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Como Explicar a Saudação Gentílica, "Ave", do Anjo para Maria?

Há algum tempo, na EOMEAB no facebook.com, fui contemplado com esse questionamento que, de fato, faz sentido: se o anjo chegou-se a Maria através de uma expressão gentílica e não judaica, não teríamos uma indicação de fraude? Não seriam os Evangelhos simplesmente uma invenção de Roma para garantir sua supremacia? É lógico que não solucionaremos a questão de Roma ao responder a pergunta sobre a expressão "ave", isso será feito noutra postagem, mas creio que a breve resposta que seguirá ajudará no entendimento sobre a autenticidade histórica e teológica do Novo Testamento.

"Na saudação do anjo, impressiona o fato de não dirigir a Maria a habitual saudação judaica shalom - a paz esteja contigo -, mas a fórmula grega khaire, que se pode tranquilamente traduzir por "Ave", como sucede na oração mariana da Igreja, formulada com palavras tiradas da narração da anunciação (cf. Lc 1, 28.42). Mas é justo individuar, neste ponto, o verdadeiro significado da palavra khaire: alegra-te!" A Infância de Jesus, Bento XVI, Planeta, 2012, pg 30. De qualquer forma, a expressão "Ave" provém do grego e podemos entender que, depois da dominação grega na Palestina, da parte de Alexandre Magno, muitos dos judeus se helenizaram, incorporando costumes e vocábulos gregos. Na verdade, o grego koiné, comum, era a língua "internacional" do período, sendo conhecida e falada por uma grande parte da população do Mediterrâneo - a saudação grega da parte do anjo, portanto, não é estranha. Teria sido mais aceitável se o anjo, dando continuidade ao linguajar profético veterotestamentário, tivesse desferido a saudação judaica, mas até mesmo a saudação grega é profética, indicando que, em Cristo, há uma ruptura do isolamento israelita, que em Cristo o mundo todo seria abençoado e, para tal, o grego, como língua "universal", carrega-se de simbolismo. Por fim, Lucas escreveu para que leitores gregos tivessem acesso ao Evangelho, fazendo-o, por lógica, em grego e, desse modo, pode ter empregado a saudação grega Ave no lugar de uma possível original judaica, mas isso sem comprometer o significado da expressão usada: em qualquer língua o anjo falou "alegra-te". Por outro lado, o fato evidentemente peculiar de se ler uma expressão em grego no diálogo do anjo com Maria, peculiaridade essa da qual o autor estava consciente, demonstra que provavelmente não houve nenhuma alteração do original, uma vez que o historiador não desejou facilitar as coisas tornando o texto mais "judaico".

Natanael Pedro Castoldi

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