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A Igreja e as Mulheres

Um argumento que comumente se usa contra a Igreja está no suposto "machismo" das Escrituras. Será que a Bíblia é machista? Será que a Igreja o é? É isso que veremos no artigo que segue, fruto da união de trechos de outros textos desse blog - tire as suas próprias conclusões.

O valor das mulheres no Novo Testamento: no contexto do Novo Testamento, mulheres não era valorizadas – na verdade, era dito que não mereciam respeito, nem confiança, que eram propriedade do homem e não podiam dirigir-se a homens sem a presença do marido, para não serem tidas como adúlteras.  A conversa de Jesus com a mulher samaritana, em João 4, é incrível partindo desse ponto de vista e, como era esperando, os discípulos “se admiraram de que estivesse falando com uma mulher”. Jesus também recebeu mulheres em seu grupo de seguidores, sendo discípulas, o que era desprezível para a época, mas Lucas 8:1-3 nos fala disso, citando, inclusive, que algumas dessas mulheres sustentavam os homens, o que, segundo o Sirach de Jerusalém (195 a.C.) era vergonhoso. Quando Jesus diz, em Mateus 12:46-50, “Eis minha mãe e meus irmãos”, referindo-se a seus seguidores, parece indicar a existência de mulheres ali. Em Lucas 10:39, quando Maria se assentou aos pés de Jesus para ouvir-lhe ensinando, usa-se expressão idêntica a referida em Atos 22:3 sobre Paulo aos pés do famoso rabino Gamaliel, pondo Maria na dignidade de ser ensinada por um rabino – e as mulheres não tinham acesso aos estudos da Torá, conforme diz a Mishnah, comparando a exposição feminina ao conhecimento da Lei com a luxúria. Cristo, para ser ainda mais revolucionário, refere-se, nalgumas passagens, a Deus usando termos femininos, como a mulher que procura uma moeda perdida, em Lucas 15. Vale lembrar que, mesmo sendo consideradas sem importância na época, mulheres são as primeiras testemunhas do evento mais importante da História Humana: a Ressurreição de Cristo!
Na Igreja Primitiva notamos que as mulheres receberam funções importantes na instituição, tendo como exemplo o texto de Atos 18:24-26, afirmando que Apolo foi instruído por Priscila e Áquila – e o nome de Priscila aparece antes do de Áquila, o que era incomum. Em Romanos 16:1-2 vemos que Febe exercia a função de um diácono. O exercício de profecia também é tido entre mulheres no Novo Testamento, como as filhas de Filipe, O Evangelista. Por que Confiar na Bíblia?, Amy Orr-Ewing, pgs 88-95.
As mulheres e o Antigo Testamento: o texto mais importante sobre essa questão é o de Provérbios 31, sobre a Mulher Virtuosa, que exerce função digna de respeito no lar. Não poucas vezes as mulheres são tratadas com respeito no Antigo Testamento, por exemplo: quando Hagar, serva de Sarai, é expulsa da casa de sua ama, Deus a procura e diz: “Hagar, serva de Sarai...” (Gênesis 16:7) – esse é o único texto antigo do Oriente Médio em que uma divindade ou mensageiro chama uma mulher pelo nome! Há profetizas e juízas no Antigo Testamento: Miriã (Êxodo 15:20-21), Débora (Juízes 4:4-7), a esposa de Isaías (Isaías 8:3) e Hulda (2 Reis 22:13-20). Em Joel 2:28 temos profecias benéficas dadas em mesma medida a homens e mulheres. Raquel pôde orar diretamente a Deus e Ele a ouviu, o que destoa da maioria das narrativas antigas (Gn 30:22-24), sem esquecer de Ana, Sara ou Rebeca. Isaías, em Is 43:13-14, compara-se a uma mulher em trabalho de parto. No final das contas, talvez o mais surpreendente sobre o Antigo Testamento é a existência de dois livros sagrados com nomes de heroínas, seja em sentido político, seja em comportamental: Rute e Ester. Fonte: Por que Confiar na Bíblia?, Amy Orr-Ewing, pgs 96-99.
Da postagem: A Bíblia e a Ética

"O feminismo moderno não teria lugar nas famílias romanas nem nas famílias judaicas da época. No entanto, o próprio Paulo insistia, já nos seus primeiros escritos, que homens e mulheres são iguais. Suas palavras devem ter surpreendido as mulheres que tomavam o primeiro contato com as ideias cristãs." (...) "Ao escrever aos cristãos gregos de Corinto - gente que ele conhecia bem - advertiu: 'Fazei com que as suas mulheres mantenham silêncio no templo, pois não lhes é permitido falar.' Embora o silêncio fosse provavelmente a regra em muitas congregações, eles devem ter falado alto durante os serviços religiosos em Corinto, porque Paulo recomendou que colocassem o lenço sobre a boca, se precisassem dizer alguma coisa." (...) "Em algumas cidades, as cristãs eram ativistas. Apolo, um intelectual judeu que se tornou 'poderoso nas escrituras', e quase um rival de Pedro, alcançou prestígio graças aos ensinamentos de Priscila, filha de um construtor judeu. (...) As mulheres também atuavam nos templos como diaconisas ou, até mesmo, financistas. Lídia, que vivia em Filipos, na Macedônia, trabalhava como vendedora de um material caríssimo chamado púrpura, e seu dinheiro deve ter sido de importância vital para a congregação iniciante. Na verdade, as mulheres se tornaram tão influentes que Porfírio, um filósofo não religioso, muito conceituado por volta do ano 300, comentou que elas atrapalhavam o cristianismo." Fonte: Uma Breve História do Cristianismo, Geoffrey Blainey, Fundamento, 2012, pgs 37-38. Sobre o "falar alto" das mulheres de Corinto, advertidas por Paulo, podemos entender isso como parte da euforia do gênero que, até então desprezado, havia encontrado um lugar onde tinha poder de voz e, de tão empolgante novidade, exagerado um pouco na participação - o que, naqueles dias, era perigoso, uma vez que essas mesmas mulheres não haviam tido direito à instrução na Lei ou à educação formal e precisavam ser melhor ensinadas antes de se expressarem com tal liberdade.

As mulheres não tinham muito espaço nas famílias romanas ou judaicas do início da Era Cristã e, nesse contexto, Paulo insistia que homens e mulheres são iguais perante Cristo. Embora Paulo tenha buscado corrigir alguns comportamentos inconvenientes de determinadas mulheres cristãs ao longo de suas cartas, de modo geral ele diz: “não há homem ou mulher perante Cristo” e “marido: ame sua esposa como Cristo amou a Igreja, de modo a morrer por ela” – Gálatas 3:28 e Efésios 5:25. 

Havia pouquíssimo espaço para a mulher na Antiguidade, coisa que a fé cristã, tendo algumas mulheres como protagonistas do Novo Testamento (Maria, Mãe de Jesus, Maria Madalena, Priscila) e uma nova visão de liberdade e democracia, veio corrigir, de tal modo que as mulheres, em determinadas situações, tiveram que ser disciplinas, uma vez que algumas estavam se comportando mal durante o heterogêneo culto cristão, 1 Coríntios 14:34 - como poderiam as mulheres falar demais durante os cultos em Corinto, se não fossem aceitas na celebração, como acontecia em muitas reuniões pagãs? As mulheres estavam lá - e isso era, sim, um diferencial cristão.

Natanael Pedro Castoldi

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