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A Bíblia Politicamente Incorreta - Respostas Sobre Versículos Estranhos

O texto que segue, retirado do anterior "A Bíblia, o Mal e as Heresias - Respostas Sobre Versículos Estranhos" e ampliado, pretende responder adequadamente ao mau uso de alguns versículos bíblicos para justificar o anticristianismo.

A Bíblia e outras questões morais:
Postagem "Sola Scriptura", nO Mirante

A - "A Bíblia mostra Deus sendo mal, pois mata muitas pessoas", é o que dizem alguns. Vários versículos demonstram juízos de Deus na humanidade e você poderá ler sobre isso, juntamente com as explicações, na postagem "Incoerência". O fato é: se um cristão sofre opressão e é torturado por perseguidores, os críticos dizem: "Onde está o seu Deus agora? Essa é a bondade dEle, te deixando morrer?" e se Deus, porventura, matasse todos os opressores em defesa do Seu filho, diriam: "Esse é o seu Deus? Não parece nenhum pouco bondoso!" Os que criticam sempre encontrarão problemas... discutir é como jogar "pérolas aos porcos" -Mateus 7:6. Que se pense quais as motivações e os frutos eternos de um juízo divino, pois os fins, nalguns casos, justificam, sim, os meios.

Por que Deus mata? Primeiramente, é um direito Seu de, como criador da vida e legislador do Universo, julgar e destituir da existência os insurretos -Romanos 9:20; Isaías 45:8-9. Porém, Deus, sendo justo e bom, não o faria por meros caprichos, e é o que os outros pontos demonstrarão:
-Juízo, Gênesis 18:20-33: Deus se cansa do pecado contínuo, O Pai, totalmente justo, simplesmente não pode deixar a iniquidade impune. Em determinadas ocasiões relatadas na Bíblia, Deus aniquilou nações devido a sua tenebrosa perversão e oposição à Sua vontade, mas esses são casos mais extremos, como o de Sodoma e Gomorra que, mesmo assim, teriam sido poupadas se nelas habitassem um número muitíssimo reduzido de homens justos. Em ocasiões desse tipo, Deus evidencia a Sua vontade, o Seu poder, faz com que os que morreram sirvam de exemplo para uma aproximação de outros e, destruindo um antro de exagerada maldade, priva outros povos de se envenenarem pelo péssimo e vil exemplo da nação julgada.
-Escolha humana, Deuteronômio 30:19: havendo estatutos divinos a serem seguidos em prol da vida, sendo a rebeldia retribuída com morte, qualquer um que, tendo conhecimento disso, prosseguir na posição de inimizade para com Deus, estará, literalmente, pedindo para morrer, julgando-se a si mesmo.
-Proteção, Salmos 89:23: para manter vívida a esperança messiânica, Deus, no Antigo Testamento, precisava proteger Israel dos inimigos, julgando-os pela sua arrogância e orgulho, blasfêmia, devassidão, e covardia. Por amor ao indivíduo que tem como filho, O Pai pode entrar na briga. A proteção também se enquadra na conquista de Canaã pelos hebreus, que precisavam de terras para constituir uma nação.
-Disciplina, Hebreus 12:5-9: para manter Israel em coerência com a vontade dO Pai, em prol da consumação da História da Redenção, Deus, volta e meia, precisava disciplinar a nação com ataques inimigos, pestes e outros artifícios mortais, já que a exortação pacífica vinda da boca dos profetas pouco adiantava. O exemplo de alguns, que morreram em resposta a rebeldia, servia como disciplina para o povo inteiro e, disciplinado, reaproximar-se de dO Criador.
-Amor, Hebreus 12:2-4: toda a ação de Deus se dá por amor. Inclusive a disciplina e o julgamento de Deus são fundamentados no amor: o eliminar de uns poucos insurretos em prol da salvação de muitos pelo exemplo e pela eliminação da influência negativa, mas há um exemplo de ardente amor que se sobressai: a morte de um inocente em prol da eliminação do pecado de uma humanidade inteira -para quem aceitar: o sacrifício de Cristo! Jesus morreu, morreu pela vontade de Deus, mas com o objetivo de atingir pelo exemplo e pelo estrondo espiritual a vida de uma humanidade condenada pelo pecado.

B - "A Bíblia estimula o machismo", é o que dizem outros. Efésios 5:24 é uma das passagens usadas, pois determina que as mulheres devem se sujeitar aos maridos. Ora, a Bíblia não é "machista", pois não trabalha, segundo o seu fundamento em amor e "não acepção de pessoas" -Atos 10:34; Gálatas 3:28-, com a exploração egoísta do homem para com a mulher. Acontece que Deus, Perfeição e Ordem, sempre designa autoridades em todas as instituições que alicerçou e o casamento não seria diferente, tendo o homem, o primeiro criado, como aquele que anda na frente e a mulher, como sua auxiliadora. No final das contas é um trabalho em equipe a acrescentar para os dois envolvidos: a mulher ama e respeita ao homem, como a Igreja ama e respeita à Cristo de modo profundo, a pondo de, se necessário, morrer por Ele, e o homem respeita e ama ardentemente, a ponto de entregar a sua vida, pela esposa, assim como Cristo o fez pela Igreja. O homem é o "cabeça" da mulher assim como Cristo é o "cabeça" da Igreja, portanto o homem se coloca numa situação de liderança servil, totalmente focada nos interesses da esposa, enquanto a esposa se submete ao homem também em postura servil, totalmente focada nos interesses do marido, concluindo-se num sentimento comum de servidão e amor, afinal, quem ama verdadeiramente não busca interesses próprios, grandeza individual, mas a vida e a honra daquele que ama - 1 Coríntios 13:4-7. Se o homem explora e quer mal a mulher, está explorando e querendo mal a própria carne, pois é uma só carne com a esposa, além de estar fazendo o oposto do que Cristo faria e desrespeitando a responsabilidade de imitá-Lo no relacionamento conjugal - leia Efésios 5:25-33. Em resumo: o serviço e o amor depositado no marido não partem de si mesmo, mas da esposa, enquanto o serviço e o amor depositados na esposa não partem dela, mas do marido - 1 Coríntios 7:4.

Se o padrão bíblico de amor e casamento for levado em conta, o marido jamais menosprezará ou subjugará a esposa!! Não haverá espaço nem para machismo, nem para feminismo, pois os dois lados, amando-se ardentemente, servir-se-ão um ao outro de bom grado e se respeitarão profundamente, em zelo pela integridade e honra das partes, unidas como uma só. Quando Paulo exorta o marido a amar a esposa de modo tão profundo, chegando a ser sacrifical, está enfrentando descaradamente o pensamento romano, onde a mulher era apenas uma propriedade do homem. Quando Paulo fala para a mulher se submeter ao marido, trabalha com o patriarcalismo tipicamente bíblico, fonte de ordem, lembrete do relacionamento entre Jesus e a Igreja e o ambiente perfeito para se exercitar o amor cristão, capaz de fazer uma parte abrir mão de alguns privilégios, submetendo-se, e a outra, abrir mão doutros privilégios, não explorando ou subjugando, não abusando da autoridade, tudo por amor.

Mas se não existe machismo nas Escrituras, então como podemos entender 1 Coríntios 14:34-35, que ordena o silêncio das mulheres na congregação? Ora, é simples: o que vem antes dessa ordem? Confusão com os dons espirituais, em especial o de línguas, promovendo desordem na igreja -verso 33. Provavelmente a questão do silêncio das mulheres partia, primeiramente, desse problema: talvez estivessem, parte delas, portando-se erroneamente nas celebrações, promovendo, pela atitude, mais confusão do que crescimento. Era um problema local e precisava ser resolvido! O capítulo 11 trata um pouco mais desse ambiente confuso e repleto de discórdia instalado em na igreja de Corinto, vide o verso 18, o que dá um pano de fundo ainda melhor para a preocupação de Paulo com a postura das mulheres dessa igreja. Outra questão era relativa ao ensino: com toda a espera messiânica, originada em Gênesis 3:15, mas fortalecida com Abraão, de ser o primogênito, filho homem, separado por Deus como herdeiro da promessa, o ensino da Lei, da Palavra, era de exclusividade masculina: os homens adultos ensinavam, orientavam, os jovens de modo especialmente profundo, sendo, por uma questão cultural, as mulheres desprovidas desse privilégio. Podemos concluir, com esse raciocínio, que as mulheres, com menos acesso ao conhecimento teológico, tinham grande potencial de expor publicamente compreensões errôneas e indevidas da fé cristã, portanto, para evitar-se a heresia, blasfêmia ou desonra, era preventivo o ato de exortar pelo seu silêncio e, havendo algum pensamento, reflexão ou pergunta, expressada exclusivamente em casa, direta e somente com o marido, melhor instruído. O capítulo 14 parece tratar dessa questão específica, afim de evitar contendas e inconvenientes, mas Paulo, no capítulo 11, parece, noutros termos, condizente com a expressão em louvor da mulher na congregação, vide o verso 5. Como conclusão e aplicação, podemos entender, portanto, que a questão não é o silêncio da mulher em si, mas a nossa omissão pública mediante a incerteza ou carência de conhecimento e moral em relação a tópicos de caráter teológico, com o objetivo de não criarmos confusão e polêmica por intermédio de uma eventual heresia ou blasfêmia. Não se trata de machismo!!

C -"A Bíblia estimula a escravidão", é o que muitos alegam ao se depararem com a carta de Paulo à Filemon ou o trecho de Efésios 6:5-10. Besteira! Quem assim argumenta trabalha com imensa desonestidade e não ataca a Bíblia por considerá-la, realmente, vil, mas porque o indivíduo em questão, por uma inimizade para com Deus provinda de problemas familiares, deficiências, outros traumas e carências, ou com base no anseio por libertinagem, quer destituir o valor das Escrituras, acusando-a pretensiosamente. O apóstolo Paulo jamais defende a escravidão, incentivando-a, da mesma forma que não luta contra todo o sistema romano imperante em seu período. Em primeiro lugar, devemos levar em conta que a relação de servo e senhor nesse período: o contexto judaico-cristão não equivale à carnificina da escravidão promovida, por exemplo, pelo Brasil colonial em relação aos negros africanos, nem de perto, assemelhando-se mais a relação atual de operário e chefe. O servo em questão cuidava dos negócios de seu senhor numa interação relativamente próxima a de amizade, não recebendo grande retorno em salários, mas o sustento da casa daquele a quem servia. Nesses casos, numa sociedade onde imperava o pensamento secular e contra o qual a Igreja não tinha poder determinante, era melhor que o servo, o escravo, continuasse na segurança de sua posição do que perdesse o posto, simplesmente porque os servos constituíam uma classe social desconsiderada, tida por não-cidadãos, sem direitos políticos ou oportunidades, portanto, se um senhor libertasse seu servo, ele, de berço servil e, quem sabe, de nação estrangeira, não seria bem recebido pela sociedade romana e padeceria de sofrimentos e privações maiores  do que as recebidas na situação de serviço, por conseqüência, o pensamento mais saudável não era se impôr em oposição completa, rebeldia e ousadia contra o sistema vigente, mas exortar para uma modificação saudável do mesmo, benéfica para o servo, que continuaria na segurança do serviço e sustento, e benéfica para o seu senhor, que teria servos mais felizes, saudáveis e eficientes, ambos agradando ao Senhor pela atitude mútua de amor, seguindo o exemplo de Cristo - Lucas 22:26.
Em resumo: a Palavra não defende a escravidão, mas trabalha com conceitos que devem transcender toda a convenção e tradição social. A Bíblia é muito clara: quando regras estipuladas pelo governo não se opõem a verdade das Escrituras e não colocam à prova a nossa fé, pressionando-nos a desistir de Cristo, devemos acatá-las, pois nossos anseios são focados na eternidade e não em questões puramente humanas - o que não nos impede de levantarmos oposição à posturas que ferem os padrões bíblicos de amor. Romanos 13:1-6. Apliquemos o pensamento de Deus em relação ao servo e o senhor na atual configuração profissional de empregado e empregador.

D - "A Bíblia estimula a disciplina física nas crianças", é o que alegam os críticos com base em Provérbios 23:13-14, que, dessa vez, estão criticando com alicerces num conceito inquestionavelmente bíblico. A questão aqui é: a crítica realmente é bem fundamentada? Só porque a imagem de um pai disciplinando fisicamente um filho mexe com nossas emoções e é difícil de engolir num primeiro momento, a correção física está errada? Precisamos separar o que é fruto involuntário de nossas emoções daquilo que é fruto do pensamento racional, tido pelo exercício intelectual. Em primeiro lugar, a cultura cristã é a primeira a realmente se preocupar com o bem estar das crianças, que até antes de Cristo eram tidas como "mini-adultos" e tratadas com frieza, o que prosseguiu em culturas pagãs, como a romana - o encontro de Jesus com os pequenos é um maravilhoso exemplo dessa revolução do trato com eles, vide Lucas 18:15-17; Paulo, em Efésios 6:4, faz questão de exortar os pais a tratarem de modo adequado com os filhos, sem desonrá-los ou irá-los, mas orientando-os à verdade do Evangelho. O segundo ponto se refere ao amor: com amor, o amor cristão, o pai, ao disciplinar o filho, não o fará com ira e descontrole, mas ciência e moderação, afim de não feri-lo ou desrespeitá-lo, mas, sim, orientá-lo corretamente, pois é melhor uma dose pequena, mas amarosa, de dor corretiva, do que uma posterior, com base em rebeldia, dose de terrível e torturante dor, embasada no ódio de outros indivíduos, com os quais o filho insubmisso se envolveu. O terceiro ponto, sendo o final, está no papel da disciplina: nossos pais precisam se lembrar que foram disciplinados fisicamente e que isso os encaminhou para o que são hoje, sem traumas; a disciplina faz a criança reconhecer e evitar o erro, entendendo que a rebeldia e insubmissão gera dor -e sempre gerará, em casa ou na selva de relacionamentos que constitui esse mundo caído; a disciplina também incentiva os pequenos a respeitarem as regras e as autoridades, incluindo a pessoa de Deus. Crianças são ingênuas, ignorantes, inocentes até determinado ponto, incapazes de reconhecer o que lhes é melhor ou pior, pela carência de experiências de vida e cultura, mas, ao mesmo tempo, possuem uma tendencia natural, promovida pelo pecado, de caminhar pelas veredas da rebeldia e do egoísmo, por isso a constante intromissão dos pais em sua vida se faz de valor inquestionável. Vide a postagem "Em nome da honra".

E - "A Bíblia condena o homossexualismo", é o que dizem os críticos com base em Romanos 1:25-26 e com o que eu concordo, pois, assim como o ponto anterior, é verdade inquestionável nas Escrituras. A questão aqui é: da mesma forma como tudo perante o qual a Bíblia se posicionou, como vimos, o fez de modo sábio e benéfico, posiciona-se, seguindo o padrão, a tendência, em relação a isso. Ao lado do homossexualismo, a Bíblia condena toda a espécie de corrupção, não o colocando como mais, nem menos, pecaminoso do que outras coisas - 1 Coríntios 6:10. O fato é que, por uma série de fatores, o homossexualismo é prejudicial para a sociedade como um todo, o que você pode constatar nas minhas reflexões de nome "Por que se opor?", "Homocentrismo", "Em nome da honra", "Idéias nocivas" e "Incoerência". A questão é: se a postura aqui comentada fosse realmente benigna, a Holanda, país mais libertino do mundo, que há poucos anos tem liberado de modo pleno a prostituição, o homossexualismo, o uso de drogas... não estaria, numa nota recente, declarado arrependimento por tão grande abertura, que, ao invés de melhorarem a nação, apenas intensificou os problemas sociais -degradação e criminalidade-, é o que se lê numa matéria publicada na revista Veja de 5 de março de 2011, de título "Mudança de Vitrine", do jornalista Thomaz Favaro.

F - "Deus se agradou de alguns pecados", é o que podem afirmar alguns com base no fato de que Abraão, no relato de Gênesis, angariou por meio da mentira boa parte de suas riquezas, riquezas necessárias para a continuidade da Alianças Abraâmica - em Gênesis 20, Abraão e Sara vão ao Egito para fugir da fome palestina e, com medo de perder sua bela esposa, a tem como irmã diante do faraó que, indo contra as previsões do patriarca, decide arranjá-la como esposa, preparando-lhe grande dote, mas Deus, intervindo por causa da Promessa, da Aliança, manda pragas e deixa o pecado da mentira evidente, fazendo o Egito oferecer tesouros para que Abraão seja persuadido a ir embora com seu "mal". O conceito é simples: Deus não pediu para Abraão mentir e, tampouco, se agradou de sua postura, pelo contrário, Abraão pecou nos momentos em que decidiu trabalhar por conta própria e Deus deixou muito clara a reprovação mediante a iniquidade, da qual o Pai da Fé sempre teve que se arrepender. A questão, no final das contas, é que O Pai, em Sua profunda sabedoria e plena soberania, comumente torna em vida aquilo que é fruto da morte, fazendo de Abraão uma bênção, embora tenha se portado, muitas vezes, de modo reprovável; fazendo das riquezas do Patriarca o alicerce para as futuras gerações da Promessa, embora ela tenha sido constituída de modo ilícito. Se O Criador não tivesse a habilidade de tornar a natureza do repulsivo em aceitável, nós, humanos caídos, jamais poderíamos ser salvos! Outro exemplo está nos eficiente sistema de estradas do Império Romano do início da Era Cristã que, embora tinha sido um dos mais eficazes mecanismos de perseguição da Igreja, pelo rápido deslocamento das legiões perseguidoras, também serviu para uma espantosamente rápida divulgação do Evangelho - a Internet, de certo modo, se enquadra nisso: o Mal se dissemina terrivelmente, mas a Palavra também circula massivamente. O Pai é, sim, capaz de usar e tornar o reprovável em ferramenta benéfica, vemos isso no fato de ter usado de reis pagãos como instrumentos de bênção para Israel, como Ciro, da Pérsia -Isaías 45:1-4.

G - "A Bíblia se contradiz", é o que alegam os críticos com base em textos como o de Êxodo 33:11 e 20 que, num momento, afirma o fato de Moisés falar face a face com Deus e, noutro, atesta que ninguém pode ver Deus. Como se explica isso? Quando Deus se apresenta à Moisés e aos anciãos de Israel, no Monte Sinai -Êxodo 24:9-11-, aparece em teofania, que é uma aparição dO Criador em corpo físico, quem sabe o próprio Filho, única face visível dO Pai aos homens -1 Timóteo 6:16 e Mateus 11:27. O fato é que, em teofania, a glória de Deus se reduz aos limites de um corpo físico, tornando-se suportável aos homens e é, provavelmente, desse modo que Moisés conseguia ver O Criador. Agora, quando Deus afirma que morrerá qualquer um que vê-Lo, está se referindo à visão clara dEle em plenitude, segundo a Sua absoluta glória em constituição puramente espiritual, a Sua face genuína, imagem poderosa demais para a compreensão e percepção de qualquer ser vivo em limites carnais. O primeiro versículo relata a percepção do autor sobre a amizade de Moisés com Deus e o segundo, o dizer dO Pai na íntegra. Podemos, ainda, levar em conta que o primeiro versículo pode significar, simplesmente, que O Profeta tinha um relacionamento íntimo com Deus.

H - "A Bíblia é anticientífica", é o que outros afirmam, isso com base em versículos como o de Êxodo 22:26 que, supostamente, peca ao tratar com uma realidade geocêntrica. É óbvio que tal alegação é absurda! Até os grandes cientistas de hoje, em conversas casuais, usam termos dessa natureza, por tratarem-se de percepções universalmente compreensíveis e aceitáveis. Quando a Bíblia fala do "Sol se pondo", não está dizendo que "o Sol, girando ao redor da Terra, está movendo-se para sua outra face", mas apenas relatando a percepção do autor humano em relação ao fenômeno crepuscular ou num dizer da parte de Deus provido de configuração compreensível para os homens a quem se referia. O homem de milênios atrás não entenderia com clareza termos que só a ciência atual conseguiu compreender, mas o homem atual consegue entender termos e percepções comuns ao homem de milênios e, como a Bíblia não existe para ser um livro científico, mas um relato da História da Redenção, tido para ser válido e compreendido por todos os povos, de todas as culturas e tecnologias, residentes de quaisquer eras, o caminho mais sóbrio é o da linguagem universal, baseada em percepções comuns a todos os homens, sobretudo relativas a eventos naturais descritos da forma com que são observados: de fato, ao observarmos o horizonte ao entardecer, o Sol parece estar se pondo antes de a Terra parecer estar se movendo. Essa ideia de que a Terra é o "centro do Universo", por sinal, nem é de natureza cristã, mas fruto da filosofia grega, mais especificamente, Aristóteles, cujo pensamento norteou as ciências por milênios, dominando o pensamento dos cientistas cristãos e seculares até pouco depois da Idade Média. Copérnico, clérigo cristão, foi o primeiro a sugerir o heliocentrismo e Galileu, cristão declarado, teve a ousadia, com base em suas observações, de desafiar o pensamento aristotélico e, logo, os cientistas de sua época, quer cristãos, quer mundanos - sua condenação, branda, se deu mais pela sua falta de sabedoria em lidar com autoridades superiores, sendo desrespeitoso, do que por falar inconvenientes.

Levemos em conta, nesse ponto, assim como no anterior, que Deus, ao inspirar o autor humano a escrever a Sua Palavra, não anulou os potenciais, percepções e habilidades tipicamente humanas, mas permitiu que o homem, no que se referia a detalhes pequenos -não na essência-, se expressasse segundo suas individualidades. Entender que o "Sol nasce e se põe" não interfere em nada no que se refere ao relacionamento de Deus com o homem, centro da Palavra! Outras idéias de caráter científico claras na Bíblia também não existem em prol de uma defesa apologética da existência de Deus, mas, simplesmente, para dar um pano de fundo, um princípio, para o relato da História da Redenção e, mesmo assim, são válidas, pois o monoteísmo tido em Gênesis 1 trata-se da ideia científica mais revolucionária, provavelmente, da história, influenciando todo o pensamento dos primeiros - e mais importantes - cientistas dos séculos passados, quase todos cristãos; a criação ex-nihilo não se contrapõe ao Big Bang, pelo contrário, coexiste com ele, levando em conta que um Deus imaterial e transcendente é a fonte da matéria; o criacionismo também não se opõe totalmente ao evolucionismo, pois a influência de Deus nos processos evolutivos poderia, então, ser observada, embora existam inúmeras evidências de que houve uma criação repentina e plena das criaturas dentro de um Universo ainda jovem.

Natanael Pedro Castoldi

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