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De Onde Vem a Moralidade?

Segue um breve texto publicado por mim no facebook.com no dia 02/07/2013 sobre a origem da moralidade e as consequências de se saber disso. Tire as suas próprias conclusões.

Estudos de antropologia e neurociência já identificaram a existência de um padrão de moralidade inato, absoluto e universal, verificado num espaço físico de nosso cérebro e constatado pelas análises de nosso mundo. Não existe cultura alguma, passada ou presente, que não tenha um instintivo e incontrolável desgosto por questões como assassinato, roubo ou traição. Esses pontos não são frutos de aprendizado, são herança genética, herança essa proveniente da mais remota antiguidade, uma vez que se encontra presente em todos os povos, mesmo os mais distantes geograficamente - inclusive a própria crença em Deus possui genes a seu favor. Vide o artigo "A crença em Deus é inata", Portal Conservador, 20/05/2013 (http://portalconservador.com/a-crenca-em-deus-e-inata/). Essas questões, exclusivas do ser humano, não parecem ter uma fonte natural observável. É claro que, dependendo da cultura, do isolamento e da história, variações de comportamento podem ser observadas, porém em nenhum caso encontramos a aceitação, dentro dos grupos, do roubo, traição e assassinato. O que isso significa para os nossos dias?

1 - Havendo um padrão de certo e errado, concebemos que existe um padrão sobre aquilo que é "bonito" e aquilo que é "feio", com as suas devidas variações culturais. É aí que eu entendo o esforço de muita gente, fazendo mil e uma peripécias, arranjos de palavras e vislumbres imaginativos, para provar que aquilo que gostam, mesmo sendo "feio" é lindo. Uma das coisas que observamos em nosso mundo de relativos é: se eu gosto de algo, necessariamente ele tem que ser considerado bonito.

2 - Havendo um padrão de certo e errado, temos um padrão de "benéfico" e "maligno". O que isso significa? Que podemos, com base em complexidade, conteúdo, beleza e tempo de trabalho julgar aquilo que nos faz mais ou menos inteligentes. É aí que vemos muita gente desenvolvendo amplos apelos emocionais para alegar que aquilo que gosta é coisa de "gente inteligente", mesmo que, evidentemente, torne o cérebro preguiçoso. Uma das coisas que observamos em nosso mundo de relativos é: se eu gosto de algo, necessariamente ele tem que ser considerado coisa de gente inteligente.

3 - Havendo um padrão de certo e errado, temos um padrão de... certo e errado, oras! O que isso significa? Que podemos, com base em nossos conhecimentos do universo, definir se algo é aceitável ou não, analisando os seus benefícios para a perpetuação da vida e a sua contribuição para a saúde física e mental do indivíduo e da sociedade. É aí que vemos gente criando mil mitos diferentes para tentar legitimar o ilegítimo, criando uma atmosfera intelectualmente aceitável para que aquilo que deseja racionalmente não seja tão severamente julgado pela consciência moral individual e coletiva, e é aí que as mais variadas práticas imorais, como o infanticídio, a vulgaridade e diversas expressões sexuais acabam ganhando espaço. Um das coisas que observamos em nosso mundo de relativos é: tudo o que eu quero deve ser aceito, obrigatoriamente, por todos - eles devem achar tudo o que eu faço lindo e maravilhoso.

É com base no atentado ao que temos de mais humano em nós que a sociedade, rompendo as barreiras morais, desaprende a viver em civilização e, uma vez instalada a supremacia do indivíduo em detrimento do bem comum, gera-se o caos e volta-se à selva. Cuidado!

No dia 03/07/2013 com base no artigo de Reinaldo Azevedo, 02/03/2012, Veja.com.br, de nome "Eles chegaram lá: dupla de especialistas defende o direito de assassinar também os recém-nascidos" ->link<-, escrevi:

Uma coisa leva a outra, um limite rompido abre caminho para a queda de outro. A cada barreira moral extraída o homem retrocede um passo na História: a moral, que mais nos diferencia dos animais, é o fundamento mais sólido da civilização - rompê-la não é avanço, é apenas retorno à floresta, ao mundo bestial. Conseguirá o homem viver em sociedade se, num futuro relativamente próximo, outras vitórias pró-assassinato forem obtidas?

Tenho lido o livro Heróis da História, Will Durant, L&PM, e me maravilhado com a sua visão da História do Mundo: quando o homem saiu da floresta precisou arranjar certas regras de convívio, uma vez que assassinar, tomar qualquer mulher por aí como propriedade ou roubar o que bem entendesse, tornaria as cidades inabitáveis, inseguras e divididas em facções. Para ele o sistema moral, reforçado pelas leis e pela religião, é o alicerce máximo da civilização e, portanto, retrocede a sociedade que relativiza a moral, desrespeita as leis e tenta destruir a religião. Durant me fez perceber como o homem, em parte ainda selvagem, vive de ciclos morais: nalguns momentos o seu lado bestial, cansado das regras, toma conta e tenta devorar tudo - aí temos períodos de imoralidade crescente, como é hoje -, mas depois, vendo o estrago, a próxima geração se acalma e procura reorganizar a sociedade - como tem acontecido em alguns países do Norte da Europa. O livro de Durant coloca como Heróis da História aqueles que reviveram e fortaleceram a religião, as leis e a moral. 

Por fim, o que postei no facebook.com, 06/08/2013(complemento posterior):

Estamos vivendo tempos incríveis mesmo! Tempos nos quais a religião que mais veracidade demonstrar, que mais racional for, que mais se comprovar científica e filosoficamente, não mais será aplaudida, mas severamente condenada como "retrógrada" e "intolerante". Eis a Era da Emoção, ou do Egoísmo - mais aceitável é não aquilo se prova razoável, mas aquilo que é mais aberto, relativista, ecumênico... "bonitinho"! Há muito passou o Império da Razão, há muito as pessoas deixaram de trilhar pela coerência e verdade melhor observada - vivemos os dias da agradável Mentira Coletiva: "tudo mundo tá certo em tudo", mesmo que o próprio conceito em questão esteja errado.


Natanael Pedro Castoldi

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