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SIM NÃO

Deus Mandou Atirar Crianças nas Pedras?

Hoje li a declaração de um inimigo da Fé sobre Salmos 137:9, afirmando que Deus mandou "atirar os filhos rebeldes contra as pedras". Será que tal afirmação procede? Vejamos algumas respostas que tenho para tal alegação:

- Bíblia de Estudo Defesa da Fé, CPAD, 2010, pg 985:
"Os cativos de Israel tinham sofrido tanto com a crueldade dos babilônios (Hc 1:6-11) que pediram a Deus para visitar os ímpios com um juízo divino da única maneira que poderiam entender - infligindo sobre eles os horrores que tinham aplicado aos israelitas. Isso Deus tinha dito que faria (Hc 2:6-20), de modo que estavam simplesmente orando para que a sua palavra se cumprisse. (...) no entando, o Novo Testamento dá ao cristão uma maneira diferente de orar pelos inimigos."

- Comentário Bíblico Vida Nova, D. A. Carson, R. T. France, J. A. Motyer e G. J. Wenham, Vida Nova, 2012, pg 873:
"7-9 (...). Mas havia uma canção que eles cantavam e, quando deixaram para trás uma Babilônia bem conservada e voltaram para uma Jerusalém em ruínas, eles a cantaram novamente. (...) Nada é pedido; nenhuma vingança é proposta ou planejada. Tudo é exposto diante do juízo divino. 8,9, Babilônia é entregue à justiça e, à luz das Escrituras (...), já está destruída. A tradução 'feliz' é estritamente incorreta. A palavra precisa ser sempre contextualizada: na maioria das vezes, ela significa 'abençoado/sob a bênção de Deus' (32:1); frequentemente ela significa 'feliz/pessoalmente realizado' (1:1); às vezes, de acordo com o seu significado básico de 'reto', ela significa 'certo/fazendo a coisa certa' (Pv 14:21; Sl 106:3).

O salmista não pede coisa alguma em relação à Babilônia, mas apenas comenta (e quem pode contradizê-lo) que, quando a Babilônia for tratada do mesmo jeito que ela tratou Jerusalém, isso será justo."

- Em Defesa da Fé Cristã, Dave Hunt, CPAD, 2012, pgs 253-254:
"Ao contrário, Deus não está dizendo a Israel para que esmague a cabeça das crianças contra a rocha. De toda maneira, Ele não está falando com Israel. Ele está pronunciando o julgamento sobre a Babilônia por seu grande pecado de não mostrar misericórdia quando destruiu Jerusalém e por ter tornado os judeus cativos. Eis aqui o que Deus disse:

'Ah! Filha da Babilônia, que vais ser assolada! Feliz aquele que retribuir consoante nos fizeste a nós! Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras (Sl 137:8-9)!"

Essa é a profecia em que Deus alertou a Babilônia de que seria tratada da mesma maneira como tratou Israel, de que ela seria destruída de maneira cruel como havia destruído outras nações. Estava chegando o dia em que um inimigo (outro que não Israel) se regozijaria com seu triunfo sobre a Babilônia, um inimigo que ficaria feliz com a carnificina. Não foi Israel que destruiu a Babilônia."

- O Enigma do Mal, John W. Wenham, Vida Nova, 2012, pg 163:
"O Salmo 137 inspira-se num profundo amor por Jerusalém (sobre a qual estavam depositadas todas as esperanças de Israel - e, em última instância, da humanidade) e numa assustadora recordação daquilo que os pagãos haviam feito à cidade do Senhor. O desejo é de, a todo custo, manter vivos a memória e o conhecimento das coisas de Deus, apesar dos tormentos do Exílio."

- O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento, Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H Wayne House, Central Gospel, 2013, pgs 936-937:
"137:9 - 'Feliz' é o mesmo termo de bem-aventurado, que inicia o primeiro salmo (Sl 1:1; 146:5). A bênção viria na forma do exército persa, que destruiria a maligna cidade de Babilônia, usado como instrumento do juízo nas mãos de Deus Todo-poderoso (Hb 1:12-17)."

- Manual Bíblico Unger, Merril Frederick Unger, Vida Nova, 2006, pg 233:
"Salmo 137. A experiência do exílio olha além do Cativeiro Babilônico, enxergando a restauração definitiva do final dos tempos, quando os adversários de Israel serão castigados, 8-9 (Is 13:16; 47:6)."

- Bíblia de Estudo Arqueológica, Vida, 2013, pg 944:
"137:9 Naqueles tempos, a guerra era tão cruel quanto agora, e as mulheres e crianças não era poupadas de seus horrores (2 Rs 8:12, 15:16; Is 13:16-18; Os 10:14, 13:16; Am 1:13; Na 3:10)."

"Esse salmo traduziu o primeiro impacto emocional dos judeus no cativeiro. Eles estavam em profundo abatimento e tal reação é completamente compreensível naquelas circunstâncias. Esses salmos são chamados de salmos imprecatórios, onde eles ao invés de executarem vingança colocam diante de Deus seus sentimentos. Um desabafo do coração." Comentário de Armando Paulo Castoldi, aposentado como oficial de justiça, pastor, bacharel em ministério cristão pelo antigo Seminário Teológico de Gramado, Rio Grande do Sul, escritor e colunista do Jornal Opinião de Encantado, RS.

Em resumo:
- Esse Salmo exprime o desejo do povo de Israel para com a Babilônia, sendo uma declaração espontânea daquilo que os israelitas sentiam e que, com sinceridade, colocaram diante de Deus.
- Era melhor colocar o desejo vingativo diante de Deus, que é o Reto Juiz, do que planejar a vingança com as próprias mãos.
- O povo estava "lembrando" o Criador de uma profecia anteriormente desferida sobre o julgamento da Babilônia.
- Era considerado justo que a Babilônia passasse pelos mesmos tormentos que desferiu por sobre Israel.
- Logo, não se trata de nenhuma ordenança de Deus, de nenhuma doutrina ou Lei. As ordens específicas e universais de Deus no contexto do Antigo Testamento estão no Pentateuco, não nos Salmos.

A Bíblia é um livro que precisa ser lido por inteiro para ser devidamente entendido. Qualquer pessoa alfabetizada, ou seja, que possa ler as Escrituras, não tem argumentos para não vislumbrá-la em sua totalidade, concebendo o texto integral. Noções da História de Israel (obtidas ao ler o Antigo Testamento), juntamente com o mínimo de capacidade de interpretação de texto, com facilidade refutam o argumento dos críticos das Escrituras sobre o Salmo 137 (e outras passagens complicadas) - ninguém deve se precipitar no julgamento das Escrituras quando apenas as lê previamente, enquanto só tiver tido contato com uma pequena porção da obra completa, uma vez que quase todos os textos que apresentam supostas incoerências da Palavra podem ser muito bem entendidos através da análise de outros textos do Grande Livro, isso porque cada versículo bíblico está inserido em contextos históricos, literários e teológicos específicos, gerais e locais (fazendo parte do todo da Bíblia, enquanto possui as suas próprias singularidades). Qualquer interpretação que fuja dos padrões corretos de análise textual de uma obra literária fundamenta-se exclusivamente em interesses maliciosos da parte do leitor - o problema está em quem lê, não no texto em si.

Natanael Pedro Castoldi

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