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O Crescimento do Ateísmo e a Culpa da Igreja

Acabei de divulgar esse artigo no meu outro blog, Um Mirante para Verstellen, no link que segue (aqui), mas pretendi, pelo grau de importância de seu conteúdo, postá-lo aqui também. Espero que a leitura seja interessante e bastante reflexiva!

Incompetência

O ateísmo cresce como nunca no Brasil - o número de ateus praticamente dobrou nas últimas décadas. Como o crescimento do movimento ateísta é relativamente recente, é normal que a maioria de seus membros sejam jovens e adolescentes - quase todos nascidos em lares cristãos -, os maiores usuários da internet e, portanto, aqueles que mais acesso têm à informação. Enquanto cresce o ateísmo, vemos cristãos se tornando agressivos no tratamento disposto aos ateus - embora muitos deles sejam intolerantes -, que acabam sendo isolados dos demais em determinados contextos sociais. Tudo isso é fato, porém tal fato carece de melhores esclarecimentos: por quais motivos o ateísmo está crescendo em nossa nação? A minha questão é clara: se o nosso país, de maioria cristã, está vendo um crescimento do anticristianismo e ateísmo, parte da culpa vem da própria Igreja que, portanto, não pode, simplesmente, tratar os ateus com desdém - ela também é responsável pelo crescimento desse grupo. Está na hora dos cristãos pararem para pensar sobre a sua parcela de culpa e, entendendo melhor a origem e a situação, reorganizar a casa - é sobre isso que falarei nessa postagem. Ateu ou não, é importante ler todo o texto antes de qualquer formulação de opinião.

Resumo do conteúdo: 1 - Forças de atração para o ateísmo (rebeldia; moda, "ser visto"; acesso à informação; negligência); 2 - A culpa da Igreja com relação ao aumento do ateísmo (contexto católico; contexto protestante/pentecostal).

1 - Forças de atração para o ateísmo: 
a - Rebeldia: sabemos que a maioria dos ateus brasileiros pertence a uma parcela relativamente jovem da sociedade e sabemos que os jovens -como eu o sou- são questionadores e possuem uma propensão quase que natural a se revoltarem contra o antiquado mundo de seus pais e das tradições sob as quais nasceram. Numa sociedade com uma tradição cristã multissecular como o Brasil, de modo que nossas leis, nossa Constituição, o sistema educacional, entre outros, encontram-se intimamente ligados ao cristianismo, revoltar-se contra a fé cristã é praticamente o mesmo que declarar guerra contra, basicamente, todo o "Sistema" - "sistema" esse que o indivíduo em questão costuma considerar opressor. A utilização do anticristianismo, ou ateísmo, como forma de protestar contra as deficiências de nosso país se intensifica com a tendência comum entre os jovens de simpatizar com a Esquerda e a sua oposição ao capitalismo, a democracia e ao cristianismo - os pilares que configuram o Brasil. Infelizmente as mídias e as instituições de ensino influenciam, de modo manipulativo, os jovens ao esquerdismo, ocultando os horrores e fracassos desse sistema utópico e doentio - mas, com base na rebeldia e repúdio ao que fez do Brasil o que ele hoje é, parece pouco provável que esses novos esquerdistas se preocupem com tais reflexões.

b - Moda, "ser visto": muito do que vira moda no Brasil precisou, primeiramente, acontecer nos países do Hemisfério Norte (mensagens ateístas, primeiro, nos ônibus de Londres e, só depois, no Brasil, por exemplo). O ateísmo tem acontecido no Primeiro Mundo e isso, sem dúvida, cria uma aura de confiabilidade e superioridade ao movimento em questão, o que está levantando o interesse de nossos jovens - cansados das coisas como por aqui são e seduzidos por essa alternativa de protesto. Talvez alguns até pensem que o ateísmo desenvolve os países onde cresce, usando como exemplos (errôneos) as nações da Escandinávia, sem perceber que elas cresceram e se desenvolveram sob o baluarte cristão e que, somente depois de instalado um ambiente de conforto e riqueza, é que o ateísmo ganhou força (mesmo assim, ainda é minoria por lá), de qualquer forma, enquanto uns parecem usar de qualquer argumento simplesmente para defender suas vaidades, é possível que muitos novos ateus tenham optado pelo ateísmo com o desejo sincero de ver o nosso deplorável país numa melhor situação. Independentemente dos interesses, o ateísmo é moda, moda roubada do Primeiro Mundo e associada aos nerds que, por sua vez, são associados a "gente inteligente" - por tais motivos, muitos estão nutrindo o interesse pelo "nerdismo" e pelo ateísmo e, assim, ao entrar nessa "chique" moda, ganhar visibilidade como minoria e, supostamente, ostentar uma imagem de intelectualidade, mente-aberta e severo senso crítico (todos nós sabemos que não é bem assim). Nesse caso, podemos entender que o ateísmo pode não vir de um desgosto religioso e político, mas do interesse em saciar certo grau de carência de atenção.

c - Acesso à informação (limitada e selecionada): o acesso à informação pela internet, sem dúvida, leva pessoas, já não mais na ignorância profunda, ao ateísmo, porém, todos sabemos que o conhecimento disponibilizado na internet (nas suas camadas mais superficiais e agitadas) é bem limitado, inconsistente e tendencioso. A maior parte do que se encontra na internet define-se como "opinião" e "ideologia", pouquíssimo pode ser entendido como "científico" e apenas informativo (sem bandeira), o que pode atrair a mente distraída ou preguiçosa. O problema é que a informação da internet, pelo menos a mais utilizada, não equivale ao conhecimento e sobriedade de um bom livro (UM BOM LIVRO e, convenhamos, há muito mais livros de Apologética Cristã do que pró-ateísmo), por isso podemos considerar que a nossa juventude, dedicada demais ao ambiente virtual, embora tenha acesso ao conhecimento, utiliza-se basicamente de uma fonte extremamente limitada (pequenas frases e imagens divulgadoras de opinião e crítica), fonte essa que surge na menor pesquisa, que aparece automaticamente aos olhos durante a navegação por sites ou que é a mais bem divulgada (dar-se com profundos tratados científico-filosóficos exigiria muito tempo de pesquisa e dedicação numa cansativa leitura). O conhecimento (limitado) tende a carregar o jovem ao ateísmo, principalmente porque esse limitado conhecimento é rigorosamente selecionado: quando o aspirante a ateu procura sobre ateísmo na internet, que é o seu ambiente mais forte, terá a predisposição de ir atrás de coisas como "Inquisição", "Deus não existe" e "pastor ladrão", o que o encaminhará diretamente para páginas que pouco questionarão suas propensões, que pouco o farão refletir sobre o tema, que simplesmente lhe acrescentarão mais informações pró-ateísmo, estas transmitidas sob uma espécie de moralismo e de modo emotivo.

Quando identificado como ateu, o indivíduo provavelmente participará de algum grupo ateísta e/ou anticristão, afastando-se cada vez mais do diálogo e se permitindo minar por pessoas que não questionarão seus pensamentos, mas que concordarão e incentivarão tudo o que disser contra Deus e a Igreja - o que cria um ambiente cada vez mais hostil. Por isso digo que o conhecimento é limitado (superficial) e selecionado (a busca específica aliena o indivíduo das demais opiniões) - é no segundo ponto que podemos encaixar gente inteligente que, infelizmente, escolheu por não estudar suficientemente bem filosofia, teologia e História da Igreja.

d - Negligência: sem dúvida esse é o fator de maior demanda para o ateísmo. Para a criança, a primeira demonstração do mundo parte do pais, a primeira mostra do que é o cristianismo brota do comportamento dos genitores cristãos e, se algo estiver muito errado desde a primeira infância, provavelmente esse indivíduo nutrirá algum trauma ou propensão a repudiar a fé cristã. Quem mensagem "cristãos" não-praticantes transmitem aos filhos? Que o cristianismo é algo "sem importância", "supérfluo", "tedioso" e "desprezível". Pior é quando a criança vê seus pais na igreja, durante a celebração, agindo de modo hipócrita para, em casa, mostrarem-se agressivos, mentirosos, beberrões... o ódio para com a hipocrisia dos pais se transmitirá para a fé cristã, que, na concepção do pequeno, "reúne gente falsa" e "desonesta". Se os pais, cristãos, forem péssimos, o indivíduo, querendo distância dos pais e daquilo que lembra deles, evitará a Igreja - isso me lembra uma interessante constatação: um dos maiores motivos para o ateísmo, para o ódio contra o Pai do Céu, é um relacionamento espinhento com o pai biológico. Nesse sentido, o ateísmo tem origem em vertentes muito mais emocionais do que racionais! Certo, podemos pôr as culpas nos pais ou outros familiares, porém a Igreja é tão culpada quanto eles! De que forma? Vejamos na segunda parte do artigo.

2 - A culpa da Igreja:
O mundo da razão, o Mundo Moderno, embasado na religião cristã, nas instituições tradicionais e na razão, criou a atmosfera bélica que levou a humanidade ao caos das Duas Grandes Guerras e, com base nos traumas e desconfiança do "retrógrado e mortífero" tempo moderno, surgiu o emocional e irracional Movimento Hippie ("paz e amor"), juntamente com o relativismo, como configuração para o que chamamos de Pós-Modernismo. Nesse contexto de desapego ao racional e desconfiança da religião, muitos dos pais dos ateus de hoje se criaram e esses pais, por sua vez, formaram boa parte a membresia de muitas igrejas que, por consequência, refletiram suas filosofias de vida. Vou trabalhar com o contexto católico e protestante/pentecostal.

a - Contexto católico:
Disseminada a desconfiança, a mentalidade "não-praticante", ou nominal, generalizou-se. Intensificou-se o problema com a Década de 80 e o seu individualismo, fazendo com que as famílias, cada vez mais, se desligassem das atividades de sua comunidade cristã local. O descompromisso geral com a doutrinação dos jovens, com base em pais de orientação apenas nominal, levou à uma péssima apresentação da fé cristã para esse público: sem profundidade, sem teologia, sem filosofia, pouca coisa além de tradição, sacramento e prática. Por testemunhos (pois não sou católico) sei que a catequese dos jovens, por exemplo, em muitos lugares está sendo desenvolvida por gente despreparada e descomprometida, isso em conhecimento, dedicação e vida espiritual, o que culmina em estudos exaustivos, monótonos, vazios, sem significado e sem relevância, que logo acabam no esquecimento (muitos consideram a catequese como algo quase que insuportável e a fazem somente por obrigação). Falo isso por maldade? De modo algum! Falo isso por amor, pois a verdade, em muitos casos, é essa e isso tem, sim, levado ao afastamento dos jovens. Pais com pouco interesse em conhecimento bíblico não incentivarão seus filhos ao estudo das Escrituras e não militarão por uma melhor educação religiosa. Quais as consequências disso? Achando que a Bíblia e a Igreja são sinônimo de chatice, o jovem, quase sem nenhum conhecimento bíblico, pouca base de filosofia e história cristã, chegará ao Ensino Médio e Academia, onde receberá uma tendenciosa e estimulante mensagem anticristã e pró-ateísta e, fazendo o balanço de seu parco conhecimento relativo à fé cristã (e seu sentimento ruim com relação à Igreja) com a viva, atraente e supostamente veraz e profunda apresentação antirreligiosa, penderá, quase que certamente, ao ateísmo. A culpa é, sim, do jovem e da família, mas, também, da Igreja, que não lhe ofereceu uma educação religiosa íntegra e viva, que não lhe deu a devida importância.

b - Contexto protestante/pentecostal:
A mentalidade mais emotiva e desconfiada do Século XX configurou a Igreja Protestante do Brasil doutra maneira, não tanto na "não-prática", como se deu com o catolicismo. A empolgação dos primeiros crescimentos do protestantismo no Brasil veio com um diminuto interesse por Apologética Cristã: com algumas exceções, muitos novos convertidos não nutriam interesse em analisar a veracidade do cristianismo, em responder os ataques desferidos contra as Escrituras, em conhecer profundamente os fundamentos teológico-filosófico-científicos da fé cristã. Isso se dava, em parte, porque o acesso ao material apologético era muito restrito, já que boa parte desse material ainda não havia sido traduzido para o português e, inicialmente sofrendo preconceito da parte dos católicos (com isso fomentando um triste anticatolicismo), os protestantes também não fizeram uso do material disponibilizado pela Igreja Católica (essas feridas teológicas, filosóficas e científicas ainda se refletem hoje: a maior parte do material acadêmico para o estudante de teologia é de autoria norte-americana) . O fato é que as gerações cristãs das décadas passadas geralmente não nutriram interesses em aprofundamentos apologéticos, inclusive se permitiram influenciar pelo fundamentalismo cristão estadunidense (a Igreja que mais alimentou o protestantismo no Brasil, vide Ticiano Castoldi, Minasdraug, Darwinismo e Igreja: os primeiros contados), engolindo a vil percepção de que "ciência e religião não se misturam", de que "ciência e religião se anulam" e, pior, de que "a ciência é inimiga do cristão", o que levou a um afastamento cada vez maior dos cristãos protestantes com relação ao conhecimento empírico. O problema é que essas gerações, seguras de sua fé mais emotiva, não se prepararam para a vida da geração atual, não esperavam que seus filhos nutrissem uma mentalidade diferente das suas, não esperavam pelo surgimento de crianças prematuras e adolescentes e jovens mais críticos e sedentos por informação e respostas. Quando inocentes crianças, os pais, sem perceber, as criaram num ambiente de isolamento intelectual, de uma fé desapegada da realidade e, quando tais crianças cresceram, o erro estava cometido e a internet tratou de dar-lhes as respostas que não conseguiram obter de seus pais. A caminhada ateísta, para muitos, se iniciou assim, logo partindo para um anticristianismo embasado na infância: "fé emburrece", "fé aliena".

Nesse sentido, o universo pentecostal está caindo num erro ainda pior: além do medo e da quase demonização da ciência em muitos guetos do movimento, há um desapego ainda maior pelo ensino da teologia e da filosofia cristã, não há incentivo para a busca de conhecimento e não há estímulo para a formação de um senso crítico. O tratamento com os jovens é uniformizado e a tendência é a aniquilação da personalidade e da criatividade: se desestimula o debate e a formação de opinião (se determinadas perguntas são feitas e certos assuntos mencionados, logo se censura com chavões do tipo: "tá amarrado" ou "isso é confusão do Diabo"). Nesses ambientes até a língua é outra, o chamado "crentês" , o que isola não só intelectual e espiritualmente o indivíduo do resto do mundo, mas também culturalmente. Nós sabemos que os jovens querem se inserir na sociedade, têm necessidade de estar nela, ser parte dela, e quando uma igreja os aliena e impede de fazê-lo (não me refiro à pecados), no momento em que eles tiverem que se expôr, poderão ser arrastados pela maré desse mundo, pois não estão preparados espiritual, social e intelectualmente (sua fé é imatura, pois carece de conhecimento bíblico e não foi testada mediante desafios e ataques, é socialmente imaturo, pois alienou-se no pequeno grupo, e está intelectualmente despreparado, pois não lhe foi permitido questionar e estudar determinados assuntos, não recebendo o amparo necessário, de gente capacitada, perante suas indagações e crises). Com o aumento do poder aquisitivo, os pentecostais, constituídos por uma maioria de baixa renda, estão podendo entrar nas universidades ou ter internet em casa, o que, sem dúvida, expõe os jovens a toda a espécie de questionamento e pressão e isso, inevitavelmente, tem levado muitos ao ateísmo. A igrejas que falam muito em só "andar no Espírito" e pouco trabalham a área intelectual, estão fadadas a perder muitos jovens para o ateísmo, assim como as igrejas pouco espirituais, onde a maioria dos jovens não teve experiências sobrenaturais com Deus e, portanto, não sabe como é, de fato, senti-Lo. Nesse caso a melhor solução é o equilíbrio - e nada melhor do que uma congregação que, unida, vive a Verdade do Evangelho com autenticidade..

A minha crítica para a Igreja do Brasil é a seguinte: muitos de seus líderes atuais, juntamente com os pais de família, não nutrem interesses intelectuais relacionados ao cristianismo e, portanto, negligenciam tal área, de modo que não estão dispostos e nem capacitados para responder aos questionamentos filosóficos, científicos, históricos e teológicos de seus jovens. Quase não há, fora dos seminários, apresentações da filosofia e teologia cristãs, tampouco há o incentivo e ensino de História da Igreja e, muito menos, amparo sobre questões de fé e ciência. Os jovens cristãos estão intelectualmente perdidos! Suas perguntas são censuradas, mal respondidas ou ficam sem resolução, a fé é apresentada como algo totalmente alienado desse mundo, sem ligações racionais com a realidade observada e, sob tais circunstâncias, uma loucura a ser desprezada. O desnorteado indivíduo, o jovem desamparado, terá acesso, na internet ou faculdade, às apresentações ateístas e, por questões óbvias, sentir-se-á atraído: o seu acesso ao conhecimento secular é tremendamente maior do que o conhecimento que a Igreja lhe forneceu (ele mal está engatinhando na fé e já recebe um turbilhão de informação antirreligiosa), nem dá tempo de ele se interessar por estudar teologia num seminário que as garras do Mundo Acadêmico o puxam para o ateísmo onde, finalmente, ele poderá usufruir dos prazeres da carne enquanto vive algo que, para ele, faz mais sentido, isso intelectualmente falando. Aqueles jovens que tiveram tempo para uma conversão verdadeira, em alguns casos, conseguem se proteger dos ataques anticristãos através de uma solitária busca por material apologético (mas isso é bastante raro) ou, noutros casos, com base em uma fé forte o bastante para sobreviver simplesmente com base na força de vontade (mais raro ainda). Bom para os jovens que se encaixam nas duas últimas categorias, mas e todo o restante? Infelizmente a sua tendência é afundar cada vez mais no ateísmo e anticristianismo, com base na seleção de informações e no ambiente pesado de páginas de grupos ateístas, retornando à fé em quatro casos: se tornou-se ateu com base no conhecimento, poderá se converter se continuar estudado; talvez chegue uma certa idade em que a rebeldia não mais lhe será atraente; é possível que, com o tempo, canse do hostil e polêmico ambiente neo-ateísta ou, quem sabe, não aguente mais o vazio da alma (mas isso quase sempre exigirá o envolvimento de um cristão preparado para lidar com questões ateístas... quem se preparou?).

A Igreja brasileira já perdeu muitos jovens. A Igreja brasileira continuará perdendo muitos jovens. A Igreja brasileira foi negligente, foi INCOMPETENTE na forma como lidou com a sua juventude! Ela abandonou os seus jovens em algumas das suas mais importantes necessidades! Seus líderes não se prepararam, ou não quiseram se preparar. Os pais não se preocuparam em apresentar uma fé também racional para os seus filhos, eles não se esforçaram para evangelizar adequadamente as suas crianças! Nós sabemos que a ciência, por si só, não é o fator que afasta os jovens de Deus, pois Francis S. Collins, por exemplo, é cristão mesmo sendo um dos maiores cientistas da atualidade, o que tem afastado os jovens da Igreja é, sim (e inclusive), a falta de conhecimento, a falta de uma exposição empolgante, viva e profunda de filosofia, história, teologia e ciência para o cristão desde a infância! Sem esses fundamentos, vemos jovens que, ou temem o conhecimento, ou se deixam levar por qualquer mentira - jovens despreparados! Jovens que foram absurdamente melhor servidos de conhecimento secular do que cristão! Que, antes de atingirem algum amadurecimento na fé, já foram apunhalados pelo ateísmo! Será que eles, ex-cristãos e atuais ateus, são totalmente culpados de sua descrença? Sei que a Igreja os serviu tão mal de informações que antes mesmo de se converterem verdadeiramente, de compreenderem de fato o que é o cristianismo, se viram cercados de secularismo (e que jovem vai querer passar vergonha por aí, afirmando algo que, para ele, não tem argumentos plausíveis? Vazio de lógica e sentido?). Sim, a Igreja foi e está sendo incompetente com os seus jovens, mas as coisas podem mudar, podem melhorar: saiamos da "bolha", da redoma intelectual, do gueto! Estudemos, nos preparemos, tenhamos iniciativa: as gerações que estão chegando precisam de gente inteligente e conhecedora da História da Igreja, de filosofia, de teologia e de ciência (em suas diversas facetas), de gente que inspire, que responda sem medo e com consistência! Que lhes dê confiança, coragem, suporte! Também há tempo de resgatar muitos jovens que foram perdidos, isso antes que fiquem completamente cegos pelo ódio anticristão: os enfrentemos em debates, mas de modo digno e equilibrado, levemos respostas coerentes aos seus questionamentos, compremos livros dos mais variados tipos, ampliemos nossos conhecimentos e ofereçamos, em amor, informações cheias de credibilidade e conteúdo para aquele que fugiram em parte, por causa da nossa incompetência, da incompetência da Igreja nessa área.

A Igreja não pode mais ser negligente e nem agressiva com relação aos agressivos e anticristãos neo-ateus que ela mesma, através de sua negligência, ajudou a formar. Sejamos sóbrios e humildes.

Natanael Pedro Castoldi

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