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Os Novos Ministros, a Oposição Histérica e a Barbarização da Sociedade

--- O texto que segue objetiva refletir sobre críticas desferidas contra o governo que sucede o Dilma, com ênfase no que se tem dito acerca da sua composição ministerial ---

"Civilização do Espetáculo" é como Llosa descreve nossas atuais circunstâncias enquanto sociedade, imersos na pós-cultura. Movidos pela mídia, nossa aptidão mental reduziu-se ao apelo da imagem, da exterioridade, fazendo do próprio corpo a expressão máxima das ideias políticas, que já não são propriamente ideias, mas tão somente um encadeamento de emoções e de identificação carnal.
O empobrecimento da visão do homem, cuja complexidade é suprimida pelo obscurantismo ideológico, obstrui a superação da imagem corpórea em favor da avaliação do homem interior, com seu mundo de raciocínios e intentos. A distorção da linguagem pela barbarização e segmentação da sociedade em tribos - ou coletivos -, torna o pronunciamento verbal irrelevante, talvez indecifrável, urgindo que se use a pele para demarcar discurso, expressar impulso e desejo, comunicar vontades, tal como em povos pré-históricos, ou "sem escrita". Isso fica claríssimo quando milhões aplaudem o pronunciamento ininteligível de uma liderança semianalfabeta, enquanto desprezam todo o conteúdo de um sucessor que realmente tem algo a dizer. Na decadência para o estágio kierkegaardiano da banalidade, só sobra o imaginário inconsciente ligado aos impulsos mais primitivos, com sua insuficiência moral e cognitiva para a assimilação de conceitos mais complexos e projetos de retorno não imediato.
Sem uma visão sóbria do ser humano, para além de sua expressão corpórea e da captação sensorial, sem a devida solidificação moral, resta apenas um moralismo inquisitorial: as palavras de ordem, os grunhidos a requisitar pela força o avanço das ideias cognoscíveis apenas ao grupo que as ostenta, reduzem qualquer divergente ao nível de escória, alguém a ser silenciado por qualquer via disponível, independentemente da sobriedade das justificativas de que disponha. Há, aqui, um imaturo e narcísico senso de onipotência que só a venda do fanatismo religioso é capaz de proporcionar.
Esse moralismo estético, centrado em totens e estandartes, aprisionado à imanência, é incapaz de perceber que homens sejam capazes de governar para mulheres, e vice-versa, que uma etnia/raça tenha em si a potência para beneficiar outra, que entes de uma classe social estejam aptos para atender membros das que estão acima ou abaixo. Essa estratificação total é produto da mentalidade barbárica e a fortalece: para eles, a constituição anatômica e territorial é qualificadora dos homens, que não podem partilhar de interesses comuns por conta da aparência, distinguindo-os em "diferentes humanidades", incomunicáveis e inconvivíveis, sobrando apenas a luta de classes/raças/sexos, na qual o único resultado possível e desejável é a dominação ditatorial de um grupo sobre o outro. O que resta é uivante animália e latejante ressentimento.
A perspectiva do gueto coletivista, por sua própria natureza, é incapaz de perceber a generalidade da sociedade e suas complexidades, tampouco observar, pela urgência e proporcionalidade, aquilo que interessa ao bem comum. Ter seu estandarte cravado no centro do poder é mais válido do que a resolução de uma dívida interna que está na casa das centenas de bilhões. E se você questionar a legitimidade dessa militância, a sua deposição enquanto ente civil apto a participar do processo democrático também se fará necessidade da maior magnitude.
Fogueiras nas rodovias, bodes expiatórios, turba urrando em êxtase diante do líder inflamado. A tendência é mergulharmos num tempo de trevas, não de libertação social.


Natanael Pedro Castoldi

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