagindo contra medidas incoerentes e injustas - nalgumas vezes até de forma bastante agressiva. As grandes revoluções que o pensamento cristão promoveu, desde o fim da luta de gladiadores no Coliseu até a abolição da escravatura, necessitaram de indignação, de ira, de movimento, do enfrentamento de um sistema cruel e de um forte senso de sacrifício.

Natanael Pedro Castoldi

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