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A Origem do Judaísmo e a Conquista de Canaã

De críticas, a Bíblia já recebeu todas as imagináveis, porém a totalidade dos ataques recebidos culminou em fracasso. A questão sobre a origem do judaísmo também não escapa: é comum se afirmar que a religião judaica veio como uma mistura da religião egípcia e de cultos cananeus ou que, ainda, brotou do pensamento babilônico, porém as mais fortes evidências apontam para uma origem divina. Tomarei como base um excelente vídeo que assisti faz alguns dias, referente ao programa Evidências, TV Novo Tempo, ano de 2012, apresentado pelo arqueólogo Rodrigo Silva:
1 - A Conquista de Canaã:
É mais do que comum ouvirmos por aí que Israel simplesmente chegou e "invadiu a Palestina ilicitamente, derramando sangue inocente e se apropriando de terras que não pertenciam aos hebreus", mas, na verdade, a história é bem diferente. Assim como os judeus compraram de fazendeiros palestinos grande parte dos territórios que hoje constituem Israel, Abraão e seus filhos adquiriram legalmente as terras de Canaã, coisa que a própria Bíblia afirma - os patriarcas compraram terras enormes e, segundo as leis de seu período, seus descendentes tinham direitos legítimos sobre elas. Sendo assim, o que ocorre especialmente no livro de Josué, a ocupação de Canaã da parte dos "filhos de Jacó" é, na verdade, a retomada dos territórios que legitimamente pertenciam aos hebreus e que foram, ilicitamente, ocupados por povos extremamente agressivos durante o período no qual Israel esteve no Egito. O problema com Jericó, por exemplo, que já existia desde os tempos de Abraão, esteve na sua iniciativa militar de impedir que os hebreus entrassem nas terras que os pertenciam.

2 - As semelhanças entre a religião judaica e as religiões cananitas:
Um dos exemplos claros dessa semelhança está no nome de uma divindade cananita: El, encontrado em inscrições nas ruínas da antiquíssima Ugarite. Tanto os cananeus quanto os hebreus costumavam, portanto, chamar a divindade pelo mesmo nome, já que é fácil identificar no Antigo Testamento o nome "El" como referência a Deus (Gênesis 33:20 e 46:3). O nome composto "El Shaddai" também é interessante: "Shaddai" vem do sumério e significa "montanha", de modo que a expressão "El Shaddai" significa, ao pé da letra, "Deus da Montanha Sagrada" e, de fato, o Antigo Testamento comumente identifica Deus com montanhas: o Monte Horebe, o Monte Sião, o Monte Sinai... Vide Salmo 68:16.  Na mitologia ugarítica, o deus El, a divindade suprema, morava nas montanhas - uma divindade nômade que vagava de montanha em montanha -, mas, certa vez, decidiu descer das montanhas e morar no meio de seu povo, numa tenda, ou tabernáculo. Vide Salmo 15:1. Esses são alguns exemplos das semelhanças entre a religião israelita e as religiões cananitas, o que leva muitos a pensar que o judaísmo brotou do paganismo cananeu. Uma grande precipitação!

- A antiguidade do judaísmo:
Uma das formas de analisar a originalidade do judaísmo está na sua idade, pois, tendo ele bases anteriores aos cultos cananitas, é lógico que não surgiu dessas religiões pagãs. Analisemos Gênesis 14:18-24: o texto relata o encontro de Abraão com Melquisedeque, rei de Salém, posteriormente Jerusalém, e também sacerdote de Deus. Ora, como Melquisedeque adoraria ao Deus Verdadeiro, sendo ele sacerdote, se não poderia ser filho de Abraão, não era nem parente e provavelmente também não era conhecido do patriarca? Se ele não era parte de Israel e da Aliança Abraâmica? Como poderia ele adorar ao Deus Verdadeiro se o judaísmo "foi copiado dos cultos cananitas", uma vez que Melquisedeque exerceu ministério uns 2 mil anos antes de Cristo, período no qual as próprias religiões cananitas estavam engatinhando? O fato é que Melquisedeque era um habitante antigo de Canaã, de uma família tradicional do local e, ainda assim, adorava o Deus de Israel antes mesmo de Israel existir - além disso, ele mesmo era rei de uma cidade cananita! Também podemos analisar Jetro, sogro de Moisés, um sacerdote do Deus Altíssimo em Midiã - Jetro até pode ter sido descendente de Abraão da parte de Quetura, mas certamente não era descendente de Jacó. O fato é que Jetro não fazia parte do povo hebreu e, mesmo assim, antes do contato com Israel, ele já adorava o Deus Verdadeiro. 
Para entender um culto ao Deus de Israel anterior à formação desse povo, há duas possibilidades complementares: quando Israel chegou em Canaã pode ter se deparado com traços religiosos locais herdados da influência antiga do próprio Abraão naquelas terras ou, ainda, através da transmissão de um conhecimento ainda mais antigo de um ancestral cananeu que, tendo tido um longínquo conhecimento acerca do Deus Verdadeiro, transmitiu aos seus filhos - algo que precisa ser lembrado é que a humanidade, independentemente de quanto tempo faz, descende de Sem, Cão e Jafé, de modo que a religião desenvolvida por Noé pode ter se mantido, pelo menos parcialmente, nas diversas culturas e religiões que surgiram ao longo do tempo. Outra possibilidade é que os hebreus, de fato, aderiram a alguns traços culturais dos povos com os quais tiveram contato, mas cultura, por si só, não influencia na veracidade da Mensagem. 

Quando falamos de "El Shaddai", percebeu que "shaddai", sendo uma palavra de origem suméria, revela algum grau de afastamento geográfico e histórico de Canaã? Do Egito? Em termos de período histórico, também é anterior ao babilônico. Não é possível identificar nenhuma língua-mãe para o sumério, não há evidência alguma de uma ligação do sumério com qualquer outra língua. O que isso significa? Significa que os hebreus carregavam uma influência cultural anterior ao seu contato com os egípcios, cananeus e babilônicos, o que aponta para a verdade expressada na Bíblia sobre a saída de Terá, pai de Abraão, da Suméria (Gênesis 11:28), em direção à Palestina. Sendo Abraão filho da cultura suméria, não é de se estranhar que dominasse alguma forma de escrita, já que a escrita suméria é das mais antigas conhecidas, e, assim sendo, não há grandes problemas em se pensar que os fundamentos históricos para a Torá, escrita por Moisés, foram retirados, em parte, de material escrito, de uma antiga tradição expressada em caracteres na argila, herdada dos mais remotos dias da Suméria e conhecida de Terá e Abraão, além de ter sido encorpada pelo próprio punho do nobre e culto patriarca. Se os relatos iniciais de Gênesis foram, em parte, baseados numa tradição suméria anterior a Abraão, então o relato bíblico sobre a Criação e o Dilúvio é o mais antigo de que temos conhecimento, anterior ao encorpamento das mitologias mesopotâmicas e, portanto, a fonte de tradição da qual surgiram os variados relatos sobre os mesmos eventos. Um detalhe interessantíssimo a ser notado está no último relato de Gênesis sobre os períodos anteriores a Abraão: a construção e a destruição da Torre de Babel, na Mesopotâmia, é a última coisa que pode ser lida antes da história de Abraão, dando a entender que os relatos tidos de Gênesis 1 a 11 foram desenvolvidos naquela mesma região com base em uma tradição ainda mais antiga, preservada, como já dito, pela forma de escrita mais antiga conhecida atualmente. Como o relato vai de Babel para Abraão, podemos conceber que Abraão foi aquele que, tendo consciência das tradições anteriores, deu continuidade ao relato partindo de si mesmo (ou alguém próximo a ele o fez). É altamente provável que a nobre descendência de Abraão tenha mantido o conhecimento da escrita e, nesse sentido, registrado os acontecimentos dados até a chegada de Israel ao Egito.

- As divisões do livro de Gênesis: esse tópico terá como base o livro O Enigma das Origens, A Resposta, Henry M. Morris, Origens, 1974, pgs 204-206. há um tipo de divisão estrutural que ocorre algumas vezes no livro de Gênesis marcada pela frase "Estas são as gerações de...". Cada vez que lemos essa frase, temos marcado o término de uma divisão ou narrativa e o início de outra, fazendo entender que cada uma dessas divisões teve um autor original diferente. Os próprios livros da Torá, ou do Pentateuco, assim como o Novo Testamento, atribuem a autoria mosaica para o Gênesis (e a Torá como um todo), mas tal proposta parece referir-se mais ao ato de edição e compilação da obra do que de criação da mesma. Aparentemente os escritores originais das várias divisões de Gênesis foram os próprios patriarcas, cujos nomes aparecem na fórmula "Estas são as gerações de..."
Conforme o costume comum dos antigos, "os registros e narrativas eram escritos em tábuas de pedra, e depois transmitidos de geração em geração, para finalmente serem colocados em uma biblioteca ou depósito público de alguma espécie. Parece bem razoável crer que os registros originais de Gênesis foram escritos por testemunhas oculares, e transmitidos no decorrer da linhagem dos patriarcas, de Adão por Noé e Abraão, e finalmente chegando a Moisés." Com Moisés, por fim, todos esses registros foram editados e compilados, posteriormente tendo os demais livros da Torá acrescidos. Com base nisso, Morris afirma, sobre as histórias de Gênesis: "Elas não são simplesmente tradições antigas, comunicadas através de uma tradição direta no decorrer de muitas gerações, mas relatos fidedignos de primeira mão escritos por testemunhas oculares."
Segundo Morris, a palavra "gerações" em hebraico se torna "gênesis" quando é traduzida para o grego, na Septuaginta. Sendo assim, Gênesis é o "livro das gerações", um livro escrito pelos patriarcas da antiguidade, de modo que a palavra "gênesis" indica tando origem quanto períodos cronológicos. Conforme lido no livro O Enigma das Origens, era comum que um cronista dos tempos antigos terminasse seu texto pondo sua assinatura no final, por exemplo: "Estes são os registros históricos de Naor." Se, posteriormente, outro escritor desejasse continuar a crônica utilizando outra placa, ele iniciaria o texto usando alguma palavra identificadora ou frase chave que fizesse correspondência ao final da placa anterior. "De qualquer forma os acontecimentos descritos em cada seção podiam ser conhecidos do homem cujo nome vinha logo após ela. Por exemplo, o chamado 'segundo relato da criação', de Gênesis 2:3-5:1 é identificado como o 'livro das gerações de Adão', mas Adão não tinha condições de ter conhecido todos os fatos descritos de 5:1-6:8. Esta última passagem foi identificada como 'as gerações de Noé', em Gênesis 6:9." De fato existem dois relatos da Criação em Gênesis, sendo o segundo relato provavelmente escrito por Adão com base em seu ponto de vista, já que o primeiro (Gênesis 1:1-2:3) não poderia ter sido presenciado por homem algum e, nesse caso, como ocorreu em Êxodo 31:18, o próprio Deus pode tê-lo escrito, de modo que essa é a única das "gerações" não identificada pelo nome de um homem em particular (Gênesis 2:4: "Estas são as gerações dos céus e da terra, quando foram criados"). Em português "gerações" é tido como "gênese" ou "origens". 

Moisés é a figura perfeita para dar continuidade ao relato abraâmico: criado como príncipe no Egito, certamente era alfabetizado, uma vez que a cultura egípcia era a mais desenvolvida de seu período. Com a destruição das bibliotecas da Antiguidade, como a de Alexandria, certamente perdemos quase a totalidade de manuscritos dos primórdios, ainda mais porque as grandes bibliotecas certamente retiravam material original de seus redutos para o seu acervo - Alexandre, sem dúvida, confiscou vários documentos antigos de terras dominadas, como a Mesopotâmia, para tornar a sua biblioteca em Alexandria a mais admirável do mundo e fortalecer a cultura helênica. Com centenas de milhares de documentos em um só lugar é fácil entender como boa parte do conhecimento antigo se perdeu, uma vez que o incêndio na Biblioteca de Alexandria, por exemplo, extinguiu completamente várias tradições que perduravam desde o alvorecer da humanidade. Coisas desse tipo também ocorreram na China antiga, conforme relata o livro A Incrível Tecnologia dos Antigos, David Hatcher Childress, Aleph. Tal livro me fez perceber ainda outra questão: pouquíssimo material da Antiguidade sobreviveu, tendo sindo encontrados alguns documentos em ruínas de cidades, inscrições em pedras, cerâmicas, etc, e através da preservação de alguns livros exaustivamente copiados em templos, porém, mesmo sendo poucos os relatos da mais primeva Antiguidade, ainda há uma maravilhosa concordância de eventos sobre as origens, dilúvios e outros eventos, demonstrando uma consciência comum, pelo menos nas bases, sobre os primórdios da humanidade. O fato é que Moisés, além de alfabetizado, tinha acesso aos conhecimentos dalguma faculdade faraônica e suas vastas bibliotecas, com material de todo o mundo alcançável, muitos documentos originais, vários copiados e, certamente, uma farta variedade traduzida para a escrita egípcia. Com base nisso, Moisés poderia ter aprendido o sumério e até o hebraico - sem esquecer que foi a sua própria mãe quem o educou na infância, fazendo-o ter consciência de conhecimentos preservados pelos hebreus e até da sua escrita, desenvolvida por vários séculos. Seria tolice pensar que os hebreus não teriam conhecimento da escrita, enquanto tiveram sua origem primordial na Suméria e desenvolveram-se por séculos como "povo do honorável José", tendo acesso aos conhecimentos egípcios, isso antes de serem escravizados por uma nova dinastia.

De todo modo, um Moisés profundamente culto e alfabetizado, tendo passado 40 anos como príncipe do Egito e outros 40 com Jetro, em Midiã, poderia, muito bem, ter escrito a Torá e isso, ainda, com base em documentos da mais alta antiguidade, traduzidos por ele para o hebraico, o que me leva a outra consideração. Muitos afirmam que a Torá foi escrita na Babilônia, sob influência daquela cultura e sob a suposição de que os hebreus foram alfabetizados por lá, durante o Exílio, mas o problema é que a língua falada na Babilônia era o aramaico, não o hebraico, o que não combina com o fato de a Torá ter sido escrita originalmente em hebraico. A verdade é que, segundo se sabe, o hebraico surgiu no Norte da África, embora não combine com a escrita egípcia, isso muito antes do Exílio Babilônico, culminando naquilo que já foi tratado nesse artigo: com base numa herança do sumério de Abraão, levando em conta as alterações naturais que se deram ao longo dos séculos e considerando influência linguística dos cananeus mais antigos e dos egípcios, podemos explicar satisfatoriamente a origem dessa língua peculiar que, do Norte da África, onde os hebreus habitaram por séculos, foi levada para a Palestina durante o Êxodo. Alguém tão capacitado quanto Moisés, influenciado tanto pelos mais profundos conhecimentos egípcios (e dos povos sobre quem os egípcios conheciam), quanto israelitas, poderia ter sido, inclusive pela orientação divina, o criador da escrita hebraica, que faria parte do combo necessário para uma total independência de Israel: língua, religião, direito e cultura (Moisés, apesar de tudo, foi criado como um defensor dos hebreus). Lembro, ainda, do fato de que José, filho de Jacó, como governador do Egito, pode ter dado os primeiros passos nos estudos em bibliotecas egípcias e que, ainda, o patriarca Jacó pode ter lavado consigo para o Egito toda a herança de documentos escritos que carregava da parte de Abraão e Isaque.

De momento é isso que de melhor eu tenho a oferecer. Estou começando estudos na Bíblia de Estudo Arqueológica, Edit. Vida, 2013, de modo que poderei trazer outros artigos sobre esse assunto futuramente.

Natanael Pedro Castoldi

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