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Os Apócrifos: O Evangelho de Tomé

Dentre os apócrifos do Novo Testamento, ou pseudepígrafos, o mais famoso e valorizado é o Evangelho de Tomé - muitos estudiosos e numerosos leigos têm tomado esse documento como base para descaracterizar a figura de Cristo conforme nos é apresentada no Novo Testamento. Há até quem diga que tal documento seja, inclusive, mais antigo do que todos os evangelhos canônicos e que, portanto, se trata da tradição mais fidedigna que temos sobre a vida e a obra de Jesus. Mediante tais alegações, faz-se pertinente questionar a autenticidade da suposta obra de Tomé. Segue uma breve reflexão - tire as suas próprias conclusões.

Para comprovar a impossibilidade de se usar o Evangelho de Tomé como fonte para conhecer o verdadeiro Jesus (e perceber que ele não foi escrito pelo apóstolo Tomé), nos basta verificar o seu estranho conteúdo e argumentar em prol de sua tardia redação. É o que tentaremos fazer.

1 - O que é o Evangelho de Tomé?
Treze livros encadernados em couro (códices), escritos em copta e datados de 350-380 d.C., foram encontrados no Egito em 1945, isso nas proximidades de Nag Hammadi. Um desses livros, em especial, chamou muito a atenção dos estudiosos, uma vez que já começa aludindo a Cristo: "Estas são as palavras secretas que o Jesus vivo falou e Judas, o mesmo Tomé, escreveu." O nome do documento veio do sua última frase: "O Evangelho Segundo Tomé." Considerando que nos séculos 3º e 4º alguns Pais da Igreja comentaram sobre a circulação de um evangelho sob o nome do apóstolo Tomé, pensou-se que aquele material preservado na aridez do Egito seja o mesmo que os antigos cristãos conheciam.

A obra, contendo um prólogo e 114 dizeres, a maioria atribuídos a Jesus, após lida e traduzida, mostrou-se muito semelhante a outro documento, encontrado meio século antes em Oxyrhynchus, no Egito - são três fragmentos de papiro que contêm cerca de 20% do Evangelho de Tomé. Esses documentos gregos foram datados de 200 a 300 d.C.
Fonte: O Jesus Fabricado, Craig Evans, Cultura Cristã, 2009, pg 58. Craig Evans é professor de Novo Testamento e diretor do programa de Graduação no Acadia Divinity College em Wolfville, Nova Scotia, foi consultor sobre o "The Gospel of Judas" para a Naional Geografic Society e depõe como perito em documentários da BBC, do Discovery Channel e do History Channel.

Bruce M. Metzger, Ph. D., autor de mais de 50 livros traduzidos em diversas línguas, co-editor d"A Nova Bíblia Oxford anotada com os apócrifos" e editor geral de mais de 25 volumes da série "O Novo Testamento: ferramentas e estudos", além de ser mestre pelo Seminário e pela Universidade de Princeton, onde também fez seu doutorado - ele é doutor por cinco faculdades e universidades -, tendo sido professor na Tyndale House, em Cambridge, Inglaterra, em Clare Hall, Cambridge, e no Wolson College, Oxford, sendo, atualmente, professor do Seminário Teológico de Princeton (ele ensina o Novo Testamento há cerca de 50 anos), presidente do comitê responsável pela "Nova Versão-Padrão Revisada" da Bíblia, colaborador da Academia Britânica e membro do "Kuratorium" do Instituto Vetus Latina, do Beuron, Alemanha - ele chegou a ser presidente da Sociedade de Literatura Bíblica, da Sociedade Internacional para Estudos do Novo Testamento e da Sociedade Patrística Norte-Americana -, afirma que o Evangelho de Tomé surgiu no século V, em uma cópia em copta - que ele traduziu -, mas que parece ter sido escrito em grego por volta de 140 d.C. Apesar das divergências, ao seu ver há algumas citações realmente proferidas por Cristo nesse documento, embora tenham sido acometidas de modificações.
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel, Vida, 2011, pgs 74 e 88.

2 - Alegações em favor do Evangelho de Tomé:
O defensores da antiguidade e originalidade do Evangelho de Tomé, em especial os representantes do Jesus Seminar, com ênfase em Crossan, afirmam que o documento preserva uma tradição pré-sinótica. Para fortalecer suas alegações, Crossan cita o Tomé 54: "Bem-aventurados os pobres, porque vosso é o reino dos céus", vendo ali uma redação mais antiga do que a versão maior do grego de Mateus, que acrescente "de espírito"  depois de "pobres".

3 - A mensagem de Tomé:
Craig Evans afirma que o Evangelho de Tomé se trata de um escrito esotérico que se propõe a relatar os ensinos secretos de Jesus, reservados aos discípulos mais aptos. O Jesus encontrado nesse evangelho é diferente daquele que nos é apresentado no Novo Testamento - em Tomé a mensagem de Cristo é, como já dito, esotérica, e a profundidade do Seu ensino estava guardada apenas para uma elite espiritual. Enquanto o Jesus do Novo Testamento exorta para que Seus discípulos tenham fé, o Jesus de Tomé estimula os discípulos a encontrar "a interpretação das palavras" para que eles não provem a morte - outra ocasião se dá na passagem similar à de Mt 7:7-11, com a diferença de que o esforço dos discípulos os traria surpresa, os faria reinar e achar descanso. O enfoque do documento está antes na mística do conhecimento do que na fé, carregando evidentes traços gnósticos, caracterizados pelos Pais da Igreja dos séculos 3º e 4º como aqueles que "afirmavam ter o segredo ou o conhecimento secreto". Mesmo não sendo um exemplo de gnosticismo plenamente desenvolvido, o Evangelho de Tomé apresenta forte elementos dessa filosofia herege.

Há uma tendência no gnosticismo de considerar de pouco valor o Antigo Testamento e o povo hebreu - os mais radicais chegaram a sugerir que o mundo material foi criado por um "Deus mau", o Deus de Israel. Todo o elemento material era desprezado e considerado vil, enquanto o elemento espiritual era tido como superior, apontando para a salvação não como o perdão dos pecados, mas como a libertação do corpo físico através do conhecimento - para eles era estranha a ideia de que Cristo tenha vindo ao mundo em carne e osso e que tenha pregado contra o pecado. Se engana quem pensa que houve apenas um pensamento gnóstico nos primeiros séculos da Era Cristã;

4 - A data da redação de Tomé:
A maioria dos códices de Nag Hammadi data da segunda metade do século 4º, mas é evidente que grande parte desses documentos são apenas cópias de obras anteriores. O códice que contém o Evangelho de Tomé pode ser datado da primeira metade do século 4º, mas como temos os fragmentos de Oxyrhynchus, é possível considerar o Evangelho de Tomé como um texto do início e meados do século 3º - um dos fragmentos foi escrito no início dos anos 200 d.C. Quase todos os acadêmicos concordam que Tomé pode ter sido escrito em meados do século 2º, mas é praticamente impossível que tenha sido produzido antes de 175 ou 180 d.C. Consideremos 4 evidências de que o Evangelho de Tomé é posterior aos textos bíblicos:

A - Tomé conhece muitos escritores do Novo Testamento:
Mais da metade dos escritores do Novo Testamento são citados ou aludidos no Evangelho de Tomé (Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 1 Timóteo, Hebreus, 1 João e Apocalipse), parecendo mais uma colagem de materiais do Novo Testamento e apócrifos. O autor geralmente interpreta esses textos alegoricamente, sustentando, com isso, as ideias gnósticas do final do século 2º.

As tradições contidas em Tomé não refletem um cenário que predata os escritos do Novo Testamento (e é por isso que Crossan sugere versões hipotéticas anteriores ao Tomé que possuímos). Não há como saber se houve uma versão de Tomé diferente daquela encontrada em Nag Hammadi e em Oxyrhynchus - especular uma obra mais antiga, desprovida das embaraçosas características que sugerem um período mais antigo, não faz sentido. A presença de grandes e numerosas porções do Novo Testamento em Tomé não deixa dúvidas sobre a sua datação - ela precisa se situar no século 2º.

B - Tomé contêm material dos evangelhos que os acadêmicos consideram mais tardios:
No Evangelho de Tomé há uma significativa quantidade de material de Mateus, Lucas e João. Tal evidência é interessante, pois muitos estudiosos têm Marcos e a fonte Q (o material comum a Mateus e Lucas, mas inexistente em Marcos) como os documentos mais antigos, colocando o Evangelho de Tomé numa situação delicada, uma vez que ele faz uso de documentos mais recentes. Minha fonte apresenta 24 textos de Mateus, Lucas e João que, de alguma forma, reaparecem em Tomé - listarei alguns:

- Alguns dos 14 textos de Mateus apresentados por Craig Evans:
 Mt 5:10 - Tomé 69a; Mt 5:14 - Tomé 32; Mt 7:6 - Tomé 93; Mt 13:24-30 - Tomé 57; Mt 13:45-46 - Tomé 76; Mt 13:47-50 - Tomé 8.
- Os 5 textos de Lucas apresentados por Craig Evans:
Lc 11:27-28 e 23:29 - Tomé 79; Lc 12:13-14 - Tomé 72; Lc 12:16-21 - Tomé 63; Lc 12:49 - Tomé 10; Lc 17:20-21 - Tomé 3.
- O 5 textos de João apresentados por Craig Evans:
Jo 1:9 - Tomé 24; Jo 1:14 - Tomé 28; Jo 4:13-15 - Tomé 13; Jo 7:32-36 - Tomé 38; Jo 8:12 e 9:5 - Tomé 77.

Como o Evangelho de Tomé poderia ser anterior aos evangelhos canônicos se ele apresenta numerosas evidências de que, em sua redação, fez uso dos mesmos, tomando parte, em especial, daqueles que foram escritos por último?

C - Tomé reflete uma tradição mais tardia dos evangelhos:
Antes de sugerir que o Evangelho de Tomé seja fruto de uma tradição independente e mais antiga sobre Cristo, é necessário observar o seu uso de textos editados pelos evangelistas canônicos. Características de editoração em Mateus e Lucas são encontradas em Tomé! Alguns dos textos de Tomé que aludem ao Evangelho de Mateus, como Mt 13:24-30 e 15:13, contêm editoração de Mateus; Tomé também usa editoração posterior quando toma base em Mt 12:50 (Tomé 99) e 15:11 (Tomé 34b), ao invés de utilizar o similar mais antigo de Marcos; a combinação "esmolas, oração e jejum" de Mt 6:1-18, aparece em Tomé 6 e 14, mesmo que de forma negativa, refletindo o pensamento gnóstico; Tomé (Tomé 5-6) também faz uso da versão editada por Lucas (Lc 8:17) de Mc 4:22. Fica evidente que o apócrifo seguiu Lucas em muitos outros textos: Lc 12:49 - Tomé 10; Lc 10:8-9 - Tomé 14; Lc 12:51-53 e Mc 10:34-39 - Tomé 16; Lc 14:26-27 e Mt 10:37 - Tomé 55.

Para os defensores da antiguidade e singularidade do Evangelho de Tomé, a forma abreviada de diversos textos, em comparação com os similares canônicos, indica uma composição mais antiga - um exemplo muito utilizado está na parábola dos maus administradores, apresentada em Mt 21:33-41, Mc 12:1-9 e Lc 20:9-16, que reaparece em Tomé 65: no relato de Marcos cerca de onze palavras são extraídas de Isaías 5:1-7, palavras que, na maioria, não aparecem em Tomé, fazendo Crossan sugerir que Tomé é mais antigo que Marcos, mas isso sem considerar que na versão de Lucas, evidentemente posterior a Marcos, apenas duas palavras foram mantidas - eis um exemplo de uma abreviação da tradição, coisa que torna a proposta de Crossan insustentável. Com base nas evidências, muitos estudiosos têm sido levados a crer que Tomé apresenta uma versão encurtada e editada de Lucas. Isso se repete com a parábola da pedra rejeitada, que aparece em Mt 21:42, Mc 12:10-11 e Lc 20:17, sendo a versão de Lucas a mais curta e justamente a que serviu de base para Tomé 66.

D - Tomé apresenta conhecimento de tradições, especialmente a tradição cristã oriental da Síria:
Pouco tempo depois de publicado o Evangelho de Tomé, notou-se a sua afinidade com a tradição dos cristãos orientais da Síria, com ênfase na tradição do século 2º, incluindo a harmonia dos evangelhos escrita por Taciano, o Diatessaron - o Diatessaron era a única forma de Evangelho do Novo Testamento que os cristãos sírios conheciam no século 2º. Até alguns dos defensores da redação de Tomé no 1º Século reconhecem que seu local de redação foi Edessa, na Síria oriental - eles ressaltam que o nome "Judas Tomé" se encontra em outras obras de origem e circulação síria, dentre os quais se encontra o "Livro de Tomé, o Contencioso", que já começa lembrando o Evangelho de Tomé: "As palavras secretas que o Salvador disse a Judas Tomé, que eu mesmo, 1 Matatias, escrevi", e o "Atos de Tomé", cujo autor aparece como "Dídimo Judas Tomé", concordando plenamente com o prólogo do Evangelho de Tomé; na versão siríaca de João 14:22, Judas é identificado como "Judas Tomé", indicando que tal composição do nome era recorrente na tradição siríaca. Essas tradições que serviram de base para o Evangelho de Tomé emergiram no século 2º.

Praticamente desde o início do debate acerca do Evangelho de Tomé, especialistas em siríaco reconhecem o estilo semítico, especialmente siríaco, do documento.  Esses estudiosos também perceberam que, em alguns pontos, as leituras distintas de Tomé concordam com a versão siríaca do Novo Testamento ou com o Diatessaron, de Taciano. O estudioso Nicholas Perrin, traduzindo a versão copta para o siríaco e para o grego, supondo que o documento tenha sido escrito originalmente em siríaco, identificou mais de trezentas palavras-chave siríacas que ligam quase todos os 114 dizeres da obra. O trabalho de Perrin também demonstrou que Tomé mostra familiaridade com a ordem e o modo de arranjar o material do Diatessaron, levando o estudioso a concluir que o Evangelho de Tomé dependeu indiretamente dos Evangelhos do Novo Testamento apresentados ao autor desconhecido através da sua harmonia na obra de Taciano. Mediante as inúmeras ligações de Tomé com os Evangelhos e outros materiais religiosos siríacos, é impossível apoiar sua antiguidade e singularidade - nos pontos em que Tomé diverge dos Evangelhos, ele concorda com a tradição siríaca! Vamos para um último exemplo:

- Mateus 10:34, do grego: "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada."
- Lucas 12:51, do grego: "Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão."
- Evangelho de Tomé 16a: "Eles não sabem que é a divisão que eu vim lançar sobre a terra: fogo, espada e guerra."
- Mateus 10:34b, do siríaco: "Eu vim não para trazer paz, mas divisão de mentes e uma espada."
- Reconhecimentos siríacos 2.26.6: "Eu vim não para trazer paz sobre a terra, mas guerra."

Note que Tomé deriva "divisão" de Lucas e "espada" de Mateus, ambos presentes na versão siríaca de Mateus, e que a palavra "guerra" deriva do Reconhecimentos siríacos, indicando que a versão de Tomé se baseou no siríaco de Mateus e no texto Reconhecimentos siríacos. Até o Tomé 54, sugerido por Crossan como uma versão mais antiga do texto dos evangelhos canônicos em grego, acaba aparecendo na versão siríaca de Mateus, encontrada no Diatessaron. Volto a frisar que o Diatessaron só estava disponível para os cristão siríacos no século 2º.

Há, por fim, aqueles que sugerem que Tomé possua uma forma literária capaz de suportar uma data mais antiga, como a suposta fonte Q. O problema é que o Evangelho de Tomé só encontra sentido dentro de uma tradição siríaca do século 2º, não se encaixa na Palestina judaica pré-70 d.C. e combina muito bem com as outras coleções de dizeres, algumas da Síria, que surgiram nos séculos 2º e 3º - uma dessas coleções é a "Sentenças de Sexto", originária da Síria do 2º Século, coincidindo em local e período com o Evangelho de Tomé. É altamente provável que Tomé seja apenas mais uma coleção de dizeres siríacos do Século 2.

Craig Evans, baseado em sua pesquisa, conclui que o documento em questão necessariamente é do século 2º, especialmente considerando que o Diatessaron não foi escrito antes do ano 170 d.C. Para ele, portanto, faz sentido afirmar que nada que esse documento nos traga é confiável para aprender algo sobre o Jesus histórico.
Fonte: Fonte: O Jesus Fabricado, Craig Evans, Cultura Cristã, 2009, pgs 58-70.

5 - Considerando a opinião de Bruce M. Metzger, Ph. D.:
Metzger, por sua vez, considera que algumas das citações de Tomé são, de fato, baseadas em dizeres de Cristo, mesmo que tenham sofrido algumas alterações. Como base ele aponta dois textos conforme apresentados em Tomé: "Uma cidade construída sobre alta montanha e fortificada, não pode estar oculta" e "Deem a César as coisas que são de César e deem a Deus as coisas que são de Deus, e me deem o que é meu" - no primeiro texto, apenas a palavra "alto" foi acrescentada, enquanto no segundo, aquilo que aparece depois da última vírgula. Há, porém, trechos muitíssimo estranhos aos evangelhos, como o que diz, aludindo ao panteísmo: "Cortem a madeira, ali estou. Ergam uma pedra, e me acharão ali", ou ainda outro, bastante machista e incompatível com o Cristo nos apresentado na Bíblia: "Simão Pedro disse a eles: 'Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida'. Jesus disse: 'Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vocês homens. Pois toda mulher que se tornar homem entrará no reino do céu."

Sobre a acusação de que o Evangelho de Tomé foi sumariamente excluído através dos concílios da Igreja, Metzger afirma:
"Não há base histórica para isso. O que os sínodos e concílios fizeram no século V e nos seguintes foi ratificar o que já tinha sido acatado pelos cristãos em toda a parte. Não é certo dizer que o Evangelho de Tomé teria sido excluído por algum decreto do concílio. O certo é que o Evangelho de Tomé excluiu a si mesmo! Ele não estava de acordo om os outros testemunhos sobre Jesus que os cristãos primitivos consideravam dignos de confiança. (...) O cânon, na verdade, é uma separação decorrente da visão intuitiva dos cristãos."
Fonte: Em Defesa de Cristo, Lee Strobel, Vida, 2011, pgs 87-90.

Conclusão:
Se o apócrifo no qual os críticos das Escrituras mais depositaram suas esperanças trata-se de um documento tardio e simplesmente ignorado pelos cristãos primitivos, não vejo motivos para alerde mediante a propaganda sensacionalista sobre um "Jesus desconhecido", "uma outra face de Cristo" ou "o Jesus que a Igreja tentou esconder". Nem esse e nem nenhum dos apócrifos que hoje estão na moda nos podem servir como referencial de estudo sobre Cristo - isso deve servir, ao menos, para os estudiosos honestos. Com isso não estou dizendo que devemos evitar o estudo desse material, pois se assim fosse, eu não teria escrito tal artigo - pelo contrário: todos devem ler os documentos apócrifos e compará-los com o material de nossas Bíblias! Se assim fosse, teríamos menos gente aterrorizada ou radiante mediante a barulheira que ecoa das periferias e do submundo das pesquisas neotestamentárias.

Natanael Pedro Castoldi

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