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As Cartas Mais Antigas do Novo Testamento

Para os que argumentam que a teologia cristã foi forjada muito tempo depois de Cristo e que muito sobre Jesus fora inventado diversas décadas depois da Sua morte, pode ser desagradável se deparar com evidências conclusivas de que algumas cartas do Novo Testamento, repletas de cristologia, tenham sido escritas ainda na década de 40 d.C., pouco mais de uma década depois da morte do Messias. Comecemos por aquela que é considerada a redação mais antiga de todas, a Epístola de Tiago:

- A idade da Epístola Universal do Apóstolo Tiago:
Segundo a Bíblia de Estudo Defesa da Fé, CPAD, 2009:
Há boas provas que atestam a redação dessa carta em meados dos anos 40 d.C., vejamos:
1 - O líderes cristãos são tratados nela como "professores" e "anciãos", e não bispos e diáconos, como foi o costume posterior (3:1; 5:14).
2 - O texto deixa aparente que os cristãos ainda se reuniam em sinagogas (2:2).
3 - Assuntos e verdades que aparecem noutras cartas do Novo Testamento ainda não estão em questão na redação de Tiago.
4 - Aparentemente a controvérsia sobre a necessidade de circuncisão dos crentes ainda não tinha ocorrido, tratada no Concílio de Jerusalém, em 49 d.C.
A Bíblia Apologética de Estudo, ICP, 2011, acrescenta, posicionando o documento por volta de 48 d.C.:
5 - A carta apresenta um ambiente mais judaico do que cristão. Ela não traz uma terminologia cristã conhecida e é endereçada às Doze Tribos (1:1).
A Bíblia de Estudo Arqueológica, Vida, 2013, aponta uma outra questão, colocando-a por volta de 50 e do início de 60 d.C.:
6 - A ordem simples da igreja descrita aponta para os anos iniciais do movimento cristão.
Vejamos mais nA Bíblia de Estudo Anotada Expandida, Mundo Cristão, 2007, que situa a carta entre 45-50 d.C.:
7 - A forte expectativa da iminente volta de Cristo (5:7-9) reflete o anseio dos primeiros anos da Era Cristã.
Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, 2002, colocando-a entre 48 e 62 d.C.:
8 - A tradição aponta que o Tiago que escreveu a epístola foi o meio-irmão de Cristo, líder da Igreja de Jerusalém de sua época. Josefo afirma que Tiago morreu apedrejado em 62 d.C., impondo essa como a data limite da redação da carta de Tiago.
A Bíblia de Estudo das Profecias, Atos, 2005, levanta outras questões, situando-a entre 46 e 49 d.C.:
9 - Não há qualquer menção aos cristãos gentios ou de seu relacionamento com judeus gentios, como seria esperado de uma carta escrita posteriormente.
10 - Além das referências à pessoa de Cristo, não há praticamente nenhuma teologia distinta em Tiago, sugerindo sua redação no período no qual o cristianismo ainda era visto em termos de judaísmo messiânico.
11 - As alusões aos ensinamentos de Jesus possuem razoavelmente pouca concordância verbal com os Evangelhos Sinóticos, sugerindo que Tiago tenha escrito antes dos autores desses livros.

Outras evidências:
"Como diz a frase inicial, o livro se dirige 'às doze tribos da Dispersão' (1:1). Tomada literalmente, é claro que essa expressão poderia significar o conjunto do povo judeu disperso pelo mundo. Mas provavelmente ela deva ser considerada à mesma luz que o endereço semelhante que lemos em 1 Pd 1:1, ou que a expressão de Paulo designando seus leitores Gálatas como 'o Israel de Deus' (Gl 6:16). Desde os primeiros tempos os cristãos se consideraram os herdeiros e sucessores do povo de Deus do Antigo Testamento, e era natural que aplicassem a si mesmos a linguagem antes usada para designar Israel. Mas, naturalmente, o único período da história da Igreja em que alguém poderia escrever a todo o povo de Deus desta forma (...) foi o comecinho da sua história - quando a Igreja ainda era essencialmente judaica e centrada em Jerusalém. Theodor Zahn afirma que isso indica inequivocamente uma data posterior à morte de Estêvão, mas anterior ao início das viagens de Paulo."

John Drane, autor do parágrafo acima, também afirma que o contexto de muitas imagens de Tiago é claramente palestinense. As "chuvas temporãs e as serôdias" de 5:7 não significavam nada noutras partes do Império Romano - é notável que as páticas agrícolas mencionadas nos versículos anteriores são de um tipo que desapareceu totalmente da Palestina depois de 70 d.C., mas que eram grandemente utilizadas nos tempos de Jesus. É, ainda, digno de nota o fato de que Tiago não menciona, de forma alguma, nenhuma das famosas heresias que começaram a incomodar os escritores neotestamentários posteriores - o trabalho de Tiago é essencialmente direcionado aos problemas que poderiam acontecer num ambiente judaico.
Fonte: A Vida da Igreja Primitiva, John Drane, Edições Paulinas, 1985, pg 103.

- A idade da Epístola do Apóstolo Paulo aos Gálatas:
Segundo a Bíblia de Estudo Defesa da Fé, CPAD:
Há provas suficientes para crermos que essa epístola fora escrita em 49 d.C., demonstrando que os cristão, mesmo em data tão tardia, já pregavam uma elevada cristologia, uma vez que Paulo, em Gálatas, considera o Filho como "Senhor" (1:3), Revelador pós-ressurreição (1:12), como aquele que preexiste, tendo sido enviado pelo Pai (4:4), e como o Modificador da estrutura do mundo (6:14 - 2:20-21).

A Bíblia Apologética de Estudo, ICP considera a possibilidade de ter sido escrita em 48 d.C.
A Bíblia de Estudo Anotada Expandida, Mundo Cristão, situa Gálatas entre 49 e 55 d.C. pelos seguintes motivos:
- "Se a epístola foi escrita aos cristãos da Galácia do Sul, as igrejas foram fundadas na primeira viagem missionária, e a redação da carta ocorreu ao final desta viagem (provavelmente a partir de Antioquia, por volta de 49 d.C., sendo assim a mais antiga das epístolas de Paulo), pouco antes da convocação do concílio de Jerusalém (At 15). A favor desta data está o fato de Paulo não mencionar as decisões contrárias aos judaizantes tomadas no concílio de Jerusalém, as quais se aplicavam diretamente à discussão que o apóstolo inclui em Gálatas, indicando, por consequência, que o concílio ainda não se realizara."

Observação: você encontrará as páginas utilizadas como fonte se abrir nas introduções dos livros de Tiago e Gálatas nas bíblias de estudo citadas.
Natanael Pedro Castoldi
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