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O Nazismo e a Igreja Católica

Não são poucas as associações que os críticos da Igreja fazem entre o nazismo e a instituição cristã, alegando uma duradoura parceria durante os tempos da Segunda Guerra Mundial. A história, de fato, mostra isso? É o que pretendo esclarecer nessa postagem - tire as suas próprias conclusões.

Você sabia que muitos padres foram parar nos campos de concentração? Você sabia que padres foram mortos por evangelizar judeus nesses campos? Sabia que padres foram mortos porque ajudavam na fuga de judeus? Sabia que religiosos cristãos foram mortos por serem judeus? Verifique na sequência.

Primeira oposição: primeiramente, notemos que o Papa Pio XI (1922-39) opôs-se, mesmo que tardiamente, ao nacional-socialismo alemão através de uma encíclica divulgada no ano de 1937. Esse é o primeiro ponto: já antes da Segunda Grande Guerra o líder máximo da Igreja Católica se manisfestara na oposição ao nazismo - vale lembrar que Hitler, por meio de várias declarações, desprezou o cristianismo. Informações da postagem "Cristianismo, Nazismo, Comunismo e Revolução Francesa", 31/07/2013. Ok, mas todos sabem que, nalguns momentos, a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) aproximou-se do nazismo - é aí que vamos para o segundo ponto.

Aproximação: três dias depois de Hitler ter invadido a Áustria, já foi saudado pelo cardeal Theodor Innitzer, que dizia: "Estamos convencidos de que pela atuação do movimento nacional-socialista foi afastado o perigo do bolchevismo ateu, que tudo destrói". O povo foi exortado pela Igreja a apoiar o nazismo, pois isso pareceu justo perante a ameaça do terrível comunismo, porém a euforia em favor de Hitler durou pouquíssimo tempo (a empolgação pró-nacional-socialismo, que havia atingido até os níveis mais altos da Igreja, se dissipou em poucos meses). As ações nazistas logo revelaram as verdadeiras intenções de Hitler.

Afastamento: no dia 8 de outubro de 1938 a plebe nazista assaltou o palácio do arcebispo de Viena, cometendo ali atos de vandalismo, deixando mais do que evidente que uma conciliação entre as partes seria impossível. Na Áustria, por exemplo, as escolas particulares católicas foram extintas e três das quatro faculdades teológicas fechadas, isso além da liquidação de numerosos conventos e cabidos, além da supressão do ensino religioso.
É fato de que a ICAR, em 1938, não se manifestou perante a perseguição aos judeus, mas alguns cristãos católicos se levantaram na oposição, como Johannes Ude e Max Joseph Metzger, este segundo executado pelos nazistas como traidor. Johannes Ude foi daqueles que, num primeiro momento, tentou aproximar o catolicismo do nazismo, mas que, depois de perceber a vil intenção nazista, lutou contra ele.

Perseguição: nos campos de concentração e prisões muitos cristãos passaram por sofrimentos indescritíveis - só entre sacerdotes e religiosos cristãos o nazismo fez cerca de 4 mil vítimas. Alguns exemplos: o padre Maximiliano Kolbe (1894-1941) ofereceu-se para morrer no lugar de um pai de família, sofrendo horrores no campo de concentração de Auschwitz. A freira carmelita Edith Stein (1891-1942), por ser de origem judia, foi vítima de fúria racista. O padre Franz Reinisch (1903-1942) recusou-se, por ser antinazista, a participar do serviço militar e foi decapitado - um ano depois, um camponês, Franz Jägerstätter (1907-1943), seguiu o seu exemplo e morreu da mesma forma. O jesuíta Alfred Delp (1907-1945) foi executado por "alta traição". A freira Helene Kafka (1898-1943), foi executada na guilhotina também por "alta traição". O franciscano Kapistran Pieller (1891-1945), o Pe. Angelus Steinwender e o Pe. Anton Granig, foram fuzilados em 1945. Bernhard Linchtenberg, deão da catedral de Berlim, foi preso após ter ajudado na fuga de judeus e morreu à caminho do campo de concentração, 1943. O Pe. Afons Maria Wachsmann e o pároco de Steirmark, Heinrich Dalla Rosa, foram igualmente executados, o primeiro em 1944 e o segundo em 1945. Os capelões de Stettin, Herbert Simoleit e P. Friedrich Lorenz, juntamente com o provicário de Innsbruck, Carl Lampert, foram executados em 1944. No campo de concentração de Dachau morreram o pároco Josef Lenzel, o Pe. Bernard Wensch e Aloys Andritzky. Entre os protestantes temos Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), que morreu enforcado.

Os nazistas também perseguiam e matavam os deficientes físicos e mentais que, por sinal, geralmente estavam sob os cuidados da Igreja, questão que levou o bispo de Münster, Clemens Augustinus (1878-1946), a reagir vigorosamente em favor, inclusive, dos judeus - suas ações foram de valor duradouro e profundo para a salvação de vidas humanas. 6 milhões de judeus foram mortos pelo nazismo e três quartos de um milhão a ICAR conseguiu resgatar - muitos deles devem sua salvação ao empenho do Papa Pio XII, que preferiu trabalhar no silêncio, sem cutucar os nazistas, para evitar o pior, militando cuidadosa e sabiamente no auxílio aos perseguidos pelo nazismo. Fonte: História da Igreja Católica, Josef Lenzenweger, Peter Stockmeier, Johannes B. Bauer, Karl Amon e Rudolf Zinhobler, Loyola, 2006, pgs 290-292.

Vale citar alguns protestantes proeminentes aqui também:
 - Martin Niemöller (1829-1984), um pastor batista, foi um dos primeiros a levantar a voz contra Hitler. Esse pastor logo adquiriu popularidade e, por isso, o líder nazista o prendeu. Niemöller foi liberto em 1945 e criticou severamente a omissão da igreja alemã diante do nazismo.
 - A família Tem Boom, durante a Segunda Guerra Mundial, fez sua casa se transformar num refúgio para os fugitivos do nazismo. Eles arriscaram a vida, resistindo pacificamente por intermédio de sua fé cristã – eles esconderam judeus, estudantes e membros da resistência holandesa. Cerca de 800 judeus escaparam da morte graças aos Tem Boom, que perderam quatro membros da família nessa empreitada.
Fonte: Apologética Cristã, Israel Belo de Azevedo, Curso Vida Nova de Teologia Básica, pgs 20 e 21.

Natanael Pedro Castoldi

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