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A Bíblia: Falhas Matemáticas, Biológicas e Geográficas?

Hoje me deparei com um texto que se propõe a provar que a Bíblia está errada (isso sem ao menos entender o que significa "inerrância" quando nos referimos às Escrituras). A publicação foi feita de modo inteligente, pelo menos na estética: o leitor deve pensar sobre quem está mais certo com relação à ciência, a Bíblia ou a ciência, e somar os pontos no final. É claro que a ciência é científica e a Bíblia não, o que significa que o texto, por si só, é desonesto - é lógico que a ciência vai ganhar. Mas o problema é que todos os pontos que o autor usou para mostrar que a Bíblia está errada são absurdos, nada mais do que resultado de desonestidade, má interpretação, pouco conhecimento de literatura e dos contextos históricos e culturais dos textos das Escrituras. Refutei todos os seus pontos e aqui publicarei, como mais um recurso do cristão para responder aos chavões mentirosos que os críticos da Palavra comumente usam.

Texto: "Prova da Falsa Inerrância Bíblica", Milson, 18/10/2012, encontroracional.blogspot.com.br

Vamos aos pontos e ao que respondi:

A - Erros matemáticos e químicos?

“1 - Assinale a alternativa mais aproximada. 
[    ] O valor de PI é exatamente 3 - (Afirmação Bíblica - I Reis 7.23 / II Crônicas 4.2)
[ X ] O valor aproximado de PI é 3,1416 - (Afirmação Científica)"

“Fez mais o mar de fundição, de dez côvados de uma borda até à outra borda, perfeitamente redondo, e de cinco côvados de alto; e um cordão de trinta côvados o cingia em redor.” 1 Reis 7:23 | “Fez também o mar de fundição, de dez côvados de uma borda até a outra, redondo, e de cinco côvados de altura; cingia-o ao redor um cordão de trinta côvados.” 2 Crônicas 4:2

Eis uma contradição inventada. Se algum cristão um dia tentou provar que essas passagens falavam alguma coisa sobre o valor de PI, fracassou, até porque a Bíblia não está preocupada em informar conhecimento científico oculto nas suas entrelinhas. De qualquer modo, as medidas ali reveladas, sobre as dimensões do Mar de Bronze, usado no Templo, são apenas medidas, tidas em côvados, sem preocupações milimétricas. Nada além disso.

“2 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] Pode-se somar 1+1 e o resultado ser diferente de 2 - (Afirmação Bíblica - Marcos 9.23)
[ X ] 1+1 = 2 - (Afirmação Científica)"

“E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.” Marcos 9:23

É terrivelmente triste ter que se deparar com uma alegação dessas, pois é simplesmente impossível imaginar que a Bíblia, alguma vez, tenha sugerido que “1+1 não é 2”, isso em termos materialmente matemáticos. Qualquer um, em qualquer momento e cultura da História, é capaz de saber disso – e os primeiros escritores do Oriente Médio o sabiam mais do que ninguém. 
Eu ainda não consigo acreditar no fato de alguém ter usado o versículo de Marcos 9 como justificativa, pois, se for assim, tal versículo poderia justificar qualquer bobagem. Jesus foi reconhecidamente o maior sábio do seu tempo, de modo que é óbvio que ele não se referia a questões matemáticas ou de qualquer espécie de ciência em sua frase, que é muito mais espiritual do que carnal: o Deus que criou tudo do Nada pode fazer reais todas as coisas que, para ti, parecem impossíveis. Ele está acima de qualquer Lei Natural. Que eu saiba, de relativista o cristianismo não tem nada!

“3 - Assinale a alternativa correta.
[    ] Ouro enferruja - (Afirmação Bíblica - Tiago 5.3)
[ X ] Ouro não enferruja - (Afirmação Científica)”

“O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias.” Tiago 5:3 

Usar esse versículo como justificativa para um "erro bíblico" é desonesto: é óbvio que os antigos sabiam das qualidades do ouro, que já era conhecido e trabalhado há milênios (é por isso que o Templo de Jerusalém foi coberto de ouro por dentro: não haveria necessidade de troca do material com frequência, nem no Santo dos Santos, acessível só uma vez por ano). A figura da “ferrugem” é usada mais com um símbolo para a morte, para o desfragmentar de toda a matéria e carne ao longo do tempo, em oposição aos “tesouros espirituais”. No mais, os antigos não tinham uma variedade grande de palavras para falar de "desfragmentação", de modo que "ferrugem" era usado, naquele contexto, para questões além da oxidação do metal. Ao conhecimento do antigo o ouro era um metal (e é) e, assim como qualquer matéria, se desgastava e desaparecia com o tempo, mas não se encaixava na categoria de roupas (traças) e nem na dos organismos (decompositores e predadores), indo parar na categoria de “corrosão metálica”, que era generalizada como “enferrujamento”.

"Ferrugem - Em nossa versão portuguesa, essa é tradução de um vocábulo hebraico e de outro grego, cujo sentido é inteiramente diferente.
1 - Em hebraico, yeraqon, "palidez", "coisa verde" (...). Uma espécie de fungo (...) que produzido pela umidade, ataca as colheitas da Palestina. (...)
2 - Em grego, brosis, "corrosão", ("ingestão", "alimento" (...). Quando é traduzido com o primeiro desses três sentidos (...), está em vista mais do que simplesmente a oxidação de metais ferrosos, mas, no dizer de Alford, 'o desgaste e o envelhecimento do tempo' que come e consome até as melhores possessões."
Fonte: Novo Dicionário da Bíblia, J. D. Douglas, VidaNova, 2012, pg 503.

"Ferrugem: secreção corrosiva, que os gregos chamavam de 'ios', referindo-se à que se forma na superfície do ferro; é o verdete do cobre e o óxido do ouro e da prata que lhe tira o brilho, Tg 5:3. A palavra grega 'brosis', corrosivo, encontra-se em Mt 6:19-20." - Lembro que Tiago fazia referência ao que Jesus disse em Mt 6.
Fontes: Dicionário da Bíblia, John D. Davis, JUERP, 1983, pg 225; Comentário Bíblico Vida Nova, D. A. Carson, VidaNova, 2012, pg 2047.

B - Erros biológicos?

“4 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] O grão de trigo precisa morrer para germinar - (Afirmação Bíblica - João 12.24)
[ X ] O grão de trigo não precisa morrer para germinar - (Afirmação Científica)"

“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” João 12:24

Grande carência de conhecimento do contexto bíblico! Para o antigo hebreu a palavra "morte" era, além de um evento real, uma figura simbólica, indicando transformação e passagem. O "grão" tinha que morrer para si mesmo, ou seja, deixar de ser grão, assim como o homem "morre" para si mesmo ao se converter a Cristo: ele deixa de ser quem era antes.

“5 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] Coelhos são animais ruminantes -(Afirmação Bíblica - Levíticos 11.6)
[ X ] Coelhos não são animais ruminantes - (Afirmação Científica)” 

“E a lebre, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; essa vos será imunda.“ Levítico 11:6

Apenas há uns poucos séculos os seres vivos foram categorizados do modo como hoje aprendemos nos livros de biologia, isso depois de extensas análises de comportamento, de anatomia e até de genética. Mas o hebreu antigo, uns 1,5 mil anos atrás, não tinha acesso a esse conhecimento recente - para ele a classificação dos animais se dava por métodos diferentes que, segundo os critérios do período, não caracterizavam erro, mas apenas análises diferentes, para nós peculiares: para categorizar o coelho era levado em conta o comportamento daquela criatura que, assim como a vaca, ficava mastigando o pasto por vários minutos sem abocanhar nada do chão. Como o hebreu ainda não tinha criado coelhos em laboratório para observação mais científica e, tampouco, aberto vários exemplares para estudar a sua anatomia, o categorizou dessa forma. É errado? Aos nossos olhos sim, mas funcionada dessa forma naqueles tempos. Lembro que a Bíblia foi escrita para o entendimento cultural e histórico de todos os povos, de todos os cantos da Terra, de todas as culturas e períodos – seria ineficaz divulgar um conhecimento somente compreensível para a humanidade dos últimos séculos. 

“6 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] Morcegos são aves - (Afirmação Bíblica - Levíticos 11.13-19)
[ X ] Morcegos são mamíferos - (Afirmação Científica)"

“Das aves, estas abominareis; não se comerão, serão abominação: a águia, e o quebrantosso, e o xofrango,” (Levítico 11:13) “E a cegonha, a garça segundo a sua espécie, e a poupa, e o morcego.” Levítico 11:19

Mais um pouco de desonestidade da parte do autor. Como já disse, o hebreu antigo não detinha a mesma compreensão de biologia que o homem dos últimos séculos. Ninguém sabia que morcegos mamavam e eram fecundados no útero! Para o hebreu, "animais voadores" eram "aves" e qualquer criatura maior e voadora caía nesse padrão. Era nada além de observação. A Bíblia não foi escrita como um livro científico e nem só para o homem dos últimos séculos.

"Morcego - Tradução razoável da palavra 'atalef' (Lv 11:19; Dt 14:18), especialmente se esta última passagem for considerada ao lado de Lv 11:20, que se refere a 'insetos' que voam e se arrastam de quatro pés. Assim é que o morcego se locomove em qualquer superfície plana." Fonte: Novo Dicionário da Bíblia, J. D. Douglas, VidaNova, 2012, pg 897.

“7 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] Insetos têm 4 patas - (Afirmação Bíblica - Levíticos 11.20)
[ X ] Insetos têm 6 patas - (Afirmação Científica)” 

“Todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés, será para vós uma abominação.” Levítico 11:20

Para o hebreu antigo, qualquer ser que fizesse uso de mais de duas patas para caminhar era encaixado na mesma categoria. Eles não eram burros para não ver que insetos possuem mais do que 4 patas, na verdade, o termo usado é mais uma “força de linguagem”, do que uma informação científica. Sobre essas questões mais biológicas da Bíblia, farei uso do livro “Uma História Politicamente Incorreta da Bíblia”, Roberto J. Hutchinson, Agir, 2012, pg 64:

“Entretanto, esses ‘erros’ são realmente apenas tentativas de impor uma precisão científica a textos que nunca tiveram como pretensão ser lidos por esse viés. A Bíblia usa a língua casual e imprecisa da vida cotidiana, e não a língua da ciência empírica. (...) não dizemos, hoje, que alguém está ‘equivocado’ ou ‘mentindo’ se fala que o sol nasceu às seis da manhã (...) e isso também é válido para as descrições bíblicas de plantas, animais e do mundo natural. O que a Bíblia faz é transmitir amplas ideias morais e filosóficas, e não minúcias sobre zoologia. (...) a palavra em hebraico para ‘ave’ (ohf) poderia, sem perigo, ser também traduzida para ‘coisa voadora’. (...) A expressão ‘andar com quatro pés’ é apenas um coloquialismo, não tem cunho científico (...) Se no livro Levítico os coelhos são classificados como ruminantes, hoje sabemos que eles pertencem, na verdade, à família dos leporídeos coprófagos – ou seja, eles mastigam seus excrementos para digerir melhor sua comida, mas o processo não se assemelha ao dos ruminantes.  No entanto, repetimos: essa era uma descrição popular, não científica.”

C - Erros geográficos?

“8 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] A Terra tem a forma de um disco - (Afirmação Bíblica - Isaias 40.22)
[    ] A Terra tem a forma de um quadrado (tem 4 cantos) - Afirmação Bíblica - Ezequiel 7.2
[ X ] A Terra tem um formato quase esférico - Afirmação Científica“

“Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar” Isaías 40:22 | E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor DEUS acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra.” Ezequiel 7:2

Levemos em conta, primeiramente, o princípio estabelecido no ponto anterior, sobre a linguagem coloquial do texto bíblico, de modo que “quatro cantos” é mais uma expressão popular do que científica. As orientações cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste) fazem dessa expressão algo ainda usável em nossos dias. Sobre Isaías 40, o engraçado é que, na verdade, temos uma alusão para uma Terra esférica:

- Isaías 40:22 - "Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar." A expressão "círculo" ou "redondeza", em hebraico "chug", significa "globo".
- "Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela." Jó 1:7
Fonte: Perguntas que Sempre São Feitas , Werner Gitt, Actual, 2005, pg 62.

9 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] A Terra é fixa - sustentada por colunas - (Afirmação Bíblica - Jó 9.6)
[ X ] A Terra gira no espaço - (Afirmação Científica)"

“O que sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem.” Jó 9:6

A Bíblia foi escrita para o entendimento dos antigos, de modo não caracteriza erro usar de figuras do conhecimento popular. De qualquer forma, por “pilares da Terra” podemos entender “rochas do solo” e, portanto, tal passagem pode referir-se à atividade tectônica da Terra, que fazia “estremecer” o chão. No mais, há outro versículo de Jó que fala justamente sobre a “afirmação científica”:

Jó 26:7 - "O norte estende sobre o vazio; e suspende a terra sobre o nada." Na Antiguidade era comum acreditar que a Terra repousava sobre um oceano primitivo, porém o texto de Jó nos informa a verdade de que a Terra, por alguma forma que o próprio Jó desconhecia, flutuava por sobre um vazio.


“10 - Assinale a alternativa correta. 
[    ] Todos os rios correm para o mar - (Afirmação Bíblica - Eclesiastes 1:7)
[ X ] O rio Okavango, na África, nasce na Namíbia e termina em um pântano, em Botsuana sem ligação com nenhum mar ou oceano - (Afirmação Científica)”

“Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.” Eclesiastes 1:7

É estranho usar um dos trechos mais “científicos” da Bíblia contra a sua cientificidade, uma vez que ele dá a entender algo sobre o ciclo da água: os antigos geralmente não sabiam que a água que desaguava no mar voltava para seu local de origem de alguma forma, mas Salomão parece saber disso ao observar a chuva. Além disso, esse texto é poético, não científico! É claro que existem exceções e Salomão sabia muito bem disso, já que o Rio Jordão, pertinho de seu palácio, nascia do Mar da Galileia e morria no Mar Morto, sem tocar o Mar Mediterrâneo. Diante de tal obviedade, é mais do que lógico que Salomão referia-se ao mais comum, ao geral, não ao que era exceção – além de que, ele estava falando através de uma linguagem poética!

Conclusão: o que a Bíblia não tem de científica, esses críticos têm de desonestos! É muito simples resolver essas supostas “contradições”, mas sempre tem que apelar pra má interpretação, exceções, detalhezinhos, censura, picote, deturpação! Nem ao menos identificar o estilo literário, para facilitar o entendimento, eles conseguem – tome como exemplo a linguagem poética, que não é literal. No final das contas, a essência da Mensagem, que é espiritual, permanece intacta!

Natanael Pedro Castoldi

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